Moinho de Água do Alferes / Centro de Sensibilização Ambiental

IPA.00033203
Portugal, Beja, Mértola, União das freguesias de São Miguel do Pinheiro, São Pedro de Solis e São Sebastião dos Carros
 
Estação de moagem composta por moinho de água, açude, habitação e forno; destinado à moagem de cereais. Moinho de submersão parcial, de três rodízios, de dimensões consideráveis tendo em conta o caudal da Ribeira do Vascão; nesta existiam ainda vários moinhos de água, alguns ainda subsistentes: Moinho da Cascalheira, Moinho de Amaro da Costa, Moinho da Abelheira, Moinho do Ferreiro / Moinho do Rato, Moinho da Cabeça, Moinho de Penedalque / Moinho de Penedal, Moinho da Estrada, Moinho da Figueira, Moinho de Relíquias, Moinho Novo, Moinho do Malheiro, Moinho de Baixo, Moinho de Corte Miguel e Moinho do Melão / Moinho de D. Miguel, Moinho dos Clérigos / Moinho dos Cleros, Moinho de D. Ana e o Moinho Pedro; alguns destes faziam parceria com moinhos de vento.
Número IPA Antigo: PT040209090054
 
Registo visualizado 136 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Extração, produção e transformação  Moagem    

Descrição

Estação de moagem composta por moinho de água, açude com 2,5m de altura, levada, enxogoadouro, habitações e fornos de lenha. MOINHO: de planta retangular simples, medindo 13,5m X 5m. CASA DO MOLEIRO: Planta composta pela habitação de grossas paredes (60cm) e forno anexo na parede posterior; este fica 2,25m sobre o acceso à casa, indicando o declive do terreno.

Acessos

EN122. Passando a povoação do Álamo e virar à direita para Via Glória; passar a localidade de Moinhos de Vento e seguir até São Bartolomeu de Via Glória; no entrocamento, à entrada para Via Glória, prosseguir no sentido de Giões; percorrendo c. 700m, tomar o desvio à mão esquerda; o moinho encontra-se a 2,5km.

Protecção

Incluído no Plano Sectorial da Rede Natura 2000: Sítio de Interesse Comunitário Guadiana (PTCON0036) e Habitats 5330 (Matos termomediterrânicos ou matos pré-desérticos) e 8220 (Vertentes rochosas siliciosas com vegetação casmofítica).

Enquadramento

Isolado, ribeirinho. A ribeira do Vascão apresenta um regime torrencial, com caudais elevados apenas nos dias em que chove com intensidade, chegando praticamente a secar no fim de cada Verão; percorre uma área de planalto entre curvas de nivel de 140m a 155m máximo num entorno de 500m a cada lado do rio e pussui um leito irregular e tortuoso em todo o seu curso, ladeado por margens povoadas de bosquetes, matos mediterrânicos e variada vegetação ribeirinha. A poucos metros do moinho, o Povoado e a Igreja de São Bartolomeu (v. IPA.00000276), aos quais o Moinho serviria de apoio. FLORA: Azinheira ((Quercus rotundifolia), Sobreiro (Quercus suber), Zambujeiro (Olea europaea), Loendro (Nerium oleander), Tamargueira (Tamarix africana), Tamujo (Flueggea tinctoria), Salgueiros e Freixos); destaque ainda para espécies como o Sanguinho-das-sebes (Rhamnus alaternus) ou a Salsaparrilha-brava (Smilax asper), que aqui ocorrem em abundância. FAUNA e AVIFAUNA: é frequente a presença de espécies como a Doninha (Mustela nivalis) e o Toirão (Mustela putorius) e na categoria dos répteis e anfíbios de espécies como a Salamandrade-pintas-amarelas (Salamandra salamandra) e o Tritão-mar; nas margens, por entre a vegetação ribeirinha, o Rouxinol-do-mato (Cercotrichas galactotes), o Guarda-rios (Alcedo atthis) e, mais raro, o Bico-grossudo (Coccothraustes coccothraustes); este é também território da Águia-cobreira (Circaetus gallicus) e outras rapinas.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Extração, produção e transformação: moagem de cereais

Utilização Actual

Turística: incluído nos percursos turísticos o Ciclo do Pão e PR8 do ICNF

Propriedade

Privada: associação

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 19 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

1482 - existiam na Comenda de Mértola 16 moinhos de enxurrada, três deles na Ribeira do Vascão; 1758, 19 junho - de acordo com a informação recolhida nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo prior Bento José Sevilha de Leiria, "(...) Para sima da villa, para onde nam he navegavel, e mais longe, tem asenhas, e mais moendas, e lagares, mas não tenho noticia de noras ou outro engenho"; 1850 - provável data de construção segundo o cronograma mais antigos de entre os vários inscritos nas ombreiras da porta do moinho; 1960 - deixa de funcionar; 1992 - obras de recuperação; 1994 - abertura ao público para visitas.

Dados Técnicos

Materiais

Paredes de pedra seca e cal; telhado de caniço e telha de canudo.

Bibliografia

BOIÇA, Joaquim F. e BARROS, Maria de Fátima Rombouts de, As Terras, as Serras, os Rios. As Memórias Paroquiais de 1758 do Concelho de Mértola, Mértola, 1996; CAM - Campo Arqueológico de Mértola - Carta arqueológica do concelho de Mértola. Mértola: CAM, 2012; Câmara Municipal de Mértola - Levantamento Arqueológico do Concelho de Mértola. Mértola: CMMértola, 2005 / 2006; GUITA, Rui Jorge Narciso Palma - Museologia e ecomusealização global. Propostas para a musealização de engenhos, conjuntos e sistemas hidráulicos. Dissertação de Mestrado apresentada à Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Departamento de Museologia, Arquitectura, Urbanismo e Geografia, texto policopiado, 2006 (http://www.ceied.ulusofona.pt/pt/formacaoavancada/mestrados/141-msc-museologia-pt/497-msc-museologia-dissertacoes); DOMINGUEZ RUIZ, Victoria - Aplicación de los Sistemas de Información Geográfica (SIG) al proyecto de rehabilitación arquitectónica y urbana. s.n. 2016. Tese de doutoramento apresentada à Universidad de Sevilla, texto policopiado(https://idus.us.es/xmlui/handle/11441/36652); IDEM - «La piccola architettura dei mulini del Vascão (Portogallo): una sfida contemporanea per la comunità e il território». Architettura e città. Milano: Di Baio Editore, 2017, pp. 51-55.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

CAM - Campo Arqueológico de Mértola: Arquivo Fotográfico; CMMértola: Arquivo Fotográfico; DGLAB/TT: Memórias paroquiais, vol. 23, n.º 129, pp. 803 a 813.

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Associação de Defesa do Património de Mértola: 1992 - obras de recuperação e requalificação; 1993 - 1994 - restauro ecológico do corredor ribeirinho entre o Moinho do Alferes e o Moinho das Relíquias: reforço das margens da ribeira, afetadas por processos de erosão e degradação e recuperação das funções ecológicas do corredor ripícola e habitats associados.

Observações

Autor e Data

Rosário Gordalina 2012 e 2017

Actualização

Victoria Domínguez (Contribuinte externo) 2017
 
 
 
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