Igreja Paroquial de Água de Alto / Igreja de São Lázaro

IPA.00032486
Portugal, Ilha de São Miguel (Açores), Vila Franca do Campo, Água de Alto
 
Arquitetura religiosa, oitocentista. Igreja paroquial de planta retangular composta por três naves e capela-mor, interiormente com iluminação axial e bilateral, seguindo a planimetria comum das igrejas da ilha, tendo adossado torre sineira e sacristia. Fachada principal terminada em frontão triangular e tripartida por pilastras, revelando a divisão espacial interior, com cada pano rasgado com vãos em eixo, composto por portal e janela, no pano central lobulado e nos laterais retilíneos, entre pilastras sustentando cornija, mais rica e decorada no central. No tímpano abre-se óculo circular, envolvido por motivos tipo pétalas e molduras, integrando atualmente relógio. Torre sineira de dois registos, rematada em friso, cornija e platibanda vazada, o inferior rasgado por óculos trilobados e o superior com ventanas, de volta perfeita. Fachada lateral direita com porta travessa de verga reta e janelas retilíneas. No interior possui as naves separadas por arcos de volta perfeita sobre pilares. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras, e retábulo-mor oitocentista, em talha policroma e dourada, de corpo côncavo e um eixo. A igreja substituiu um antigo templo associado a uma gafaria, de que subsistiu o orago.
Número IPA Antigo: PT072106010012
 
Registo visualizado 683 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta retangular composta por três naves e capela-mor, tendo adossado à fachada lateral esquerda torre sineira quadrangular e corpo retangular e à lateral direita corpo retangular e casa paroquial, esta em L e a desenvolver-se junto à capela-mor. Volumes articulados e coberturas diferenciadas em telhados de duas águas, rematados em beirada dupla. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, a principal virada a N., percorrida por soco de cantaria, com cunhais apilastrados, e terminada em frontão triangular, coroado por cruz latina, tendo no tímpano relógio circular, envolvido por dupla moldura circular, enquadrando motivos apontados. Apresenta três panos, definidos por pilastras toscanas, cada um rasgado por um eixo formado por portal e janela. No pano central, o portal tem arco lobulado, entre pilastras toscanas, encimadas por frisos verticais decorados, suportando cornija coroada por pináculos campaniformes, e tendo nos seguintes elementos vegetalistas relevados. Sobre o portal surge cartela polilobada inscrita, e janela trilobada, com moldura em toro ladeada por colunelos, sobre mísulas vegetalistas e sustentando friso e cornija. Nos eixos laterais, os portais têm verga reta, com moldura percorrida por frisos, entre pilastras toscanas que suportam friso e cornija, e janelas iguais à central, mas de verga reta. Sensivelmente recuada da frontaria, adossa-se a torre sineira, de tendência vertical, com dois registos, separados em friso e cornija e remate igual, sobreposto por platibanda vazada por volutas, e, nos cunhais, por pináculos sobre plintos paralelepipédicos; no primeiro registo abrem-se três óculos trilobados, de molduras percorridas por frisos, existindo entre os dois primeiros pequena cartela volutada e inscrita; no segundo registo, abre-se, em cada uma das faces, sineira, em arco de volta perfeita, sobre pilastras, albergando sino. Na fachada lateral esquerda, o corpo adossado é rasgado a O. por portal de verga reta, sem moldura. Na fachada direita, terminada em cornija, pintada de cinzento, rasgam-se três janelas de capialço, sem moldura, e porta travessa de verga reta, com moldura de ângulo boleado. O corpo adossado, adaptado ao declive, tem as fachadas terminadas em cornija, abrindo-se a N. porta de verga reta, sem moldura, e a O., com faixa cinzenta, janela de peitoril retilínea, moldurada e gradeada. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, com as naves separadas por arcos de volta perfeita sobre pilares. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras, encimado por janela retilínea. A capela-mor possui retábulo-mor em talha pintada a marmoreados fingidos e dourado, de corpo côncavo e um eixo, definido por pilastras almofadas e colunas estriadas, de capitéis coríntios. A estrutura remata em espaldar adaptado à cobertura, de várias arquivoltas, decoradas com motivos vegetalistas e concheados, tendo ao centro cartela recortada com iguais elementos. Ao centro abre-se nicho, em arco de volta perfeita, interiormente albergando imaginária. Possui cobertura em falsa abóbada de berço, pintada.

Acessos

Água de Alto, Largo da Igreja; Rua da Igreja

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, adossado, em plataforma sobrelevada aos arruamentos e adaptada ao declive do terreno. Junto à fachada principal desenvolve-se adro retangular, bastante sobrelevado à rua e acedido por escadaria a toda a largura, delimitado à esquerda por edifícios de habitação. Parte da fachada direita é delimitada por muro. Em frente, do outro largo da rua e igualmente implantado em plataforma sobrelevada, existe fonte.

Descrição Complementar

Sobre o portal central da fachada principal existe cartela com a inscrição "S. L. / 1855" e entre os dois óculos da torre sineira existe cartela volutada com a data de "1882". Na cartela do retábulo-mor existe a inscrição "S. L. / 1870". A casa paroquial possui fachada virada a O. terminada em empena, com cornija, de dois pisos, soco de cantaria e frisos nos cunhais; no piso térreo rasgam-se portal central, ladeado por quatro janelas de peitoril, duas de cada lado, e no segundo, janela de varandim central, com guarda em ferro, entre duas janelas de peitoril; todos os vãos têm moldura e caixilharia de duas folhas e bandeira. Junto ao portal existe painel de azulejos, azuis e brancos, com a inscrição "Casa / Paroquial / Construída em 1938 / Restaurada em 2004 / C. MICAELENSE / RIB. GRANDE 2004 / COSTA". O corpo retangular que se adossa parcialmente à casa paroquial, tem planta retangular e massa simples, com cobertura em telhados de duas águas, rematadas em beirada dupla. Tem fachadas de dois pisos, com faixa pintada de cinzento, frisos de cantaria nos cunhais e no remate, e rasgada por vãos retilíneos moldurados; na fachada virada a S. abrem-se cinco eixos de vãos, um formado por portal , em arco de volta perfeita, encimado por pequeno alpendre, e por óculo circular, três formados por janelas de peitoril com tapa-sóis, pintados de verde, um com janelas quadrangulares, e tendo ainda no extremo direito porta de verga reta, sem moldura. Na fachada lateral O., terminada em empena, abrem-se duas janelas de peitoril com tapa-sóis, sobrepostas.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Angra)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 19

Arquitecto / Construtor / Autor

FÁBRICA: Cerâmica Micaelense (2004). PINTOR: José Cabral (1960, década). PINTOR DE AZULEJOS: Costa (2004). RELOJOEIRO: Serafim da Silva Jerónimo (séc. 20).

Cronologia

1511, 26 novembro - João Afonso das Grotas Fundas deixa em testamento 2$000 à primitiva ermida que, segundo o mesmo documento, já estava em construção; a ermida está ligada a uma Gafaria que ali existia; 1601, 28 outubro - data do último registo existente antes da transferência da paróquia; 1602 - Bispo de Angra, D. Jerónimo Teixeira Cabral, acha a igreja pequena e a precisar de obras de reparação, mandando transferir a paróquia para a Igreja de São Pedro; 1603, 26 abril - alvará acrescenta à fábrica de São Lázaro 2$000, para além dos 6$000 que já tinha antes; 1604, 29 dezembro - data do primeiro registo de casamento "em face da Egreja d'esta Freguesia de San Pedro"; 1604 - 1606, cerca - todo o serviço religiosa é transferido para a paróquia de São Pedro, porque a gafaria havia desaparecido e a ermida ficara quase em ruínas; o padre Baltazar Fagundo é então transferido para São Pedro; 1606, 03 março - Carta Régia confirmando a transferência; 09 setembro - nova provisão Episcopal; 1607, 23 maio - alvará régio acrescenta à côngrua do vigário de São Lázaro 10$000, para além dos 25$000 que já tinha; 1811, 22 novembro - Bispo de Angra, D. José Pegado de Azevedo, acha a igreja de muita utilidade às povoações ali existentes e com necessidade de reparações; 1832 - devido ao crescimento da população, pede-se a instituição do Santíssimo Sacramento; a igreja recebe algumas peças interessantes, vindas do Convento dos Franciscanos de Vila Franca; 1833 - obras de ampliação da igreja; 27 maio - colocação do sacrário e da pia batismal e registo paroquial, com festa solene celebrada pelo padre António José de Andrade Couto; o cura de Água de Alto é o padre João Xavier Tavares; 1855 - conclusão das obras de ampliação, conforme data inscrita na frontaria; 1870 - data inscrita no frontão do altar-mor, assinalando um provável restauro; 1882 - construção da torre sineira, conforme inscrição em cartela; 1902, 14 maio - constituída curato com sede e exercício na Igreja de São Lázaro, assinando a Carta da Sentença o Deão da Sé de Angra e Vigário Capitular, sede vacante, José do Reis Ficher, formado em Teologia e Direito pela Universidade de Coimbra; tinha a côngrua de 200$040; 1907 - elevação do curato de São Lázaro a Paróquia e o lugar de Água d'Alto a freguesia; 1909 - no tempo do padre Manuel Tavares de Medeiros, compra-se a atual imagem de São Lázaro; 1932, depois - fecho do óculo do tímpano por relógio pela empresa Serafim da Silva Jerónimo, de Braga; 1938 - construção da casa paroquial adossada à fachada lateral direita da igreja, sendo então padre Eduíno Silveira Dutra; compra de um lustre para a igreja; 1960, década - pintura da Igreja pelo pintor José Cabral, que pinta também os altares, capelas e colunas; 1993, 14 março - visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra, rebocada e pintada; soco, frisos, pilastras, elementos decoraticos, molduras dos vãos, pilares, pináculos e cruz em cantaria basáltica; portas e caixilharia de madeira e, na casa paroquial, em alumínio; vidros simples e martelados; retábulos de talha policroma e dourada; cobertura de telha.

Bibliografia

CANTO, E. - "Notícia sobre as Igrejas, Ermidas e Altares da Ilha de S. Miguel". In Insulana. Ponta Delgada: Instituto Cultural de Ponta Delgada, 2000, vol. LVI; COSTA, Carreiro da - História das Igrejas e Ermidas dos Açores. Ponta Delgada: Tipografia Jornal Açores, 1955; DIAS, Urbano de Mendonça - História das Igrejas, Conventos e Ermidas Micaelenses - I. Vila Franca de Campo: Tipografia "A Crença", 1949; MENDES, Hélder Fonseca (dir.) - Igrejas paroquiais dos Açores. Angra do Heroísmo: Boletim Eclesiástico dos Açores, 2011, p. 69; V. A - Água d'Alto comemora os 150 anos da sua Igreja. Vila Franca do Campo: Editorial Ilha Nova, 2005; PONTE, Prior Jorge Furtado da - Vila Franca do Campo na Ilha de São Miguel. Paróquia de São Miguel Arcanjo, Igreja Matriz. Vila Franca do Campo: Editorial Ilha Nova, Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, 2000, p. 209.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1960, década - feitura de novo reboco da igreja e respetiva pintura pelo pintor José Cabral; 2002 - obras de reparação na Igreja; 2004 - obras de restauro da casa paroquial.

Observações

EM ESTUDO.

Autor e Data

João Faria e Paula Noé 2014 (no âmbito da parceria IHRU / Diocese de Angra)

Actualização

 
 
 
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