Povoação do Zambujal

IPA.00033953
Portugal, Lisboa, Loures, União das freguesias de Santo Antão e São Julião do Tojal
 
Núcleo urbano. Povoação situada em encosta, com desenvolvimento em anfiteatro, cuja formação setecentista se relaciona com a atividade agrícola de quinta pertencente a ordem monástica (Cónegos Regrantes de Santo Agostinho). Traçado orgânico com cruzamento entre os eixos estruturantes N-S. e E-O. originando largo central com edifícios dos séculos 19 e 20, coreto e chafariz.
Número IPA Antigo: PT031107160230
 
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Registo

 
Conjunto urbano  Aglomerado urbano  Povoação  Povoação moderna    

Descrição

Núcleo urbano com forma aproximadamente oval, prolongando-se linearmente para S. ao longo da Rua da República. É atravessado por eixos viários que garantem ligações à envolvente: um eixo N.-S. materializado pela Rua da República e Rua dos Bombeiros Voluntários que liga a entrada S. à encosta NE. (em direção ao antigo Casal da Serra) e à encosta NO. através de inflexão para O. (pela Rua Avelar Brotero). O eixo N.-S. é cruzado sensivelmente a meio por eixo no sentido E.-O. Na interseção, desenvolve-se para E. o Largo António Sérgio onde se localizam a Antiga sede dos Bombeiros Voluntários do Zambujal (v. IPA.00034922), o Chafariz (v. IPA.00034923) e o Coreto (v. IPA.00034924). Através do largo acede-se pela Rua Bento de Jesus Caraça a áreas habitacionais de génese ilegal na envolvente E. do núcleo. Para O. do largo, desenvolve-se à cota baixa a Rua Francisco Ferreira da Cunha, acompanhando o muro da Quinta da Abelheira em plataforma sobranceira ao olival da quinta, numa relação de grande proximidade visual. A partir do troço inicial da Rua Francisco Ferreira da Cunha desenvolve-se para NO. um eixo de atravessamento a meia-encosta, coincidente com a antiga EM 613, aqui consubstanciado pela Rua Dr. José Duarte Turras e seu prolongamento pela Rua 25 de Abril que, cruzando o rio Trancão, liga à EN 115 em direção a Bucelas. Traçado urbano orgânico com crescimento em mancha a partir de ocupação dispersa inicial a O., relacionada com a pré-existência da vizinha Quinta da Abelheira. Na encosta, a N. do olival e muro da quinta, subsistem alguns exemplares de arquitetura residencial tradicional, casas térreas em banda, por vezes com acesso por pátio comum, dispostas paralelamente entre si. Este tipo de construção em forma alongada está implantado nesta zona desde o séc. 18. A ocupação da colina em anfiteatro é marcada pela adaptação à topografia acidentada. Ruas tortuosas e irregulares definem quarteirões de formas também irregulares, cruzados por travessas e escadas ou dotados de becos e impasses. A delimitação do espaço é feita também pelas descontinuidades geradas pelos grandes desníveis entre plataformas e pela presença de muros de contenção ou de limite de propriedade, alguns deles de construção tradicional em alvenaria de pedra basáltica. Estes quarteirões foram-se densificando à custa da transformação de significativas áreas permeáveis intersticiais, outrora quintais agricultados, em lotes para construção. No séc. 19 a expansão para E., NE. e SE permitiu a estabilização do traçado e a consolidação de uma estrutura radial junto à entrada S., com ocupação marginal aos principais eixos viários, designadamente na Rua da República e troços iniciais dos arruamentos que a ela se ligam. Da mesma época é a configuração do Largo António Sérgio como espaço público central equipado com coreto e chafariz, e enquadrado a SO. pelo edifício simbólico da antiga sede dos Bombeiros Voluntários na década de 30 do séc. 20. O piso do largo é desnivelado, formando plataforma elevada do lado N. As intervenções nas três últimas décadas do séc. 20 tornaram o tecido mais compacto devido à introdução de novos tipos edificados, com reconfiguração dos lotes e demolição de construções tradicionais e de estruturas pré-existentes de apoio à produção agrícola. Para além do Largo António Sérgio, identifica-se um pequeno espaço público polarizador a O. do eixo N.-S., correspondendo ao alargamento a meio da Rua Dr. José Duarte Turras, junto aos lavadouros, local onde convergem e se intersetam diversos percursos viários e pedonais que cruzam a encosta.

Acessos

A8, saída 3 (Loures / Bucelas), EN115 em direção a Bucelas, desvio para a EN 155-5 em São Julião do Tojal; a partir do nó com a Via de Cintura da AMLN, EM 613 em direção ao Zambujal.;principais acessos ao núcleo antigo: Rua da República, a S. e Rua 25 de Abril, a O.

Protecção

Inclui Quinta da Abelheira (v. IPA. 00024039)*1 / PDM, RCM 149 149/2001, DR 233 1ª série - B, de 8 Outubro 2001 *2

Enquadramento

Implantado em anfiteatro na encosta, situa-se entre os 70 m e os 90 de altitude e o Palácio da Quinta da Abelheira cerca dos 45 m. A variação altimétrica situa-se entre 120 m no limite N. do Zambujal e 10 m no limite S. nas instalações da fábrica de papel. O rio Trancão margina a O. a Quinta da Abelheira, correspondendo ao limite do núcleo urbano. Transversalmente ao Trancão e desaguando neste, uma linha de água muito expressiva no relevo da encosta sulca a quinta a N. do Palácio, recolhendo e drenando as águas provenientes do Zambujal e da encosta N. da quinta. Toda a povoação do Zambujal, palácio da Quinta da Abelheira e terrenos de produção agrícola a N. e S. do palácio, encontram-se, sob o ponto de vista geológico, em plena encosta do Complexo Vulcânico de Lisboa. Os terrenos da Abelheira situados na margem esquerda do rio Trancão, incluindo a fábrica de papel, e a área S. da propriedade, onde se localiza um conjunto de moradias unifamiliares, implantam-se, respetivamente, sobre aluviões / aterros e conglomerados, arenitos e argilitos da Formação de Benfica. A encosta do Zambujal e a N. do palácio da Quinta da Abelheira encontram-se solos litólicos não húmicos pouco insaturados de basaltos, que possuem reduzida fertilidade, o que é manifesto na cobertura do solo por oliveiras e matos. Já a S. do Palácio da Abelheira predominam os barros castanho-avermelhados não calcários, de basaltos ou doleritos, caracterizados por elevada fertilidade, o que justificou, juntamente com a disponibilidade de água do rio Trancão e de nascentes na quinta, a exploração agrícola destas terras pelos frades de S. Vicente de Fora desde a época medieval. Durante séculos esta fertilidade manifestou-se pela intensa produção de hortícolas nos terraços junto ao Trancão, pomares nas áreas próximas ao núcleo edificado e produção de cereal nos terraços mais elevados, que ladeiam a estrada de acesso ao Zambujal. Atualmente todos os terraços a S. do Palácio estão votados ao abandono agrícola e apenas um prado de regeneração natural e plantas infestantes cobrem estes solos. Subsistem algumas árvores de citrinos e oliveiras dispersas. O núcleo urbano situa-se na Área Metropolitana de Lisboa, a N. da capital e a NE. da sede do concelho de Loures da qual dista cerca de 7 km. Confina a N. com área de matos com algumas habitações dispersas; a NE. com o bairro CAR; a E. com área de indústria e armazenagem do Arneiro; a S. com a Via de Cintura da Área Metropolitana de Lisboa e a O. com o rio Trancão. A ligação ao núcleo central da freguesia *3 é efetuada pela Rua Dr. Alberto Alves de Oliveira (antiga EM 613), com acesso pela rotunda de articulação entre a Via de Cintura AMLN e a Rua Dias Coelho (N115-5), que margina o muro e a entrada SE. da Quinta da Abelheira. Do núcleo do Zambujal e da quinta, avista-se uma ampla extensão da várzea de Loures, parte de Vila Franca de Xira e costeiras de Loures.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Não aplicável

Afectação

Não aplicável

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Não aplicável

Cronologia

Séc. 18 - construção de edifícios residenciais em banda, térreos, em socalcos paralelos ao muro da Quinta da Abelheira; construção de uma capela da invocação de Nossa Senhora do Carmo; 1758 - Memórias Paroquiais referem que a povoação tinha trezentos e trinta e oito habitantes; séc. 19 - crescimento para S. e E., em direção ao portão oriental da Quinta da Abelheira, através de edifícios residenciais de um e de dois pisos, com utilização comercial e artesanal nos pisos térreos; configuração do único largo da aldeia, com chafariz e coreto; séc. 20, último terço - densificação do aglomerado com ocupação dos logradouros, hortas e quintais, expansão para E., com ocupação residencial em moradias de génese ilegal, expansão para S., com a construção do Bairro CAR, para alojamento de refugiados das ex-colónias africanas.

Dados Técnicos

Não aplicável

Materiais

Não aplicável

Bibliografia

AA.VV. - Património Cultural Construído. Loures: Câmara Municipal de Loures 1988; CASTRO, João Baptista de - Mappa de Portugal Antigo e Moderno. Lisboa: Oficina Patriarcal de Francisco Luiz Ameno, 1763, tomo III, p.471; SEQUEIRA, Gustavo de Matos - A Abelheira e o Fabrico do Papel em Portugal. Lisboa: s.n. 1935; SILVA, Carlos Guardado da, O Mosteiro de S. Vicente de Fora A comunidade regrante e o património rural (Séculos XII-XIII), Lisboa: Edições Colibri, 2002.

Documentação Gráfica

IHRU: SIPA; IGP: Mapa topográfico, séc. 18, Luís de Alincourt e Eusébio A. De Ribeiros (CA 127); C.M.Loures.

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA; CMLoures: arquivo Divisão Planeamento Municipal e Ordenamento do Território.

Documentação Administrativa

DGARQ/TT: Memórias Paroquiais, 1758; DGARQ/TT: Cónegos Regulares de St.º Agostinho, Mosteiro de S. Vicente de Fora, liv. 22, 1606; C.M.Loures, Arquivo Municipal.

Intervenção Realizada

Observações

* 1 Quinta da Abelheira, Imóvel de Interesse Público, classificado pelo Decreto n.º 2/96, DR, 1.ª série-B, n.º 56 de 06 março 1996. *2 Aglomerado incluído no levantamento do património cultural construído do Concelho de Loures de 1988, anexo ao regulamento do PDM de Loures, RCM 54/94, DR 161 1ª Série -B de 14 de Julho de 1994 (1ª publicação).*3 A freguesia de São Julião do Tojal confina a N. com as freguesias de Bucelas e Fanhões; a S. com as freguesias de Unhos, Frielas e São João da Talha; a E. com o concelho de Vila Franca de Xira e a O. com a freguesia de Santo Antão do Tojal.

Autor e Data

Fernanda Ferreira, Frederico Pinto, Madalena Neves, Manuel Villaverde (CMLoures) 2012 (no âmbito da parceria IHRU / CMLoures).

Actualização

 
 
 
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