Castelo de Marvão / Fortificações de Marvão

IPA.00003234
Portugal, Portalegre, Marvão, Santa Maria de Marvão
 
Arquitectura militar, medieval, de transição, moderna. Castelo e cerca urbana medievais - fortificação em relevo, estratégica, de detenção, orientada para Espanha. Cubelos de transição - fortificação baixa com canhoeiras nos eirados. Fortificação moderna, abaluartada, rasante. Fortificação roqueira de grande dimensão coroando uma crista quartzítica sobre eminência escarpada; adaptação da fortificação medieval à polemologia moderna transformando-se o castelo em cidadela da nova fortaleza.
Número IPA Antigo: PT041210020001
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo e cerca urbana    

Descrição

O castelo apresenta dois recintos interligados: o primeiro, no topo NO., tem cisterna, duas torres e um cubelo; a torre de menagem, no ângulo S., de planta quadrada, é de feição primitiva, com frestas, porta em arco redondo com tímpano liso a descansar sobre impostas de recorte côncavo; a única sala que a torre possui, com abóbada sustentada por cruzaria de nervuras diagonais bizeladas, dá acesso ao adarve; todas as quadrelas possuem adarve e parapeito inclinado; a NO., a porta da traição, em arco recto a descansar em impostas de recorte côncavo, dando acesso à barbacã, e daí ao exterior por túnel com bueira e porta em arco redondo; fortificando esta zona, um baluarte a O., interligado pela antiga barbacã com outro, a N.; a porta SE. deste recinto, em arco quebrado, abre para uma barbacã que possui, do lado E., uma porta em arco quebrado para o exterior, e do lado O., uma fortificação com canhoeiras que cobre a entrada. O segundo recinto apresenta ângulo saliente e poterna a O.; no tramo oposto, outra poterna; toda a muralha possui adarve e parapeito inclinado; na quadrela SE., uma torre de base quadrada que domina a entrada, fortemente defendida: quatro cubelos, dois dos quais estreitando uma passagem, junto à porta da cisterna grande, e dois recintos fortificados, com canhoeiras a SO.. A cerca urbana descreve um traçado grosseiramente trapezoidal, com adarve em todo o perímetro, parapeito inclinado, e é interrompida, nos pontos nevrálgicos da fortificação (entradas), por torreões rectangulares, cubelos e por fortificações abaluartadas a proteger duas portas e um postigo: Porta de Ródão a N., Porta da Vila a E., e o Postigo do Sol a SE.. Desde a Porta de Ródão ao Postigo do Sol, a fortificação apresenta barbacã. Nos pontos de vigia do amuralhado foram construídas vigias.

Acessos

EN 359-6 ou 246-1. WGS84 (graus decimais) lat.: 39,396151, long.: -7,379897

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 8 228, DG, 1.ª série, n.º 133 de 04 julho 1922 / ZEP / Zona "non aedificandi", Portaria, DG, n.º 116 de 27 abril 1962 / Incluído na Área Protegida da Serra de São Mamede (v. PT041214020015)

Enquadramento

Rural, coroando uma crista quartzítica sobre um monte escarpado que atinge os 867,820 m de altitude na torre de menagem. Circunda todo o aglomerado urbano da Vila de Marvão (v. PT041210020004).

Descrição Complementar

O primeiro recinto do castelo apresenta três edifícios de um só piso, frestas para disparo de armas ligeiras e cobertura em telhado; são as edificações remanescentes dos antigos paióis e armarias. O segundo recinto apresenta, no tramo SE., um forno da guarnição e, do lado oposto, antigos edifícios militares; na zona da entrada deste segundo recinto situa-se a cisterna grande do castelo; a primeira porta, que dá acesso a um pequeno patim, tem arco quebrado; a segunda porta, que dá acesso às escadas, é de lintel recto apoiado em impostas de recorte côncavo; a cisterna, de planta rectangular, apresenta abóbada de canhão suportada por nervuras de cantaria em arco redondo, contando-se dez tramos; a água das chuvas era recolhida em reservatório construído no extradorso da abóbada e conduzida para o interior da cisterna por três bueiras existentes na abóbada, hoje tapadas; a água também se podia recolher através de outro acesso, com escadas, a NO.

Utilização Inicial

Militar: castelo e cerca urbana

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Câmara Municipal do Marvão *1

Época Construção

Séc. 13 / 14 / 15 / 16 / 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIRO MILITAR: Luís Serrão Pimentel (1662).

Cronologia

876 - 877 - Ibn Maruán instala-se na fortaleza; séc. 10 - designada por Amaia de Ibn Maruán e por Fortaleza de Amaia; 1160 - 1166 - conquista cristã; 1226 - primeiro foral; 1271 - D. Afonso III doa a povoação fortificada à Ordem de Malta e posteriormente a seu filho D. Afonso; 1299 - D. Dinis conquista o castelo e confirma do foral de 1229; 1300 - Marvão, Portalegre e Arronches são tocados por Sintra e Ourém, passando Marvão à propriedade régia; reconstrução da fortificação; 1378 - estabelecimento de couto de homiziados; 1407, 1436 e 1497 - privilégios vários, potenciadores do povoamento do lugar; Séc. 15 / 16 - período de reforço da fortificação evidenciado pela existência de cubelos; Séc. 17 / 18 / 19 - construção e remodelação das fortificações abaluartadas; 1640 - 1662 c. de - durante a Guerra da Restauração o Abade D. João Dama empreende reparação das ruínas do Castelo, reconstrução de um lanço de muralha, portas do castelo e barbacãs que se encontravam em ruína e outros consertos necessários à conservação e defesa da vila; segundo relata Nicolau de Langres a guarnição de infantaria e cavalaria saía da do Castelo de Castelo de Vide (v. PT041205020010), sendo os habitantes da praça de Marvão em nº de 400; torna-se um Castelo da primeira linha defensiva; 1641 - ataque espanhol à fortaleza de Marvão; 1648 - ataque espanhol à fortaleza de Marvão; 1662 - obras nas muralhas por Luís Serrão Pimentel; 1704 - 1705 - tomada da fortaleza de Marvão pelo exército espanhol, seguida da sua rendição ao exército português comandado pelo Conde de São João; 1772 - ataque do exército espanhol à fortaleza de Marvão; 1808 - a Praça liberta-se das tropas francesas; 1833, 12 de Dezembro - tomada da Praça de Marvão pelas tropas liberais; 1834 - cerco a Marvão pelas tropas miguelistas; 1960, 21 outubro - fixação da Zona Especial de Proteção e Zona non aedificandi, em Portaria publicada no DG, II Série, n.º 246, que seria revogada pela Portaria de 1962; 1997 - raio atinge a guarita do lado S., perto do jardim-parque infantil, destruindo-a quase integralmente; 2002 - realização pela DREMS de Plano Geral de intervenção subdividindo a estrutura defensiva em 9 zonas; 2003, Abril - Abertura concurso pela DGEMN - DREMS para obras de beneficiação no Castelo; 2004, março - abertura concurso pela DGEMN - DREMS para recuperação da instalação eléctrica do edifício da Câmara Municipal; 2013 - o Centro Cultural de Marvão vence o concurso promovido pela autarquia para concessão de exploração do imóvel.

Dados Técnicos

Castelo e cerca urbana: muralhas perpendiculares ao solo, a ligar torres maciças, com excepção da torre de menagem que possui sala interior; alvenaria de pedra disposta à fiada e argamassa de cal, com cunhais de silharia de granito. Fortificação abaluartada: paramentos escarpados de alvenaria de pedra disposta à fiada e argamassa de cal.

Materiais

Pedra (quartzito, granito e xisto), tijolo, argamassa de cal.

Bibliografia

ALMEIDA, João de - Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses. Lisboa: 1946; BUCHO, Domingos - Fortificações de Marvão. História, Arquitectura e Restauro. Marvão: Região de Turismo de São Mamede, 2001; COELHO, Possidónio M. Laranjo - O Castelo e a Fortaleza de Marvão. Lisboa: 1916; COELHO, Possidónio M. Laranjo - Marvão (Elucidário Breve de uma visita a esta vila). 2ª ed.. Marvão: 1982; COELHO, Possidónio M. Laranjo - Terras de Odiana. 2ª ed. Castelo de Vide e Marvão: 1988; KEIL, Luís - Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Portalegre. Lisboa: 1943; LOBO, Francisco Sousa - A defesa militar do Alentejo. Monumentos. Lisboa: Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Dezembro 2008, n.º 28, pp. 22-33; MATTOS, Gastão de Mello de - Nicolau de Langres e a sua Obra em Portugal. Lisboa: Publicações da Comissão de História Militar, 1941; SELVAGEM, Carlos - Portugal Militar. Lisboa: 1994; TRINDADE, Diamantino Sanches - Castelo de Vide, Arquitectura Religiosa. 2.ª ed. Castelo de Vide: 1989, vol. 1; Ibn Maruán, Revista Cultural do Concelho de Marvão. Marvão: 1991 e ss; Vária. Monumentos. Lisboa: Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, 1998-2000, 2003-2006, n.º 9 - 10, 13, 19 - 21; VITERBO, Sousa - Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal. Lisboa: Imprensa Nacional, 1904, vol. II.

Documentação Gráfica

IHRU: DEMN/DSID, DGEMN/DREMN, DGEMN/DREMS; Câmara Municipal de Marvão; GAT de Portalegre; Arquivo Histórico-Militar de Lisboa; Arquivo do Gabinete de Estudos Arqueológicos de Engenharia Militar - Direcção dos Serviços de Engenharia

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN, DGEMN/DREMS; Câmara Municipal de Marvão; Arquivo Histórico-Militar de Lisboa

Intervenção Realizada

DGEMN: 1938 - reparação de muralhas, escadas e adarves; 1947 - Reparação de cortinas, canhoeiras, coberturas, telhados, portas e rebocos; 1952 - renovação de cobertura com telha romana e de rebocos em paramentos interiores, reparação de muralhas e do arco de acesso ao castelo, pavimentação, assentamento de soleira de cantaria e de porta exterior; 1957 - reconstrução de muralhas e assentamento de cantaria; 1958 - demolição de palco de alvenaria junto ao castelo, reparação de muralhas, guaritas, portas e pintura de peças de artilharia; 1961 - reparação de telhados do museu e de outras dependências do castelo, construção de caminho de ronda e escada para o terraço da torre de menagem; 1962 - reparação de muralhas, telhados e portas; 1963 - reparação de muralhas, guaritas, telhados e chaminé; 1965 - reparação de telhados e porta; 1967 - limpeza e reparação de muralhas, guaritas, telhados e portas; 1971 - reconstrução de uma guarita e reparação de muralha adjacente; 1974 - reconstrução de telhado, reparação de escadas em adarves, grades de ferro, portas e estrado; caiações; 1975 - reparação de muralhas e porta; 1976 - reconstrução de guarita, reparação de telhados e portas, desinfestação de ervas; 1977 - execução de sanitários, desinfestação de ervas e arbustos; 1979 - reparação de muralhas, rebocos e portas; desinfestação de ervas e arbustos; 1981 - reparação de muralhas, pinturas, desinfestação de ervas; 1984 - reparação de telhados, muralhas, pinturas; 1991 - reparação de guaritas e muralhas; 1994 - iluminação exterior do castelo; 1995 - obras de conservação nas casas da Praça, muralhas e electrificação exterior. obras de conservação corrente nos panos de muralha e casas da Praça; 1998 / 1999 - reconstrução integral da guarita S. destruida em 1997; CMM: 2000 - recuperação de uma das casas do castelo para polo militar; DGEMN / CMM: 2003 - beneficiação das muralhas entre o troço da barbacã e a Porta da Vila, com reconstrução do troço arruinado; 2003 / 2004 - beneficiação do troço entre a Porta da Vila e o Torrejão; reabilitação do forno do assento e casa do guarda; remodelação das instalações eléctricas e rede telefónica; 2004 - projecto de remodelação da iluminação pública, em colaboração com a Câmara Municipal; construção de um palco desmontável, em ferro e madeira junto à Torre de Menagem; 2005 / 2006 - projecto anti-vandalização do sistema de iluminação pública.

Observações

*1 - auto de cedência de 22 de Fevereiro de 1945, anulado em 1984 pela DGP, ficando o IPPAR como organismo gestor; *2 - esta obra não deverá excluir o projecto oitocentista, de construção dum telhado que não inviabilizasse o acesso ao eirado, como no castelo de Amieira do Tejo (v. PT041212020003), por exemplo.

Autor e Data

Rosário Gordalina 1991 / Domingos Bucho 1997

Actualização

Sousa Macedo 1998
 
 
 
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