Igreja Paroquial de São Julião / Igreja de São Julião

IPA.00003448
Portugal, Setúbal, Setúbal, União das freguesias de Setúbal (São Julião, Nossa Senhora da Anunciada e Santa Maria da Graça)
 
Arquitectura religiosa, manuelina, maneirista. Portais de estrutura e decoração manuelina, vestígios da primitiva igreja, que já teria a mesma orientação (PEREIRA, 1985). A igreja quinhentista é atribuída a João de Castilho ( PEREIRA, 1985). Portal e janelas dos alçados laterais, estrutura divisória do espaço interno de características maneiristas. Capela-mor, remate da fachada principal e janelões da mesma, talha e azulejos pombalinos.
Número IPA Antigo: PT031512030002
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal composta, formada pela justaposição do rectângulo da capela-mor ao rectângulo maior das naves; adossadas à capela-mor a capela do Santíssimo, rectangular e várias divisões de apoio à paróquia. Volumes articulados com telhados diferenciados de 2 águas sobre o corpo da igreja e anexos paroquiais. Alçado principal rematado por empena com frontão contracurvado, 2 andares e 3 panos divididos por pilastras; portal manuelino, com moldura em arco conopial em torsal, 3 janelões de moldura barroca, o central no eixo do portal com frontão triangular; alçados laterais divididos em panos separados por pilastras, com cimalha envolvente, portal manuelino inscrito em gablete, com vão trilobado, rodeado por várias molduras de diferentes perfis, a N., portal maneirista com frontão triangular, a S.; janelas de moldura lisa rectangular; torre sineira com cúpula bolbosa sobre os anexos paroquiais de 2 andares, no alçado N.. INTERIOR: 3 naves de 5 tramos, separadas por arcos plenos sobre pilares prismáticos com capitéis jónicos; tecto em madeira de 3 planos. Capela-mor com abóbada de lunetas, com cimalha envolvente no seguimento dos capitéis toscanos do arco triunfal. Fenestração: 4 janelas a N., 5 a S., 3 janelões sobre o coro, lunetas na capela-mor. Capela do Santíssimo do lado do Evangelho, altar colateral das Almas, do lado da Epístola; 3 edículas nos alçados laterais,em arco redondo sobre pilastras, com altares. 2 púlpitos em talha adossados aos pilares entre o 4º e o 5º tramos; coro-alto com balaustrada em meia lua sobre a entrada principal, ocupando o 1º tramo. Tecto das naves pintado, com o escudo português e as insígnias da Ordem de Santiago; abóbada da capela-mor com motivos eucarísticos e marianos em estuque; paramentos laterais da capela-mor revestidos a mármore negro; silhar de azulejos pombalinos, com painéis em azul e branco com cenas da vida de São Julião e Santa Basilissa, enquadrados por cercaduras polícromas rococó, envolvendo paredes das naves, capela-mor e capela do Santíssimo; altar-mor em talha polícroma pombalina, com tela na tribuna representando São Julião, atribuída a Pedro Alexandrino, altares colaterais e laterais em talha idêntica (o do altar-mor encomendado ao mestre entalhador José Antunes e o da Capela das Almas ao mestre Domingos Ribeiro da Silva). Sacristia com tecto em caixotão, silhar de azulejo de padrão pombalino.

Acessos

Praça do Bocage, nº 135-136

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910

Enquadramento

Urbano, planície, implantação harmónica. Integrada na malha urbana da cidade, com a fachada principal e lateral N. abrindo para a praça principal da povoação, antiga Pç. do Sapal.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial / Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DGPC, Decreto-Lei n.º 115/2012, DR, 1.ª série, n.º 102 de 25 maio 2012

Época Construção

Séc. 16 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: João de Castilho (atr.). ENTALHADORES: José Antunes (1782-1783); José Rodrigues Ramalho (1716); Domingos Ribeiro da Silva (1785). ORGANEIRO: Roque Soares (1617). PEDREIROS: João Favacho, (1516 - 1519), João Vicente Valido, (1785). PINTOR: Pedro Alexandrino.

Cronologia

Séc. 13, 2ª metade - construção da primitiva igreja, da qual não restam vestígios, fundada por pescadores, segundo a tradição e ligada por tribuna aos paços do Duque de Aveiro, que ficavam do lado S.; 1513 - 1520 - ampliação da primitiva igreja por ordem de D. Manuel; 1516, 28 janeiro - mandado do mestre de Santiago para o recebedor da sisa da fruta de Lisboa dar 18.000 reais a Pedro Calado, recebedor do dinheiro das obras da igreja; 1516 - 1520 - campanha de obras manuelina; 1531 - a igreja fica arruinada com o terramoto; 1541 - compromisso da Irmandade do Santíssimo; 1570, cerca - reconstrução da igreja arruinada pelo terramoto; 1617 - contrato com Roque Soares para execução do órgão; 1716 - obra do retábulo-mor da igreja por José Rodrigues Ramalho (FERREIRA, vol. II, p. 533); 1778 - 1779 - data do silhar de azulejos; 1782 - 1783 - data da talha do altar-mor, encomendada ao mestre entalhador José Antunes; 1785 - data da talha da Capela das Almas encomendada ao mestre entalhador Domingos Ribeiro da Silva; 1755, 01 novembro - o terramoto deixa a igreja muito arruinada; séc. 18, último terço - reconstrução da igreja; 1858, 11 novembro - estragos causados pelo terramoto, tendo caído dois fogaréus da fachada principal; 1969, fevereiro - estragos provocados pelo sismo; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 2007, 20 dezembro - o imóvel é afeto à Direção Regional da Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, pela Portaria n.º 1130/2007, DR, 2.ª série, n.º 245; 2009, 24 agosto - o imóvel é afeto à Direção Regional da Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163; 2011, 04 agosto - proposta da DRCLVTejo para a fixação de uma Zona Especial de Proteção conjunta do Edifício dos Paços de Concelho de Setúbal e da Igreja de São Julião; posteriormente, face ao arquivamento do procedimento de classificação do Edifício dos Paços do Concelho, fica sem efeito a proposta de fixação de uma Zona Especial de Proteção conjunta.

Dados Técnicos

Estruturas autoportantes na capela-mor e anexos, autónoma nas naves.

Materiais

Cantaria e alvenaria de pedra, betão armado, telha cerâmica, azulejo, madeira, vidro.

Bibliografia

COUTINHO, Maria João Fontes Pereira, A produção portuguesa de obras de embutidos de pedraria policroma (1670-1720). Lisboa, Dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa, 2010, 3 vols.; FERREIRA, Sílvia Maria Cabrita Nogueira Amaral da Silva, A Talha Barroca de Lisboa (1670-1720). Os Artistas e as Obras, Lisboa, Dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa, 2009, 3 vols.; LEAL, Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Vol. 9, Lisboa, 1882; Guia de Portugal, vol. I, Lisboa, 1924; PEREIRA, Fernando António Baptista, Sobre o manuelino de Setúbal, separata de Setúbal na História, Setúbal, 1990; PORTELLA, M. M., Noticia dos Monumentos Nacionaes e Edificios e Logares Notaveis do Concelho de Setubal, Lisboa, 1882; Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1976; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. II, Braga, 1990.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

DGARQ/TT: Cartório de Setúbal, n.º 12, mç. 6, Lº 52, Corpo Cronológico, parte II, maço 63, doc. 50, Núcleo antigo 750, pasta 149, nº 2.

Intervenção Realizada

DGEMN: 1944 - arranque dos azulejos da fachada principal, reboco da mesma, reparação geral de telhados; 1947 - reparação do telhado da sacristia, consolidação do portal lateral manuelino; 1949 - restauro dos púlpitos, estuques e azulejos; 1955 - rebocos interiores e estuques (sala de reuniões e escada); 1969 - trabalhos de consolidação dos estrgos provocados pelo sismo; 1977 - reconstrução do telhado sobre cintas de betão e estrutura pré-esforçada; rebocos exteriores; 1980 - reparação da instalação eléctrica; 1984 - reconstrução dos telhados da sacristia e cartório sobre elementos pré-esforçados; 1985 - reparações diversas.

Observações

Autor e Data

Isabel Mendonça 1992

Actualização

 
 
 
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