Mosteiro de Nossa Senhora da Piedade da Esperança / Mosteiro da Esperança

IPA.00034033
Portugal, Lisboa, Lisboa, Estrela
 
Arquitetura religiosa, seiscentista e setecentista. Mosteiro de Clarissas Urbanistas, da Província de Portugal, composto por igreja, antecedida por terreiro fechado, e zona regral, desenvolvida em torno de amplo claustro e dois pátios. Igreja de planta retangular, composta por nave com eixo longitudinal interno e acesso lateral, e por capela-mor. Portal lateral de estrutura maneirista, rematando em tabela, tendo, adossados os coros, baixo e alto, a sacristia exterior e a casa dos capelães. Claustro quadrangular com dois andares, possuindo quatro capelas angulares, e para onde abrem os coros, a casa do Capítulo, casa do lavor, refeitório e demais oficinas.
Número IPA Antigo: PT031106371733
 
Registo visualizado 1942 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro feminino  Ordem de Santa Clara - Clarissas (Província de Portugal)

Descrição

Planta poligonal irregular, composta por igreja e zona regral adossada ao lado esquerdo, desenvolvido em torno de amplo claustro e dois pátios, tendo a cerca a desenvolver-se a E. e O.. IGREJA antecedida por pequeno terreiro, fechado por grades de ferro, flanqueadas por pilares de cantaria, sendo o templo de planta retangular, com eixo longitudinal interno e entrada lateral, composta por nave e capela-mor, com anexos adossados ao lado direito (FOLQUE, planta 41). Fachada lateral da igreja com o corpo da nave seccionado em três panos, por quatro pilastras, em duas ordens, encimadas por pináculos, um rasgado por janela retilínea em capialço, surgindo no do lado esquerdo, portal em arco de volta perfeita, sobrepujado por tímpano decorado, estando enquadrado por duas colunas de fustes lisos e capitéis coríntios, que sustentam friso, cornija e tabela retangular vertical, formando janela, rematada por frontão triangular e flanqueada por aletas. Tem adossado um corpo quadrangular com cobertura a quatro águas, rasgado por porta e janela. O corpo da capela-mor possui janela retilínea (PEREIRA, p. 299). INTERIOR com as paredes revestidas a azulejo de padrão seiscentista, encimada por painéis pintados com molduras douradas, com a nave coberta por abóbada de laçaria, pintada e dourada (COSTA, p. 517). A nave possui teia de madeira de pau-santo, com marchetados de bronze dourado e acrotérios em embutidos de pedra; capela-mor lajeada a cantaria de calcário (Livro da Fundação). As capelas laterais são dedicadas a Santo António, São Miguel e São Jerónimo (Evangelho) e a São João Evangelista (Epístola) (COSTA, p. 517). Arco triunfal em cantaria, revestido a talha dourada, flanqueado por duas capelas colaterais, dedicadas ao Amor Divino, de talha e com frontal de altar em prata (História dos Mosteiros, p. 322), e a Nossa Senhora da Esperança (COSTA, p. 517). Capela-mor com cimalha de talha dourada, silhares de azulejo e a zona superior com 10 painéis pintados a óleo, com molduras em talha dourada. Retábulo-mor, também de talha dourada, com três eixos definidos por colunas, com tribuna central e, nos laterais, dois nichos sobrepostos (História dos Mosteiros, p. 322), com as imagens de São Domingos e São Francisco (Evangelho) e de São José e Santa Clara (Epístola), surgindo, sobre a tribuna a de Nossa Senhora da Piedade (COSTA, p. 517). No lado do Evangelho, está adossada a sacristia de fora, com as paredes revestidas a azulejo, possuindo um lavabo em cantaria, arcaz de madeira de jacarandá com 12 gavetas e um bufete de pedra para os cálices (Livro da Fundação). ZONA REGRAL desenvolvida em torno do claustro grande, tendo uma série de dependências a rodear um claustro mais pequeno, situado a N., ambos com colunas de cantaria, e um pátio posterior, que abre para a cerca (FOLQUE, planta 41). O coro-baixo, abrindo para a igreja por grade em madeira de pau-santo e marchetados de bronze dourado, possui duas capelas, a de Santa Maria Madalena e a de Nossa Senhora do Paraíso (História dos Mosteiros, p. 325). Esta tem retábulo de madeira de carvalho pintada de branco e dourado, com anjos em baixo-relevo e as portas da tribuna relevadas (transferidas para a Academia Nacional das Belas-Artes) (Inventário, 1888, caixa 1959, capilha 10), com imagem do orago em pedra (História dos Mosteiros, p. 325). Fronteiro à grade, um retábulo de talha dourada, que ocupa toda a parede, de talha dourada (História dos Mosteiros, p. 325), contendo doze mísulas, que encerram bustos-relicários, oito nichos com imaginária e dois anjos que centram uma custódia em prata dourada, com a relíquia do Santo Lenho (Inventário, 1888, caixa 1959, capilha 10); na base, surge um presépio com figuras em tamanho natural. Nas paredes laterais, dois painéis pintados, com molduras de talha dourada (Livro da Fundação). O coro-alto, que abre para a igreja por uma grade semelhante à anterior (Livro da Fundação), possui, a ladear a mesma, dois retábulos de talha pintada e dourada, dedicados a São Francisco e Nossa Senhora da Soledade, estando, sobre a grade, uma estrutura de talha dourada com a imagem de Nossa Senhora da Boa Morte (Inventário, 1888, caixa 1959, capilha 10). O ante-coro possui azulejo azul e branco, encimado por sete painéis pintados. A portaria, a ligação do Mosteiro ao exterior, é composta por duas casas, uma consistindo na ante-portaria, ambas com pavimento em ladrilho, tetos pintados e as paredes revestidas a azulejo (Livro da Fundação). A ante- portaria possui retábulo em madeira de carvalho com anjos e a Portaria uma maquineta, dois nichos e um altar (Inventário, 1888, caixa 1959, capilha 10). Junta a esta, a Casa da Roda interior com retábulo pintado e dourado. O claustro principal é com canteiros angulares, cortados por quatro caminhos que ligam ao chafariz (FOLQUE, planta 41), ladrilhados a tijolo, sendo os canteiros revestidos a azulejo (Livro da Fundação). Em cada ângulo do claustro, uma capela, as inferiores em pedraria e com imagens estofadas; as superiores possuem capelas com painéis pintados (História dos Mosteiros, p. 325), duas dedicadas às Onze Mil Virgens e aos Anjos (Inventário, 1888, caixa 1959, capilha 10). A casa do Capítulo tem as paredes revestidas a azulejo (Livro da Fundação), encimadas por quadros em meio-relevo e florões de gesso, com colunas de jaspe encarnado com veias brancas (História dos Mosteiro, p. 325); tem o teto pintado e retábulo de madeira (Inventário, 1888, caixa 1959, capilha 10), dedicado à Descida da Cruz, de figuras em relevo, com altar onde surge a imagem de Cristo morto, em tamanho natural (História dos Mosteiro, p. 325). Existem vários dormitórios, o principal com escadas de acesso em cantaria, no topo da qual surge um oratório de madeira com anjos (Inventário, 1888, caixa 1959, capilha 10). Possui Casa de Lavor, enfermaria, com cozinha privada, possuindo água corrente, canalizada a partir da mina, e o refeitório, com as paredes revestidas a azulejo, encimados por oito quadros pintados a óleo, teto rebocado e com molduras policromas, possuindo mesas de madeira, assentes em pés de pedra, iluminado por quatro janelas e acesso por uma porta, com ministra de madeira de bordo (Livro da Fundação). A Casa das Madres encontra-se revestida a azulejo (Livro da Fundação), tendo, fronteiras, três capelas, dedicadas a Santa Clara, a Nossa Senhora dos Prazeres e a Cristo atado à coluna (História dos Mosteiros, p. 326). O jardim com caminhos ladrilhados e vários alegretes revestidos a azulejo (Livro da Fundação), situado a O. do claustro pequeno, abre para várias oficinas e para a cerca (FOLQUE, planta 41), murada e composta por vinha e horta (Livro da Fundação), pontuada por anexos agrícolas. No espaço da cerca, existem sete ermidas, todas com embrechados de loiça oriental (História dos Mosteiros, p. 326).

Acessos

Avenida D. Carlos I; Rua da Esperança

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, implantado a meia encosta, no local onde atualmente se ergue o Comando do Regimento de Sapadores de Bombeiros (v. PT031106370496), nas imediações do Chafariz da Esperança (v. PT031106370029), que se encontrava fronteiro ao terreiro do edifício.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro feminino

Utilização Actual

Demolido

Propriedade

Não aplicável

Afectação

Não aplicável

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ORGANEIRO: Joaquim Peres Fontanes (1801).

Cronologia

1523 - fundação de um mosteiro para albergar membros da nobreza, por iniciativa de D. Isabel de Mendanha, filha de um comerciante Biscainho e esposa de D. João de Meneses (camareiro-mor do príncipe D. Afonso e aio do príncipe D. João, futuro D. João III); 1526 - por Bula de Clemente VII é criado o cenóbio com a invocação de Nossa Senhora da Piedade da Boa Vista; 1527 - início da construção do edifício no Outeiro da Boavista, um local isolado, na Quinta da Sizana, confrontando a N. e a O. com as terras pertencentes ao prior de Santa Justa, e a S. com caminhos público que ligavam a Belém, anexa a uma capela de São Vicente de Fora, cujo aforamento de 14$000 era pago pelo monarca; 1528, outubro - testamento da fundadora, pedindo para ser sepultada no Mosteiro de São Francisco da Cidade e que se continuasse a construção do seu Mosteiro, que seria dedicado a Nossa Senhora da Piedade; para a construção deixa fazenda para ser vendida; a abadessa viria do Mosteiro da Conceição de Beja, deixando a esta, para rendimento do Mosteiro, quatro herdades no Alentejo, um casal em Muge; em troca, seriam rezadas missas pela sua alma, pela do marido, D. João de Meneses, pelos seus pais, pelo rei D. Manuel e respetivas esposas; recomenda o Mosteiro a D. João III e à rainha D. Catarina; 1531, 13 outubro - codicílio ao testamento, reiterando as vontades anteriores; 1532, 20 agosto - falecimento da padroeira, havendo ainda muito para construir no Mosteiro; D. Joana de Eça, viúva de D. Pedro Gonçalves da Câmara, filho do segundo capitão-donatário da ilha da Madeira, prossegue as obras do Mosteiro, com a construção da casa do Capítulo; D. Joana pede para se recolher no Mosteiro com duas filhas, o que foi do agrado real; 1535, 25 outubro - entram as primeiras religiosas no edifício, nove provenientes de Santa Clara do Funchal (Inês de Deus, Maria da Assunção, Helena de Jesus, Bárbara da Assunção, Clara do Paraíso, Inês de São Francisco, Ana do Espírito Santo, Ana de São João e Ângela de Jesus) e duas de Santa Clara de Santarém (Inês do Espírito Santo e Joana de Santa Clara, ambas filhas de Diogo Silveira), professando a Ordem de Santa Clara e ficando dependente do Mosteiro de São Francisco da Cidade; é nomeada abadessa, Inês de Deus; o claustro é de pequenas dimensões e encontra-se por fechar; 1548, 03 agosto - fundação do mosteiro de clarissas; 1551 - o Mosteiro tem 37 freiras, uma capela e duas confrarias, uma delas de Nossa Senhora da Esperança, integrando pilotos e mestres do mar da carreira de São Tomé, instalada num altar colateral, com imagem do orago pintada; 1553 - o prior e beneficiados de Santa Justa escambam os terrenos do Mosteiro, ficando as religiosas com direito ao senhorio da mesma, sendo a terra de troca doada por D. Isabel de Castro, mulher de Miguel Corte Real, em troca de duas missas cantadas; 1557 - após a morte de D. João III, a rainha D. Catarina instala-se, frequentemente, num palácio régio, mandado construir junto ao cenóbio, onde se recolhia com D. Maria e D. Sebastião; 1560 - data num retábulo com relevos em terracota, transferido para o Museu de Arte Antiga em 1891 (SILVA, p. 21); 1564 - Pio IV estipula que o Mosteiro tenha o máximo de 50 religiosas e 15 serviçais, sendo três lugares de nomeação da rainha, que paga a cada uma delas 90$000 para sustento; 1571 - sepultura de D. Joana de Eça no coro do Mosteiro, deixando vários bens às religiosas, entre os quais 190$000 de foros na ilha da Madeira, em troca de uma missa quotidiana; 1572 - doação de várias relíquias das Onze Mil Virgens a D. Joana de Eça pela mulher do Imperador Maximiniano, D. Maria; séc. 16, final - Cristóvão Rodrigues de Oliveira refere que o Mosteiro tem 37 freiras, tendo a igreja duas confrarias, a de Nossa Senhora da Esperança, com 180 cruzados de rendimento, e a de Nossa Senhora da Piedade com 80 cruzados; o Mosteiro tem 500 cruzados de rendas e 28 servidores; 1594 - 1596 - no governo de Madre Jerónima de Jesus, ocorreu a feitura do dormitório novo nas antigas casas da rainha D. Catarina; ampliação e remodelação da enfermaria e colocação de alegretes forrados a azulejo na quadra do claustro, tendo as obras importado em 1:317$260; 1596 - a comunidade é autorizada a admitir 20 serviçais; 1597 - 1599 - no abassiado de Madalena do Horto, foi feita a obra do coro-alto; 1606 - 1608 - com D. Inês de São Paulo são azulejadas *1 as paredes da nave, uma lateral e a do coro a expensas da comunidade, sendo as demais pagas pelas confrarias sediadas na igreja; feitura de duas lâmpadas; 1610 - 1612 - com António de Santa Ana é lajeada a antiga cozinha e feito um muro que divide a vinha; condução da água até à fonte do claustro; execução de uma custódia, dando-se a antiga e 47$550; 1612 - 1614 - com D. Madalena do Horto, são feitos os muros da horta e da vinha, então plantada, com portas de pedraria, por 679$242; 1614 - obra na capela-mor e feitura dos nichos dos altares colaterais e arco triunfal, em pedraria; colocação de azulejo de brutesco; redouramento do retábulo-mor; lajeamento do pavimento da capela-mor; 1617 - o terreiro é lajeado pela Câmara, sendo dividido em dois terraços; 1618 - 1620 - com D. Francisca dos Anjos é reformado o refeitório, sendo colocado azulejo com brutesco, a azul e branco nas paredes, encimados por 8 quadros a óleo, seis deles feitos de novo; feitura de quatro frestas grandes, porta e janela de pedraria, sendo feita a ministra do refeitório, com portas e janelas de bordo; feitura do teto em gesso e molduras policromas; reforma das mesas e feitura de novos assentos com pés de pedra, fixos; a obra importa em 301$080; derrube do que restava do Palácio de D. Catarina, sendo reaproveitados os materiais; re-edificação do ante-coro, com colocação de azulejo azul e branco e 7 painéis pintados de novo, por 81$460; execução da porta regral, em madeira de bordo e grades de ferro; execução de duas janelas na torre e colocação de ladrilho; feitura de nova sacristia e dos caminhos dos jardins, com 6 quadras, ladrilhados a tijolo e azulejo, por 97$240; 1620 - existência da imagem de Nossa Senhora da Esperança, de vulto; a comunidade possui várias relíquias, entre as quais um Santo Lenho, numa cruz com o Crucificado de prata, doada por D. Catarina a D. Joana, cabeças das Onze Mil Virgens, em caixas de prata, guarnecidas com pedras e pérolas, duas custódias com relíquias de São Sebastião e Santa Ana, um relicário de prata com Sudário, instrumentos da Paixão, ossos de Santa Clara e Santa Maria Madalena, no altar do Presépio, duas pirâmides com relíquias e dois braços relicários estofados; 1620 - 1623 - com Catarina da Anunciação é construído um dormitório nas três casas existentes junto à Casa do Lavor, por 120$800; feitura de um engenho que permita a condução da água da fonte para o claustro, para a varanda de cima, até à cozinha da enfermaria, por 35$190; colocação de um telheiro sobre a porta regral, por 31$240; 1623 - 1626 - com D. Ana de São Francisco é feita a sacristia de fora, em pedraria, com portal, fresta, lavabo e carpintaria, por 205$970; 1626 - 1629 - com Antónia da Coluna é feita uma casa na vinha de fora; 1629 - 1632 - feitura de um órgão por 40$000, por ordem de Margarida do Espírito Santo; 1635 - 1638 - com D. Antónia da Piedade é colocado azulejo na Casa do Capítulo, cuja pintura é renovada, por 51$000; 1638 - 1641 - com D. Leonor do Presépio, é feito o claustro pequeno com colunas de pedra, por 357$950; feitura de uma custódia de prata dourada e uma cruz de cristal para o Santo Lenho, por 115$000; 1641 - 1644 - douramento do arco triunfal, por ordem de Mariana de São Francisco, pela quantia de 35$430; 1644 - 1647 - com D. Joana de Jesus são feitas as grades da igreja, em pau-santo, com marchetados de bronze e balaústres de embutidos; rebaixamento da tribuna do coro, com feitura das grades em pau-santo e bronze dourado; colocação de 10 painéis pintados a óleo com molduras de talha dourada nas paredes da capela-mor; 1653 - 1657 - com D. Vicência da Cruz é feito um sacrário de talha dourada por 10$400; 1661 - 1664 - com D. Joana da Conceição é feito o muro do quintal dos padres, por 1$500; 1664 - 1667 - com D. Margarida dos Anjos é colocado azulejo nas duas casas da portaria por 237$300 e pintura do teto por 32$000; 1667 - recolhe ao Mosteiro à rainha D. Maria Francisca de Sabóia; 1670 - 1673 - com D. Maria de São José ocorre a feitura do arcaz da sacristia de fora com 12 gavetas em madeira de jacarandá por 90$000 e aquisição de ferragens por 13$600, douradas pela quantia de 24$400; execução de um bufete de pedra para os cálices por 11$000; colocação de azulejo na sacristia por 34$440 e pintura do teto por 64$380; colocação de novas vidraças por 9$000; feitura de 58 braças de muro na horta por 116$000; 1679 - 1682 - com D. Antónia da Trindade é ladrilhada a segunda casa da portaria, por 20$100; à sua custa, manda revestir a talha a cimalha da igreja e o arco triunfal; 1685 - 1688 - feitura de dois quadros para o coro-baixo com molduras em talha dourada, por 140$000; 1689 - fundação da Confraria do Amor Divino, por ação da religiosa Helena da Cruz; 1694 - 1697 - com D. Helena da Cruz é colocado azulejo na Casa das Madres; 1697 - 1700 - D. Guiomar da Cruz manda fazer uma capela em talha na igreja por 130$000, dourada por 100$000; 1704 - existem no Mosteiro 38 religiosas professas, uma noviça, 13 educandas, 24 serviçais da comunidade e não existem serviçais particulares; 1707 - a igreja tem acesso por um amplo terreiro, fechado por grades de ferro e marcado por cruzes em calcário vermelho; a porta tem duas colunas laterais, encimada por janela e aletas; o interior tem abóbada de nervuras e a capela-mor tem retábulo de talha dourada com nichos sobrepostos e tribuna central; possui oito lâmpadas de prata, sete cálices de prata dourada, 16 tocheiros, uma custódia de prata dourada, galhetas, 2 turíbulos e uma naveta; na nave, a Capela do Amor Divino, com frontal de altar em prata, tendo uma confraria do Monte do Divino Amor, com origem em Nápoles; 1712 - segundo Carvalho da Costa, residem no edifício 70 religiosas, quase todas fidalgas, 3 confessores e 2 donatos e tem de renda 9 mil cruzados; 1741 - 1744 - D. Caetana do Nascimento manda fazer um novo órgão por 200$000; 1755, 01 novembro - com o terramoto, as abóbadas da igreja ficam arruinadas, tendo obrigado à demolição das paredes; o mosteiro ficou também danificado; 1758 - o monarca manda construir um sumptuoso edifício para acomodar a comunidade e as religiosas provenientes do Calvário e de Santa Clara; 27 Abril - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco de Santos-o-Velho, Gonçalo Nobre da Silveira, é referido o Convento; 1801 - feitura do órgão de quatro Oitavas, por Joaquim Peres Fontanes, com caixa pintada a charão dourado; 1833 - segundo a descrição de Luís Gonzaga Pereira a igreja tem um cruzeiro fronteiro e, no adro, o Senhor Jesus da Via Sacra; capela-mor com a imagem de Nossa Senhora da Piedade e, na nave, três capelas no lado do Evangelho e duas no lado da Epístola; a cobertura tem a pintura de Nossa Senhora da Piedade; possui as imagens de madeira de Nossa Senhora da Piedade e de Santo António; na igreja, está instituída a Confraria da Caridade dos Presos; 1850, 27 dezembro - legado ao Mosteiro de alguns imóveis situados no Lumiar por D. Maria Gertrudes Balbina Leal; 1888 - a Câmara Municipal de Lisboa solicita a cedência do edifício para a instalação de uma padaria; 11 agosto - extinção do Mosteiro por morte da abadessa Joaquina Cândida de Jesus; 27 dezembro - tomada de posse do edifício pela Câmara Municipal de Lisboa; 1888 - 1889 - no inventário às propriedades e foros do Mosteiro, são referidas propriedades nos concelhos de Alcácer, Aldeia Galega, Almada, Almeirim, Arruda, Azambuja, Belém, Cascais, Lisboa, Loures, Lourinhã, Mafra, Moita, Óbidos, Oeiras, Portel, Redondo, Rio Maior, Salvaterra de Magos, Santarém, Seixal, Sintra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras, Vila Franca de Xira; 1889 - concessão de objetos, alfaias e mobiliário existente no mosteiro à Igreja de Santa Cruz do Castelo, Igreja dos Mártires, Igreja de São Carlos de Fataunços, Igreja do Sagrado Coração de Jesus, Igreja de São Lourenço, Igreja de São José, Igreja do Campo Grande, Igreja de Alpiarça, Igreja da Serra do Bouro, nas Caldas da Rainha, Igreja do Olival, em Ourém, à Igreja de Santos o Velho e ao Mosteiro da Encarnação de Lisboa; 04 junho - a Irmandade de Nossa Senhora das Dores em Belém pede a cedência de um reposteiro, um pluvial, jarras, vasos de louça e uma esteira; 24 julho - cedência dos objetos solicitados pela Irmandade de Nossa Senhora das Dores em Belém; 16 setembro - data de uma planta do Mosteiro existente no Arquivo da Câmara Municipal de Lisboa *2; 1891 - instalação no local do Corpo Municipal de Bombeiros, que iniciam a reforma do edifício, conforme projeto do arquiteto José Luís Monteiro, aproveitando cantarias do extinto mosteiro.

Dados Técnicos

Não aplicável

Materiais

Não aplicável

Bibliografia

Atlas da Carta Topográfica de Lisboa sob a direcção de Filipe Folque: 1856-1858. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 2000, planta 41; COSTA, António Carvalho da (Padre) - Corografia Portuguesa. Lisboa: Valentim da Costa Deslandes, 1712, vol. III; História dos Mosteiros, Conventos e Casas Religiosas de Lisboa. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 1972, vol. II; MATOS, Alfredo, PORTUGAL, Fernando - Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 1974; OLIVEIRA, Cristóvão Rodrigues de - Sumario..., 2.ª ed., Lisboa: Casa do Livro, 1939; PEREIRA, Luís Gonzaga - Monumentos Sacros de Lisboa em 1833. Lisboa: Oficinas Gráficas da Biblioteca Nacional, 1927; SILVA, A. Vieira da - O Mosteiro da Esperança. Revista Municipal. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 1950, n.º 46, pp. 13-27.

Documentação Gráfica

CMLisboa: Arquivo Fotográfico

Documentação Fotográfica

CMLisboa: Arquivo Fotográfico

Documentação Administrativa

DGLAB/TT: Arquivo Histórico do Ministério das Finanças / Conventos extintos: Convento da Esperança, caixas 1957-1962; BNP: Livro da Fundação, ampliação e sitio do Convento de Nossa Senhora da Piedade da Esperança, 1620. Manuscrito. F. 955 (original nos reservado, IL 103)

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1612 - 1614 - conserto do caminho novo; 1620 - 1623 - com Catarina da Anunciação é feito o muro do jardim do coro, que estava a cair, com cunhas à cantaria e execução de um cunhal à face da sacristia de baixo, por 134$000; 1623 - 1626 - com D. Ana de São Francisco é levantado o muro da cerca que caíra, por 82$425; reforma da habitação dos capelães, com duas celas, por 177$420; 1626 - 1629 - com Antónia da Coluna são reformadas as coberturas, por 2$918; 1632 - 1635 - reforma dos muros do Mosteiro por Joana de Jesus, pela quantia de 200$700; 1635 - 1638 - com D. Antónia da Piedade, consertam-se as varandas de madeira, as abóbadas, engessadas e pintadas, ladrilhar o pavimento e arranjo das abóbadas sobre o locutório, por 398$250; conserto da enfermaria e colocação de quatro janelas na cela; reforma de uma chaminé; reforma do refeitório, com novo reboco; reparação dos telhados do dormitório; as obras importaram em 203$180; 1641 - 1644 - com Mariana de São Francisco são reformados os telhados; 1644 - 1647 - reforma dos muros da cerca e arranjo da abóbada e muros do forno e conserto da respetiva casa, com D. Joana de Jesus; arranjo do adro e das grades de ferro do terreiro; 1647 - 1650 - acrescento dos talhados com D. Brites das Chagas; 1650 - 1653 - conserto do dormitório, que se achava arruinado, com D. Leonarda do Presépio, por 141$050; 1653 - 1657 - conserto dos telhados do dormitório e arranjo da sacristia de fora, por 106$440, com D. Vicência da Cruz; arranjo da casa dos capelães por 70$400; arranjo de uma oficina e respetivo telhado por 42$500; conserto da prata da igreja por 21$200; 1658 - 1661 - conserto dos telhados da igreja e dormitório por D. Brites das Chagas; 1661 - 1664 - com D. Joana da Conceição é consertado o cano da mina até à fonte por 38$650; reforma dos telhados da igreja por 15$280; conserto das casas da atafona por 11$320; arranjo do telhado de duas varandas e da enfermaria por 84$320; conserto da fachada da igreja por 40$600; colocação de uma viga na casa do forno e compra de madeiras para a obra das varandas, por 59$460; 1664 - 1667 - conserto da mina por 140$000, com D. Margarida dos Anjos; conserto da varanda e da botica por 41$200; conserto do dormitório e sacristia por 40$100; renovação da portaria de fora e respetivo alpendre por 382$450; conserto da porta do pátio por 9$500; conserto da sacristia da igreja por 9$330; 1670 - 1673 - com D. Maria de São José é arranjado o cunha de pedra da capela-mor, por 42$800; conserto da atafona por 31$100; colocação de uma rótula no mirante por 1$200; arranjo do telhado do dormitório das Terceiras, por 22$040; conserto do dormitório das religiosas por 46$745; forro das varandas e revisão dos telhados por 540$000; 1673 - 1676 - continua o forro do claustro com D. Maria da Conceição, por 397$466; conserto das atafonas por 29$000; conserto dos tanques da horta de fora por 56$000; conserto dos telhados e pintura da casa dos capelães por 8$200; conserto da nora da horta por 7$500; 1676 - 1679 - com D. Margarida dos Anjos é consertada a horta de fora e respetiva nora por 16$700; conserto da mina e dos muros da cerca por 65$400; 1679 - 1682 - com D. Antónia da Trindade são arranjadas as grades de ferro e pilares de pedra do adro por 48$000; revisão dos telhados da sacristia e dormitório grande por 112$500; conserto da nora da horta por 7$000; 1688 - 1691 - com D. Antónia da Trindade são revistos os telhados de dois dormitórios e da casa dos procuradores por 197$755; 1694 - 1697 - com D. Helena da Cruz é consertada a Casa do Capítulo e respetivas pinturas; colocação de portas novas; 1708 - 1711 - com D. Josefa de Maria Caetana é colocado soalho no coro-alto por 15$000 e conserta-se a enfermaria por 144$184; 1722 - 1725 - reparação de dois dormitórios que se achavam arruinados, por ordem de Maria do Sacramento; 1726 - 1729 - D. Mariana das Estrelas manda rever os telhados dos dormitórios, casa de passagem, enfermaria, cozinha, varandas e igreja por 2 mil cruzados; 1735 - D. Mariana das Estrelas manda reformar um dormitório por 8 mil cruzados; 1738 - 1741 - D. Maria do Lado manda soalhar a sacristia, por 310$500 e fazer 12 braças na contra-mina para permitir um maior caudal na fonte do claustro, por 203$000; 1744 - 1747 - D. Inocência Narcisa manda fazer uma obra de reparação na mina por 92$100.

Observações

*1 - existem azulejos provenientes do local, no Museu Nacional do Azulejo e no Museu Alberto Sampaio, em Guimarães. *2 - segundo esta planta, a igreja era antecedida por um terreiro com pequeno jardim, tendo, do lado esquerdo, os coros e, adossada à capela-mor, a sacristia de fora e um pátio, sobre os quais se desenvolvia o corpo do mirante. O claustro grande era envolvido prla casa da roda com acesso por um pátio no lado esquerdo, a partir do Largo da Esperança, ficando a casa do Capítulo na ala oposta à igreja e adossada às escadas regrais. Perpendicular à sacristia, sucediam-se o refeitório e a cozinha, antecedida por um pátio. Na face anterior do mosteiro, o claustro pequeno, com acesso para várias dependências, incluindo dormitórios, a um jardim e à Cerca de Cima.

Autor e Data

Paula Figueiredo 2012

Actualização

 
 
 
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