Capela de Nossa Senhora do Monte

IPA.00003350
Portugal, Santarém, Santarém, União de Freguesias da cidade de Santarém
 
Capela gótica, renascentista e maneirista, cuja planta reflete ainda a primitiva construção romanico-gótica. Desse tempo são o arco triunfal e a abóbada da capela-mor. Os capitéis da galilé "vermiformes na tradição de Castilho apresentam ábacos ainda medievais" (SERRÃO, 1990); segundo o mesmo autor certos pormenores, como os capitéis de "longíquo gosto florentino", seriam tardiamente, inspirados na Igreja do Milagre de Santarém (v. PT03141612008). A galilé não tem em consideração os eixos das portas principal e sul.
Número IPA Antigo: PT031416210010
 
Registo visualizado 509 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta longitudinal, orientada, composta por nave única e capela-mor, rectangular. Corpo da sacristia saliente adossado ao lado N. da capela-mor; alpendrada adossada às fachadas O. / S. incluindo muro lateral da capela-mor. Cobertura diferenciada em telhado de duas águas na nave e capela-mor, de três águas na sacristia e de uma água na galilé. Fachada O. em empena, rematada por cruz em pedra, na qual se abre pequena rosácea de fenestração quadrilobada; pórtico rectangular, a cuja altura se eleva a galilé de cinco vãos em arcos de asa de cesto sobre colunas monolíticas de capitéis compósitos e plintos que repousam sobre o parapeito corrido; este é interrompido no segundo vão para acesso ao templo. Deste lado a galilé compõe-se de doze vãos. Fachada N. de pano único rasgado ao centro por pórtico trilobado. Fachada E. rasgada por rosácea. INTERIOR: arco triunfal quebrado, abóbada da capela-mor de berço quebrado em dois tramos com arco toral arrancando de 2 mísulas embebidas nos muros laterais. Porta de comunicação da capela-mor com a sacristia em arco quebrado. Coro-alto a toda a largura da nave, sustentado por colunas cónicas munidas de altos plintos, a que se tem acesso por escada de dois lances.

Acessos

EN 114, Rua Alexandre Herculano, Rua Zeferino Brandão, Rua Nossa Senhora do Monte

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 3 027, DG, 1.ª série, n.º 38 de 14 março 1917 / ZEP / Zona "non aedificandi", Portaria, DG, 2.ª série, n.º 117 de 22 maio 1947 *1

Enquadramento

Urbano, extramuros, fachada principal virada para um terreno afrontado de vegetação; fachadas laterais envolvidas por casario.

Descrição Complementar

No interior um orgão positivo de armário.

Utilização Inicial

Religiosa: capela

Utilização Actual

Religiosa: capela

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 15 / 17

Arquitecto / Construtor / Autor

FORNECEDORES: Firma Viúva de João Ferreira & Filhos (1965-1965).

Cronologia

1191 - fundação da Capela, pertencente à Igreja de Santa Maria de Alcáçova; séc. 13 - instituição do Hospital e Gafaria de São Lázaro por D. Afonso II ao qual estava anexa a capela, por permuta com a Colegiada de Santa Maria de Alcáçova; 1231 - 1269 - durante o período que medeia estes anos a ermida foi objecto de uma contenda judicial entre gafos e os cónegos da Alcáçova; 1302-1344 - saída dos gafos do local; séc. 15 - provável ampliação, com feitura do arco triunfal e abóbada da capela-mor; 1426, 03 Fevereiro - falecimento da freira Aldonsa Rodrigues, deixando os seus bens à Confraria de Nossa Senhora do Monte; séc. 16 - reforma promovida pelo provedor do Hospital Aires Lopes de Sequeira; 1500 - sepultura rasa, brasonada, do cavaleiro Duarte Sodré, o qual constituíra morgadio nos Reguengos da Tojosa e Alviela; 1548 - 1553 - construção do pórtico principal alpendrado, patrocinado por Lopo de Sousa Coutinho, provedor da Misericórdia; 1555 - construção do portal lateral S. e dos cadeirais do coro, por iniciativa do provedor Aires Lopo de Sequeira; 1570 - encomenda da pintura de uma tábua ao Mestre da Romeira; 1573, 03 Abril - sepultura de Aires Sequeira na Capela; do reinado de D. João II dataria a galilé (FEIO, 1929); 1611 - a capela é anexa ao Hospital de Jesus; 1623 - data, inscrita no púlpito e nas colunas do coro, alusiva à remodelação; azulejos que cobrem o rodapé; séc. 18 - data provável da construção do órgão; 1864, 14 Outubro - elaboração do Compromisso da Irmandade de Nossa Senhora do Monte; 1892, 07 Fevereiro - o cónego Joaquim Maria Duarte Dias mede o edifício, referido que a nave tem 15,30m de comprimento e 8,50m de largura; a capela-mor tem 4,47m por 6,70m; o alpendre tem 19 colunas; 1909, 23 Abril - um sismo provoca danos no edifício; 1964 - 1965 - após obras de de restauro, a CAM procedeu à aquisição de bancos e genuflexórios, do tipo dos já existentes em outras capelas, sendo a empreitada adjudicada à firma Viúva de João Ferreira & Filhos do Porto.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estruturas de alvenaria e cantaria. Coberturas: telha portuguesa sobre vigamento de madeira. Revestimentos: reboco a cal, azulejos. Pavimentos: mosaico e laje de cantaria.

Bibliografia

AREOSA, Feio, Santarém Princesa das Nossas Vilas, Santarém, 1929; BRAZ, José Campos, Santarém raízes e memórias - páginas da minha agenda, Santarém, Santa Casa da Misericórdia de Santarém, 2000; Capela de Nossa Senhora do Monte: Santarém, Boletim da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, nº 113, Lisboa, 1963; Capela de Nossa Senhora do Monte, Escola E.B.2,3 de Alexandre Herculano de Santarém, Santarém, 1995/1996; SARMENTO Zeferino, Santarém, Porto, 1931, SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Inventário Artístico de Portugal- Distrito de Santarém, Vol. III, Lisboa, 1949; SERRÃO, Vitor, Santarém, Lisboa, 1990.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/CAM-0316/03

Intervenção Realizada

DGEMN: 1940 / 1941 / 1942 / 1943 / 1944 - intervenção na colunata e arcaria da galilé incluindo colunas e cantarias novas; coberturas e telhados; 1949 / 1961 - lajedo da galilé e igreja; construção e assentamento da rosácea; restauro da capela-mor com abertura da porta de comunicação com a sacristia; restauro da porta lateral N. e transferência do púlpito; substituição dos azulejos; 1962 / 1963 / 1964 - restauro da sacristia, demolição dos imóveis adossados à fachada N. e restauro desse muro; modificação do telhado da sacristia, mudanças das lajes sepulcrais da nave; restauro e douradura do altar-mor e arcaz; 1967 - instalação eléctrica; 1979 - Obras de conservação na cobertura, pinturas e caiações.

Observações

*1 - DOF... de alpendrada renascença que encosta às suas fachadas principal e Sul.

Autor e Data

Rosário Gordalina 1990

Actualização

Margarida Elias (Centro de Investigação em Arquitectura, Urbanismo e Design (CIAUD-FA/UTL)) 2013
 
 
 
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