Igreja Paroquial de Água Retorta / Igreja de Nossa Senhora da Penha de França

IPA.00032565
Portugal, Ilha de São Miguel (Açores), Povoação, Água Retorta
 
Igreja paroquial reconstruída na 2ª metade do séc. 19, em estilo revivalista neo-barroco, sobre uma ermida setecentista, mas com fundação inicial no séc. 17, seguindo a estrutura de três naves e fachada tripartida, típica das igrejas da ilha. Apresenta planta de três naves e cabeceira tripartida, interiormente com ampla iluminação axial e bilateral e coberturas de madeira e falsa abóbada de berço, respetivamente. A fachada principal termina em tabela, vazada por janela, entre pilastras que se prolongam até à cornija, ladeada de aletas e encimada por frontão de canopo, e tem três panos definidos por pilastras, cada um deles rasgado por vãos em eixo, formado por portal e janela em arco, entre pilastras, as últimas sobre mísulas. Entre os vários vãos surge decoração em cantaria formada por vieiras, pináculos e elementos vegetalistas, típica do denominado barroco Micaelense. À esquerda, dispõe-se a torre sineira da antiga capela, de proporções modestas e dois registos, o superior rasgado por ventanas em arco e com pano de peito rebocado e pintando, rematando em balaustrada e acrotérios sobrepujados com pináculos. Nas fachadas laterais rasgam-se, na nave, janelas retilíneas e porta travessa de verga reta com ligeiro recorte na moldura. No interior as naves separam-se por arcos de volta perfeita de intradorso curso sobre colunas, surgindo o arco triunfal, em asa de cesto, sobre duplas colunas embebidas e com capitéis de talha dourada. Os absidíolos possuem retábulos de feitura recente, em talha pintada e estrutura revivalista. O retábulo-mor é igualmente revivalista, de linguagem barroquizante, em talha pintada, de corpo reto e três eixos.
Número IPA Antigo: PT072104010007
 
Registo visualizado 633 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta poligonal composta por três naves e cabeceira tripartida, tendo adossado à fachada lateral esquerda torre sineira quadrangular e dois corpos, e, à lateral direita e à posterior, um corpo. Volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na igreja, e de uma e três águas nos absidíolos e corpos adossados, rematados em beirada simples. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, de cunhais apilastrados e terminadas em friso e cornija. A fachada principal surge virada a este, percorrida por soco de cantaria, rematada em tabela retangular horizontal, flanqueada por pilastras toscanas, encimadas por pináculos tipo balaústre sobre plintos paralelepipédicos, contendo janela em arco, com moldura enquadrada por cantaria, sobre mísulas e tendo inferiormente vieira. A estrutura está ladeada por aletas e encimada por frontão de canopo, contendo relógio circular sobre motivos vegetalistas, e coroada por cruz latina em ferro, sobre acrotério. A fachada divide-se em três panos definidos por pilastras toscanas, coroadas por pináculos tipo balaústre sobre plintos paralelepipédicos, cada um deles rasgado por duas ordens de vãos, em arco. No primeiro registo abrem-se portais, o central sensivelmente maior, com dupla moldura entre pilastras terminadas em pináculos, e, no segundo, janelas ladeadas por pilastras, assentes em mísulas e prolongadas até ao friso do remate da fachada, possuindo os seguintes em cantaria e ornados com motivos vegetalistas. Entre os vãos surge vieira e elementos vegetalistas em cantaria. À esquerda, dispõe-se, ligeiramente recuada, a torre sineira, de dois registos, definidos por friso e cornija, o inferior rasgado por vão quadrangular e o superior por ventana em arco de volta perfeita e com pano de peito rebocado e pintado. A estrutura remata em friso, cornija e balaustrada de cantaria, com pináculos tipo balaústre nos ângulos, sobre acrotérios. Fachadas laterais com a nave rasgada por quatro janelas retilíneas e porta travessa de verga reta com moldura superiormente recortada. O corpo adossado à fachada direita é rasgado, a este, por porta com a mesma modinatura. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, com rodapé alto de cantaria, pavimento em soalho de madeira e cobertura de madeira, em masseira, pintada de branco, assente em cornija de cantaria. As naves separam-se por arcos de volta perfeita, de intradorso curvo, assentes em colunas. Nos topos das naves, arcos de volta perfeita acedem aos absidíolos, sendo o do lado do Evangelho revestido a talha, a branco, ornada de motivos vegetalistas. Ambos possuem cobertura em falsa abóbada de berço, em estuque, com pinturas murais, e albergam retábulos desiguais, em talha pintada, de corpo reto e três eixos, definidos por colunas de terço inferior marcado sobre plintos. Arco triunfal em asa de cesto, de intradorso curvo, sobre duplas colunas embebidas, com capitéis vegetalistas em talha dourada, encimado por óculo circular. A capela-mor possui as paredes e a cobertura, em falsa abóbada de berço, com pinturas murais, as da cobertura contendo ampla cartela central com Adoração da Custódia. Sobre supedâneo com degraus centrais, surge o retábulo-mor, de talha pintada a rosa, bege e dourado, de corpo reto e três eixos, definidos por quatro colunas torsas, de espira fitomórfica e decoradas de acantos, sobre mísulas, e duas pilastras interiores, ornadas de acantos. Ao centro abre-se nicho alteado, em arco de volta perfeita, sobre colunas com espira fitomórfica, interiormente pintado de azul com motivos vegetalistas e albergando imaginária sobre mísula; nos eixos laterais abrem-se pequenos nichos, em arco, interiormente pintado de azul e albergando imaginária sobre mísulas. A estrutura remata em espaldar adaptado ao perfil da cobertura, formado por várias arquivoltas, ornadas de motivos vegetalistas, anjos e acantos, possuindo cartela ao centro. Altar paralelepipédico, coberto por pano de altar.

Acessos

Água Retorta, Caminho Municipal 1039, Rua da Igreja. WGS84 (graus decimais) lat.: 37.759988; long.: -25.163460

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Rural, isolado, fora da povoação, mas virada para a mesma. Implanta-se em adro, pavimentado a paralelos e adaptado ao declive do terreno, frontalmente acedido por escadaria, a toda a largura, de cinco degraus. Em frente da frontaria existe escada com degraus corridos. A norte desenvolve-se, perpendicularmente à fachada principal e numa cota superior, o cemitério da freguesia, delimitado por muro encimado por gradeamento em ferro, acedido por escadas. Junto à fachada lateral direita da nave existe jardim de buxos.

Descrição Complementar

No remate da fachada principal existe a inscrição "NSPF" / "1872".

Utilização Inicial

Religiosa: capela

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Angra)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 17 - época provável da construção de uma primitiva ermida pelo capitão Pedro Barbosa da Silva; 1698 - a ermida está em ruínas e sem condições para celebrar o culto; 1705, setembro - visita do licenciado Francisco Berquó Delrio, estando a ermida a ameaçar entrar em ruína, a precisar de obras nas paredes laterais, para melhor sustentação, mandando fazer um retábulo, que chegue do chão ao teto da capela, uma casula roxa, uma bolsa branca, dois véus e duas palas roxas e brancas, quatro sanguinhos, um singelo e uma toalha para o altar; pede que se conserte a lanterna da santa unção e que se coloque um arco no canto do frontispício; 1707 - D. João V confirma a criação do curato de Nossa Senhora da Penha de França; 1711, 25 novembro - o licenciado João de Sousa Freire, vigário de São Pedro da Ribeira Seca, manda que se cumpra com o que fora pedido na visitação anterior; 1720, 02 novembro - em visita o Dr. Luís de Sousa Estrela diz que o teto da ermida está arruinado, mandando fazer um novo e que se peça ao rei um sino de quatro quintais, tal como já era desejo da população há muitos anos; 1747, julho - o visitador Pedro Ferreira de Medeiros refere a falta de ornamentos na ermida e acha-a muito pequena para a população, mandando fazer-lhe aumentos; 1753, agosto - Bernardo Martins de Medeiros na visita à ermida nota já se terem feito as obras de reparação e ampliação, mas ainda faltavam ornamentos e reparos na sacristia; 1832, 23 novembro - a ermida recebe vários ornamentos, entre eles, três casulas, uma branca, vermelha e roxa, três alvas, seis sanguinhos e três manostégios, uma umbela, seis castiçais, uma poma de prata, uma caldeirinha, um pavilhão, duas bolças com dois corporais e três véus de cálices de todas as cores; 28 novembro - o Prior de Vila Franca José Francisco Tavares de Melo, pede ao governador e vigário capitular, o Santíssimo Sacramento para a ermida, pois ficava muito distante ir ao Faial da Terra para receber o sacramento; 1833, 17 março - colocação do Santíssimo Sacramento na ermida, pelo Prior do Nordeste, António José Pacheco; 1871, depois - construção da igreja atual, com esmolas do povo, sendo a torre sineira mais antiga, pois pertencia à ermida ali existente; 1872 - data inscrita na fachada principal.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; soco, pilastras, frisos, cornijas, molduras dos vãos, elementos decorativos exteriores, pináculos, balaustrada, colunas, arcos e outros elementos em cantaria de basalto aparente; pavimento em soalho envernizado ou lajes de cantaria; cobertura interior em madeira pintada; retábulos pintados; cobertura de telha.

Bibliografia

CANTO, E. - «Notícia sobre as Igrejas, Ermidas e Altares da Ilha de S. Miguel. In Insulana. Ponta Delgada: Instituto Cultural de Ponta Delgada, Vol. LVI, 2000; COSTA, Susana Goulart - Visitas Pastorais na paróquia do Faial da Terra - Apontamentos para o estudo das religiosidades de Antigo Regime (1698-1765). Ponta Delgada: Universidade dos Açores. 1999; DIAS, Urbano de Mendonça - História das Igrejas, Conventos e Ermidas Micaelenses - II. Vila Franca de Campo: Tipografia "A Crença", 1949; MENDES, Hélder Fonseca (dir.) - Igrejas paroquiais dos Açores. Angra do Heroísmo: Boletim Eclesiástico dos Açores, 2011, p. 97; MOURA, Mário - Nascimento de uma Paróquia na Ribeira Grande Nossa Senhora da Conceição (Século XVII). Ribeira Grande: Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, 1ª ed., 2009, p. 43.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

EM ESTUDO

Autor e Data

João Faria (no âmbito da parceria IHRU / Diocese de Angra) 2014 / Paula Noé 2015

Actualização

 
 
 
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