Castelo de Alter do Chão

IPA.00003236
Portugal, Portalegre, Alter do Chão, Alter do Chão
 
Castelo do 2º Período de Fortificação Militar (dos finais do Séc. 13 à segunda metade do Séc. 14); castelo estratégico e residência senhorial fortificada após a passagem da sua propriedade para a Casa de Bragança; fortificação em relevo; castelo de ocupação, não se registando sobreposição importante de fortificações. Incorporações estilísticas: elementos góticos em portas, abóbadas e ameias; existência duma porta em arco adintelado do Séc. 15 ou 16. Ameias no tramo NO. revivalistas *2. Entrada através de torre-porta; alcaidaria implicada organicamente na concepção do projecto inicial; A nível epigráfico destaque para a inscrição nº 1 por a caixa de texto ser delimitada, por duas linhas verticais, e possuir linhas auxiliares para orientar o texto indiciando pré-paginação; o "ordinator" optou por gravar a última palavra do texto numa 6ª linha incompleta, alinhada à direita, e não à esquerda como é usual.
Número IPA Antigo: PT041201010001
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo    

Descrição

Planta intencionalmente quadrada; orientado no eixo NO. / SE.. Seis torres, sendo quatro de ângulo, um torreão lateral na muralha NE. e uma torre-porta na fachada, a SO.. Inscrita num arco pleno cego abre-se a porta do castelo, com verga em arco quebrado e com impostas, sendo a da direita esculpida, sobre o qual está incrustada uma lápide armoriada, com o escudo real, e epigrafada; junto à base do lado direito do arco cego um silhar com inscrição; a porta dá acesso a um túnel com mais duas portas e desemboca na praça de armas com poço e cisterna na zona central; encostada à parede do lado direito de quem entra na praça, uma lápide epigrfada e armoriada com o brasão da Casa de Bragança; sobre o túnel da torre-porta, sala de planta rectangular, com fresta e bueira no pavimento, a que se acede pelos adarves; também por estes se acede ao eirado desta torre, com ameias primitivas; a torre-porta liga-se, para cada lado, por muralhas ameadas a cubelos ameados, ambos de corpo largo, um dos quais, a E., apresenta coruchéu cónico; este tramo liga-se ao oposto, NO., por muralhas ameadas de corpo largo e com adarves, possuindo o NE. uma sobrelargura apoiada num sistema de abobadilhas a nascer de mísulas alongadas, em pedra. O torreão lateral, a NE., possui eirado com ameias de corpo largo. No tramo NO., que possui, do lado exterior, os cachorros dum antigo mata-cães, entre a torre de menagem, a O., e a torre N., encontram-se as ruínas da alcaidaria. Possuía três pisos, restando apenas a fachada travada por três contrafortes e o pavimento do 1º andar, assente sobre a abóbada do rés-do-chão; o piso térreo apresenta a porta da traição, de arco quebrado, aberta na muralha SO., e a porta da alcaidaria. A torre de menagem possui, a partir do nível dos adarves, duas salas sobrepostas, com tectos de abóbada suportada por arcos quebrados de cantaria; todas as portas desta torre apresentam vergas em arco quebrado; o eirado possui ameias de terminação piramidal. Para a torre N., de planta quadrada, com o paramento da porta de entrada a fazer um ângulo de 45 graus com o plano das muralhas que com ela comunicam, acede-se através duma porta de arco quebrado. O eirado tem ameias de terminação piramidal.

Acessos

Avenida Vinte e Cinco de Abril (Avenida Dr. João Pestana); Largo Barreto Caldeira (ou Praça da República). WGS84 (graus decimais) lat.: 39.199036, long.: -7.658556

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional. Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910 / ZEP, Portaria, DG, 2.ª série, n.º 13 de 16 janeiro 1960

Enquadramento

Urbano, adossado. Implantado no antigo Largo da Barreira, a uma cota altimétrica de 270 m, tem toda a vila medieval a N. / NO., a cotas mais elevadas. Hoje no centro da vila, encontra-se rodeado por uma estreita faixa ajardinada à beira do principal eixo viário. Adossada à torre de menagem um antigo lagar de azeite ( v. PT041201010025) e à Torre N. instalação sanitária e muro do portão de entrada no pátio da Casa na Rua Feliciano Castilho ( v. PT041201010025).

Descrição Complementar

A porta da alcaidaria é guarnecida a granito, com ombreiras compostas de pedras de cantaria sobrepostas, chanfradas e molduradas na base com enfeites; a verga é em arco adintelado com aduelas de cantaria e a soleira é de pedra chanfrada. INSCRIÇÕES: EXTERIOR: 1. (CEMP nº. 624) Inscrição comemorativa da construção do castelo gravada numa lápide rectangular, delimitada por uma dupla moldura lisa em granito, a encimar o escudo real de Portugal antigo relevado, colocada sobre o fecho da porta de entrada; mármore; Dimensões: total: 96x70; escudo: 70x43; campo epigráfico: 15x43; Tipo de letra: inicial capitular carolino.gótica; Leitura: ERA MILÉSSIMA: CCC E NOVENTA V ANOS (=1357) XXII DIAS DE SETEMBRO O MUI NOBRE REI DOM PEDRO MANDOU FAZER ESTE SEU CASTELO D' ALTER DO CHÃO. 2. Inscrição de homenagem dos portugueses de 1940 ao castelo gravada num silhar; superfície epigráfica muito erodida; calcário; Tipo de letra: capital quadrada; Leitura: A HISTÓRIA DESTE CASTELO FOI RECORDADA COM GRATIDÃO PELOS PORTUGUESES DE 1940. PRAÇA DE ARMAS: 3. Inscrição comemorativa de obras gravada numa lápide rectangular, fracturada no topo superior esquerdo, encastrada numa moldura granítica com talhe muito grosseiro, a encimar pedra de armas com brasão da Casa de Bragança; Descrição Heráldica: escudo de ponta; uma aspa (mal desenhada) carregada de cinco escudetes das armas do reino (Bragança); aparenta ter uma diferença no chefe que parecem ser duas bilhetas, duas cunhas ou dois escudetes (armas de Dom Fernado de Bragança?); mármore; Dimensões: total: 133x71x27; campo epigráfico: 95x41; escudo: 44x30; Tipo de letra: inicial capitular carolino-gótica; Leitura: ESTA OBRA MANDOU FAZER FERNÃO RODRIGUES VEEDOR DE DOM FERNANDO NETO DEL REI E CONDE D' ARRAIOLOS ERA DO MUNDO DE MIL jjjjc e X (=1372) ANOS.

Utilização Inicial

Militar: castelo

Utilização Actual

Cultural e recreativa: monumento

Propriedade

Privada: fundação

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 10 / 11 / 14 / 15 / 16 / 17 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

912-961 - a primitiva construção do castelo de Alter do Chão deve ter ocorrido durante o governo de Ab-al- Rahman III como comprovam as cinco fiadas de silhares cujo aparelho é característico do período califal (BARROCA, 2000, p. 1728); séc. 13, 2ª década - a vila de Alter do Chão é conquistada pelos exércitos cristãos; 1216 - repovoamento ordenado por D. Afonso II; 1232 - o castelo é já mencionado na carta de povoamento dada a Alter do Chão pelo bispo da Guarda, mestre Vicente; 1260, 24 Março - Alter do Chão transita da diocese da Guarda para a diocese de Évora; 1249 - foral de D. Afonso III; 1292, 26 Agosto - novo foral outorgado por D Dinis; 1293 - reforma do foral anterior; 1357, 22 Setembro - reconstrução do primitivo castelo ordenada por D. Pedro I conforme informa a inscrição que encima o portal de entrada; 1359 - reforma do foral por D. Pedro I; 1367 - 1383 - durante o reinado de D. Fernando I a vila é doada pelo monarca a Nuno Álvares Pereira que por sua vez a doou a Gonçalo Eanes de Abreu, regressando mais tarde à posse da Casa de Bragança; 1428 - confirmação da doação anterior por D. João I; 1432 - campanha de obras no castelo (Casa de Bragança); 1512, 1 Junho - foral novo de D. Manuel I; séc. 15 / 16 - construção da porta adintelada da alcaidaria; séc. 17 - provavelmente, foi construída a barbeta da muralha NE., sobre a qual se reconstruíram as ameias; documentada a existência de uma cerca urbana *2; 1640 - na sequência da Guerra da Independência, integra a segunda linha de defesa; 1662 - tomada do castelo por D. João de Áustria; 1830 / 1840 - compra do castelo por José Barreto Cotta Castelino; 1892 - compra do castelo por José Barahona Caldeira de Castel-Branco Cordovil; 1940 - o castelo é recordado pelos portugueses que comemoraram o III Centenário da Restauração de Portugal como demonstra a inscrição gravada num silhar; 1942 - compra do castelo pela casa agrícola de Francisco Manuel Pina e Irmãs; 1955 - compra do castelo pela Fundação da Casa de Bragança; 1968 - construção de ameias no tramo NO.; 2005, janeiro - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN.

Dados Técnicos

Autoportante. Sistema estrutural constituído por muros altos e perpendiculares ao solo a ligar torres, em planta intencionalmente quadrada; técnicas de construção: silharia de aparelho do tipo opus quadratum pseudisódomo; alvenaria de pedra assente à fiada; cunhais de alhetas; tectos de abóbada.

Materiais

Xisto, granito, quartzito, tijolo, tijoleira e argamassa de cal.

Bibliografia

ALMEIDA, João de - Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses. Lisboa: 1948, vol. 3; BARBOSA, Inácio de Vilhena - As Cidades e Vilas da Monarquia Portuguesa que têm brasão d'armas. Lisboa: 1860, vol. 3; BARROCA, Mário Jorge - Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422). Porto: 2000, vol. II, pp. 1722-1729;.CALADO, Rafael Salinas - Brazões dos Duques de Bragança no seu Antigo Senhorio da Vila de Alter do Chão. Separata de O Instituto. Coimbra: 1948, vol. 111; COELHO, Castelos Medievais de Portugal. II Congresso do Centro Europeu para o Estudo dos Castelos - 1944. Zurique / Lisboa: Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, 1949; COSTA, Alexandre de Carvalho - Distrito de Portalegre, Concelho de Alter do Chão (...) Compilação do que se tem escrito respeitante à origem dos seus nomes. Alter do Chão: 1982; DIAS, Pedro - História da Arte em Portugal - O Gótico, Lisboa, 1986, vol. 4; INÁCIO, Ana Calado - O actual Concelho de Alter do Chão nas Memórias Paroquiais de 1758. A Cidade. Portalegre: 1992, n.º 7 (Nova Série); ISIDORO, Agostinho - Contribuição para o Estudo da Arqueologia do Concelho de Alter do Chão. Porto: 1965; KEIL, Luís - Inventário Artístico do Distrito de Portalegre. Lisboa: 1943; LARANJO, Possidónio Mateus - Terras de Odiana. Lisboa: 1988; LOBO, Francisco Sousa - A defesa militar do Alentejo. Monumentos. Lisboa: Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Dezembro 2008, n.º 28, pp. 22-33; NOVAES, António Gonçalves de - Relação do Bispado de Elvas. 1935; PEREIRA, Paulo (coord.) - História da Arte Portuguesa. Lisboa: Círculo de Leitores, 1995, vol. 1; PROENÇA, Alexandre Marques Gordo - Notas Históricas sobre Alter do Chão e Alter Pedroso / Castelo de Alter do Chão. Mensageiro de Alter. 15 de Agosto de 1975, n.º 286; SELVAGEM, Carlos - Portugal Militar. S. l.: 1994.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DGEMN/DREMS

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DGEMN/DREMS

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DREMS

Intervenção Realizada

DGEMN: 1955 *3 - reparação e reconstrução das ameias das torres e das muralhas; demolição das construções do pátio; demolição do que fora construído, na alcaidaria, acima da abóbada do piso térreo; substituição da conduta de água do chafariz, que passava frente à porta principal, e reabertura desta porta, antes entaipada; reparação parcial dos paramentos exteriores das muralhas; demolição do alpendre exterior, adossado à muralha SO.; reparação do coruchéu do cubelo E.; limpeza geral e remoção de entulhos; Câmara Municipal de Alter do Chão: 1966 / 1967 - demolição do chafariz setecentista e do lavadouro público que se encontravam junto à fachada do castelo; DGEMN e Fundação da Casa de Bragança?: 1968 - reconstrução da muralha NE., eliminando-se, do lado de fora, o vão do portão que aí existia pelo menos desde 1938; construção das ameias sobre esta muralha; emparedamento da porta aberta na muralha SE. do lado S.; reconstrução das ameias deste troço de muralha, da torre N. e da torre de menagem; construção das ameias da muralha NO.; construção das paredes da boca do poço e desentulhamento dos seus dois depósitos; DGEMN e Fundação da Casa de Bragança?: 1977 - reconstrução do cubelo S., impermeabilização do seu eirado e restauro do troço de muralha adjacente SE. *2; 1981 - reparação em panos de muralhas e recuperação de construções existente no interior.

Observações

*1 - desconhece-se actualmente a localização da cerca urbana documentada; *3 - Existem projectos em arquivo (DREMS) desde 1938, mas o primeiro a realizar-se foi o de 1954, a partir de 1955, custeado pela Fundação da Casa de Bragança, sob a fiscalização e orientação técnica da DGEMN; *4 - encontra-se em elaboração na CM de Alter um Projecto para beneficiação do Castelo após a aprovação do qual se efectuará a candidatura ao POC - Programa Operacional da Cultura; o projecto prevê a criação de um centro interpretativo e duas salas de exposições temporárias, havendo igualmente um espaço dedicado ao espólio histórico e arqueológico da região.

Autor e Data

Rosário Gordalina 1992 / Domingos Bucho 1997 / Filipa Avellar 2005

Actualização

Rosário Gordalina 2005
 
 
 
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