Muralhas do Castelo de Portalegre / Fortificações de Portalegre

IPA.00003243
Portugal, Portalegre, Portalegre, União das freguesias da Sé e São Lourenço
 
Arquitectura militar medieval, moderna. Época medieval: castelo e cerca urbana; época moderna: reforço da cerca medieval, restos do Fortim de São Cristóvão e adaptação do Atalaião (v. PT041214090021); este, de provável fundação medieval, apresenta os muros escarpados indiciando uma adaptação a fortim seiscentista, datável da Guerra da Restauração. A cerca urbana sobreviveu, em grande parte, às transformações da cidade, apresentando duas portas, in situ, com alguma monumentalidade (Porta de Alegrete e Porta da Devesa). O castelo, formado por três torres, desenha um pátio com uma configuração invulgar, como invulgar é o facto da Torre de Menagem constituir, ao mesmo tempo, uma torre da cerca urbana, daí derivando, provavelmente, a irregularidade da sua planta.
Número IPA Antigo: PT041214090006
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo e cerca urbana    

Descrição

CASTELO: constituído por três torres, estando duas delas - torre N. e torre O. - interligadas por pano de muralha com adarve e ameias de corpo largo. O amuralhado que liga estas torres à Torre de Menagem está interrompido pela R. do Castelo, deixando esta torre isolada. Pátio do castelo desenhando figura geométrica irregular de oito lados, grosseiramente arredondada, que a E. dá origem a um corredor entre as muralhas que se ligavam à Torre de Menagem. A passagem para o pátio, a partir da R. do Castelo, apresenta portão de grades. Sobe-se para o adarve através de escada adossada à muralha do lado N.. A torre N. é a que atinge maior altitude, possuindo secção rectangular e porta ao nível do adarve; na entrada, um pequeno patamar com porta à direita, de moldura rectangular chanfrada, que dá acesso a lanço de escadas curvo que se dirige para o eirado; a porta da frente, no patamar, igual à anterior, dá acesso a sala hexagonal com duas frestas para iluminação e ventilação, coberta por abóbada de nervuras; eirado com ameias primitivas, pavimentado de tijoleira, possuindo sirene dos bombeiros. A torre O. é a que atinge menor altitude, possuindo secção intencionalmente quadrada; a entrada situa-se ao nível do adarve que, após três lanços curtos de escada, dá acesso ao eirado, com ameias primitivas. A Torre de Menagem, a E., tem a secção de maior superfície, em forma de quadrilátero irregular, situando-se numa posição intermédia em termos de altitude atingida; entra-se pela face O. através de porta em arco redondo, antecedida de escadas de pedra; sala do piso térreo, calçada à portuguesa, apresentando outra porta na face oposta à da entrada, emparedada, com arco quebrado; tecto de abóbada em arco quebrado; escada de madeira dando acesso, a 4,45 m de altura, a escada em pedra, de lanço curvo, construída na espessura da parede E., iluminada através de seteira e de janela, conduzindo à sala do piso superior, através de porta com verga em arco redondo; esta sala, pavimentada a tijoleira, possui janela gradeada com conversadeiras a S., porta de verga redonda que dava para o adarve a O., acesso às escadas que vai para o eirado, também a O., e cinco frestas de arejamento e iluminação; tecto de abóbada nervurada e achatada. Sobe-se para o eirado através de escada de um só lanço curvo, iluminado por janela gradeada; eirado com ameias de corpo largo, com seteiras, e adarve que contorna a cobertura telhada da sala do piso superior. CERCA URBANA MEDIEVAL COM FORTIFICAÇÕES ABALUARTADAS: descreve linha poligonal fechada, muito irregular, de forma arredondada, envolvendo o castelo, situado a E.; muralhas ameadas apenas junto à Sé; a composição da cerca, a partir da Porta de Alegrete, que abre para a Pç. da República, e no sentido dos ponteiros do relógio, é a seguinte: Porta de Alegrete: torre-porta com arco de volta inteira, habitação em compartimento sobre o arco, com janela para intramuros, piso superior com quatro janelas para extramuros e uma para intramuros, terminação em terraço; troço de muralha da R. da Torre do Pessegueiro até à R. de Santa Clara, com vestígios da Torre do Pessegueiro; troço de muralha entre a R. de Elvas e a R. do Arco, interrompido por um edifício do Internato de Santo António, visível da R. 1º de Maio; troço de muralha, com parte da antiga barbacã, entre a R. do Arco e o Arco do Bispo, interrompido pela Sé, com um meio baluarte nas traseiras do Palácio Episcopal; vestígios do troço de muralha e barbacã que antecedem o Palácio Amarelo; meio baluarte a proteger este palácio; torreão de secção quadrada junto à R. 1º de Maio; redente visível do lado de baixo da estrada; troço de muralha interrompido a meio, com adarve, a ligar-se a outro torreão de secção quadrada, protegido por baluarte; Porta da Devesa: duas torres avançadas em relação à porta, ligadas com abóbada que sustenta habitação que ocupa também as torres, com três janelas para extramuros e uma para intramuros *1; vestígios de muralha e barbacã até à R. Benvindo Ceia; troço de muralha e barbacã da R. dos Muros de Baixo; torreão de secção rectangular reforçado por um meio baluarte; troço de muralha e barbacã da R. dos Antigos Muros de Baixo; Porta do Postigo, desviada da primitiva localização e encastrada na parede; restos do troço de muralha com habitações adossadas e restos de barbacã que suporta a R. dos Muros de Cima; Torre de Menagem do castelo; restos de fortificações abaluartada visíveis do Lg. Dr. Alves de Sousa; troço de muralha com habitações adossadas possuindo parcialmente o adarve; Porta de Alegrete. FORTINS: resta parte da estrutura do fortim de São Cristóvão, com restos de cortinas, o flanco e a face de um dos quatro baluartes primitivos *2; sobre esta estrutura encontra-se a ermida de São Cristóvão. O Atalaião (121409021) apresenta os muros escarpados.

Acessos

Percurso que rodeia a cerca urbana pelo exterior: Praça da República, Rua da Torre do Pessegueiro, Rua Primeiro de Maio, Travessa da Rua Primeiro de Maio, Largo Vinte e Oito de Janeiro, Rua dos Muros de Baixo, Rua dos Antigos Muros de Baixo, Largo dos Combatentes da Grande Guerra, Rua dos Muros de Cima, Largo Dr. Alves de Sousa, Rua Garrett. Os restos do Fortim de São Cristóvão situam-se no Bairro do Atalaião, na zona E. da cidade. WGS84 (graus decimais) lat.: 39,289599; long.: -7,432240

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 8 217, DG, 1.ª série, n.º 130 de 29 junho 1922 / Incluído na Área Protegida da Serra de São Mamede (v. PT041214020015)

Enquadramento

Urbano, adossadas a outras edificações, sobretudo a casas de habitação.

Descrição Complementar

Porta da torre N. do castelo: apresenta elementos chanfrados, com tímpano semicircular a descansar em impostas de recorte concâvo, possuindo um sol raiado e flamejado insculpido no tímpano. Sala da torre N. do castelo: adossada a cada ângulo, um pilar de cantaria de secção rectangular, com base, fuste e capitel chanfrados, donde arrancam as nervuras, de igual material e secção, que se cruzam no tecto abobadado em arcos redondos; no fecho, o que parece ser a reprodução do sol insculpido no tímpano da porta de entrada na torre, com moldura de encordoamento. Abóbada da sala do piso térreo da Torre de Menagem: em arco quebrado, de quatro tramos, estruturado por três nervuras de cantaria de secção rectangular que nascem dos capitéis de três pilares de igual secção, apoiadas em bases de idêntica secção, com chanfra, adossados às paredes N. e S.; tecto com duas bueiras. Tecto da sala do piso superior da torre de menagem: abobadado formando estrêla de quatro pontas, com oito bocetes (seis com motivos vegetalistas e dois com a Cruz de Cristo) e um escudo de armas real no fecho, moldurado com encordoamentos.

Utilização Inicial

Militar: castelo e cerca urbana

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCAlentejo, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009

Época Construção

Séc. 13 / 14 / 16 / 17 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Cândido Chuva Gomes (2006). ENGENHEIRO MILITAR: Luís Serrão Pimentel (1662).

Cronologia

1160 / 1166 e 1226, entre - conquista definitiva de Portalegre aos muçulmanos; Séc. 13, primeiras décadas - fruto da Reconquista, Portalegre pertence à jurisdição dos Templários; 1226 - foral de Marvão que inclui a região de Portalegre no seu termo; 1229 - documento que designa Portalegre de Vila; 1253 - documento que designa Portalegre de Concelho; 1259 - D. Afonso III dá o primeiro foral a Portalegre; 1271 - D. Afonso III doa Portalegre, Marvão, Castelo de Vide e Arronches ao Infante D. Afonso Sanches; 1274 - documento que prova a existência, nessa data, da Porta de Alegrete e, consequentemente, da cerca urbana; documento que refere o arrabalde da Devesa; 1278 - Portalegre fica adstrita à Diocese da Guarda por Concordata; 1299 - Portalegre cai em poder de D. Dinis que, com tropas templárias, lhe move cerco de Maio a Outubro; conclusão das muralhas, remodelação da torre de menagem e alcáçova; construção d euma segunda cerca com 12 torres e 8 portas; 1299 - documento em que D. Dinis concede a Portalegre o privilégio de não ser concedido o seu senhorio nem a infante, nem a rico homem, nem a rica dona, mas ser d'El-Rei e de seu filho primeiro e herdeiro; 1299 - documento em que D. Dinis atribui as igrejas de Santa Maria do Castelo à Ordem de Avis, Santa Maria a Grande à Ordem do Templo, São Lourenço (121408038), São Pedro, São João e São Vicente à Ordem de Santiago, Santiago (121409052) e São Martinho à Ordem do Hospital; Santa Maria Madalena fora retirada aos cónegos Regentes de Santo Agostinho do Mosteiro de São Jorge de Coimbra (060311061) e atribuída aos Hospitalários; 1300 - 1º alcaide, Ayres Cabral; Séc. 14, princípios - obras de reconstrução e ampliação das fortificações de Portalegre sob ordens de D. Dinis; 1304 - documento que refere as seguintes fortificações militares: Torre do Pessegueiro, Postigo de São Tiago, Porta da Alcáçova, fosso da Alcáçova, fosso do castelo, Torre de Pombal, Portal de Elvas, Porta da Devesa, fosso (na Paróquia de São Martinho), Porta de Alegrete; 1383 - 1385 - o povo toma o castelo, em poder do 5º alcaide-mor, D. Pedro Álvares Pereira, que tomara o partido de D. Beatriz; 1387 - atribuição a Portalegre, por D. João I, do título de Leal; Séc. 14 - ter-se-á constituído a Judiaria; 1511 - foral novo de D. Manuel; 1549 - criação do Bispado de Portalegre; 1550 - elevação de Portalegre a cidade; Séc. 16 (conjectural) - obras na Torre de Menagem e na Porta da Devesa; 1641 - 1646 - fortificação abaluartada da cerca de Portalegre, adaptação das torres à artilharia e construção dos fortins de São Cristóvão, São Pedro e Boa vista; 1662 - obras nas muralhas por Luís Serrão Pimentel; 1704 - ocupação por tropas espanholas, francesas, italianas e dos Países Baixos, comandadas por Filipe V; já existiam as fortificações abaluartadas; 1801 - ocupação de Portalegre pelo exército espanhol, após a retirada das tropas portuguesas; 1808 - ocupação por tropas francesas comandadas pelo General Loison; 1880 - data gravada na cobertura da Porta de Alegrete, marcando a intervenção que lhe dá o prospecto actual; Séc. 19 - Fotografias mostram a torre O. do Castelo com ameias diferentes das que existem hoje, sendo duvidosa a forma das ameias da torre N., uma vez que, nas mesmas fotografias, não aparecem ameias;1943 - Luís Keil ao descrever o piso térreo da Torre de Menagem, refere três bueiras, de que só existem duas, uma segunda porta de arco redondo, que já não existe, tal como uma rampa que dava acesso ao piso superior, hoje substituída por uma escada de madeira; 1972 - aquisição do castelo, pelo Estado, ao Marquês de Sampaio; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 2006 - no âmbito do programa POLIS, a CMP realiza intervenção na envolvente, nomeadamente a construção de restaurante adossado às muralhas, conforme projeto do arquiteto Cândido Chuva Gomes; 2016, julho - o Castelo é incluído no Programa REVIVE - Valorização do Património.

Dados Técnicos

Castelo e cerca urbana medievais: construções perpendiculares ao solo com alvenaria de pedra disposta à fiada e argamassa de cal, cantaria aparelhada nos cunhais e torreões maciços até aos adarves ( excepto a Torre de Menagem que tem pavimento térreo ); fortificação abaluartada: alvenaria de pedra à fiada com argamassa de cal, escarpada do lado exterior e com terraplenos do lado interior.

Materiais

Granito, cal, areia e terra

Bibliografia

ALMEIDA, João de, Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, Lisboa, 1946; BARBOSA, Inácio de Vilhena, As Cidades e Vilas da Monarquia Portuguesa que têm Brasão de Armas, Vol. 3, Lisboa, 1860; BUCHO, Domingos Almeida, Portalegre Medieval, Subsídios para a sua leitura urbanística, A Cidade - Revista Cultural de Portalegre, nº 8, Portalegre, 1993; CARDOSO, Luís (Padre), Dicionário Geográfico de Portugal, Lisboa, 1758; GUSMÃO, F. A. Rodrigues, Memória dos Alcaides-Mor de Portalegre, Coimbra, 1867; KEIL, Luís, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Portalegre, Lisboa, 1943; RODRIGUES, Jorge e PEREIRA, Paulo, Portalegre, Lisboa, 1988; SELVAGEM, Carlos, Portugal Militar, Lisboa, 1994; SILVA, Aurélio Nunes, Portalegre na História Militar de Portugal, Portalegre, 1950; SOTTO MAYOR, Diogo Pereira, Tratado da Cidade de Portalegre, Portalegre, 1984; VITERBO, Sousa, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904, vol. II.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS, SIPA

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSARH, DGEMN/DREMS; Câmara Municipal de Portalegre

Intervenção Realizada

DGEMN: 1962 / 1964 - iluminação exterior; 1963 - obras de consolidação de troço em ruínas junto à R. da Torre do Pessegueiro; 1967 / 1968 - obras de reparação da Torre de Menagem e de consolidação e recuperação de muralhas junto da R. do Arco do Bispo; demolição de construções encostadas às muralhas; 1970 / 1974 - continuação das obras anteriores e arranjo da iluminação exterior da Praça de Armas; 1982 - reparações na Torre de Menagem e em troço de muralha; 1983 - consolidação de troço de muralha nas traseiras das casas da R. Mouzinho de Albuquerque; 1985 - reparação do terraço das portas de Santo António; CMP: 2006 - construção de restaurante adossado às muralhas (obras em curso).

Observações

*1 - A ligação com abóbada das torres avançadas da Porta da Devesa é posterior; *2 - Dos fortins seiscentistas de São Pedro, Boavista e São Cristóvão restam apenas vestígios deste último.

Autor e Data

Rosário Gordalina 1992 / Domingos Bucho 1998

Actualização

 
 
 
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