Castelo de Óbidos / Castelo e cerca urbana de Óbidos / Pousada de Óbidos

IPA.00003324
Portugal, Leiria, Óbidos, Santa Maria, São Pedro e Sobral da Lagoa
 
Castelo medieval, de perímetro muralhado adaptando-se à topografia. O arrabalde contíguo à muralha do lado S. e E. próximo das portas principais, comunica com as principais vias. A sua morfologia urbana é estruturada com alguma regularidade. A imagem urbana define-se pelo recorte sinuoso do perímetro muralhado relacionado pela adaptação ao relevo, destacando-se a silhueta da cidadela e paço dos alcaides. O acesso é feito por quatro portas e dois postigos.
Número IPA Antigo: PT031012040001
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo e cerca urbana    

Descrição

Castelo de planta trapezoidal, situa-se a SE. da cerca velha, no extremo NO. do circuito muralhado; é reforçado a N. por 3 cubelos semicirculares e um quadrangular, a E. e O. por torres quadrangulares ameadas, de D. Dinis e D. Fernando, do lado S. por 2 cubelos semicirculares, um deles rematado por balcão com mata-cães. Uma barbacã envolve-a a N. e O.. Junto à muralha divisória das 2 cercas e a ela unida por arco, a torre Albarrã ameada quadrangular. O recinto muralhado, rematado por merlões quadrangulares rasgados por seteiras e adarve, mostra planta triangular irregular: do lado O. a linha de muralhas rectilínea, acompanhando o cimo escarpado do monte rochoso, reforçada por torres quadrangulares de grandes dimensões, é rasgada pela porta da Cerca, com barbacã, pela porta da Talhada e pelo postigo do Jogo da Bola, terminando no ângulo SO. na torre do Facho, de secção quadrangular; a partir daqui adapta-se à irregularidade do terreno seguindo para NE. e inflectindo depois para NO.; na zona mais escarpada a N. e E., é reforçada por cubelos semicirculares e pelos torreões do castelo. Dentro da cidadela, encostado à face N. da cerca velha, encontra-se o Paço dos Alcaides, cujo acesso ao recinto é franqueado por muro alto, reforçado por cubelos, um dos quais é rematado por balcão com matacães. Edifício de planta em U, com o braço do lado O. mais curto. Coberturas em telhados de 2 e 3 águas. 3 pisos, na ala central e O., 2 acima de maciço rochoso, a E.; portas em arco quebrado no 1º piso, em arco redondo na ala O., frestas quadrangulares no 2º piso, 2 janelas de arco duplo policêntrico e mainel em torsal, com sacada em ferro, inscritas em alfiz emoldurado por torsal e rematado por cogulho, porta de verga em cortina, encimada por pedra de armas ao centro de 2 esferas armilares; uma escada exterior de 2 lances comunica com a porta rasgada no corpo E., 2º piso, e com a porta do 3º piso do corpo central. A fachada N. coincide com a muralha exterior, reforçada por cubelos, rasgada por frestas e por janela rectangular, no 3º piso. Na fachada E. rasgam-se janelas maineladas, semelhantes às da fachada S.. INTERIOR: ao 1º piso corresponde a zona de serviço, ao 2º a recepção e o bar, no corpo E., quartos nos restantes corpos; no 3º piso a sala de jantar e sala de estar, as cozinhas e quartos. As 2 torres que flanqueiam a fachada S., de dimensões e alturas diferentes e rematadas por merlões pentagonais (a de D. Fernando) e piramidais (a de D. Dinis), estão também adaptadas a quartos. Sobre a porta que estabelece a ligação entre as 2 cercas, corre um passadiço que une o paço à igreja de Santiago.

Acessos

Rua Direita. WGS84 (graus decimais) lat: 39.364167 long:-9.157646

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910, Decreto n.º 38 147, DG, 1.ª série, n.º 05 janeiro 1951 *1 / ZEP, Portaria, DG, 2.ª série, n.º 219 de 18 setembro 1948

Enquadramento

Urbano, isolado, com vasta paisagem natural e rural pela sua implantação no cume de um monte escarpado, com 79 m. de altitude, sobranceiro ao rio Arnoia, que lhe corre a E. e aos campos que para N. e O. se estemdem até ao mar.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: castelo e cerca urbana

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural / Comercial e turística: pousada

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

ENATUR SA, DL 622/76, de 04 Agosto e despacho conjunto do Ministério das Finanças e do Plano e do Comércio e do Turismo, DR II Série, nº 43, de 21 Fevereiro 1980 ( Castelo )

Época Construção

Séc. 12 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Fernando Augusto Peres de Guimarães (1950); João Filipe Vaz Martins (1948); Leonardo Castro Freires (1950); Luís Benavente (1950). FORNECEDOR MOBILIÁRIO: Móveis Aséta (1950).

Cronologia

Séc. 12 - 13 - a cortina da cerca velha, construída, possivelmente, sobre castro luso-romano, ao qual se terá seguido o progressivo alastramento do povoamento a par da edificação do perímetro muralhado, com integração da Torre Atalaia situada sobre o outeiro, do lado S. (Santos Silva, 1987); ocupação cristã do perímetro muralhado já existente, embora reconstruído e reformado posteriormente (Larcher, 1946; Pereira, 1988); adaptação da torre albarrã a cadeia, reforma da muralha por D. Sancho I; restauro e ampliação da antiga alcáçova por D. Dinis e construção de barbacãs junto às portas; séc. 14 - ampliação da alcáçova e construção de uma torre de menagem (Torre de D. Fernando); ligação da alcáçova à igreja de Santiago, por tribuna; séc. 15 - alastramento da ocupação intramuros, para O. e S.; séc. 16 - reconstrução dos Paços do Alcaide pelo alcaide-mor D. João de Noronha; reforço das muralhas; 1842 - adaptação da torre albarrã a torre-relógio; 1869 - construção de escada exterior de acesso à torre de D. Fernando; 1948 - construção da pousada, conforme projecto de João Filipe Vaz Martins; 1950 - conclusão da adaptação a pousada de turismo pela Direcção dos Serviços dos Monumentos Nacionais; procedeu-se ao equipamento da Pousada do Castelo, sendo os desenhos para o mobiliário de madeira* feitos pelos arquitectos Fernando Augusto Peres de Guimarães e por Luís Benavente, com a colaboração na parte decorativa e distribuição do mobiliário do arquitecto Leonardo Castro Freire; aquisição de equipamento e mobiliário pela Comissão para a Aquisição de Mobiliário, fornecido pela Fábrica de Móveis Aséta, do Porto, sendo concessionária Paola Luísa Maria Oliva (Luísa Satanela).

Dados Técnicos

Estruturas autoportantes, autónomas e mistas.

Materiais

Cantaria, alvenaria, adobe, tijolo, madeira, telha, cerâmica, vidro, ferro, betão armado.

Bibliografia

Guia de Portugal, vol. II, Lisboa, 1927; LARCHER, Jorge das Neves, Castelos de Portugal, Lisboa, 1933; ALMEIDA Gen. João de, Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, vol. II, Lisboa, 1946; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1950, Lisboa, 1951; DGEMN, Castelo de Óbidos, Boletim nº 68-69, Lisboa, 1952; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1952, Lisboa, 1953; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos anos de 1957 e 1958, 1º Volume, Lisboa, 1959; SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Inventário Artístico de Portugal, Lisboa, 1967; Memórias históricas e diferentes apontamentos acerca da antiguidade de Óbidos desde o ano 308 antes de Jesus Cristo até ao presente, tirados dos historiadores portugueses e espanhóis e manuscritos originais dos arquivos, de que se faz menção nestes apontamentos, Lisboa, 1985; CÂMARA, Teresa Maria Bettencourt da, Óbidos. Arquitectura e Urbanismo (sécs. XVI e XVII), tese de mestrado, UNL, Lisboa, 1986; SILVA, Manuela Santos, Óbidos Medieval - estruturas urbanas e administrativas concelhias, tese de mestrado, UNL, Lisboa, 1987; PEREIRA, José Fernandes, Óbidos, Lisboa, 1988; RODRIGUES, Margarida Sara, Óbidos: Recantos do Tempo, Lisboa, 1988; PEDRAS, Hernâni J. Leal e outros, Óbidos, passado e futuro, in I Encontro Ibérico de Municípios com Centro Histórico. Santarém, 6-8 Novembro 1992. Actas, Santarém, 1994; HENRIQUES, Pedro Castro, CUNHA, Rui, Óbidos: um convite ao olhar, Lisboa, 1995; SILVA, Manuela Santos, Estruturas urbanas e administração concelhia - Óbidos Medieval, Patrimonia Historica, Cascais 1997; LOBO, Susana, Pousadas de Portugal. Reflexos da Arquitectura Portuguesa no Século XX, Coimbra, Imprensa Universitária de Coimbra, 2006.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRMLisboa, DGEMN/DSARH, DGEMN/DREL/DEM

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRMLisboa

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRMLisboa, DGEMN/DSARH, DGEMN/CAM – 0094/05, 0094/06, 0094/11, 0224/05

Intervenção Realizada

DGEMN: 1932 - apeamento e reconstrução de paredes em alvenaria no recinto do castelo; reconstrução da muralha do castelo; construção de alvenaria aparelhada em ameias das muralhas; 1933 - reboco do paramento interior do poço da torre de D. Fernando e D. Dinis; construção das ameias em falta e reboco no lanço N. da muralha que circunda o paço; reparação do parapeito da cortina e das torres redondas; fornecimento de portas; 1934 / 1935 - construção de alvenaria hidráulica aparelhada em panos, guardas e ameias das muralhas; 1946 - construções diversas no castelo; 1947 - construção de sanitários públicos; obras diversas no castelo; 1948 / 1949 - obras diversas para adaptação a pousada; 1949 - reparação em paredes e pavimentos, caiação de paramentos exteriores, reparação de caixilhos, portas e telhados; 1950 - obras diversas; 1951 - trabalhos complementares de instalação eléctrica e abastecimento de água, reparação de coberturas e alteamento da chaminé, consolidação e limpeza da muralha; 1952 - restauro na Porta da Graça; 1954 - Obras diversas no edifício da Pousada; 1955 - iluminação exterior do castelo; 1956 / 1957 / 1958 - obras diversas na pousada; 1959 - instalação de pára-raios em 2 torres, sondagens e drenagem num troço da muralha; 1962 / 1963 / 1964 / 1965 - apeamento e reconstrução de um troço de muralha, obras de conservação e consolidação na pousada; 1966 - demolição e reconstrução de um troço de muralha a N. e a S., obras de conservação na pousada; 1967 - demolição e reconstrução de troço de muralha; 1968 - nova instalação eléctrica; 1969 - reparação dos danos causados pelo sismo; 1972 / 1973 - reconstrução de troço da muralha a S., aluída em 1966; 1974 - reparação do adarve, limpeza do logradouro no ângulo da muralha; 1975 / 1976 - conservação e reparação diversas na muralha: tapamento de rombos, reparação de escadas, adarves e ameados; 1977 / 1979 / 1981 - obras diversas na pousada; 1982 - adaptação de uma torre a quarto; 1986 - obras de recuperação; 1987 - obras de consolidação e conservação; IPPC: 1986 / 1987 - recuperação das muralhas: tapamento de rombos, limpeza e refechamento de juntas em sectores da muralha N. e junto à pousada, escoramento do arco de separação entre as cercas; 1991 - tapamento de rombos na parede SE., junto à entrada principal da vila; DGEMN: 1994 - muralhas da Vila: consolidação e conservação do pano de muralhas no pano lateral E., reparação da cobertura do torreão da entrada S., restauro e consolidação dos azulejos e pinturas interiores; 1999 - muralhas da Vila: prosseguimento da consolidação e conservação da muralha lateral E. e nas zonas ads portas da Vila. Substituição da cobertura do Torreão da entrada lateral; rebocos e pinturas; 2000 - limpeza de vegetação e consolidação do pano de muralha contíguo à porta principal de entrada da Vila: reparação da Estação dos Passos da Via Sacra junto a esta porta; 2001 - conclusão das obras de limpeza e consolidação das muralhas periféricas da vila; 2004 / 2005 - regularização do pavimento do adarve e iluminação geral das muralhas.

Observações

*1 - O decreto de 1951 classifica o castelo e todo o conjunto urbano da vila.

Autor e Data

Isabel Mendonça 1992 / Cecília Matias 1999

Actualização

Margarida Elias (Centro de Investigação em Arquitectura, Urbanismo e Design (CIAUD-FA/UTL) 2011
 
 
 
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