Igreja e Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Praia da Vitória / Igreja do Senhor Santo Cristo

IPA.00033607
Portugal, Ilha Terceira (Açores), Praia da Vitória, Praia da Vitória (Santa Cruz)
 
Igreja de misericórdia construída inicialmente no séc. 16, de tendência vertical, e reformada várias vezes, nomeadamente, em 1789 e após o incêndio de 1921, sendo, juntamente com a de Angra, a Misericórdia mais antiga do Arquipélago dos Açores. Apresenta planta retangular composta por duas naves, convertida numa única após o incêndio de 1921, e dupla cabeceira, com a capela-mor disposta no lado do Evangelho e a capela do Espírito Santo no da Epístola, mais baixa, interiormente com ampla iluminação axial e bilateral e tetos de madeira. As fachadas são rebocadas e pintadas, com os elementos estruturais, decorativos e as molduras dos vãos sublinhados a rosa, de caráter popular. A fachada principal é harmónica, com torres sineiras flanqueando pano central, terminado em empena ondulada, sublinhada por frisos e cornija, rasgado por três eixos de vãos retilíneos, encimados por frisos e cornijas, à exceção do portal que é de arco apontado; as torres são também rasgadas por vãos semelhantes. As fachadas laterais são rasgadas por janelas retilíneas na nave e em arco na cabeceira. No interior, a nave possui o volume das torres avançado, com coro-alto de madeira intermédio, dois púlpitos confrontantes, com bacia retangular de cantaria e guarda plena de madeira, e duas capelas laterais confrontantes, com talha pintada de branco revivalista. Tem arcos triunfais de volta perfeita sobre pilastras, e nas capelas-mores retábulos semelhantes, em talha pintada de branco, de planta côncava e três eixos, com estrutura revivalista do barroco nacional e decoração de inspiração barroca. Do séc. 16 conserva alguns elementos, nomeadamente a gárgula zoomórfica da fachada lateral esquerda e outros silhares. Na reforma de 1789, fizeram-se de novo as duas capelas-mores. Depois do incêndio de 1921, removeram-se os arcos biselados assentes em colunas com capitéis fitomórficos que separavam as naves e deve ter-se alterado o esquema de fenestração e decoração da frontaria e criado o coro-alto. O esquema de duas naves e dupla cabeceira tem paralelo com a Igreja da Misericórdia de Vila Franca do Campo (v. PT072106030005) e a da Ribeira Grande (v. PT072105090002), também nos Açores, a última com uma capela-mor também dedicada ao Espírito Santo. A Misericórdia conserva património móvel de grande interesse, destacando-se os painéis pintados, do séc. 16, nomeadamente os existentes na capela do Espírito Santo e que poderão ter pertencido ao antigo retábulo-mor dessa capela. A zona mais antiga do hospital apresenta fachadas viradas à rua com grande despojamento, de três pisos, rasgados por vãos retilíneos e abatidos no último, aí interligados por frisos horizontais, mas que devem ser feitura posterior relativamente aos inferiores. Possui pátio central retangular, do séc. 16 / 17, com fachadas evoluindo em dois pisos, três delas rasgadas no primeiro por arcadas de volta perfeita, biselados, assentes em colunas balaústres sobre muro, exceto no central que permite acesso à quadra. A ala nordeste, possivelmente reformada e alteada aquando da construção da ala oitocentista do hospital, apresenta os vãos do piso superior de modinatura semelhante aos existentes nas fachadas do hospital. O corpo mais recente do hospital foi construído em 1806 no lado oposto ao antigo hospital e apresenta maior destaque decorativo, com decoração revivalista barroca, sobretudo na zona do vão do átrio, tendo os panos dos extremos fenestração moderna, sem molduras. Possui fachada de um piso, com elementos de cantaria sublinhados a preto, destacando-se o portal na zona central, definido por pilastras e terminado em cornija contracurva alteada, com vão do átrio abatido encimado por brasão entre aletas, cartelas inscritas e frisos. Segundo Valdemar Mota, a decoração do portal apresenta algumas semelhanças com a da igreja das Lajes da Terra Chã e da ermida de Nossa Senhora dos Pretos, hoje seminário de Angra.
Número IPA Antigo: PT071905080037
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Edifício de Confraria / Irmandade  Edifício, igreja e hospital  Misericórdia

Descrição

Complexo de planta irregular composto por igreja retangular, de uma nave e cabeceira retangular, mais baixa, dispondo-se posteriormente o edifício mais antigo do hospital, de planta quadrangular irregular, desenvolvido à volta de pátio retangular, e desenvolvendo-se ao longo da fachada lateral direita o edifício mais moderno do hospital, composto por vários corpos articulados, criando pátios intermédios. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas, rematadas em beirada simples ou dupla. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com embasamento a preto, e os cunhais, frisos, cornijas e molduras dos vãos sublinhados a rosa. IGREJA: Fachada principal virada a NO., de três panos, os laterais correspondendo a torres sineiras quadrangulares, sensivelmente avançados e de cunhais boleados. O pano central termina em empena ondulada sublinhada por triplo friso, decorado por pingentes e diferentes denticulados, e cornija, que se prolonga e contorna os panos das torres sineiras, sendo coroado por cruz, tipo céltica, sobre acrotério. É rasgado por três eixos de vãos, o central composto por portal, em arco apontado, encimado por friso e cornija, interligado ao arco por frisos verticais, e por janela em arco, com peitoril saliente e igualmente encimado por friso e cornija interligado ao arco por frisos verticais, sobreposto por elementos enrolados relevados; de cada lado abrem-se duas janelas retilíenas sobrepostas, com os ângulos inferiores sublinhados por elementos curvos avançados e moldura prolongada superiormente por friso, que alarga lateralmente e cria ao centro losango. As torres sineiras, de dois registos separados pelos frisos e cornijas que vêm do pano central, são rasgadas no primeiro por duas janelas iguais às do pano central, encimadas por reserva circular contendo motivo tipo florão. O segundo registo, mais estreito, é rasgado, em cada uma das faces, por vão em arco peraltado sobre pilastras, albergando o vão central da torre direita, sino; remate em dupla cornija, com urnas nos cunhais e cobertura em coruchéu piramidal octogonal. Fachadas laterais terminadas em cornija, integrando num desnível da lateral esquerda da capela-mor uma gárgula de cantaria zoomórfica; na nave rasgam-se duas janelas retilíneas e na capela-mor uma de arco abatido. Fachada posterior terminada em empena, com a nave coroada por cruz, tipo celta. INTERIOR: com as paredes rebocadas e pintadas de branco, pavimento de madeira e cobertura também de madeira formando masseira. Na parede fundeira dispõem-se lateralmente os corpos das torres sineiras, avançados na nave, com o cunhal de cantaria e acesso por porta de verga reta moldurada; no espaço intermédio surge o coro-alto de madeira, com guarda em balaústres torneados, tendo por fundo pano vermelho, e sendo acedido por porta de verga reta do lado da Epístola, moldurada. No sub-coro existem pias de água benta de perfil curvo. Lateralmente dispõem-se confrontantes, púlpito de bacia retangular sobre mísula, com guarda plena de madeira acedido por escada de madeira com guarda igual, e coluna de arranque coroada por bola; sobre o púlpito do lado do Evangelho, surge entre as janelas vão quadrangular com elemento de cantaria esculpido. No topo da nave existem capelas laterais confrontantes e de estrutura semelhante, a do lado do Evangelho dedicada a São Pedro e a da Epístola a uma Santa Mártir. A parede testeira é rasgada por duas capelas-mores, geminadas, acedidas por arcos de volta perfeita sobre pilastras toscanas e interligadas entre si por um arco, também de volta perfeita sobre pilastra toscana, encimada por cornija, dispondo-se a verdadeira capela-mor do lado do Evangelho e sendo a do lado da Epístola dedicada ao Espírito Santo. Entre os arcos triunfais surge mísula de cantaria com imaginária sobreposta por painel com as armas da Misericórdia e por vão retangular moldurado, com painel pintado com um anjo. As capelas possuem pavimento de cantaria, cobertura em falsa abóbada de berço, de estuque e sobre a janela lateral corre cornija em arco. Sobre supedâneos de madeira, apresentam retábulos semelhantes, em talha pintada de branco, de planta côncava e três eixos, definidos por duas pilastras exteriores sobre plintos paralelepipédicos e quatro colunas, de fuste espiralado, composto por três elementos torsos, e terço inferior torso com larga espira fitomórfica, assentes em mísulas e plintos paralelepipédicos ornados, e de capitéis coríntios, que se prolongam em três arquivoltas fitomórficas formando o ático, adaptado à cobertura, com apainelados de enrolamentos e falso feicho com cartela recortada, com filactera e folhas de oliveira; a da capela-mor tem o monograma JHS e o da capela do Espírito Santo símbolos eucarísticos; no eixo central abre-se amplo nicho, em arco de volta perfeita, e boca ornada de acantos vazados, interiormente albergando trono; o da capela-mor tem três degraus retangulares decorados de acantos encimado por imaginária e o da Capela do Espírito Santo tem seis degraus facetados, lisos; os eixos laterais possuem paineís retangulares côncavos, decorados com motivos vegetalistas sobrepostos por mísulas com imaginária; banco formado pelas portas de acesso a salas dispostas atrás dos retábulos, decoradas por dois apainelados sobrepostos, o inferior com elementos vegetalistas e o superior por retangulo. Altar paralelepipédico protegido por frontal de tecido. Na parede do lado da Epístola, entre o púlpito e a capela lateral, abre-se porta de verga reta, moldurada, de acesso à sacristia, com pavimento cerâmico. Entre os vários elementos, destacam-se dois lavabos; um de espaldar retangular, com bica torneira ao centro de florão relevado, encimado por vão curvo do reservatório de água, recuado do espaldar e apenas parcialmente visivel por vão retangular frontal; possui pé curvo de cantaria, à frente do qual se encostou brasão de família. O outro possui espaldar estreito e de arco apontado, sublinhado por várias molduras, com bica inserida em florão e bacia frontal assente em falsa mísula, tendo no interior, elemento de cantaria esculpido, de modinatura quinhentista. HOSPITAL: Fachada principal do antigo hospital virada a NE., desenvolvida em três pisos, terminada em cornija e dupla beirada; o piso térreo, mais avançado, é rasgado por quatro portas de verga reta e duas janelas de peitoril retilíneas, gradeadas, o segundo por quatro janelas retilíneas de varandim, com guarda em ferro e uma de peitoril e o terceiro por dez janelas de peitoril de verga abatida e superiormente interligadas por friso horizontal. A fachada virada a SE. e ao logradouro murado, tem nos dois pisos superiores um esquema semelhante de vãos. As fachadas viradas ao pátio central desenvolvem-se em dois pisos, excepto na ala sudeste onde tem três, separados por cornija, apresentando no térreo cinco arcos de volta perfeita, biselados, o central maior e assente em pilastras, por onde se acede à quadra, e os laterais sobre colunas balaústres assentes em murete, todos pintados. No segundo piso abrem-se janelas de peitoril, de molduras simples e caixilharia de guilhotina, excepto na ala sudoeste onde o vão central é de sacada, de betão armado com balaustrada. A ala nordeste é mais recente e é fechada em ambos os pisos, abrindo-se no superior quatro janelas de peitoril com verga abatida interligadas por friso horizontal, num esquema semelhante às fachadas do corpo do hospital. O corpo mais moderno do hospital tem a fachada principal virada a SO., de um piso, com faixa e cornija do remate sublinhados a preto e de cinco panos, definidos por pilastras. O pano central, correspondendo ao portal do hospital, é mais alto, de perfil contracurvo, coroado por cruz latina, percorrido por embasamento de cantaria, delimitado por pilastras coroadas por pináculos sobre plintos paralelepipédicos e terminado em frisos e cornija; é rasgado por amplo vão em arco abatido, sobre pilastras, encimado por cornija e com fecho relevado, tendo superiormente brasão real ladeado de aletas e duas cartelas recortadas com a inscrição ANNO DE 1806; do vão partem frisos verticais sobrepostos por pináculos relevados que enquadram o brasão. O portal acede a átrio retangular, com pavimento de cantaia, paredes percorridas no terço superior por cornija e teto de madeira, em masseira, formando caixotões; lateralmente e em frente abrem-se portais de verga abatida moldurados, sendo o frontal mais largo. Os panos laterais são cegos, terminados em friso e cornija e os dos extremos são rasgados por janelas de peitoril, seis no da direita e quatro mais uma porta no da esquerda, sem molduras.

Acessos

Praia da Vitória (Santa Cruz). Rua Dr. Francisco Rodrigues da Silva (Rua de Cima); Rua do Hospital

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, adossado, adaptado ao declive acentuado do terreno, disposto de gaveto e ocupando grande parte de um quarteirão trapezoidal do Núcleo urbano da cidade de Praia da Vitória (v. PT071905080009). A fachada principal vira-se a pequeno largo, que corresponde ao patamar das escadas desenvolvidas lateralmente, em frente da qual se ergue a denominada Casa das Tias e existe busto de Vitorino Nemésio. Entre a fachada lateral direita e o edifício da antiga Farmácia da Miericórdia existe pano de muro, rasgado por portal, criando pátio intermédio entre os dois imóveis.

Descrição Complementar

Na fachada principal da igreja, entre o portal e a janela superior existe cartela relevada de topos curvos com a inscrição: "REEDIFICADA EM 1924" e sobre as janelas laterais tem cartelas iguais com as inscrições "EDIFICADA EM 1521" e "INCENDIADA EM 1921". Ladeia o portal painel de azulejos com a inscrição "PATRIMÓNIO / DA / SANTA CASA DA MISERICÓRDIA / DA / PRAIA DA VITÓRIA". Na parede fundeira da nave existe lápide em mármore, com a seguinte inscrição: "MUITO DANIFICADA PELO SISMO DE 1 DE JANEIRO DE 1980 / FOI ESTA IGREJA ABERTA AO CULTO / APÓS AVULTADAS OBRAS DE RESTAURO, / A 2 DE MAIO DE 1991, / EM CERIMÓNIA PRESIDIDA PELO PRELADO DIOCESANO / D. AURÉLIO GRANADA ESCUDEIRO, / COM A PRESENÇA DE SUA EMINÊNCIA / O CARDEAL MOREIRA DAS NEVES, / ARCEBISPO DE SÃO SALVADOR DA BAÍA. / A SUA EXCELÊNCIA O MINISTRO DA REPÚBLICA, / AO GOVERNADOR REGIONAL DOS AÇORES. / À CÂMARA MUNICIPAL DESTE CONCELHO / E AOS IRMÃOS E BENFEITORES / QUE CONTRIBUIRAM PARA A REALIZAÇÃO DESTA OBRA / A GRATIDÃO DA SANTA CASA DA MISERICÓRDIA / DA PRAIA DA VITÓRIA". As capelas laterais confrontantes têm estrutura semelhante e são revestidas a talha pintada de branco, com arco de volta perfeita de múltiplos frisos sobre duas colunas de fuste liso e capitel de inspiração jónica, assentes em plintos paralelepipédicos; interiormente alberga duas ordens de apianelados, o inferior tipo altar, com frontal contendo cartela com elementos enrolados, definido por pilastras e terminado em cornija, sobre o qual assenta imaginária; atrás desta existe apainelado em arco, sublinhado por molduras, ladeadas por colunas com capitel fitomórfico, prolongados superiormente por friso, a partir do qual se desenvolve baldaquino facetado, com faces decoradas por cruz de Cristo, e com cúpula facetada coroada por coroa e cruz de Malta. Altar paralelepipédico, com frontal definido por pilastras estriadas e capitéis de inspiração coríntia e decorado por motivos vegetalistas e concha. No pavimento da capela-mor existem duas lápides sepulcrais, uma de Pedro de Bacelar Evangelho e seus herdeiros, com as armas concedidas a seu pai, Diogo de Bacelar Machado, e uma outra do capitão Gaspar Camelo Pereira, antigo provedor, e sua mulher D. Leonor Pacheco de Melo (Sousas - de Arronchas), Pachecos, Vieiras e Fagundes. Os portais do átrio do corpo moderno do hospital são ladeados por painéis de azulejos azuis e brancos; o do lado esquerdo tem a inscrição: "A Santa Casa da Miseri- / córdia da Vila da Praia da / Vitória é a Instituição de Carida- / de que mais benefícios presta ao Com- / celho; por isso deve ser auxiliada / por toda a população"; o do lado direito tem a inscrição "Homenagem a todos / os que trataram a Bem da / Santa Casa da Misericórdia / da Vila de Praia da Vitória". O corredor do hospital tem a inscrição "VIRTUS / ININFIRMITATE / PERFICITUR / 2ª AD CORINY. CAP 12 / 1794", cuja tradução é "A virtude aperfeiçoa-se na doença".

Utilização Inicial

Religiosa: edifício de confraria / irmandade

Utilização Actual

Religiosa: igreja de confraria / irmandade / Assistencial: lar

Propriedade

Privada: misericórdia

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

PINTOR: Alexandre da Costa (1804).

Cronologia

1492 - criação do hospital do Espírito Santo, que era administrado pela Câmara; 1498 - ano provável da fundação da Misericórdia de Praia da Vitória; 1499, 2 março - o capitão Pedro Álvares da Câmara, que governou a capitania da vila da Praia nas ausências de seu genro, Antão Martins Homem, deixa um legado testamentário à Misericórdia da Praia, comprovando a sua existência; a sua administração estava confiada à Câmara; o primeiro provedor foi Domingos Homem da Câmara; 1520 - data do testamento de André Dias Seleiro deixando ao hospital importante legado, que incluía terras no Pico das Favas da Fonte Bastardo, local com as melhores pastagens da ilha; 1521, 11 julho - alvará de D. Manuel manda entregar a administração do hospital do Espírito Santo à Irmandade da Misericórdia, provedor e oficiais, bem como as suas rendas e gastos com as obras sociais; o município não aceitou como válido esta cedência; 1523 - já nesta data, no dia de pentecostes, depois de terminado o ato religioso, fazia-se o bodo custeado pela Irmandade da Misericórdia; para o bodo contribuia o que se apurasse com a arrematação da coroa; neste ano, por exemplo, rendeu 10$000 a pagar no bodo do ano imediato pelo arrematante e, portanto, o imperador; 1524, 21 junho - carta régia de D. João III ratificando as disposições conferidas por D. Manuel e com o estatuto de 13 irmãos a regerem a Irmandade; um dos atos mais solenes e aparatosos da Irmandade consistia no levantamento e devoção do bodo do Império do Espírito Santo, sendo a coroa arrematada pelo provedor; 1529, 24 maio - pedreiro Vicente Fernandes arrematou a coroa por 10$000, pagos dentro dos primeiros 15 dias, aplicados desde logo para o bodo do ano seguinte; 1530, 25 maio - Antão Martins Homem, 2º capitão-donatário da vila da Praia, deixa em testamento 8$000 de esmola e manda ser sepultado na capela-mor da igreja da misericórdia; 1531 - por instâncias e petição de Fernão Gil, provedor da Misericórdia, obtém todas as graças, indultos e privilégios que o papa Leão X concedera em 1529 à Confraria da Santíssima Caridade da cidade de Roma; 1575, 16 junho - alvará concedendo licença à Misericórdia dizer missa no altar já construído na enfermaria do hospital, para que os doentes assistissem com maior facilidade aos ofícios divinos; 1585, 16 setembro - carta de D. Filipe I concedendo à Misericórdia o privilégio do dizimo dos frangos e aves na jurisdição da vila e termo, tal como o fizera anteriormente o cardeal rei D. Henrique, em nome de D. Sebastião e D. João III; 1599, 20 junho - carta régia de D. Filipe II concedendo à Misericórdia o privilégio do dizimo dos frangos e aves na jurisdição da vila e termo "para ajuda das despesas e obras da dita confraria"; 1600 - bispo D. Jerónimo Teixeira Cabral proibe os foliões bailarem e cantarem na capela-mor das igrejas, como vinha acontecendo por uso antigo no ato de coroar; 1614, 24 maio - terramoto causa grandes estragos na vila, deixando de pé a igreja da Misericórdia; 1618 - já havia cirurgião no hospital, que era Barnabé Valadão, da vila; 1789 - consegue-se a suspensão dos legados pios por 20 anos, excepto de dinheiro, vinho e trigo, fazendo-se apenas um aniversário por todos os deixaram legados e dizendo-se uma só missa anual por cada um deles; com a importância dos ditos legados fizeram-se de novo as duas capelas principais da igreja e as enfermarias de homens e de mulheres, visto as anteriores serem muito antigas, com pouco ar e luz, concorrendo mais para a doença do que para a saúde, pois tinham uma única gateira ou postigo de vidro no telhado de cada enfermaria e uma porta de entrada, além da cozinha do hospital na loja de uma delas; fez-se também um novo pórtico de entrada para o hospital, de modo a evitar quedas e desastres de doentes na escada da antiga entrada, visto serem frequentes; 1794, fevereiro - começa a grassar na zona febras escarlatinas, levando à colocação de lápide inscrita num dos corredores do hospital; 1800, 24 junho - terramoto provoca alguns danos ao hospital; 1801, 18 janeiro - visto ter-se já encomendado um retábulo para a capela do Espírito Santo (a da Epístola) com um nicho para a imagem grande do Senhor Santo Cristo, ficando a capela que ficava encostada à rua de baixo sem santo, o provedor e irmãos decidem em reunião, levantarem a capela de São Nicolau, instituída em conformidade com o testamento de Mor de Alvarenga entre os arcos do cruzeiro, em razão da pouca capacidade do dito cruzeiro, e transferi-la para o altar acima dito; decidem também que o púlpito do Espírito Santo ficasse abaixo da janela travessa, em correspondência com o outro púlpito e em tudo igual; 26 janeiro - terramoto causa danos no hospital; 1804, 11 abril - decide-se em sessão ajustar o douramento e pintura do retábulo da capela da Visitação e o teto e arco, com o pintor Alexandre da Costa ou com outro; 1805, 4 março - aquisição de um pequeno e velho órgão às freiras clarissas do Mosteiro da Luz, por 40$000, tendo sido o organista da igreja matriz de São Sebastião, Francisco Ferreira Drumond, que o desencaixotou e nele tocou na festa de Santa Isabel, a 31 de agosto; 1806, 2 junho - para aumentar o cemitério, compra-se a Simão José Borges, por 120$000, uma casa baixa de telha, com quintal e poço, que ficava junto ao dito cemitério e no canto N. da nova entrada e portal do hospital; 1808, 26 maio - acorda-se em sessão proceder à canalização de água para o interior do hospital; a água viria da arca real, existente junto à torre do relógio, e daí os canos iriam pela Rua detrás do camarim da Matriz, seguindo pela outra rua que ia ter à porta da igreja da Misericórdia, até entrar no quintal de José Mendes da Silva, torneiro, e daí seguir em linha reta pelos quintais correspondentes até ao do dito Álvaro Camelo de Meneses e deste ir no beco fronteiro à entrada principal do hospital, onde entraria no seu quintal e aí se faria um repuxo no meio de um tanque oitavado; 1833, 25 junho - aprovação dos estatutos da Misericórdia; 24 outubro - alvará de D. Pedro IV concedendo permuta ou a mudança do hospital da misericórdia para o extinto convento da Luz, na vila; procede-se a obras no convento para instalação do hospital e na cerca construiu-se um cemitério público; 1834 - segundo descrição do Padre Emiliano de Andrade, na Topografia da Ilha Terceira, a igreja da misericórdia "era um templo medíocre, de duas naves que o dividem ao meio como em duas igrejas, separadas por uma grande colunata de cantaria, com duas capelas-mor, uma dedicada ao Senhor Santo Cristo, imagem de muita devoção, e outra à Visitação. Tem um pequeno órgão com seu coreto alto"; refere ainda que na igreja nunca houve memória de existir imagem de Nossa Senhora da Misericórdia, mas apenas uma da Visitação; 1841, 15 junho - sismo provoca danos na vila, mas não afeta a Misericórdia; 1848, 20 junho - transferência dos doentes para o novo edifício; 1849 - terramoto causa grandes danos no convento, lançado parte dele por terra, juntamente com o oratório ou o hospício fronteiro, onde haviam vivido os confessores e o capelão dos religiosos, sendo os doentes transferidos para o edifício do antigo hospital da Misericórdia, cujas ruínas não exigiam tão avultadas despesas; 1856 - instalação de um órgão harmónico na igreja, para substituir um velho realejo que ali existia; 1895, 18 junho - alvará aprovando os segundos estatutos da Misericórdia; 1902, 3 abril - alvará aprovando os terceiros estatutos da Misericórdia; 1914 - o hospital tinha duas enfermarias, uma do Espírito Santo, para homens, e outra de Nossa Senhora, para mulheres; 1917, 4 maio - data da morte do Pe. Francisco da Rocha de Sousa, vigário da Matriz de Santa Cruz, e natural de Santa Bárbara, da ilha Terceira, deixando à Misericórdia a igreja de São José e o respetivo terreno; 1921, 19 setembro - incêndio na igreja deixa de pé apenas as paredes mestras, não se tendo salvo também a imagem do Senhor Santo Cristo; fotografia após o incêndio mostra a coluna que separava as naves, facetada e embebida na caixa murária, com capitel fitomórfico; 1934, 29 junho - benção da igreja da Misericórdia e reabertura ao culto com cerimónia presidida pelo bispo D. Guilherme Augusto da Cunha Guimarãs; 1935, 30 julho - inauguração oficial das obras do pavilhão para doentes tuberculosos no hospital, devido ao donativo de 30 mil escudos de José Vieira Goulart, comendador da Ordem de Benemerência, dando-se o seu nome ao pavilhão; 1937 - irmãos Goulart, José, Francisco e Manuel, oferecem legado para compra de riao X e o apetrechemanto do pavilhão de tuberculosos; 28 setembro - inauguração da igreja após a conclusão das obras de restauro, com festa do Santo Cristo de homenagem ao benemérito da Misericórdia, o comendador José Vieira Goularte; 1938, 21 dezembro - delibera-se comprar um aparelho de raio x para instalação nos qartos nº 3 e 4 do hospital; 1962 - o governo dos USA, através de um programa caritativo People to People oferece outro aparelho de raio x ao hospital; 1974 - o hospital deixa de ser gerido pelos irmãos da Misericórdia, que elegeu um representante para seu administrador; criando-se um Conselho de Administração; pouco depois o hospital passa para o Estado; 1980, 1 janeiro - terramoto causa danos consideráveis ao complexo; 25 novembro - extinsão do Conselho de Administração, dando lugar a um gerente; 1980, década - durante as obras de restauro encontraram-se nas escavações do pavimento da igreja, um conjunto escultórico, desmantelado e incompeto, em madeira de cedro e com vestígios de folha de ouro, representando Adoração dos Pastores e dos Reis Magos; na parede da sacritia encontraram-se dois códices para contratos, Cabidos Eleições da Misericórda, um do séc. 18 e outro das Fazendas e possessões da Misericórdia, de 1819; 1988, 29 abril - aprovação dos estatutos da Misericórdia ainda em vigor; 1992, agosto - redescoberta do livro de honra no cofre do hospital da Misericórdia.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de alvenaria de pedra rebocada e pintada; embasamento, frisos, cunhais, cornijas e molduras dos vãos exteriores pintados; portas e caixilharia de madeira, excepto nas janelas da ala oitoicentista do hospital que é de alumínio; pavimento das capelas, arcos triunfais, cornijas, bacias dos púlpitos, molduras dos vãos interiores, lápides sepulcrais, pias de água benta, lavabos e outros em cantaria basáltica; arcos e colunas do pátio do hospital em cantaria basáltica pintada; retábulos pintados; coro-alto e guardas dos púlpitos de madeira; grades de ferro; pavimento em soalho; tetos de madeira e de estuque; cobertura de telha de aba e canudo.

Bibliografia

MARTINS, Francisco Ernesto de Oliveira - Hospital do Espírito Santo da Misericórdia. Subsídios para o seu inventário artístico 1494 / 1994. Praia da Vitória: Santa Casa da Misericórdia, 1994; MERELIM, Pedro de - Freguesias da Praia. Angra do Heroísmo: Direcção Regional de Orientação Pedagógica, 1983, vol. II; MOTA, Valdemar - Misericórdia da Praia da Vitória. Memória Histórica 1498-1998. s.l.: Santa Casa da Misericórdia da Pria da Vitória, 1998.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1980, depois - obras de restauro após o terramoto; durante as obras encontrou-se as lápides de Pero de Barcelos e de D. Leonor Pacheco de Melo.

Observações

Autor e Data

Paula Noé 2012

Actualização

 
 
 
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