Povoado Fortificado do Monte da Tumba / Monte da Tumba

IPA.00003437
Portugal, Setúbal, Alcácer do Sal, Torrão
 
Aglomerado proto-urbano. Povoado da Época Calcolítica com ocupação do sítio desde o Neolítico final. Povoado fortificado com boas condições naturais de defesa, considerado de tipo pouco conhecido no Baixo Alentejo, possuindo boas sucessões estratigráficas; a sua indústria utilizou o sílex branco, acastanhado (Munsell 10 YR 4.5 / 3) e cinzento, o xisto jaspoide e o quartzo leitoso. O povoado ter-se-á desenvolvido não no Neolítico final, mas talvez no Calcolítico antigo, onde poderia estar já presente o prato de bordo almendrado e ausente a placa paralelepipédica com um furo em cada extremidade, embora substituída por crescentes de secção rectangular; algumas peças provenientes de camadas inferiores levou igualmente a que se situasse o povoado numa fase antiga do Calcolítico (SILVA, 1967 / 1977). Povoado raro para este período no Baixo Alentejo Calcolítico, e mais raro ainda por oferecer boas sucessões estratigráficas. É importante pelo conhecimento que proporciona sobre o meio natural (fauna, flora, carvões). Os artefactos recolhidos são muito característicos e semelhantes a outros encontrados em povoados calcolíticos de Estremadura e do Baixo Alentejo.
Número IPA Antigo: PT041501040015
 
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Registo

 
Conjunto urbano  Aglomerado urbano  Povoado  Povoado da Época Calcolítica  Povoado fortificado  

Descrição

Complexa estrutura definida por articulação horizontal de compartimentos, com sucessões estratigráficas no seio de uma mancha calcária. Trabalhos no local mostram mais de 2m de estratigrafia onde se definem estruturas defensivas, com muralha defensiva central. Este habitat fortificado é constituído por muralhas guarnecidas por bastiões semicirculares e torres circulares. Foi trazida à superfície muita e, diversificada cerâmica, indicativa da época estratigráfica onde foram encontrados, para lá de importantes manifestações de um interessante universo de artefactos, nos vários níveis de profundidade de exploração.

Acessos

Situa-se a 1,100 m para E. da Ribeira do Xarrama (afluente do Rio Sado) e a c. de 55 Km da foz deste rio; a 6 km do Torrão, no Val do Gaio, Est. 5-2.

Protecção

Categoria: SIP - Sítio de Interesse Público, Portaria n.º 431-C/2013, DR, 2.ª série, n.º 124, de 01 julho 2013

Enquadramento

Rural, num outeiro isolado, elevação em esporão; limitado a N. e a O. por encostas abruptas e situada na confluência de dois cursos de água: um afluente directo da Ribeira do Xarrama que apresenta um caudal que permite a prática de culturas de regadio nos férteis campos adjacentes.

Descrição Complementar

Materiais recolhidos *1: pedra lascada, pedra polida / picotada, recipientes em cerâmica industrial, que correspondem de um modo geral aos níveis superiores e médios do povoado; ocorrem subprodutos de talhe de que se destacam um núcleo grande em sílex e numerosas lascas de xisto jaspoide; quanto à pedra polida / picotada, dominam os ligados à moagem; achado um pequeno escopro (75 x 18 x 15 mm) em rocha cinzenta; o lote de fragmentos de recipientes em cerâmica é constituído por 214 exemplares com bordo e de forma geral, determinável (SILVA, 1976 / 1977).

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCAlentejo, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009

Época Construção

Neolítico / Calcolítico

Arquitecto / Construtor / Autor

Não aplicável

Cronologia

2.500 - 2.000 a. c. (Neolítico final e Calcolítico) - construção ; 1980 - as obras de construção de uma vivenda no cimo da elevação, conhecida por Monte da Tumba, permitem identificar o povoado; 1982, Março - início das escavações de emergência; (depois das escavações se terem iniciado, na zona NE. da área do povoado, abriu-se uma vala destinada a fundações do edifício em construção, e verificou-se a presença de taças carenadas e de numerosos esféricos com mamilos (por vezes alongados segundo a horizontal) situados junto ao bordo; os crescentes em cerâmica recolhidos nos níveis inferiores eram, geralmente, achatados; 1984 - início do processo de classificação do Calcolítico; 1985 - trabalhos arqueológicos levados a efeito pela Drª Joaquina Soares e a sua equipa; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 1986, 02 junho - proposta de classificação do Conselho Consultivo do IPPC; 2002, 20 dezembro - proposta de classificação da DRÉvora; 2003, 25 fevereiro - parecer favorável à proposta de classificação do IPArqueologia; 2003, 05 março - despacho de abertura da proposta de classificação do Vice-Presidente do IPPAR; 2003, 25 julho - proposta da DRÉvora para a classificação como Imóvel de Interesse Público; 2004, 15 março - proposta de fixação de Zona Especial de Proteção; 2004, 15 abril - parecer favorável à proposta de classificação do Conselho Consultivo do IPPAR; 2004, 21 setembro - despacho de homologação da proposta de classificação como IIP - Imóvel de Interesse Público pelo Ministro da Cultura; 2009, 20 novembro - proposta de fixação de Zona Especial de Proteção da DRCAlentejo; 2010, 11 fevereiro - devolução da proposta de classificação e fixação de Zona Especial de Proteção à DRCAlentejo por despacho do Diretor do IGESPAR, para aplicação do Decreto-Lei n.º 309/2009, de 23-10-2009; 2011, 22 março - nova proposta da DRCAlentejo para a classificação como Sítio de Interesse Público e fixação de Zona Especial de Proteção; 26 outubro - parecer favorável da SPAA do Conselho Nacional de Cultura relativa à classificação e fixação de Zona Especial de Proteção; despacho do Diretor do IGESPAR, a devolver o processo à DRCAlentejo para aplicação do artigo 54.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009; 2012, 07 fevereiro - nova proposta da DRCAlentejo para a classificação como Sítio de Interesse Público e fixação de Zona Especial de Proteção; 26 março - parecer favorável da SPAA do Conselho Nacional de Cultura relativa à classificação e fixação de Zona Especial de Proteção; 2012, 17 setembro - publicação do projeto de decisão de classificar o imóvel como Monumento de Interesse Público e fixação da respetiva Zona Especial de Proteção, em DR, 2.º série, n.º 180, anúncio n.º 13425/2012; 2013, 16 maio - publicação de alteração ao projeto de decisão relativo à classificação como Sítio de Interesse Público do Sítio Arqueológico do Monte da Tumba e à fixação da respetiva Zona Especial de Proteção, em anúncio n.º 179-B/2013, DR, 2.º série, n.º 94.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes

Materiais

Sílex branco, acastanhado (Munsell 10 YR 4.5 / 3) e cinzento, xisto jaspoide e quartzo leitoso.

Bibliografia

SILVA, Carlos Tavares da et. alt., Datação da amostra recolhida no corte a nascente, (camada C.8 (ou 7 d)), mais antiga, Lisboa / Setúbal, s. d.; RIBEIRO, L. e SANGMEISTER, E., Der Neolithishe fundplatz, Comporta, 1967; GOMES, Fernandez, e RUIZ MATA, D., El thoios del Cerro de la Cabeza, en Valenciana de la Concepción, Sevilha, 1978; GONÇALVES, V. S., Megalitismo e inícios da metalurgia no Alto Algarve Oriental, Setúbal, 1979; IDEM, Cerro do Castelo de Santa Justa. Descobertas arqueológicas no Sul de Portugal, Lisboa / Setúbal, 1980; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/69701 [consultado em 1 agosto 2016].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID; CMP - 1 : 25 000, folha 487: x - 191; y - 1475; C.C.P. - 1 : 50 000; folha 39 D.

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

IPPAR / Câmara Municipal de Alcácer do Sal: 1982 - 1984 - escavações a cargo do Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal e do Museu de Alcácer do Sal, com o apoio da Assembleia Distrital de Setúbal; 1985 - trabalhos arqueológicos dirigidos pela Drª Joaquina Soares.

Observações

*1 - recolhidos antes do início das escavações arqueológicas, por crivagem das terras, resultantes da abertura das valas e das terraplanagens destinadas à construção da vivenda.

Autor e Data

Albertina Belo 1997

Actualização

 
 
 
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