Forte de Nossa Senhora da Vitória de Massangano / Forte de Massangano

IPA.00034160
Angola, Cuanza-Norte, Cambambe, Cambambe
 
Forte construído no séc. 16 e reformado no 17, de planta quadrangular com escarpa exterior em talude, rematada em cordão e parapeito de merlões e canhoneiras, ou liso na frente virada ao rio. A frente principal, virada a terra e precedida por bateria baixa rectangular, é rasgada ao centro por porta fortificada, com vão em arco, coroada por espaldar com brasão de Portugal, a partir do qual se desenvolve trânsito flanqueado por duas alas formando corpo retangular. Os vãos das dependências são em arco abatido, tendo as do trânsito moldura terminada em cornija contracurva, de modinatura posterior. O sistema defensivo da zona era complementado com o Forte de São João, construído num cabeço próximo, e por um conjunto de valas e trinxeiras que protegiam o acesso ao rio Lucala.
Número IPA Antigo: AO910604000006
 
Registo visualizado 302 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Forte    

Descrição

Planta quadrangular regular, com a face virada a terra precedida por bateria baixa retangular, a toda a largura do forte, com muros aprumados, rebocados e pintados de branco, acedida por rampa com guarda plena, desenvolvida em frente do portal. A praça apresenta escarpa exterior em talude, rebocada e caiada de branco, rematada em cordão e parapeito com merlões e canhoneiras, em número de quatro na frente principal e de cinco nas laterais, e liso na frente posterior. Frente principal a NE., virada a terra, rasgada ao centro por porta fortificada em arco, de moldura terminada em cornija, ladeado por lápides inscritas, e com o parapeito alteado, formando espaldar curvo, rematado em volutas e integrando brasão com as armas de Portugal; lateralmente é coroado por dois pináculos piramidais sobre plintos. INTERIOR: a partir do portal desenvolve-se trânsito, atualmente sem cobertura, flanqueado por duas alas que formavam as dependências do forte, de planta retangular, correspondentes à casa do comando e quartel, também sem coberturas. Os edifícios são em alvenaria de pedra aparente, com vestígios de reboco e caiação, sendo acedidos a partir do trânsito, para onde também se abriam janelas, por vãos em arco abatido, com molduras terminadas em cornija contracurva. Junto à entrada do trânsito, abre-se, na ala esquerda, pequeno nicho em arco. Na fachada posterior do edifício, virada ao rio, o vão do trânsito, com rampa de acesso até à parada, é ladeado por janelas em arco abatido sem moldura, uma em cada ala. O edifício é contornado por caleira. Junto a algumas canhoneiras, conserva ainda peças de artilharia.

Acessos

Massangano; EN 120, que liga Catete ao Dondo, (nesse sentido 7,5 km após passar a ponte sobre o Rio Lucala, à direita, por estrada de terra batida com restos de betuminoso, durante cerca de 21 km), 15 Km antes daquela última povoação

Protecção

Classificado como Monumento Nacional, Estado Português, Portaria n.º 81, Boletim Oficial n.º 20 de 28 abril 1923

Enquadramento

Rural, isolado, no alto de um outeiro, ligeiramente a montante da confluência dos rios Cuanza e Lucala, na margem direita do primeiro e esquerda do segundo, de onde se usufrui uma deslumbrante vista. Na proximidade ergue-se, a noroeste, e cerca de 350 m, a Igreja de Nossa Senhora da Vitória de Massangano. Mais a poente, a cerca de 650 m, na hoje designada "Praça de Escravos" ergue-se um Cruzeiro a Paulo Dias de Novais; a N., a cerca de 300 m, no caminho para o forte, situam-se as ruínas do Tribunal e Cadeia de Massangano (v. IPA.00035180). No vale que separa a Câmara Municipal (v. IPA.00035181) do Tribunal de Massangano, ergue-se a povoação, constituída por construções tradicionais

Descrição Complementar

Junto à rampa de acesso da plataforma que precede o forte, existe lápide de cantaria com a inscrição "PRIMEIRA / FORTALEZA / 1604 / MONUMENTO / NACIONAL". O portal de acesso ao forte é ladeado por duas lápides de bronze inscritas; na do lado esquerdo reza "VISITA DO CHEFE DO ESTADO / GENERAL FRANCISCO HIGINO / CRAVEIRO LOPES EM EVOCA- / ÇÃO E HOMENAGEM AOS HE- / RÓIS DA RESISTÊNCIA E LI- / BERTAÇÃO DE ANGOLA. / EM 28 DE JUNHO DE 1954". Na do lado direito tem "NO DIA 18 DE AGOSTO DO ANO 300 DA RESTAURAÇÃO DE / ANGOLA, ESTIVERAM AQUI O GOVERNADOR GERAL JOSÉ AGAPITO DA / SILVA CARVALHO, OS REPRESENTANTES DO EXÉRCITO DA MARINHA / DE GUERRA, DOS DESCENDENTES DE SALVADOR CORREIA E DE TODAS / AS CLASSES SOCIAIS DA POPULAÇÃO, AFIRMANDO AS SUAS / HOMENAGENS Á MEMÓRIA DOS QUE TÃO HERÓICAMENTE RESISTIRAM / NESTE BALUARTE À INVASÃO HOLANDESA, O QUE PERMITIU A INTE- / GRAÇÃO DEFINITIVA DE ANGOLA NA SOBERANIA DE PORTUGAL. / O G.C.F.L. AGOSTO.1948".

Utilização Inicial

Militar: forte

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: Estado angolano

Afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1580 - no local de implantação do forte trava-se a Batalha de Massangano, na qual as forças portuguesas derrotam as do rei Kiluange dos Ngola; 1582 - as forças portuguesas, sob o comando do Capitão Paulo Dias de Novais, são repelidos pelos Ngola, quando tentavam penetrar na região, em busca das lendárias minas de prata; 1583, 02 fevereiro - depois da derrota infligida ao rei do Dongo, Novais dá a Massangano o nome vila da Vitória; construção do forte pelo Capitão Paulo Dias de Novais ou por Manuel Cerveira Pereira nas margens do rio Cuanza, para a defesa do presídio que assegurava a ocupação portuguesa na região, alargando-a; 1585, 09 maio - morte de Paulo Dias de Novais, que é sepultado em frente da Igreja de Nossa Senhora da Vitória; 1606 - o forte já possui uma razoável capacidade de resposta; 1640 - as forças da rainha Nzinga atacam o Forte de Massangano, sendo as suas duas irmãs, Cambu e Fungi, feitas prisioneiras, a última das quais é executada; 1641, agosto - com a ocupação de Luanda pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, as forças portuguesas recolhem a Massangano, que passa a funcionar como capital angolana; progressivamente, Massangano, até devido à sua posição estratégica, perto da confluência dos dois rios, torna-se a povoação mais importante do interior, centro do comércio e das operações militares que se faziam na Ilamba, Dongo, Libolo e, mais tarde, Matamba; séc. 17 - época provável da feitura de obras no forte; 1648, agosto - reconquista de Luanda por Salvador Correia de Sá e Benevides; 1677 - elevação de Maçangano a vila; posteriormente, com a fundação de outros presídios ou povoações mais para o interior, a importância de Massangano vai diminuindo progressivamente, e muitas pessoas a abandonam; 1790, década - é detido no forte José Álvares Maciel, implicado na Inconfidência Mineira, sendo solto para lutar pela própria sobrevivência; séc. 19, meados - até esta data, o presídio e a sua guarnição são governados por um capitão-mor; 1825 - o governador Fêo Torres informa que a população é de 10.910 habitantes, sendo 950 escravos, alojados em duas casas de pedra e cal e em 600 cabanas, formando uma paróquia; séc. 19, meados - até esta data, o presídio e a sua guarnição são governados por um capitão-mor; 1885 - o concelho de Massangano tem 13.500 habitantes; a construção do caminho de ferro de Luanda a Ambaca, passando a algumas dezenas de quilómetros a N. do rio Cuanza, leva ao abandono e ruína das povoações ribeirinhas, como Massangano, que dependiam da navegação fluvial; Massangano deixa de ser sede de concelho e é integrado no de Cambambe, no Dondo; 1938 - Governo manda restaurar as ruínas da igreja e fortaleza, no âmbito das obras levadas a cabo por ocasião do 8º centenário da fundação e 3º da restauração de Portugal; 1954, 28 junho - visita do Presidente da República Portuguesa, o Marechal Craveiro Lopes.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra rebocada e caiada de branco; molduras dos vãos em tijolo; lápides de bronze; restos da antiga beirada de telha.

Bibliografia

BATALHA, Fernando - Povoações Históricas de Angola. Lisboa: Livros Horizonte, 2008, pp 49-66; DIAS, Pedro - Arte de Portugal no Mundo. África Ocidental. Lisboa: Comunicação Social, S.A., 2008; GABRIEL, Manuel Nunes - Padrões de Fé. As Igrejas Antigas de Angola. Braga: Edição da Arquidiocese de Luanda, 1981; MATTOSO, José - Património de origem portuguesa no mundo. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2010, vol. 2, p. 469; (http://whc.unesco.org/en/tentativelists/924), [consultado em 29-11-2012].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1938 - obras de restauro da fortaleza.

Observações

*1 - O presídio, estabelecimento de colonização militar, além de marcar a presença militar portuguesa, garantia a integridade das redes comerciais, incluindo a de tráfico de escravos para o continente americano.

Autor e Data

Manuel Freitas (Contribuinte externo) e Paula Noé 2012

Actualização

João Almeida (Contribuinte externo) 2014
 
 
 
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