Castro de São Miguel de Amêndoa

IPA.00003369
Portugal, Santarém, Mação, Amêndoa
 
Aglomerado proto-urbano. Povoado da Idade do Ferro com ocupação romana e medieval. Povoado fortificado / castro definindo vários recintos muralhados, situando-se o mais bem defendido no topo da elevação; integra habitações de planta rectangular e quadrangular. Apresenta afinidades com castros da zona da Figueira da Foz (Santa Olaia) e de Castela, com linha de influência nos vales do Tejo e do Douro (E. Jalhay).
Número IPA Antigo: PT021413020003
 
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Registo

 
Conjunto urbano  Aglomerado urbano  Povoado  Povoado da Época do Ferro  Povoado fortificado  

Descrição

Recinto fortificado, de traçado quadrangular irregular, cujo perímetro muralhado se apresenta quase contínuo no que se refere ao arranque dos muros, em alvenaria e granito sem argamassa, sendo de destacar o troço SO. com cerca de 1,80 m. de espessura e cerca de 80 m. de comprimento. Integra, no lado NO., compartimento de planta rectangular, ligado ao troço NO. da muralha, com cerca de 1,50 m. de espessura, correspondendo talvez a possível cidadela. Apresenta construções domésticas de planta quadrada e rectangular, estes dotados de dois ou três compartimentos, em alvenaria com argamassa, concentrando-se preferencialmente no lado S., correspondendo a cerca de 50 casas, 10 das quais escavadas, registando-se 7 unidades intramuros e três extramuros. Foi identificada uma viela íngreme e de largura irregular, oscilando entre os 0,90 m e os 0,60 m.

Acessos

EN. 340 (Amêndoa - Vila de Rei), a N. da povoação da Amêndoa, a c. de 1 Km de distância, ao km. 195, do lado direito da estrada, por caminho pedonal

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 37 801, DG, 1.ª série, n.º 78 de 02 maio 1950 *

Enquadramento

Rural, colina. Implanta-se em cabeço isolado a 497 m. de altitude, numa posição estratégica central em relação às bacias do Tejo, Zêzere e Ocreza, no topo e na parte média do morro de São Miguel, na encosta S. voltada para Amêndoa e na encosta O.; a encosta E. cai em escarpa abrupta. No ponto mais elevado um marco geodésico. Parte da estrutura confina com o concelho de Vila de Rei, em Castelo Branco.

Descrição Complementar

Na encosta, do lado SO., a uma cota inferior, um troço de muralha, com a espessura variando entre 0,90 m. e 0,60 m, numa extensão de c. de 40 m. Na encosta implantam-se c. de 50 casas, assimetricamente dispostas, de planta rectangular ou quadrangular, a de maiores dimensões com 8,70 mx4,50 m, com espessas paredes, atingindo por vezes 1 m.; quase todas as casas possuem uma única divisão, mas podem também apresentar 2, 3 e mesmo 4 divisões; no exterior de algumas das casas um recinto circular, com mais de 1 m. de diâmetro. O espólio recolhido encontra-se depositado no Museu de Mação, destacando-se utensílios em pedra polida, mós, cossoiros, objectos em cerâmica, feitos à mão ou ao torno).

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Idade do Ferro

Arquitecto / Construtor / Autor

Não aplicável

Cronologia

Neolítico - provável ocupação do sítio; séc. 04 - 01 a.C. - hipotética estruturação de castro (H. Louro, 1939; E. Jalhay, 1949); séc. 01 - 04 - provável romanização do castro; séc. 06 - 07 - continuidade da ocupação atendendo a fragmento de fivela de cinturão visigótico; 1758 - referência a vestígios de castelo antigo na Serra de São Miguel, nomeadamente a alicerces de casas ou muralhas e ainda à anterior existência de ermida dedicada a São Miguel; séc. 20, década de 40 - durante as escavações levadas a cabo por Eugénio Jalhay, foi recolhido espólio onde se integravam fragmentos cerâmicos, destacando-se os vasos de gargalo e asas, bem como a respectiva decoração com dedadas; fragmentos em ferro e bronze; fragmento de fivela de centurião visigótico; 1963 - foram identificados, no sector de maior altitude, restos de lareiras, novas construções e um ídolo neolítico.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes

Materiais

Pedra insossa ou com grosseiro aparelho de argila.

Bibliografia

CARDOSO, Ribeiro, dir., Subsídios para a História Regional da Beira Baixa, Lisboa, 1940 - 1943; FÉLIX, José Maria, Vila de Rei e o seu Concelho, Apontamentos para a sua História, Vila de Rei, 1985; JALHAY, Eugénio, O Castro de São Miguel, Sep. Revista de Guimarães, Guimarães, 1946; JALHAY, Eugénio, O Castro de São Miguel, O Concelho de Mação, 12 Novembro 1949; LOURO, Padre Henrique da Silva, Monografia de Cardigos, Cucujais, 1939; MATOS, António de Oliveira, Monografia do Concelho de Mação, V. N. Famalicão, 1946; PEREIRA, Maria Amélia Horta, Monumentos Históricos do Concelho de Mação, Mação, 1970; RODRIGUES, Calado, Arqueologia e História - Castro de São Miguel de Amêndoa in O Concelho de Mação, nº 9, 27 Junho 1949; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/69771 [consultado em 28 dezembro 2016].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

1945 / 1946 - início das escavações do castro, já identificado por Eugénio Jalhay, as prospecções foram realizadas por João Calado Rodrigues; 1950 / 1963 - escavações dirigidas por João Calado Rodrigues, delegado local da Junta Nacional de Educação; 1988 / 1989 / 1991 / 1993 - campanhas arqueológicas sob a direcção de Maria Amélia Horta Pereira Bubner.

Observações

* DOF:... A área tem como centro o alto do monte onde se encontrava o marco geodésico e estende-se a 80 m. para N., Nascente e Poente e 100 m. para S., abrangendo já o concelho de Vila de Rei.

Autor e Data

Rosário Gordalina 1991 / Margarida Conceição 1993 / Isabel Mendonça 1994

Actualização

 
 
 
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