Santuário do Senhor Jesus da Pedra

IPA.00003314
Portugal, Leiria, Óbidos, Santa Maria, São Pedro e Sobral da Lagoa
 
Santuário barroco, de planta composta por nave centralizada e capela-mor retangular, com sacristia em eixo, circundada por um corredor interno, com coberturas em cúpula e falsa abóbada de berço, amplamente iluminada por vãos retilíneos e curvos rasgados na frontaria e fachadas laterais. Fachada principal harmónica com duas torres sineiras, terminada em entablamento e rasgada por portal em arco e duas janelas sobrepostas, interligadas pelas molduras comuns, e ladeadas por óculo e duas janelas interligadas mais estreitas. Nas fachadas laterais tem portas travessas em arco encimadas por frontão angular. Interior com coro-alto de cantaria sobre mísulas e colunas, duas capelas laterais com retábulos tardo-barrocos, em talha policroma de planta reta e um eixo, púlpito sobre coluna balaústre e capela-mor com silhar de azulejos figurativos alusivos a curas milagrosas de Cristo e retábulo-mor tardo-barroco, de planta reta e um eixo. Na sacristia possui arcaz de espaldar e, nos corredores de acesso, lavabos tipo urna. Ficou por concluir o remate da fachada posterior e as sineiras das torres, ainda que exista o seu projeto de construção. A planimetria da igreja é bastante erudita, com nave centralizada, formando um hexágono, aligeirado pelo eixo longitudinal formado pela capela-mor, inscrito num círculo e com corredores de circulação intermédios, desenvolvidos em vários registos. Apesar da igreja não ter sido concluída, Sérgio Gorjão considera improvável que o projeto inicial previsse a cobertura em abóbada, dada a ausência de referência documental e à colocação de cobertura em telha vidrada no coruchéu hexagonal. As fachadas apresentam contenção decorativa mas são valorizadas pelos jogos rítmicos das formas, visíveis no entablamento do remate da nave e nas superfícies côncavas, convexas e biseladas, bem como no perfil e modinatura dos vãos, dispostos em eixos e justaposição simétrica, acentuando a verticalidade do edifício, surgindo portas e janelas interligadas por molduras comuns almofadadas, recortadas e de remates distintos. As torres sineiras formam nártex sobre as portas travessas e os registos superiores têm o mesmo jogo rítmico dos vãos. Nas fachadas laterais, o registo superior surge mais recuado de modo a criar sacada corrida sobre o remate do registo inferior, acedida por portas laterais e atualmente sem guarda. A fachada posterior possui porta de acesso direto à sacristia que, interiormente, tem no ângulo curvo escadas de caracol de ligação ao piso superior. No interior destaca-se a grande simetria estrutural, com os panos do hexágono, definidos por pilastras colossais jónicas, de esquema semelhante dois a dois, e com os elementos dispostos em eixos, acentuando a verticalidade. Assim, o pano do coro-alto e o do arco triunfal têm amplo arco biselado e almofadado, com moldura exterior formando falso canopo e com nichos nas pilastras; as portas travessas, encimadas por tribunas e janelas termais, que conferem aspeto clássico, inserem-se em arco ladeado de portas, nichos e painéis, tal como os panos seguintes com as capelas laterais, surgindo nos nichos imagens dos Apóstolos. O púlpito surge no lado da Epístola e já foi deslocado. Os retábulos enquadram-se na Escola Pombalina, com telas alusivas ao orago, mas o retábulo-mor, já sem a tela, possui maquineta expondo o cruzeiro do Senhor Jesus da Pedra, objeto de devoção na base da construção do santuário, encimado por falsa mísula que constitui o remate da maquineta e tendo frontalmente passadiço de circulação. O Cruzeiro, talvez da Idade Média, tem imagem relevada de grande primitivismo e original posição do Cristo. No coro-alto e capela-mor existem silhares de azulejos figurativos tardo-barrocos, sendo estes sobrepostos pelas mísulas de sustentação da guarda da tribuna, sugerindo a sua colocação em data posterior. A cobertura da capela-mor tinha pinturas murais, mas desapareceram devido à humidade.
Número IPA Antigo: PT031012040037
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Santuário  

Descrição

Planta centralizada irregular, composta por nave hexagonal, exteriormente circular, e capela-mor retangular saliente, tendo adossada em eixo sacristia também retangular e, nos lados da nave, duas torres sineiras quadrangulares. Volumes articulados de tendência vertical, com coberturas em telhados de quatro águas no zimbório e nas torres sineiras, coroados por bolas de cantaria sobre acrotério, e de três águas na capela-mor e sacristia. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento de cantaria e friso horizontal que percorre o imóvel, de cunhais apilastrados e terminadas em vários frisos e cornija ou apenas cornija, bastante avançada. Fachada principal virada a SO., com pano da nave rasgado por eixo de vãos interligados, composto por portal em arco de volta perfeita, de chave saliente, com moldura almofadada e exteriormente recortada, por janelão de sacada, sobre mísulas com festões, ladeadas de aletas, sem guarda, de topo em arco de volta perfeita, igualmente com moldura almofadada e recortada, e janela de topos curvos e igual moldura, que é comum. Lateralmente, rasgam-se, no registo inferior, dois óculos ovais de moldura almofadada e com colchete nos quatro topos, e, no segundo registo, duas janelas interligadas, de topos extremos retilíneos e os interiores curvos, de disposição oposta, com molduras comuns e recortadas, sobrepostas por cornija reta. A cornija da fachada possui lateralmente duas gárgulas abertas. As torres sineiras, inacabadas, têm os ângulos exteriores côncavos e, em cada uma das faces, três vãos, abrindo-se no primeiro arco de volta perfeita sobre pilastras, no segundo janelão curvo, com moldura almofadada recortada, pano de peito em cantaria igualmente almofadada, e frontão triangular, sobreposto por uma outra janela, retilínea, de moldura almofadada e terminada em cornija, ao nível do remate da fachada. Os arcos de cada torre acedem a nártex, coberto com falsa abóbada de aresta, de estuque, sob a qual se rasga porta travessa da nave, em arco de volta perfeita, com moldura almofadada e recortada, criando espaldar com fecho em mísula, rematado em cornija angular, inserido em amplo arco de volta perfeita. Fachadas laterais de três registos, o primeiro rasgado por três óculos ovais com colchetes nos ângulos, no segundo por três eixos de duas janelas interligadas, de topos exteriores retilíneos, formando falsos brincos retos, e os interiores curvos de disposição oposta, de molduras comuns, almofadas e recortadas; o terceiro piso, sensivelmente recuado, é rasgado por amplo janelão curvo, de chave relevada e moldura almofadada e recortada, sobreposta por cornija reta; lateralmente, abrem-se nos corpos avançados, dois portais de verga reta e moldura simples de acesso à cornija avançada do remate do segundo registo. Corpo da capela-mor e sacristia de ângulos curvos, delimitados por pilastras, com dois registos e rematado em platibanda plena, rebocada e pintada de branco; lateralmente é rasgado por dois eixos de três janelas retilíneas, as do primeiro registo e as inferiores do segundo, interligadas por frisos verticais, e as superiores um pouco mais altas, com molduras recortadas ao centro, formando espaldar no segundo registo. Nos ângulos abrem-se duas janelas iguais às inferiores dos panos laterais, sendo todas estas gradeadas. Na fachada posterior da sacristia, de três registos separados por friso, abre-se eixo de vãos interligados pela moldura, almofadada e recortada, e todos com fecho saliente, composto por portal em arco, vão ovalado e recortado e janela de topo curvo, sobre pano de peito em cantaria almofadada e encimada por frontão triangular. O coruchéu da nave assenta em tambor hexagonal, com cunhais apilastrados e rematado em friso e cornija, interrompida ao centro de cada face por óculo circular, gradeado, e platibanda plena, mais recuada, coroada nos ângulos por altos fogaréus. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, a nave com as faces do hexágono definidas por pilastras colossais de fuste almofadado e capitel jónico, sustentando o entablamento sobre o qual assenta a cobertura em cúpula de madeira, decorada por apainelados, de molduras pintadas a marmoreados fingidos a azul, com apontamentos fitomórficos dourados, e florão central dourado inserido em cartela hexagonal. A nave possui pavimento de madeira sob o coruchéu e, ao longo das faces do hexágono, faixas pavimentadas a enxaquetado de cantaria, possuindo presbitério de um degrau em frente da face das capelas laterais e do arco triunfal. Coro-alto de cantaria, de perfil curvo, com guarda em balaustrada ritmada por acrotérios, assente em duas consolas formando pingentes e duas colunas, sobre plintos paralelepipédicos almofadados. O coro insere-se em amplo arco de volta perfeita, biselado e formando almofadas côncavas, com fecho saliente, envolvido por moldura exterior que se prolonga até ao entablamento em falso canopo; o arco assenta em pilastras, igualmente biseladas, abrindo-se no chanfro central portas de verga reta, acedidas por meio de escadas desenvolvidas na espessura dos muros, e nichos em arco, albergando imaginária. A parede fundeira da nave possui, ao nível do coro azulejos azuis e brancos, formando silhar, de representação figurativa e, ao meio, órgão de armário. No sub-coro existe guarda-vento de madeira, almofadado e formando lateralmente falsas mísulas; de cada lado tem, tal como as portas travessas, pias de água benta de taça hemisférica e exteriormente gomeada, sobre pés cilíndricos. Os dois panos laterais que se seguem são semelhantes dois a dois, e possuem ao centro arco longilíneo, de volta perfeita e chave saliente, ladeados por dois eixos de três registos separados por friso e cornija, possuindo no primeiro porta recortada, com fecho fitomórfico formando pingentes, encimada por cornija reta, no segundo nicho em arco de volta perfeita, de moldura igualmente recortada, albergando estátuas dos Apóstolos, e, no terceiro registo, painel retangular desnudo, com moldura de ângulos curvos e florões. Sobre o arco abre-se janelão de verga abatida, com moldura recortada e fecho saliente. Os dois panos que flanqueiam o coro-alto integram no arco central porta travessa de verga reta, com moldura recortada, bandeira de madeira, almofadada e recortada, encimada por tribuna retangular, fechada por guarda vazada, e por janela termal com decoração fitomórfica vazada. Nos dois panos que se seguem, os arcos correspondem às capelas laterais, dedicadas a Nossa Senhora da Conceição, no lado do Evangelho, e a São José, no da Epístola, com retábulos de talha policroma e dourada, de planta reta e um eixo. Junto à capela da Epístola dispõe-se o púlpito, com bacia de cantaria facetada assente em coluna balaústre, ornado a meio, e com guarda plena de madeira, almofadada, pintada a marmoreados fingidos a rosa, verde e branco, acedido por escada de madeira com guarda igual. Arco triunfal de volta perfeita biselado e com almofadas côncavas, sobre pilastras igualmente biseladas, rasgadas no chanfro central por dois nichos sobrepostos, pouco profundos e desnudos, envolvido por moldura exterior que se prolonga até ao entablamento em falso canopo. A capela-mor apresenta as paredes laterais com azulejos azuis e brancos formando silhar, com representação de quatro curas milagrosas de Cristo. Superiormente abrem-se duas tribunas interligadas, a primeira com vão recortado e sacada avançada ligeiramente, assente em duas mísulas e a segunda de varandim, ambas com molduras almofadadas e recortadas e com dupla guarda, a inferior em balaustrada de cantaria e a superior de madeira vazada. Sobre supedâneo de vários degraus, dispõe-se o retábulo-mor, em talha pintada a marmoreados fingidos a rosa, verde, azul, amarelo e dourado, de planta reta e um eixo definido por duas colunas de fuste liso, assente em dupla ordem de plintos paralelepipédicos, os inferiores almofadados, e de capitéis coríntios, sustentando o ático em frontão triangular com forte denticulado, o vértice re-entrante e, possuindo no tímpano elementos fitomórficos dourados; sobre o frontão surge amplo resplendor com o Delta Luminoso ladeado por dois anjos de vulto ajoelhados, todos dourados; ao centro possui nicho em arco de volta perfeita, com moldura formando falsos brincos retos e pingentes, interiormente com apainelado almofadado e decorado por elementos vegetalistas, possuindo ao centro mísula escalonada e recortada, sobreposta por motivos vegetalistas e festões, sustentando candelabros; exteriormente, ladeiam as colunas falsas pilastras decoradas com motivos vegetalistas dourados; ao centro existe maquineta envidraçada, em talha pintada a marmoreados fingidos a azul, com ângulos facetados ornados por motivos fitomórficos, que enquadram a porta trilobada e sobrepujam o remate em entablamento; alberga a Cruz do Senhor da Pedra, inserida em base dourada, com volutas e motivos vegetalistas. Em frente e num plano avançado dispõe-se banqueta tipo urna com friso vegetalista tendo frontalmente mesa de altar em cantaria. Entre a maquineta e a banqueta desenvolve-se passadiço com escadas, de ambos os lados, com guarda plena de madeira, de remate curvo, para permitir a aproximação e o toque ao Senhor da Pedra. A capela é circundada por corredores abobadados dispostos em vários registos que interligam os vários espaços, pequenas salas poligonais e acedem ao coro-alto e às várias tribunas. No primeiro registo os corredores conduzem à sacristia, que tem arcaz com módulos de três gavetas, encimado por espaldar em talha pintada a marmoreados fingidos, rematado em entablamento e seccionado em vários panos por pilastras, coroadas por pináculos fitomórficos; o espaldar integra dois espelhos rematados por espaldar fitomórfico e, ao centro, um nicho, de perfil curvo, boca rendilhada, rematada em cornija contracurva sobreposta por espaldar fitomórfico e albergando imagem do Crucificado. No corredor da sacristia existem lavabos, sob janelas, com depósito em urna, decorada por festões de drapeados, lágrimas, motivos vegetalistas e dois florões com bicas, sobre pé que assente em estrutura semicircular para suporte de vasilhame e com tampa coroada por bola. Sobre a sacristia desenvolve-se a sala das sessões.

Acessos

EN 8; Largo do Santuário

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público / ZEP, Portaria nº 513/2013, DR, 2.ª série, n.º 145, de 30 julho 2013

Enquadramento

Urbano, isolado, no exterior do Núcleo urbano da vila de Óbidos (v. PT031012040050), a cerca de 600 m do mesmo, inserido numa planície, onde se destaca devido à sua grande volumetria. Possui adro retangular irregular, pavimentado a cantaria e calçada à portuguesa, frontal e lateralmente sobrelevado aos arruamentos envolventes, onde é vedado por muro, sendo frontalmente acedido por escadas delimitadas por pináculos sobre plintos paralelepipédicos, e posteriormente delimitado por frades. Junto à fachada posterior desenvolve-se o edifício da casa dos romeiros e, junto à fachada lateral esquerda, adossada a casa de planta retangular e dois pisos, o denominado Chafariz de D. João V (v. PT031012040040).

Descrição Complementar

No coro-alto existe órgão positivo, rematado em cornija sobreposta por espaldar de acantos vazados, com dois nichos simétricos, com gelosias decoradas de acantos e enrolamentos, encimadas por pelicano; consola em janela com quatro botões de registo. Capelas laterais com retábulos de talha policroma a verde e bege, de planta reta e um eixo, definido por duas colunas de fuste liso e capitel coríntio, sobre duas ordens de plintos paralelepipédicos, os inferiores almofadados, que sustentam o entablamento e o remate em frontão triangular com o vértice re-entrante; ao centro possui painel curvo, inferiormente com moldura recortada e com flores, e superiormente com querubim e festão; as telas representam Nossa Senhora da Conceição (Evangelho) e a Morte de São José (Epístola). O retábulo do Evangelho tem ainda sacrário tipo templete, com pilastras nos cunhais, coberta por domo, e com porta ornada por custódia e elementos fitomórficos. Os altares são paralelepipédicos, de cantaria, com frontal almofadado inserido cruz grega em moldura circular relevada. Sobre os retábulos existe pequena janela termal com guarda de madeira vazada. A nave possui oito nichos laterais, albergando imagens dos Apóstolos, em gesso, as do lado do Evangelho representando São Lucas, São Simão, São João e São Pedro, e as do lado da Epístola São Tiago, São Marcos, São Mateus e São Paulo. Sobre os nichos existem painéis retilíneos com os ângulos curvos que tinham telas com Passos da Paixão de Cristo: Entrada em Jerusalém, Traição de Judas, Escarnecimento de Cristo (Senhor da Cana Verde ou Ecce Homo), Cristo carregando a cruz, Virgem, são João e Maria Madalena aos pés da Cruz, Descida da Cruz, Nossa Senhora da Piedade e Deposição no túmulo. Os azulejos da capela-mor representam, do lado do Evangelho Cura do leproso e Cura do cego Bartimeu e do lado da Epístola a cura do paralítico de Cafarnaum e Ressurreição da filha de Jairo. CASA DOS ROMEIROS de planta retangular irregular, composta por dois corpos, o disposto à esquerda mais profundo e formando recorte, com coberturas em telhados de quatro águas, rematadas em beirada simples. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, evoluindo em dois pisos, a principal virada a S., com o primeiro piso desenvolvido em arcada de arcos deprimidos sobre pilares, e, o segundo, rasgado por janelas retilíneas, num jogo rítmico de janelas de peitoril e de sacada, com guarda em ferro, predominantemente abertas duas a duas. No topo direito e no recorte do corpo mais profundo a arcada possui dois arcos mais estreitos, de volta perfeita, ladeando o arco deprimido. Sob a arcada, com pavimento cerâmico, abrem-se janelas e portas retilíneas.

Utilização Inicial

Religiosa: santuário

Utilização Actual

Religiosa: santuário

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Lisboa)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Rodrigo Franco (1740). CARPINTEIRO: Francisco Henriques: (1746). EMPRESA DE RESTAURO: NET (1997 / 1998). ENTALHADOR: Matias José de Sousa (séc. 18). ESCULTORES: Francisco Borjão (1747); Joaquim da Silva Coelho (1764). FÁBRICA DE CERÂMICA: Fábrica Bordalo Pinheiro (1884). FERREIROS: António Luís (1744); Caetano da Cunha Cruz (1743/1745); Iliório Luís de Andrade (1747). FUNDIDOR: Pedro Rodrigues Palavra (1747). OURIVES: António dos Santos (1746, cerca/1793); Francisco Xavier de Moura (1746, cerca); João Carvalho Albernós (1746, cerca). PEDREIROS: Francisco Antunes (1746); Francisco Dias Freire (1746). PINTORES: André Gonçalves (1748); Bernardino Alvares ou Alves (1747); Francisco Sequeira Ferrão (1744); José Costa Negreiros (1748). PINTOR DE AZULEJOS: Bartolomeu Antunes (séc. 18). VIDRACEIRO: Vicente Torres (1747).

Cronologia

1732 - ao que parece já existia a confraria do Senhor Jesus da Pedra; 1734 / 1735 - com a redescoberta da imagem do Senhor Jesus da Pedra, ressurge a devoção à mesma, devido a uma seca; surgindo o desejo de construir um novo templo; 1739, 7 junho - oferta simbólica da primeira moeda de esmola para construção de um novo templo que albergasse a imagem milagrosa do Senhor Jesus da Pedra; 19 junho - segundo Fr. Dionísio Matoso, sendo grande a afluência de romeiros, as fontes da vila tornam-se escassas; assim, um dos mesários manda abrir a nascente da fonte; julho - as esmolas para a construção do novo templo ascendiam a 507$570, além de diversos materiais de construção, com que se fez uma capelinha de madeira para albergar a imagem; 19 julho - sagração da capela de madeira, para celebração dos ofícios divinos; 30 julho - bênção da capela pelo pároco de Santa Maria; 01 agosto - primeira celebração litúrgica na capela de madeira; instituição de duas capelas, a primeira com obrigação de missa às nove horas e a segunda às onze, tendo sido titular desta o Pe. Valeriano Gomes Henriques; 1740 - data do ex-voto mais antigo; 24 junho - alteração aos estatutos da Irmandade do Senhor da Pedra, pelo Cardeal Patriarca D. Tomás de Almeida, procurador da Casa das Rainhas, onde se integrava Óbidos; nestes, o cardeal, autoriza a ereção de uma Irmandade de que se declara protetor, acarinhando a ereção do santuário para albergar a imagem; setembro, finais - deslocam-se a Óbidos para escolher o local de implantação do santuário o arcebispo de Lacedemónia, D. José Dantas Barbosa, como diretor delegado da obra e "arrecador" das esmolas para a construção, bem como o arquiteto da Mitra Patriarcal, o capitão Rodrigo Franco; nesta altura, as esmolas ascendiam a 14:807$785; 04 outubro - escolha do primeiro local para construção, localizado numa zona baixa que facilmente se alagava no inverno e que estreitava a passagem para as Caldas; 05 outubro - demarcação da área do edifício e abertura dos alicerces, com participação do Arcebispo Vigário Geral e restante clero, e de muitas mulheres; o terreno era um prazo de José Botelho de Siqueira, que dava o direito ao prazo gratuitamente, mas reclamava para si o direito de padroado, o que não satisfez o Cardeal Patriarca, levando a contencioso jurídico e a ter que escolher um novo local; 16 outubro - escritura da propriedade onde se situa o santuário e área envolvente, confrontando a N. com uma propriedade do Dr. José Franco de Carvalho e a S. do beneficiado João Monteiro; 17 outubro - pedido de aquisição de uma vinha, aforada a José dos Reis, da vila de Óbidos, à Madre Abadessa de Cós; 27 outubro - parecer favorável da Madre Abadessa; adquirida a vinha pela Irmandade por 100$000, para o terreno da igreja, cujos foros revertiam ao Colégio Patriarcal e aos beneficiados de Santa Maria, e de uma outra terra foreira a São Tiago, onde se ergueu a sacristia, surgiram dúvidas sobre a alçada eclesiástica em que a capela devia pertencer; com a intervenção do Cardeal Patriarca, através do seu visitador Dr. António Rodrigues Justo, Santa Maria fica com a propriedade e alçada do santuário devido à primazia que tinha sobre os restantes templos da vila; foi ainda necessário negociar com Bernardo Freire de Andrade, uma propriedade confinante que estava emprazada à Misericórdia de Óbidos; 25 novembro - escolha do local definitivo para a construção do santuário; 26 novembro - início da abertura dos alicerces; 20 dezembro - aquisição do terreno do Dr. José Franco de Carvalho, confinante a N. com o terreno do templo; 21 dezembro - bênção e lançamento da primeira pedra, dedicada a São Tomás Apóstolo, por D. José Dantas Barbosa, arcebispo de Lacedemónia, ministro da cúria patriarcal, juiz das justificações de genere e delegado de D. Tomás de Almeida; a cerimónia decorreu depois de se ter erguido uma cruz no local onde ficaria o altar-mor e de se ter marcado a futura entrada principal com um pórtico de madeira ornamentado; o sermão foi pregado por Fr. Dionísio Mattoso, do mosteiro de Nossa Senhora da Conceição de Vale Benfeito em Óbidos; 1741, 5 agosto - Breve do papa Benedito XIV aos Irmãos do Senhor da Pedra com indulgências por 7 anos a todos os fiéis que visitassem a igreja, depois de confessados e comungados; 12 agosto - Breve de Benedito XIV aos romeiros que visitarem o Senhor da Pedra; 1742, 5 maio - petição de José dos Reis para se demarcar a sua terra à parte da vinha que vendeu em 1740 à Irmandade do Senhor da Pedra; 10 maio - D. João V inicia os seus tratamentos no Hospital Termal de Caldas da Rainha, passando a visitar frequentemente a imagem do Senhor Jesus da Pedra, pela qual tinha grande veneração, oferecendo avultadas esmolas; 1743, 16 junho - arrematação da obra de ferragem para o santuário, com o ferreiro Caetano da Cunha Cruz, de Óbidos; 1744, cerca - pintura de tela representando Nossa Senhora da Conceição pelo pintor Francisco Sequeira Ferrão para a capela provisória do Senhor da Pedra; 15 junho - arrematação da obra de ferragem com ferreiro António Luís, de Óbidos; 1745, 21 agosto - arrematação da obra de ferragem por Caetano da Cunha Cruz; feitura das ferragens da arca, armários e portas executadas em Lisboa, por um "mestre dourador e latoeiro", por 96$000; 1746, 24 fevereiro - arrematação das três portas para o santuário pelo carpinteiro Francisco Henriques, de Santarém; trabalharam no santuário os ourives Francisco Xavier de Moura, de Santarém, João Carvalho Albernós e António dos Santos, ambos de Lisboa; entalhador Matias José de Sousa fez o guarda-vento e o sacrário e, provavelmente, fez ou coordenou a execução dos retábulos e maquineta da cruz; 25 setembro - arrematação do último lanço da obra de alvenaria com o pedreiro Francisco Dias Freire, das Caldas da Rainha; Francisco Antunes era o principal pedreiro; 1747 - colocação das telas com um Calvário no altar-mor, com Nossa Senhora da Conceição e Morte de são José, feitas pelos pintores André Gonçalves e José da Costa Negreiros, em Lisboa; execução de quatro evangelistas em madeira, para a banqueta do altar-mor, por Francisco Borjão; 17 abril - pagamento de dois sinos e uma garrida, mandados fazer em Lisboa, por D. José Dantas Barbosa, e adquiridos a Pedro Rodrigues Palavra, por 271$040; pagamento das ferragens dos sinos ao ferreiro Iliório Luís de Andrade, de Lisboa, por 37$050; referência documental ao pintor Bernardino Alvares ou Alves, desconhecendo-se o que fez no santuário; 26 abril - início das solenidades de inauguração do santuário; chegada a Óbidos do arcebispo de Lacedemónia, tendo sido proferida uma oração; 27 abril - Arcebispo de Lacedemónia visita a Família Real nas Caldas da Rainha comunicando as datas previstas para as celebrações; D. João V dá o seu aval e ordena que o tesouro de Igreja de Nossa Senhora do Pópulo fosse posto à disposição para as cerimónias; 28 abril - sagração dos três sinos da igreja, em honra da Virgem, São José e Santo António, suspensos na principal entrada do vestíbulo da parte esquerda da igreja; depois foram colocados em lugar provisório sobre a porta principal, por não estarem as torres ainda preparadas; 29 abril - bênção da igreja, com celebração de missa solene no altar lateral de Nossa Senhora da Conceição; exposição e veneração das relíquias dos mártires São Sebastião e Honorato no interior do altar-mor; 30 abril - inauguração do santuário, visto o cardeal considerar a obra da igreja completa por dentro e o que faltava no exterior não impedir a execução das funções na igreja; transladação da imagem do Senhor Jesus da Pedra para o novo santuário, com a presença da família real, corte e do clero, num total de cerca de 6000 pessoas; 1 a 3 maio - tríduo solene de inauguração e festividades populares; 02 maio - família Real acompanhada de parte da corte, visitam o santuário; 3 maio - festividade da Invenção da Santa Cruz; 22 julho - pagamento da obra das vidraças feitas pelo vidraceiro Vicente Torres, por 649$165; 13 agosto - D. José Dantas Barbosa, Arcebispo de Lacedemónia, oferece esmola 12 moedas de ouro para as obras; 1746 - 1747 - feitura das pias e lavabos; 1748, 11 junho - pagamento ao almocreve Francisco de Sousa pelo transporte das pinturas, imagens dos Evangelistas e outros materiais, de Lisboa, por 5$600; 1751, fevereiro - conclusão da abóbada de cantaria da torre do lado N.; 1756 - queda do painel do retábulo-mor; 1758, 11 abril - cardeal Patriarca D. José Manuel concede a faculdade perpétua de expor o Santíssimo Sacramento no dia da festa a 3 maio; 1760 / 1770 - aquisição de tecido e galões para fabricar três frontais verdes, um setial verde e cortinas para forrar a maquineta do Senhor da Pedra (damasco carmim), por 72$970; 1761 - demarcação das terras, tendo a Mesa administrativa concordado dar a José dos Reis 8 varas de chão; 1762 - alvará de D. José institui a feira de Santa Cruz no terreiro do santuário; 1763, 24 março - instituição da capela das Almas por determinação testamentária do Capitão Clemente Francisco; 1764 - execução da série dos Apóstolos pelo escultor Joaquim da Silva Coelho, de Alcobaça; 1774, 06 dezembro - extinção do cargo de reitor do santuário, ficando o tesoureiro incumbido das suas funções; proibição da separação dos fundos para haver maior clareza nos fundos financeiros; 1783, 10 fevereiro - petição à rainha D. Maria I para se dar poder executivo à Mesa Administrativa do Santuário e conceder a faculdade de juiz privativo, para maior celeridade nos processos de cobrança de dívidas das rendas; 1784, 18 dezembro - Cardeal Patriarca D. Fernando de Sousa e Silva proíbe o empréstimo temporário de dinheiro a juros devido a dificuldades nos recebimentos das amortizações; alega a necessidade de obras de reparação e manutenção do santuário e manda comprar dois espelhos para a sacristia, seis tocheiros para a capela-mor e fazer um nicho para o crucifixo da sacristia; 1785, 19 maio - permissão para empréstimo de dinheiro a juros, não excedendo os 100$000; 1793, 01 maio - pagamento de dois lampadários de prata executados em Lisboa, por António dos Santos, por 471$040; séc. 18 - colocação dos painéis de azulejos da capela-mor e coro-alto, talvez executados por Bartolomeu Antunes; a primitiva cruz do remate foi feita em Lisboa por um ferreiro estrangeiro, por 147$200; 1808, 07 março - entrega da prata do santuário para pagamento do resgate exigido pelas tropas francesas; 1828 - solicita-se novamente o benefício de ter juiz privativo; 1829 - solicita-se ao rei a faculdade da Irmandade ter juiz privativo, à semelhança da Misericórdia; 1830 - visita de D. Miguel, no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834); 1840, 09 fevereiro - na noite de 9 para 10 assaltam o santuário, arromba-se uma porta e saqueia-se alguns cofres; 15 fevereiro - ordem do cardeal para que todo o clero e Irmandades da vila fizessem uma procissão solene de desagravo e manifestação de piedade, devido ao assalto ao santuário; 15 março - procissão com sermão proferido na igreja pelo Pe. Raimundo Beirão, capelão de Aldeia Gavinha; 11 maio - Guilherme José Furtado, vigário geral de Óbidos e desembargador da relação é agraciado com o título honorífico de "Protetor do Santuário"; 1842, 28 abril - registo de uma carta de agradecimento do Cardeal Patriarca D. Fr. Francisco de S. Luis Saraiva, pela oferta de relíquias da Cruz do Senhor da Pedra; 1850, 29 setembro - visita do Cardeal Patriarca D. Guilherme H. de Carvalho; 1855, 5 setembro - carta de resposta do cardeal patriarca D. Guilherme, dirigida à Irmandade do Senhor da Pedra, declarando que o santuário tem a sua jurisdição suprema da Mitra Patriarcal e que, por esse motivo, ao abrigo do artigo 226 nº 20 do Código Administrativo, o Governo Civil de Leiria poderá nada ter a ver com as contas do santuário; contudo, o assunto seria exposto ao rei, que decidiria sobre essa matéria; 1875 - segundo Pinho Leal, a igreja tinha cobertura de telhas esverdeadas, coroada por grande globo sustentando alta cruz de ferro; sobre "a cornija da cimalha exterior" corria uma varanda, que o autor acredita que deveria cercar todo o edifício, e de onde se gozava formosa vista; 17 abril - colocação de um novo sino; 1884 - aquisição de jarras para os altares à Fábrica Bordalo Pinheiro, das Caldas da Rainha; 1884 / 1893 - plantação de árvores no terreiro; 1866 / 1888 - redouramento da maquineta da cruz do Senhor da Pedra; 1896 - construção da casa dos romeiros; 1902, 13 agosto - alteração da designação da Confraria do Senhor Jesus da Pedra para Irmandade do Senhor da Pedra da vila de Óbidos; 1912, 20 outubro - aprovação de estatutos da Irmandade do Senhor Jesus da Pedra, de acordo com a Lei da Separação de 1911; 1944, 05 agosto - aprovação dos estatutos da Irmandade; 1960, início da década - viatura pesada de transporte de gesso das minas de Óbidos, embate na fachada da capela, destruindo-a parcialmente, levando à sua demolição e dispersão dos seus materiais; 1960, década - Albino de Castro e Sousa, enquanto presidente da Câmara e Secretário da Irmandade, propõe a criação de um "monumento" ou cruzeiro ao Senhor da Pedra, junto ao santuário, devido à demolição da capelinha da memória, o qual perpetuasse o fato que originou a construção do santuário; 1997 - celebrações dos 250 anos do Santuário; inauguração do núcleo museológico; 1998, 03 maio - encerramento das celebrações dos 250 anos do Santuário, com missa presidida pelo Núncio Apostólico Eduardo Rovira; séc. 20 - substituição da cruz do remate; 2010 - Câmara Municipal solicita ao Gabinete de Gestão do Património Histórico a elaboração da proposta de classificação do conjunto constituído pelo Santuário, antiga Casa dos Romeiros e Chafariz e delimitação da respetiva zona especial de proteção; proposta de abertura do processo de classificação da DRCLVT; 03 maio - despacho de abertura do processo de classificação do Director do IGESPAR; 2011, 23 maio - Anúncio n.º 6933/2011, DR, 2.ª série, n.º 99, com decisão de abertura do procedimento de classificação do imóvel; 17 novembro - proposta da DRCLVTejo para a classificação como Monumento de Interesse Público e definição de Zona Especial de Proteção; 05 dezembro - parecer favorável da SPAA do Conselho Nacional de Cultura, propondo a alteração da designação para Santuário do Senhor Jesus da Pedra, incluindo o adro, e definição de Zona Especial de Proteção; 2012, 29 maio - Anúncio n.º 11816/2012, DR, 2.ª série, n.º 104, com projeto de decisão relativo à classificação do imóvel como Monumento de Interesse Público e à fixação de Zona Especial de Proteção.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de alvenaria rebocada e pintada; embasamento, pilastras, frisos, cornijas, pináculos, fogaréus e molduras dos vãos em cantaria; portas de madeira; grades em ferro; coro-alto, bacia do púlpito, pias de água benta, colunas e outros elementos interiores em cantaria; guarda-vento, guardas das tribunas e arcaz em madeira; guarda do púlpito em madeira pintada; silhares de azulejos; retábulos de talha policroma; telas pintadas; estátuas de gesso; pavimento de madeira e de mármore branco e cinzento italiano na igreja e cerâmico nos corredores; coberturas em falsas abóbadas de berço, de estuque e cúpula de madeira na nave; cobertura de telha.

Bibliografia

BOTELHO, Joaquim da Silveira - Óbidos - Vila Museu. Câmara Municipal de Óbidos, 1996; GORJÃO, Sérgio - Santuário do Senhor Jesus da Pedra. Óbidos. Lisboa: Edições Colibri, 1998; IDEM - Senhor Jesus da Pedra: Guia do Núcleo Museológico. Óbidos: Santuário do Senhor Jesus da Pedra, 1997; LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Pinho - Portugal Antigop e Moderno. Lisboa: Livraria Editora de Matos Moreira & Companhia, 1975, vol. 6; MATOSO, Dionísio - Sermam, que na funçam de lançar a primeira pedra para a nova igreja.... Lisboa: Officina de Miguel Rodrigues, 1743; PEREIRA, José Fernandes - O Santuário do Senhor da Pedra. S.l.: Câmara Municipal de Óbidos, 1988; SEQUEIRA, Gustavo de Matos - Inventário Artístico de Portugal. Lisboa: 1955, vol. 5; VASCONCELOS, João - Romarias. Um Inventário dos Santuários de Portugal. Lisboa: OLHAPIM, Edições, 1996, vol. 1.

Documentação Gráfica

Museu Municipal de Óbidos

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Arquivo do Santuário do Senhor Jesus da Pedra

Intervenção Realizada

1756 - restauro do painel do retábulo-mor após a sua queda; séc. 20, início - repinte do teto da igreja; feitura da cobertura das torres sineiras, que ficaram por concluir, não apresentando cimalha no remate e possuindo ao centro vão circular por onde passariam os pesos do relógio; CMÓbitos: 1997, 20 outubro - início das obras de restauro da cúpula da igreja pela empresa NET; 1998, março - conclusão das obras de restauro da cúpula.

Observações

*1 - Existem diversas lendas subjacentes à construção do santuário do Senhor Jesus da Pedra, mas todas tendo na base os maus anos agrícolas e as doenças, para as quais a imagem do Senhor da Pedra (cruz de pedra com a imagem relevada de Cristo, exposta no retábulo-mor) tinha poder de intercessão. A mais popular refere que, durante uma prolongada seca na região, na década de 1730, um lavrador foi chamado pela imagem, que se encontrava escondida num combro por entre silvados, num terreno da Colegiada de Santa Maria de Óbidos, junto à estrada que ligava a vila às Caldas da Rainha, a qual lhe dissera que não iria chover enquanto não se venerasse condignamente a uma imagem. Outra versão conta que decorria um ano agrícola muito seco e a imagem foi encontrada num lugar onde havia um pequeno olho de água. A imagem, motivo de veneração, foi caindo em esquecimento. No séc. 18, sendo a região de Óbidos assolada por uma seca e após terem falhado várias procissões intercedentes, um lavrador recordou a antiga devoção da cruz que foi então objecto de procissão, chovendo finalmente em abundância, concorrendo tal evento decisivamente para a fama da cruz. Segundo Frei Dionísio Matoso, existia a tradição de ter sido a rainha D. Leonor, mulher de D. João II, que, enquanto viúva, mandara construir o cruzeiro com Cristo gravado junto ao caminho de Óbidos - Caldas, para indicar o caminho das águas curativas das Caldas da Rainha, caindo posteriormente no esquecimento. A devoção ao Senhor da Pedra parece, portanto, ser antiga, dirigindo-se ao local do cruzeiro protegido por uma capela de madeira algumas procissões, como a das ladainhas. Mas, devido à distância da vila e a outros fatores, o hábito foi-se desvanecendo, passando a cruz ao abandono, até ser reedescoberta no séc. 18.

Autor e Data

Lurdes Perdigão 1998 / Paula Noé 2013 (no âmbito da parceria IHRU / Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja)

Actualização

 
 
 
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