Palácio da Serra d'El-Rei / Paço de D. Pedro I / Museu da Serra d'El Rei

IPA.00003247
Portugal, Leiria, Peniche, Serra d'El-Rei
 
Paço real gótico e manuelino, com reconstruções românticaa. Foi local de residência temporária, composto por corpos de épocas diferentes, construídos à volta de um pátio fechado do exterior por muro alto, em que se rasga portal. Corpo quatrocentista com vãos de arcos quebrados rasgados em muros espessos e abobadilhas; corpo manuelino com vãos de recorte e ornatos manuelinos; portal com elementos estruturais clássicos e remates com cantarias manuelinas aproveitadas; silhares neo-clássicos; mirante romântico. A maioria das janelas são manuelinas, assim como alguns elementos secundários. Chaminé acastelada semelhante às do Palácio dos Condes de Almada, em Lisboa. Forte ligação deste edifício com a lenda de D. Pedro I e D. Inês; 2018, 14 fevereiro - inauguração da exposição sobre D. Pedro e D. Inês.
Número IPA Antigo: PT031014050004
 
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Registo

 
Conjunto arquitetónico  Edifício e estrutura  Residencial senhorial  Paço real    

Descrição

Planta articulada formando rectângulo definindo um pátio interior. Edifícios de 1 e 2 pisos com cobertura diferenciada em telhados de 2 e 4 águas, sendo o corpo SO. rematado por terraço. Na fachada principal, portal em cantaria com dupla colunata toscana partindo de um mesmo embasamento, remates formados por corpo cilíndrico e cónico com bolas no topo, dos lados de um frontão rectilíneo com flores-de-lis incisas; dos 2 lados do portal a frontaria da casa de habitação de 2 pisos com janelas de verga manuelina polilobada e do corpo paralelo, apenas rasgado por uma janela no 1º piso; uma cimalha com boleados remata o muro dos 2 lados do portal. A frontaria do lado do pátio é rasgada por vãos com molduras em cantaria e vergas de recortes e ornatos manuelinos. O corpo ao fundo do pátio, a SO., é rasgado no 1º piso por porta rectangular ladeada por 2 vãos em arco quebrado, por janela em arco quebrado, no piso superior; no topo deste corpo um miradouro, ao qual se acede por escada assente no terraço. No seu interior 2 divisões amplas, cobertas por abóbada de berço, divididas em 3 tramos por arcos torais adintelados em tijolo. O corpo residencial em 2 pisos, é dividido pela escada de um lance, de acesso ao piso superior, com silhar e 2 pequenos painéis no topo da escada em azulejo polícromo neoclássico; um silhar com os mesmos motivos decora a sala do 1º andar, que abre para a Praça. No piso inferior, 2 lareiras manuelinas, uma com bases oitavadas e colunas torsas, outra com um pilar oitavado, apoiado em bases idêntica. Encontram-se ainda molduras de 2 portas com verga de recorte manuelino embebidas no muro exterior do anexo paralelo ao corpo residencial; uma 3ª porta, com figura escultórica, insere-se no mesmo muro, integrado em edifício vizinho. Do lado oposto e anexo ao corpo residencial, um outro bloco de construções vizinho, com um corpo de 2 pisos, e um mais baixo e comprido, rasgados por vãos com cantarias manuelinas, abrindo para a Praça.

Acessos

Largo D. Pedro I, na Serra d'El-Rei. WGS84 (graus decimais) lat.: 39.330558, long.: -9.273258

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 29 604, DG, 1.ª série, n.º 112 de 16 maio 1939

Enquadramento

Urbano. Com fachada principal, a NE., para o Lg. de D. Pedro I, ao lado da EN 114. O conjunto de construções é rodeado do lado posterior por jardim delimitado por muralha com vãos em arco quebrado, do lado da EN 114 e por muro parcialmente destruídodo lado S. e SO..

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: paço real

Utilização Actual

Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 14 / 16 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

Séc. 14, meados - construção atribuída a D. Pedro I, de que subsiste o corpo transversal, ao fundo do pátio; na posse da coroa, aqui terão residido esporadicamente vários reis, em estadias de veraneio, caça e pescarias, tendo sofrido melhoramentos "em conforto": construção da capela, jardim , lago e falcoaria; séc. 15 / 16 - aumento do paço, com a construção dos 2 corpos paralelos, formando com o corpo transversal um pátio rectangular; 1588 - os Paços passam, por venda, para a posse dos senhores de Atouguia, os Ataídes, com a condição do repararem e conservarem; o portal de acesso ao pátio deve ter sido construído por essa altura; séc. 18 - confisco dos bens dos Atouguias, iniciando-se progressiva decadência do edifício; séc. 18, final - revestimentos da escada e sala com silhares de azulejos; séc. 19 - provável construção dos miradouros nos terraços do edifício quatrocentista; 1999, 18 Março - visita de técnicos da DGEMN e elaboração da Carta de Risco do imóvel.

Dados Técnicos

Paredes autónomas no corpo quatrocentista; autoportantes nos corpos restantes.

Materiais

Cantaria e alvenaria de pedra rebocada e caiada, abobadilhas em tijolo burro (corpo quatrocentista), telha de canudo e de aba e canudo, calcário (molduras vão e decoração exterior), azulejo, madeira, vidro, betão, mosaico cerâmico (interiores).

Bibliografia

Chancelaria de D. Pedro I; MACHADO, J. T. Montalvão, Amores de Pedro e Inês; FERNÃO LOPES, Crónica de D. João I; SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Inventário Artístico de Portugal, vol. V, Lisboa, 1955; SERRÃO, Joaquim Verissímo, História de Portugal, Vol. I, p. 276 e 326; Tesouros artísticos de Portugal, Lisboa, 1976; CALADO, Mariano, Peniche na História e na Lenda, s/l, 1984; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/74921 [consultado em 20 dezembro 2016].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DRMLisboa, DGEMN/DSID, Carta de Risco

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco

Intervenção Realizada

Proprietário: 1940 - obras de conservação, sendo dispensado das obras de embelezamento que lhe foram pedidas pela DGEMN; 1961 - a proprietária pede auxílio para conservar a muralha; 1962 - reconstrução de muralhas de alvenaria hidráulica, incluindo a demolição de 2 troços, um confinante com a EN 114, outro com a propriedade vizinha, construção de muro de suporte das terras e fundações dos 2 troços, em alvenaria de pedra, tomada de juntas das alvenarias, consolidação do arco da Casa do Arco, com 2 lintéis de betão, rebocos e caiações. (A obra parece não se ter realizado); 1970 - demolição de alvenarias em troços de muralha, confinantes com a EN 114, desentaipamento de vãos, substituição e consolidação de cantarias, repondo-as nos primitivos lugares e refechando-as, reconstrução de alvenaria hidráulica de pedra em muralhas, construção de panos de tijolo no tardoz das janelas, deixando os elementos em cantaria à vista; 1984 - conservação de parte do muro da cerca do Paço, no ângulo em que inflecte para S: demolição do muro existente em alvenaria de pedra miúda e reconstrução sobre fundação em betão ciclópico a executar com pedra da demolição; D. Isabel Tavares dos Santos: 1998 - construção de piscina de pequenas dimensões; Dr José Pessoa Marques: 1998 / 1999 - alterações interiores: colocação de laje intermédia de vigotas com escada de betão, revestimento do pavimento em ladrilho cerâmico e mármore.

Observações

Autor e Data

Isabel Mendonça 1992

Actualização

Anouk Costa 1999
 
 
 
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