Casa de Guilherme e João Diogo Stephens / Museu do Vidro

IPA.00003289
Portugal, Leiria, Marinha Grande, Marinha Grande
 
Palacete neoclássico, seguindo o modelo das residências nobres urbanas francesas do séc. 18 ("hôtels de ville"), com a fachada de três corpos encimada por balaustrada, sendo o corpo central bem marcado pelo tímpano triangular e pelo conjunto portal / janela. Constituía uma parte do conjunto harmónico dos edifícios da Fábrica: oficina de cristal, casa de lapidação, de composição de vidraça, da forja, dos pisões, para além de cavalariças, armazéns, palheiros e ainda casas de empregados; havia além disso um teatro e uma sala de concertos.
Número IPA Antigo: PT021010010001
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa  Palacete  

Descrição

Planta longitudinal. Cobertura em telhado de 4 águas. 3 pisos, fachada principal com 3 corpos marcados por cunhais e pilastras, terminando o central em empena angular e os laterais em balaustrada, com urnas nos acrotérios. No primeiro piso, a meio da fachada, rasga-se portal em arco abatido, rematado lateralmente por colunas lisas, encimado por janela de sacada com balaústres; as restantes janelas são de guilhotina. INTERIOR: uma escadaria de 3 lanços, no átrio, comunica com os andares superiores; no 1º andar alinham-se 3 salas articuladas mutuamente sem corredor. JARDINS: o núcleo construído, formado pelo Museu, Biblioteca Municipal, Arquivo Municipal e Escola Profissonal, é enquadrado por 2 jardins, o mais antigo ocupando a praça central e outro, de construção posterior, situado na fachada posterior do Palácio / Museu. . O jardim da praça central, de inspiração neoclássica, é desenhado, em sebe de buxo, em função de dois eixos perpendiculares que quadripartem o espaço, simétrico e com linha diagonal marcada por caminho em cada talhão quadrado. Eixos principais ocupados, cada um, por oito bancos e ao centro escultura em ferro e mármore. Cada talhão triangular é pontuado com buxo em topiária simples nos vértices. Interior de cada um dos quatro canteiros centrais com palmeira secular (Phoenix canariensis), cipreste, ao centro buxo topiado e nos limites, herbáceas de flor, como amores-perfeitos, lírios ou margaridas. Nas traseiras do edifício do Museu do Vidro encontra-se o Jardim Tardoz (séc. 19) com canteiros de buxo restaurados e no interior pequenos arbustos e herbáceas, como hortênsias, roseira ou sardinheira. Este jardim é de desenho mais tardio que, embora também topiado, com base de buxo e simétrico, é marcado por linhas mais orgânicas. Desenvolve-se paralelamente ao edifício com centro marcado por mesa em mármore e desenho rotundo de quatro canteiros de buxo simétricos, cada um com banco de mármore ao centro, e dois circulares com arbusto no interior. No centro de cada parcela do jardim encontra-se canteiro circular com palmeira ao centro. Do lado oposto e paralelo ao edifício existe lago semicircular enquadrado por canteiro longitudinal e simétrico em relação ao centro do jardim com linha de bambus que fazem transição entre o jardim formal e elemento de água. No mesmo canteiro estão plantados lírio, agapanto e roseira. No centro do lago cipreste pouco desenvolvido. Muro de tijolo-burro envolve o lago e no lado oposto ao jardim canteiro revestido a pedras de rio e salgueiros. Os caminhos de ambos os jardins são em gravilhas intervenção moderna é o jardim envolvente de todo o complexo fabril Stephens, em que a grande extensão de parcelas, de relvado, de canteiros, e caminhos, define o espaço. Os relvados são limitados por canteiros orgânicos de plantas adaptadas ao solo arenoso e herbáceas aromáticas como alecrim ou alfazema e, em zonas mais sombrias, existem amplos canteiros térreos de amores-perfeitos e outras herbáceas de flor colorida. Paralela à estrada estende-se caminho de quatro metros de largura em calçada sob pérgola com a mesma largura, em madeira, alvenaria e esticadores de aço que suportam a trepadeira. Junto aos edifícios entre os dois jardins enquadra-se praça em calçada e tijolo-burro aglutinando as linguagens do jardim neoclássico e do moderno, com bancos lineares, em madeira e ferro, e canteiro em tijolo-burro com alfazema e estrutura para trepadeira sobre a parede.

Acessos

Praça Guilherme Stephens

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 47 508, DG, 1.ª série, n.º 20 de 24 janeiro 1967 *1 / ZEP, Portaria n.º 1069/94, DR, 1.ª série-B, n.º 282 de 07 de dezembro de 1994

Enquadramento

Urbano. Rodeado por construções de volumes semelhantes, onde funcionou a Fábrica Escola, dentro de recinto murado, aberto para a praça por portão gradeado *2 assente entre dois pilares firmados por pináculos. No interior deste recinto desenvolve-se um jardim, enquadrado pelas estruturas construídas da antiga fábrica. Nas traseiras do edifício um jardim "à francesa", com canteiros de buxo.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: palacete

Utilização Actual

Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: Municipal

Afectação

Câmara Municipal da Marinha Grande, Decreto nº 11/2000 de 23 de Julho

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Arqtº. José Fava (remodelação séc. 20)

Cronologia

1769, inícios - Guilherme Stephens adquire na Marinha Grande uma pequena fábrica de vidros, que era propriedade de John Beare; 7 de Julho - fundação da Fábrica de Vidros, sob o regime protector do Marquês de Pombal, que estará definitivamente instalada em 1786. O palácio para residência dos irmãos, do secretário e do administrador terá sido construído ao mesmo tempo; séc. 18, finais - Guilhermes Stephens manda construir lago semicircular, onde se reserva água do riacho e de onde é levada por condutos para o jardim, pomar e horta, onde plantou macieiras, rábanos, agriões, chicória e mastruço (utilizados em Inglaterra); construção do jardim central; séc. 19 - construção do jardim de tardoz; 1826 - à data da morte de João Diogo Stephens a Fábrica passa por disposição testamentária para o Estado, que a concede por arrendamento, pelo período de 20 anos ao Conde de Farrobo; séc. 19, anos 60 - a fábrica é arrendada ao visconde de Azarujinha e Jorge Croft, que a mantiveram em laboração cerca de 30 anos; 1894 - na posse, por arrendamento, do banqueiro conde Burnay, a Fábrica é remodelada pela firma "A Vitrificadora"; 1907 - Burnay rescindiu o contrato com o Estado e os operários ficaram cerca de 4 anos sem trabalho; 1910 - com a implantação da república, a Real Fábrica de Vidros passa a chamar-se Fábrica Nacional de Vidros; 1954 - publicação do Decreto-Lei que lhe atribuiu a designação de Fábrica Escola Irmãos Stephens, contemplando a criação de "Um museu para exposição e conservação não só das espécies suficientemente representativas da indústria vidreira nacional nos aspectos técnico e artístico, como ainda objectos de vidro produzidos no país em diferentes épocas, de modo a patentear a evolução deste importante sector da indústria nacional";1994 - assinado um protocolo, em 11 de Julho, entre a comissão liquidatária da FEIS e a CMMG, que, no mesmo acto, assumiu o compromisso de velar pela manutenção e enobrecimento do património histórico e cultural da FEIS (Fábrica Escola Irmãos Stephens); 1996 / 1998 - musealização do edifício, segundo projecto do arquitecto José Fava; 1997 - através do Decreto-Lei no 362 de 20 de Dezembro, foi determinada a transferência para o Estado, para ser afecto à Direcção-Geral do Património, do património Histórico-cultural da FEIS, constituído por um conjunto de edifícios de traça pombalina e áreas envolventes; 2000 - pelo Decreto 368/2000 de 23 de Junho foi alienado ao município da Marinha Grande, para integrar o seu património, o património histórico-cultural da extinta Fábrica-Escola Irmãos Stephens, constituído pelo prédio urbano e todos os bens móveis; 2005, 22 Janeiro - o jardim foi vandalizado tendo sido destruido um banco de mármore.

Dados Técnicos

Estruturas autoportantes

Materiais

Alvenaria de pedra e cantaria; telha cerâmica. Vegetal: Phoenix canariensis (palmeira-das-canárias), Buxus sempervirens (buxo), Bambu, Hidrangea macrophila (hortênsias), Rosa sp (roseira), Pellargonium (sardinheiras), Iris sp (lírio branco), Cupressus (cipreste), (amores-perfeitos), Magnolia grandiflora (magnolia), Populus nigra var. italica (choupo negro), Olea europea (oliveira), Festuca arundinacia (festuca), Opheopugum japonicus, Agapanthus africanus (agapanto), Euonymus japonicus, Platanus hibrida (plátano) Inertes: gravilha, tijoleira e tijolo-burro, seixos rolados do rio, calçada de calcário branco

Bibliografia

LEAL, Pinho, Portugal Antigo e Moderno, vol. VI, Lisboa, 1877; PEREIRA, Esteves e RODRIGUES, Guilherme, Portugal Diccionário, vol. V, Lisboa, 1911; BAROSA, Joaquim, Memórias da Marinha Grande em 1911/12", Leiria, 1912; Guia de Portugal, vol. II, Lisboa, 1927; AMADO MENDES, José M., História da Marinha Grande - Introdução e Prospectivas, Camara Municipal da Marinha Grandes, 1993; BRITO ARANHA, P. W., A Marinha Grande em 1870 nas Memórias Histórico-Estatísticas de Algumas Villas e Povoações de Portugal (1871), Edições Santos-Barosa-Vidros, S.A., Marinha Grande, 1996; BONITA, Diolinda, Tradição e Memória, Marinha Grande, 1999.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN / DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN / DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1980 - Montagem de um sistema de detecção e alarme contra incêndios, no Museu do vidro; reparação da instalação eléctrica. Demolição de alguns anexos, para instalação posterior de novos edifícios com características industriais; 1996 / 1998 - obras gerais de conservação e restauro para adaptação a museu.

Observações

*1 - DOF: Edifício que foi residência de Guilherme e João Diogo Stephens, com os seus jardins. *1 - Portão, que segundo as fontes orais terá pertencido ao antigo tribunal do Santo Ofício em Lisboa

Autor e Data

Isabel Mendonça 1991/ Luísa Estadão 2005

Actualização

 
 
 
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