Forte de Nossa Senhora da Conceição / Fortaleza de Maputo / Museu Histórico de Moçambique

IPA.00032793
Moçambique, Cidade Maputo, Maputo (M), Maputo (M)
 
Forte reconstruído na década de 40 do séc. 20, no contexto das celebrações dos Centenários, com projeto do arquiteto Pancho Guedes, segundo os vestígios da antiga fortificação. Apresenta planta quadrangular composta por dois baluartes virados a terra e cortinas retas, com escarpa exterior em talude, rematada em parapeito de merlões e canhoneiras, nos baluartes e na cortina virados ao mar, enquanto as faces viradas a terra terminam em parapeito liso. Na cortina virada a terra tem porta central de verga reta inserida em estrutura retilínea destacada, possuindo uma outra porta, a principal atualmente, de verga reta e moldura simples. No interior possui pátio central, circundado por adarve largo que, em três faces, corresponde à cobertura dos edifícios de apoio. No forte existe uma inscrição portuguesa relativa à construção de um armazém, que é mais antiga do que a construção do primitivo forte português no local.
Número IPA Antigo: MZ910201000089
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Forte    

Descrição

Planta quadrangular composta por dois baluartes dispostos nos vértices NO. e NE. e cortinas retas. Estrutura em alvenaria de pedra e escarpa exterior em talude, com remate em parapeito liso ou de merlões e canhoneiras. Na cortina virada a O., terminada em parapeito liso, abre-se porta de verga reta de moldura simples. A meio da cortina virada a N., também terminada em parapeito liso, abre-se porta de verga reta inserida numa estrutura retilínea que avança da escarpa, rematada em cornija, coroada por dois pináculos piramidais sobre plintos paralelepipédicos. As restantes cortinas terminam em parapeito de merlões e canhoneiras. Pelo portal virado a O., acede-se ao INTERIOR, onde existe pátio central quadrangular, enquadrado nas faces O., N. e E., por edifícios adossadas ao terrapleno interior, de um piso, com cobertura plana formando adarve largo, pavimentado a cantaria, exceto na cortina E., onde a cobertura é alteada no meio do adarve. Têm fachadas rebocadas e pintadas de ocre, rasgadas por portas ou janelas de peitoril retilíneas, com as molduras pintadas de branco. Interiormente, possuem pavimento cerâmico, paredes rebocadas e pintadas, conservando algumas lápides ou vestígios de estruturas antigas, nomeadamente dois arcos sobre colunas. Numa das salas, com nicho em arco de volta perfeita sobre pilastras, existe caixão com os restos mortais do último Imperador de Gaza (Moçambique), Ngungunhane. Ao longo da cortina S. corre adarve, acedido nos ângulos por rampas; na face virada ao pátio possui grande alto relevo em bronze com a representação da captura do Imperador Ngungunhane. O pátio encontra-se arelvado, com zonas ajardinadas e várias árvores; nele expõem-se várias bocas de fogo, brasões portugueses, lápides, lápides sepulcrais, grupos escultóricos e outros elementos; num dos lados dispõe-se a estátua equestre de Mouzinho de Albuquerque que, antes da Independência de Moçambique, se encontrava na Praça do Município, em frente da Câmara Municipal de Lourenço Marques.

Acessos

Avenida Samora Marchel, Rua de Timor Leste, Rua Marquês de Pombal

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, ocupando um quarteirão delimitado a S. pela Rua Marquês de Pombal, a O. pela Avenida Samora Marchel e a N. pela Rua de Timor Leste, tendo encostado a E. várias construções. Ergue-se junto ao Porto de pesca de Maputo, possuindo ao longo da fachada virada a O. e a N. zona arelvada e ajardinada. Nas imediações, ergue-se a Casa Amarela / Museu da Moeda (v. MZ910201000062).

Descrição Complementar

Numa das salas do interior existe a inscrição "O CAPam DE GRANADros AN / Tº JOZE TEIXra TIGRE CO / MANDANDO ESTAS ILHAS / FEZ ESTA FORTALEZA / NO ANNO DE 1791". Noutra sala existe a inscrição: "REINANDO MUITO ALTO PODEROZO REI DE PORTUGAL DOM MAFº VI ANTÓNIO DE MELO DE CASTRO DO SEV CONSELHO E GOVERNADOR DESTA FORTALEZA MANDOU FAZER ESTE ALMAZEM PORA QUI ESA MEMOBIA AOS 20 DE SETEMBRO DE 1666".

Utilização Inicial

Militar: forte

Utilização Actual

Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Amâncio de Alpoim de Miranda Guedes (Pancho Guedes) (1946, cerca).

Cronologia

1666, 20 setembro - data inscrita numa lápide do interior assinalando a feitura de um armazém, sendo governador da fortaleza D. António de Melo e Castro; 1721, 19 fevereiro - partida de expedição holandesa, oriunda da cidade do Cabo, composta por 113 homens, sob o comando de Klaas Nieuhof, em dois navios, o "Gouda" e o "De Caap"; abril - chegada da expedição à baía de Lourenço Marques; obtida a autorização do chefe local, inicia-se a construção de um forte de madeira, de planta pentagonal, denominado Forte Lagoa; passados seis meses, cerca da metade dos homens havia morrido, sobretudo vítimas de malária; apesar da chegada de reforços da cidade do Cabo, nos navios "Zeelandia" e "Uno", com mais 72 homens e mantimentos, a situação não se alterou; 1722, 11 abril - durante a manhã, três navios piratas ingleses sob o comando do Capitão George Taylor, que operava nas águas do canal de Moçambique, entraram na baía de Lourenço Marques, perseguidos por quatro navios da Companhia Inglesa das Índias Orientais, o "Lion", o "Salisbury", o "Exeter" e o "Shoreham"; as embarcações piratas, o "Victory", artilhado com 64 canhões, o "Cassandra", com 36, e um barco francês capturado ao largo da Ilha de Santa Maria (actual Madagascar), tinham um total de 900 homens; 18 abril - os piratas decidem capturar a feitoria holandesa, bombardeando-a, e capturar um bote e o navio "De Caap"; às 5 horas da tarde, o forte rende-se; tendo conhecimento de que Van de Capelle, o segundo em comando, se evadira para o interior com 18 homens, os ingleses exigiram o seu imediato regresso, sob pena de arrasarem o edifício; não tendo regressado os holandeses, o forte e feitoria foram destruídos; dezembro - retirada definitiva dos holandeses do local; embarcações inglesas continuaram a manter comércio clandestino na região, embora sem o estabelecimento de qualquer feitoria; 1777 - construção de nova fortificação no local, denominada Forte São José, por forças austríacas sob o comando de William Bolts; 1781, 30 março - desalojamento das forças austríacas, por uma expedição vinda de Goa sob o comando do Tenente-coronel Joaquim Godinho de Mira, a bordo da fragata "Sant'Anna"; o local passou a ser ocupado por um presídio (estabelecimento de colonização militar) português, comandado por Joaquim de Araújo, que iniciou nova fortificação; na baía ficava um navio ao seu serviço; 1782 - fundação da feitoria de Lourenço Marques na margem esquerda do rio Espírito Santo, na atual Baixa de Maputo, construída em faxina (galhos de madeira enfeixados) e terra, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição; 1791 - reconstrução do forte pelo Capitão António Teixeira Tigre, conforme inscrição existente no interior; 1796, 26 outubro - durante o comando do Governador João Costa Soares, o forte foi conquistado, saquedo e incendiado por três embarcações de corsários franceses, no contexto das lutas que se seguiram à Revolução Francesa; 1799, 7 julho - chegada de um pequeno destacamento remetido da Fortaleza de São Sebastião, sob o comando do Tenente-ajudante Luis José, a bordo da pala "Minerva"; chegados a Lourenço Marques, instalaram-se "na terra do Capella, defronte do antigo presídio, por o régulo da Matola não ter querido atendê-lo imediatamente"; 1805 - só nesta data, com relativa segurança puderam "passar para o outro lado, que havia sido ocupado anteriormente pelos Holandeses e pelos Austríacos", erguendo uma "pequena habitação fortificada para quartel de tropa e feitoria, onde se arvorasse a bandeira portuguesa, como sinal de posse do terreno, e sem intenção de fazer resistência a qualquer inimigo"; o Governador e Capitão-general de Moçambique, justificou a exiguidade desse estabelecimento "por falta de recursos da província"; 1946, cerca - no contexto das celebrações dos Centenários, procedeu-se à reconstrução do forte sobre os alicerces do primitivo, com projeto do arquiteto Amâncio de Alpoim de Miranda Guedes, mais conhecido como Pancho Guedes (13-05-1925 - 07-11-2015); procedeu-se ainda à conservação da árvore histórica existente junto ao portão de armas, onde, segundo a tradição, os Vátuas enforcaram o Governador Dionísio Ribeiro, em 1883, e à requalificação dos edifícios interiores; 1950, década - criação do Museu Histórico de Moçambique no seu interior; 1975 - depois da proclamação da independência nacional, a Universidade Eduardo Mondlante passou a gerir e administrar o imóvel; 1985 - transladação dos restos mortais de Ngungunhane, da Ilha Terceira, nos Açores, para o forte.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra avermelhada; fachadas interiores rebocadas e pintadas; elementos de cantaria calcária; vãos com molduras de argamassa pintada; portas e caixilharia de madeira; vidros simples; pavimentos dos adarves em alvenaria de pedra avermelhada; pavimentos cerâmicos.

Bibliografia

CASTILHO, Augusto - O Distrito de Lourenço Marques, no presente e futuro. Lisboa,:1881; LIMA, Alfredo Pereira de, COETZEE, Colin - Pedras que já não falam. 1972; LOBATO, Alexandre - História do presídio de Lourenço Marques. 1960, vol. II; LOUREIRO, J. - Memórias de Lourenço Marques. Lisboa: 2003; MATTOSO, Dir. José - África. Mar Vermelho. Golfo Pérsico. Património de Origem Portuguesa no Mundo. Arquitectura e Urbanismo. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2010; (http://pt.wikipedia.org/wiki/Fortaleza_de_Maputo), [consultado em dezembro 2011].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

DGPC: SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

Autor e Data

Paula Noé 2012

Actualização

 
 
 
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