Posto de Turismo de Tomar

IPA.00003385
Portugal, Santarém, Tomar, União das freguesias de Tomar (São João Baptista) e Santa Maria dos Olivais
 
Escola comercial e industrial revivalista de gosto neo-renacentista e tradicionalista do Estado Novo, integrando diversos elementos provenientes de antigas casa burguesas quinhentistas e seiscentistas de Tomar e arredores.
Número IPA Antigo: PT031418120013
 
Registo visualizado 189 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Educativo  Escola   Escola comercial e industrial  

Descrição

Edifício de Planta rectangular, composta e irregular, volumes articulados de 2 pisos, sendo o do torreão ligeiramente elevado, adaptando-se ao desnível do terreno no lado S. e descendente da Av. Dr. Cândido Madureira com embasamento em cantaria; coberturas diferenciadas em telhados de quatro águas, pequeno terraço triangular no lado O., tendo ao centro uma clarabóia que se abre sobre a sala do museu, destacando-se duas chaminés, uma à face da fachada E. e outra à face da fachada posterior. Fachadas rebocadas e pintadas de creme. Fachada principal virada a S. para a Av. Dr. Cândido Madureira, composta de dois corpos, um ligeiramente mais elevado o do torreão com remate em cornija moldurada e beirado simples saliente, com telhado rematado por cata-vento de ferro forjado com motivos decorativos: cruz de Cristo, seta e esfera armilar; o corpo mais baixo e extenso, com remate em beiral triplo saliente. No piso superior do corpo do torreão, uma janela de cunhal com sacada decorada com grelha em cantaria, coluna jónica de fuste estriado, no vértice a servir de mainel, frontão triangular ornado com denticulos; ao lado, o corpo mais baixo é vazado por janela de sacada de balaústres com balcão pouco saliente suportado por pequenas mísulas, vão moldurado com verga renascentista decorada com medalhão e rematada por frontão liso saliente sendo ladeada por mísulas, duas janelas de mainel com colunelo coríntio de vão moldurado, com verga renascentista decorada com medalhão e rematada por frontão curvo saliente, sobrepujado por 3 pináculos; o piso inferior, é rasgado no corpo mais baixo, por três janelas tripartidas de avental e vão rectangular moldurado, com bandeiras de vão quadrangular na prumada das do piso superior; no extremo esquerdo, no corpo do torreão, conjunto alpendrado com 2 arcos renascentistas de volta perfeita assentes em duplas pilastras perspectivadas munidas de plinto e capitel com pedra de fecho saliente em forma de mísula, um para cada lado das duas fachadas, com contraforte de cunhal. Interior do átrio com cobertura, em abóbada nervurada com fecho representado o escudo real, na parede do lado da avenida um portal do renascimento, que pertenceu ao Paço dos Cubos, de vão moldurado e arco angular truncado com uma Cruz de Cristo no fecho sobrepujando um querubim, de acesso ao vestíbulo; na parede da fachada O. e onde à esquerda, vencendo o desnível por 2 degraus em pedra, arranca portal em arco de volta perfeita, rematado lateralmente por balaústres assentes em pedestais rectangulares moldurados, de acesso ao piso superior do torreão; as portas dos portais são almofadadas em talha renascença; as paredes, inferiormente são revestidas de azulejos hispano-árabes. A meio da fachada principal, encontra-se um painel de azulejos rectangular com a inscrição de Comissão de Iniciativa e Turismo, para a sua esquerda, embutida na parede, um fecho de abóbada representando uma cabeça masculina, no extremo direito, cravada no cunhal, uma réplica de relógio de sol sobrepujando pequena moldura saliente com mísulas divergentes, no topo próximo do beiral e em cada extremo, 2 gárgulas, a da direita em forma de cabeça de cão, a da esquerda em forma de cabeça de leão. Fachada O. de 3 corpos rematados por beiral duplo saliente excepto o corpo do torreão; à esquerda, o corpo do torreão tem embutido a meio do pano, um painel de azulejos quadrangular com a inscrição de Comissão de Iniciativa e Turismo, uma pedra de cunhal representando um anjo e uma gárgula tipo boca de canhão com caneluras; na parede N. rasga-se uma porta em arco de volta perfeita de acesso a pequeno terraço com azulejos na parte inferior; corpo central com janela tripartida de vão rectangular moldurado, e bandeiras de vão quadrangular, vazada em parede recolhida e em ângulo, dando para terraço com balcão saliente moldurado suportado por mísulas, piso inferior com janela de peitoril de vão moldurado na prumada central e um pequeno janelo com mainel de vão rectangular moldurado, junto ao solo à esquerda; corpo esquerdo com 2 janelas rectangulares de vãos moldurados, uma na parte superior ladeada por mísulas para vasos, e outra na parte inferior com o vão em coincidência. Parte da fachada N. adossada a garagem de 1 piso e a restante cega e sem beiral; Fachada E. cega e sem beiral, dando para pátio da Casa dos Tectos. INTERIOR: O portal em arco angular truncado abre para pequeno vestíbulo com cobertura em abóbada nervurada apoiada em mísula aos cantos, com fecho de abóbada representado a esfera armilar, paredes revestidas a silhar de azulejos policromos e pavimento em tijoleira com combinações geométricas, à direita, uma janela tripla renascença com conversadeiras, ornada de vitrais com medalhões nas bandeiras, representando a Esfera Armilar, o Escudo Real, e a Cruz de Cristo e com motivos geométricos nos lumes, à esquerda, entrada sob um arco de volta perfeita assente em mísulas, para a antiga secretaria, onde à esquerda, se abre uma porta de acesso a outro pequeno átrio, por onde também se pode aceder pelo portal de volta perfeita do átrio de entrada, de onde arranca a escadaria para o piso nobre e uma escada para arrecadação na cave; ao fundo à direita, porta para a escada de acesso à cave; em frente, um portal renascentista geminado com arcos de volta perfeita, com coluna e pilastras com base e capiteis com volutas, folhas de acanto e caras de anjo, que abre para grande salão, actualmente serviço de informações e administrativos, revestido com lambrim de madeira almofadado e decorado com motivos vegetalistas, onde à esquerda e num plano superior, com acesso por escada em madeira ao meio, se encontra uma galeria, com guardas em madeira, destinada inicialmente a biblioteca; na parede direita ao lado do portal geminado, encontra-se um nicho aberto que comunica com a antiga secretaria, de vão rectangular com ombreiras e vergas molduradas e ornadas com pérolas e olivas e mísula na verga, arquitrave saliente rematada por concheado ladeado por urnas com fogaréus, embasamento ornado com cabeça de leão nos extremos; na parede do lado esquerdo, 2 janelas triplas de assento, ornadas nas bandeiras, de vitrais com medalhões com figuras notáveis da história da cidade, e com motivos geométricos nos lumes; em frente na parede E. ao centro, uma lareira com vão moldurado ladeado por volutas ornadas com folhas de acanto, rematada por entablamento ornado na arquitrave com pérolas, friso, ornado com mísula ao centro enquadrado por querubim, cabeça de cavalo e motivos vegetalistas e mísulas nos extremos, a cornija é ornada com óvulos e dardos, na chaminé embute-se um querubim suportando a Cruz de Cristo assente sobre o escudo interrompendo a cornija; o tecto é em madeira com caixotões, suportada por 6 pilaretes de madeira com base e capitel coríntio, ornados no fuste com motivos fitomórficos, enquadrando a guarda da galeria, as vigas do tecto encontram-se apoiadas em mísulas; pavimento de tijoleira; no portal geminado de entrada observam-se medalhões com figuras masculinas nas enjuntas. Acede-se ao piso nobre por escadaria com poço aberto, caixa da escadaria revestida a silhar de azulejos de padrão, degraus, corrimão e parapeitos em cantaria; no fim do primeiro lanço de escadas, na parede N. do patamar intermédio, com ligeiro desnível vencido por degrau, rasga-se uma porta de vão rectangular, emoldurada a cantaria, com moldura em filete e verga recortada interiormente em forma de mísula, por cima, embutido na parede, um baixo-relevo de cantaria representando a virgem com o menino, na mesma parede mas no segundo patamar, um nicho rectangular sobrepujado por cartela rematada por frontão com enrolamento, abriga uma escultura em pedra representando um guerreiro, vestido de armadura tendo na mão esquerda um escudo com as quinas e na direita uma moca de armas, proveniente do castelo; inserta na parte superior da parede O., no primeiro piso, uma janela tripartida ornada de vitrais com medalhões nas bandeiras, representando a Esfera Armilar, o Escudo Real, e a Cruz de Cristo e com motivos geométricos nos lumes, ilumina toda a escadaria; ao lado, na parede perpendicular e na prumada do portal de entrada, rasga-se uma janela de mainel com colunelo repetido nas ombreiras, com vão rectangular moldurado, com verga e ombreiras de larga moldura composta, deita sobre o primeiro lanço da escadaria; tecto da escadaria em madeira, oitavada de masseira artesoada; à direita do último degrau da escadaria, já no andar nobre, guarda em balaustrada em pedra, em frente abre-se vestíbulo com paredes em silhar de azulejos de padrão iguais à escadaria, tecto em abóbadada de berço, em madeira com caixotões; separando os tectos da escadaria e do vestíbulo, verga recta moldurada assente em mísulas ornadas com cabeça de leão, pavimento em tijoleira; em frente, abre-se na parede da fachada principal, janela de balaústres, à esquerda, porta de acesso à antiga sala António Martins de Azevedo, hoje museu João Castilho, (e ao qual não foi permitido o seu acesso por se encontrar em recuperação) de vão moldurado com verga arquitravada assente em 2 mísulas, à direita, defronte da porta do museu, porta da antiga sala de Reuniões da Comissão no corpo torreado, de iguais características à porta em frente, e em cujo interior, as paredes são revestidas a silhar de azulejos policromos de tapete, rasgando-se a janela de cunhal da fachada principal, a janela de mainel que dá para a escadaria e a porta de arco de volta perfeita de acesso ao terraço com silhar de azulejo policromos de padrão; as portas do museu e da sala da Comissão são almofadadas em talha renascença

Acessos

Avenida Dr. Cândido Madureira; Rua Pé da Costa de Cima

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 9 842, DG, 1.ª série, n.º 137 de 20 junho 1924 (janelas de cunhal quinhentista) *1

Enquadramento

Urbano, integrado no centro histórico (v.PT031418110032) formando gaveto, no cruzamento da Av. Dr. Cândido Madureira com a R. Pé da Costa de Cima, nas imediações da entrada para a Mata dos Sete Montes (v.PT031418120016), do Antigo Hospital de São Brás (v.PT031418120076), da Casa dos Tectos (v.PT03141812--) e da Av. Dr. Vieira Guimarães, que dá acesso ao Convento de Cristo (v.PT031418120002)

Descrição Complementar

Chaminés rectangulares estreitas e altas com aberturas superiores em meia elipse nas faces. O edifício apresenta exemplares de azulejaria dos sécs. 16, 17 e 20. No exterior do edifício na fachada principal, encontra-se um painel de azulejos policromos do segundo quartel séc. 20, alusivos à Comissão de Iniciativa e Turismo em que no interior da cartela as letras são azuis com o fundo branco e no extremo inferior umas flores também azuis. A barra de ramagens em amarelo e o contorno azul. No torreão, na parede O. existe um pequeno painel de azulejos monocromos azul e branco do segundo quartel do séc. 20, alusivos à Comissão de Iniciativa e Turismo em que a barra com ramagens e as letras no interior da cartela são em azul. No interior do átrio existe um silhar de azulejos hispano-árabes de corda seca policromos do séc. 16, de diversos padrões e de esquemas variados, geométricos, floral e lançarias, a cercadura também com hispano-árabe de motivos florais. Estes azulejos são provenientes da extinta Capela de São Miguel. No interior do edifício, o pequeno vestíbulo tem um silhar de azulejos policromos de tapete do séc. 17, cujo módulo 4x4/2 é de composição de dois picados (p-405). A cercadura correspondente ao padrão (c-71). Na escadaria e patamares os azulejos monocromos amarelos e brancos são cópias de um padrão do antigo Convento de Sacavém. Estes azulejos de tapete são do segundo quartel do séc. 20, de módulo 2x2 de composição floral, com cercadura com figuras fitomórficas e o friso com pequenas volutas. Na sala de reuniões da Comissão encontra-se um silhar de azulejos policromos, provenientes da demolição de uma capela na Portela de Sacavém. Estes azulejos do séc. 17 foram adaptados à sala tendo sido executados novos azulejos do mesmo padrão na cerâmica Viúva Lamego. Os azulejos são de uma composição muito rara, de pintura amarela e desenho ornamentado a manganés. A varanda da sala de reuniões está revestida por tapete de azulejos policromos do segundo quartel do séc. 20, a imitar azulejos do séc. 17 (p-407) e (c-71)

Utilização Inicial

Comercial e turística: posto de turismo

Utilização Actual

Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Publica:Municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Arq. José Vilaça; Ricardo Leone (Vitrais)

Cronologia

1932 - 29 de Março, a Comissão de Iniciativa e Turismo deliberou estudar a possibilidade de se instalar num espaço próprio, pois o existente era nas instalações da Câmara e exíguo; em Novembro de 1935 as obras já se encontravam em avançado estado de realização, de acordo com projecto do Arquitecto portuense José Vilaça de 1933, em Março de 1939 as obras de acabamento do edifício continuavam tendo ficado concluído nesse ano

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria rebocada e pintada nas paredes exteriores; cantarias nas molduras dos vãos, escadaria, nichos, embasamento, vergas e arcos; tijoleira nos pavimentos; azulejos em silhares; madeira envernizada nas portas lambril e tectos; vidro nos vitrais e janela; telha em meia cana na cobertura

Bibliografia

SEQUEIRA; Gustavo de Matos, Inventário Artístico de Portugal, Lisboa 1949; Anais da União dos Amigos dos Monumentos da Ordem de Cristo, Vol. I, Tomo II, Tomar, 1961; ROSA, Amorim, História de Tomar, Vol. II, Santarém, 1982; COUTO, José Jorge, ROSA, João Alberto, Tomar - Perspectivas, Tomar, 1991; VELOSO, Carlos, Azulejos de Tomar e arredores do séc. 16 ao 17 in Boletim Cultural e Informativo da Câmara Municipal de Tomar nº 14, Tomar, 1991; ROSA FRANÇA, José Augusto, Cidades e Vilas de Portugal, Lisboa, 1994; SIMÕES, J. M. dos Santos, Azulejaria em Portugal no séc. 17, Tomo II, Lisboa 1997; VELOSO, Carlos, Urbanismo e Arquitectura Civil de Tomar na Época da Expansão numa Perspectiva Turístico - Cultural, Tomar, 1998; GRAÇA, Luís Maria Pedrosa dos Santos, Tomar Roteiro Sentimental, Lisboa, 1999; CÂMARA Municipal de Tomar, Tomar Cidade Templária, Tomar, 2004

Documentação Gráfica

CMT:DAU

Documentação Fotográfica

DGEMN:DSID

Documentação Administrativa

CMT:DAU

Intervenção Realizada

Nada a assinalar

Observações

*:DOF: Janela de cunhal quinhentista. A localização referida no diploma de classificação não coincide com a actual, a janela pertencia às casas que o D. Prior tinha na vila, cerca de 1920 foi salva de demolição pela União dos Amigos dos Monumentos da Ordem de Cristo, sendo integrada no edifício. O projecto de construção do Edifício da Comissão de Iniciativa e Turismo foi elaborado de acordo coma as directrizes emanadas pela Comissão e na qual estabeleceu como princípio fundamental que deveriam fazer parte integrante do edifício alguns elementos arquitectónicos de edifícios demolidos na cidade tendo sido integrados os seguintes: a janela de cunhal que pertenceu à antiga capela do palácio do D. Prior (séc. 16, 1º terço); uma janela geminada da fachada principal (a outra é uma réplica), o portal geminado e a pedra de cunhal representando um anjo, todos provenientes do palácio do Duque de Aveiro, D. Luís de Lencastre (1560) demolido em 1922 para ser erigido o Teatro Nabantino, posteriormente transformado em Teatro Paraíso de Tomar e actual Cine-Teatro (v.PT031418120049); a janela de balaústres de uma casa nobre da Rua da Palmeira, o palácio dos Raimundos de Noronha (1540), demolido em 1918; o portal de arco angular truncado do Paço dos Cubos (1537); o fecho de abóbada representando uma cabeça masculina e gárgulas. Todos estes elementos arquitectónicos encontravam-se na posse da União dos Amigos da Ordem de Cristo tendo sido cedidos para o efeito. Os azulejos da parede inferior do átrio de entrada (séc. 15-17) são da demolida Capela de São Miguel, os azulejos da sala de reuniões da comissão, são originários de uma demolida Capela da Portela de Sacavém e os faltavam, são réplicas executadas pela Cerâmica Viúva Lamego, sendo os do museu também réplicas da mesma Capela. Os existentes na escadaria e seu patamar são cópias de um padrão do antigo Convento de Sacavém. Toda a cantaria da época de construção foi executada por canteiros locais, assim como as réplicas existentes, nomeadamente a janela geminada e o nicho do salão do 1º piso (réplica do existente na Nossa Senhora da Anunciação da Atalaia), os balaústres que rematam o portal do átrio de entrada são de iguais características aos existentes na capela do Vales da Capela de Santa Iria. As portas de entrada, em talha Renascença são cópias das do Convento de S. Francisco em Portalegre obra da Casa Sousa Braga, Filho e Companhia, de Braga. Os vitrais revivalistas com medalhões de figuras representativas da história local foram executados por Ricardo Leone, de Lisboa

Autor e Data

Isabel Mendonça 1991 / Salomé Baptista 2005

Actualização

 
 
 
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