Forte Grande de São Mateus

IPA.00033608
Portugal, Ilha Terceira (Açores), Angra do Heroísmo, São Mateus da Calheta
 
Forte marítimo, de pequenas dimensões, construído no séc. 16, integrado num sistema de fortificação mais amplo, em linha ao longo da costa sul da ilha, composto por vários pequenos fortes, sendo o principal dos seis que existiam na freguesia. Possui traçado abaluartado, com planta triangular irregular, planimetria pouco comum, composta por cortinas e dois meios baluartes virados a terra, desiguais, adaptado à formação rochosa, formando um triângulo apontado para o mar, tendo um meio baluarte muito agudo e o outro quase retangular, a que se adossa internamente bateria alta retangular, batendo a porta, acedido por escadas de pedra. Apresenta escarpa em talude, rematado em parapeito liso na face virada a terra e em parapeito de merlões e canhoneiras nas viradas ao mar, sendo a primeira rasgada por portal de verga reta. No interior, os meios baluartes integram edifícios baixos, rasgados a sul por vãos retilíneos e o pátio de armas é amplo. Na defesa do porto, cruzava fogos com o Forte do Biscoitinho e o Forte da Má Ferramenta. Apresenta Destaque para o corredor aberto na espessura da cortina O., com três metros de comprimento, que acedia a uma latrina.
Número IPA Antigo: PT071901130111
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Forte    

Descrição

Planta triangular irregular, composta por dois meios baluartes nos ângulos da face N. virada a terra, o disposto a NO. muito agudo e o disposto a NE. retangular, tendo adossado praça alta também retangular, ambos integrando construções e a que se adossaram exteriormente dois edifícios retangulares. Apresenta paramentos em talude, com a escarpa exterior virada a terra rebocada e pintada de branco, com faixa preta, coroada por parapeito liso, e as faces viradas ao mar em alvenaria de pedra aparente, coroados por parapeito de merlões e canhoneiras, rasgando-se uma no vértice S. e duas em cada face lateral virada ao mar. Cortina virada a N. rasgada ao centro por portal de verga reta, sem moldura. Flanqueando o portal, abossa-se a cada um dos meios baluartes pequeno edifício retangular, de massa simples e cobertura homogénea em telhado de uma água, rematadas em beirada simpes, e com fachadas rebocadas e pintadas de branco; o edifício da esquerda é rasgado a O. por portal de verga reta e o da direita é rasgada a N. por duas pequenas janelas quadrangulares e a E. por porta de verga reta. A cortina virada a E. possui o aparelho do ângulo NE. bastante irregular e é rasgada por janela quadrangular, tal como acontece na cortina virada a O.. INTERIOR com pátio de armas arrelvado e ajardinado, com uma plataforma quadrangular lajeada em frente de uma das canhoneiras a NE.. À cortina N., igualmente rebocada e pintada de branco, adossa-se, a NE. escada de pedra de acesso a plataforma elevada, formando balcão, protegido por guarda plena de cantaria, que terá servido de posto de observação. O edifício integrado no meio baluarte avança da cortina, tem planta retangular, massa simples e cobertura em telhado de uma água, rematado em beirada simples, sendo rasgado a S. por porta de verga reta e janela de peitoril. O edifício integrado no meio baluarte NO. possui a fachada S. à face da cortina rasgada por porta de verga reta. A cortina virada a O., junto a uma das canhoneiras, possui vão retangular, fechado por porta de madeira, que acede a um corredor, integrado na espessura da cortina, com três metros de comprimento, que ligava à latrina. Próximo do ângulo NO. existe ainda um espaço destinado a cozinha.

Acessos

São Mateus da Calheta, Prainha de São Mateus; Caminho da Vila Maria

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Marítimo, adossado. Localiza-se a cerca de 4 km a O. da cidade de Angra do Heroísmo, na Prainha de São Mateus, o porto mais importante da costa S. da ilha e um dos principais pontos de descarga e venda de pescado. Ergue-se sobre formação rochosa avançada, quase ao nível do mar, e adaptado ao declive acentuado. A N., passa estrada de acesso à povoação.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: forte

Utilização Actual

Cultural e recreativa: associação cultural e recreativa

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 16

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIRO: Tommaso Benedetto de Pesaro (1581).

Cronologia

1581 - construção do forte de São Mateus no contexto da crise de sucessão de 1580, por determinação do corregedor dos Açores, Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos, conforme o plano de defesa da ilha elaborado pelo engenheiro Tommaso Benedetto de Pesaro; 1767 - data da "Revista dos Fortes" da autoria do Sargento-mor Engenheiro João António Júdice, elaborado por ordem do Capitão General dos Açores, inclui uma planta e a referência de que "É o maior que fica a Poente da cidade de Angra"; encontava-se artilhado com seis a oito peças de ferro de diferentes calibres, e guarnecido com oito artilheiros e trinta e dois auxiliares; possuia seis canhoneiras, artilhadas com peças de ferro nos respectivos reparos, em boas condições; proposta de reforço de duas canhoneiras, com as respectivas peças e reparos; séc. 19, início - data de uma planta da autoria de José Rodrigo de Almeida, representando as seis canhoneiras, três em cada uma das faces voltadas ao mar, e tendo fechado o vértice onde actualmente se abre a canhoneira central; 1828 / 1834, entre - o forte possuia grande importância na defesa da costa durante a guerra civil; 1830 - data de uma planta do forte de José Rodrigo de Almeida; 1862 - segundo o Barão de Basto, encontrava-se "Em bom estado. Deve ser conservado por ser o mais importante da costa; tem cinco canhoneiras, uma área de cinco braças quadradas, alojamento para vinte praças, paiol e casa da palamenta"; 1871 - segundo o tombo então elaborado, encontrava-se à disposição do Ministério da Guerra, entregue à guarda de um veterano, que aí residia com a sua família; posteriormente foi utilizado como habitação de pessoas carenciadas; 1881 - data do tombo então elaborado; para além da área do forte, acrescia um largo com 483 metros quadrados, que se considerava pertencer ao Ministério da Guerra; séc. 20 - o forte foi utilizado como cinema ao ar livre e abrigou a sede da Junta de Freguesia de São Mateus.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra basáltica; portas de madeira; pavimento de lajes; cobertura de telha

Bibliografia

ANDRADE, J. E. - Topographia ou Descripção phisica, política, civil, ecclesiastica, e historica da Ilha Terceira dos Açores. Angra do Heroísmo (Açores): Livraria Religiosa, 1891; BASTOS, Barão de - Relação dos fortes, Castellos e outros pontos fortificados que devem ser conservados para defeza permanente in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 1997, vol. LV; «Colecção de todos os fortes da jurisdição da Villa da Praia e da jurisdição da cidade na Ilha Terceira, com a indicação da importância da despesa das obras necessárias em cada um deles». In Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira. 1993-1994, vol. LI-LII; CORDEIRO, António (Pe) - História Insulana das Ilhas a Portugal Sujeytas no Oceano Occidental (reimpr da ed. de 1717). Terceira: Secretaria Regional de Educação e Cultura, 1981; DRUMMOND, Francisco Ferreira - Anais da Ilha Terceira (fac-simil. da ed. de 1859). Angra do Heroísmo: Secretaria Regional da Educação e Cultura, 1981; FARIA, Manuel Augusto - Ilha Terceira - A Fortaleza do Atlântico. Angra do Heroísmo: Gabinete da Zona Classificada de Angra do Heroísmo, 1997; FARIA, Manuel Augusto - «Ilha Terceira - Fortaleza do Atlântico: Forte Grande de São Mateus» .In Díário Insular. 9 e 10 de agosto de 1997; MALDONADO, Manuel Luís - Fenix Angrence. Angra do Heroísmo: Instituto Histórico da Ilha Terceira, 1989-1997; MERELIM, Pedro de - As Dezoito Paróquias de Angra. Angra do Heroísmo: Ed. do Autor, 1974; MOTA, Valdemar - «Fortificação da Ilha Terceira». In Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira. 1993-1994, vol. LI-LII, pp. 129-327; NEVES, Carlos, CARVALHO, Filipe, MATOS, Arthur Teodoro de (coord.) - «Documentação sobre as Fortificações dos Açores existentes nos Arquivos de Lisboa - Catálogo». In Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira. 1992, vol. L, ; PEGO, Damião, ALMEIDA JR., António de - «Tombos dos Fortes da Ilha Terceira (Direcção dos Serviços de Engenharia do Exército)». In Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira. 1996, vol. LIV, pp. 9-144; «Revista aos Fortes que Defendem a Costa da Ilha Terceira - 1776». In Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira. 1998, vol. LVI, pp. 351-363; REZENDES, Sérgio Alberto Fontes - «A fortificação da Idade Moderna nos Açores: o caso específico das Ilhas de São Miguel, Terceira e São Jorge». In VI Seminário Regional de Cidades Fortificadas e Primeiro Encontro Técnico de Gestores de Fortificações. 31 de março a 02 de abril de 2010 (http://www.fortalezas.ufsc.br/6seminario/index.php); SAMPAIO, A. S. - Memória sobre a Ilha Terceira. Angra do Heroísmo: Imprensa Municipal, 1904; VIEIRA, Alberto - «Da poliorcética à fortificação nos Açores: introdução ao estudo do sistema defensivo nos Açores nos séculos XVI-XIX». In Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira. vol. XLV, Tomo II, 1987.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

CMAngra do Heroísmo: séc. 20, finais - obras de restauro; 2010 - arranjo da zona envolvente do lado virado a terra.

Observações

*1 - Contiguo ao forte, a poente, existe uma pequena cortina de características defensivas. Como no local existiu um poço, alguns autores consideram que a cortina constitui a estrutura subsistente do chamado "Reduto do Poço", ainda referido em finais do século 18.

Autor e Data

Paula Noé 2012

Actualização

 
 
 
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