Aqueduto da Amoreira

IPA.00003217
Portugal, Portalegre, Elvas, Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso
 
Arquitectura infraestrutural, seiscentista. Aqueduto. Trata-se, a par do Aqueduto das Águas Livres de um dos mais importantes aquedutos do país. Os azulejos são semelhantes aos existentes numa fonte da cidade.
Número IPA Antigo: PT041207030008
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Hidráulica de condução  Aqueduto    

Descrição

Tem 7054 m desde a nascente na Serra do Bispo até ao Chafariz do Jardim, tendo deste à Fonte da Vila mais 450m. Em subterrâneo tem 1367m, ao nível do terreno 4049 e, sobre arcadas, 1683m. No Outeiro de São Francisco começa o segundo canal, que inflecte para o Outeiro dos Pobres e encontra-se com a arcada no Rossio. Lança-se num total de 833 arcos que nalguns pontos se sobrepoem em 4 registos, de volta perfeita, com ombreiras diminuindo em função da altura, as arcadas apoiam-se em pilares quadrangulares, fortalecidos por contrafortes semi-circulares e piramidais de diferentes alturas. Possui as armas municipais, as mais antigas em mármores e outras em azulejo. Possui mãe de água na Horta de Trinta-Alferes, uma arca redonda na baixa de São Gonçalo (Herdade da Serra do Bispo), uma arca com tanque de decantação na nascente da Borracha.

Acessos

EN 4. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,878008; long.: -7,172244

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910 / ZEP, Portaria, DG, 2.ª série, n.º 210 de 05 setembro 1956 / MN - Monumento Nacional / ZEP, Aviso n.º 1517/2013, DR, 2.ª série, n.º 242 de 13 dezembro 2013 / Património Mundial - UNESCO, 2012

Enquadramento

Urbano e rural. Destacado na planície, atravessa os vales de São Francisco e do Rossio, encontrando-se a nascente na Fonte da Amoreira na Serra do Bispo e terminando na Fonte da Misericórdia. Em frente do aqueduto fica o Jardim Municipal (v. PT041207030042). A S. o troço que pegava com a antiga cerca do Convento de São Francisco (PT041207030041) é protegido a SO. por revelim.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Hidráulica: aqueduto

Utilização Actual

Hidráulica: aqueduto

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 15 / 17

Arquitecto / Construtor / Autor

ALVANEIROS: Francisco Martins (1702); João Fernandes Cordeiro (séc. 18); Manuel Moniz (séc. 17). ARQUITECTOS: Afonso Álvares (1573); Diogo Marques Lucas (1610); Francisco de Arruda (1537); Pero Vaz Pereira. ENGENHEIRO: Francisco de Paula e Sousa Pegado (1825-1827). MESTRE-DE-OBRAS: Francisco Ferreira (séc. 17); Diogo Mendes (1543); Miguel Martins (1610); Pêro Fernandes (1610).

Cronologia

1498 - a única fonte de abastecimento de água potável à Vila era então o Poço de Alcalá, junto da Porta do Bispo; dado o poço ter começado a perder água e dada a dificuldade de abastecimento a partir das nascentes que circundavam a vila, devido ao desnível existente entre a povoação e os terrenos, nas Cortes deste ano, D. Manuel autoriza um imposto, o Real de Água, para concerto do poço; a iniciativa porém não alcançou os resultados pretendidos surgindo então a ideia de ir buscar a água à Amoreira, a cerca de 8km; 1529 - início da construção do aqueduto; 1537 - o monarca D. João III intervém no processo de construção da estrutura, enviando a Elvas o arquitecto Francisco de Arruda, que terá feito aditamentos ao projecto primitivo; perante a falta de dinheiro para a obra, o rei autoriza a aplicação dos dinheiros das multas e a venda de terrenos municipais; recurso ao empréstimo de verbas, provenientes dos Cofres dos Órfãos de Elvas e de Estremoz; 1533, 9 Setembro - carta de quitação a Lourenço Domingues, recebedor das obras de Elvas, Campo Maior e Olivença; 1542 - devido a vários desvios de água, é criado o cargo de Visitador do Cano; 1543 - é responsável pela manutenção do aqueduto Diogo Mendes, pelo que recebia 6 mil reais, pagos pela cidade; 1558, 20 Março - carta da rainha D. Catarina recomendando à Câmara a obra do aqueduto; 1560, 01 Novembro - carta da rainha D. Catarina recomendando à Câmara a obra do aqueduto; 1571, 25 Janeiro - D. Sebastião autoriza a aplicação de uma finta aos moradores, considerando os rendimentos de cada um; 23 Agosto - D. Sebastião manda inspeccionar o aqueduto; 1573, 29 Maio - D. Sebastião manda que o Senado se consertasse com Afonso Álvares sobre o acabamento da obra; 1579 - D. Henrique solicita aos bispos de Elvas que participem monetariamente nas obras; 1580 - perante a invasão castelhana, deu-se prioridade à fortificação da cidade e decidiu-se, se necessário, derrubar a obra que estava feita; na negociação com os castelhanos para a entrega da cidade, uma das condições era a poupança e conclusão da obra do aqueduto; 1602 - exploração de várias nascentes, para aumento do caudal; 1606 - recomeçam as obras no aqueduto, com o lançamento de novo imposto do Real de Água; 1610 - obra no aqueduto por Miguel Martins e Pêro Fernandes; 5 Março - após várias paragens na obra, a Câmara solicita ao rei a continuação da construção do aqueduto, bem como a necessidade de elevar a estrutura 25 palmos para permitir o abastecimento das zonas mais altas da povoação; as juntas deveriam ser fechadas com betume de cal, azeite e linho; 11 Julho - Filipe II autoriza a continuação da obra; 26 Julho - Diogo Marques Lucas vem estudar a zona de entrada da água na cidade, para ser mais eficaz o abastecimento à população, decidindo-se que tal ocorreria junto ao hospital, sendo necessário elevar o aqueduto 25 palmos; 1622, 23 Junho - inauguração do Aqueduto e da Fonte da Misericórdia (v. PT041207030078); 1625 - perante problemas estruturais, decide-se a construção de contrafortes que deveriam ser ocos, de alvenaria, preenchidos com terra e pedras soltas; encanamento da água pela Rua de São Lourenço, obra morosa devido à rocha que constituía o solo; 1627, 01 Agosto - prolongamento dos impostos por mais dois anos, para a construção dos chafarizes da cidade; 1628 - o aqueduto alimentava a Fonte da Misericórdia, o Chafariz da Madalena, o Chafariz de São Lourenço, o Chafariz de São Domingos, o Chafariz de São Vicente e o Chafariz da Alameda; foram doadas várias penas de água a entidades públicas e privadas; construção das fontes da Biquinha, Cavaleiros e São José; 1641 - D. João IV autoriza a demolição do aqueduto para construção da nova fortificação; Martinho Afonso de Melo, Conde de São Lourenço, propõe a construção de uma cisterna, mantendo o aqueduto; 1646 - queda de dois arcos na sequência de um temporal; 1644 - durante as invasões castelhanas, o aqueduto sofreu alguns danos; 1648, Maio - discussão sobre a necessidade de destruir o aqueduto, para defesa da cidade; 1652 - o Conde de Soure manda fazer um cano subterrâneo para que a água entrasse na cidade, sem prejudicar a Fortaleza, sendo derrubado parte do aqueduto; 1654 - o governador André de Albuquerque Ribafria pede ao rei a demolição do aqueduto, decidindo-se que nas zonas onde colidisse com a fortaleza, passaria a subterrâneo; 1663 - durante as invasões castelhanas de D. João de Áustria, o aqueduto sofreu alguns danos; o aqueduto foi protegido por dois redutos no Outeiro dos Pobres e no Outeiro de São Francisco, sendo reforçado, na zona que atravessa o fosso de uma cassamata com duas canhoneiras; 1683 - desenho do aqueduto por Francisco Álvares Ribeiro, que define que o aqueduto tinha 7790m; 1689, 30 Março - nomeação de Manuel Moniz para o cargo de mestre do aqueduto, por morte de Francisco Ferreira, que exercia este cargo; recebia 12$000 anuais; 1698 - ruptura no cano que ligava ao Hospital; séc. 18 - existência de deficiências de caudal, devido à acumulação de calcário, problema que persistia no séc. 19; construção de uma arca de decantação na nascente da Borracha; nomeado alvaneiro do aqueduto João Fernandes Cordeiro; 1702, 20 Junho - é nomeado Francisco Martins como mestre dos canos do Aqueduto da Amoreira, por falecimento de Manuel Moniz, com o ordenado de 12$000 anuais; 1708 - uma intempérie provocou danos na estrutura; D. João V sugere a substituição da canalização pelo sistema de repuxo (sistema de sifão invertido); contudo, a Câmara decidiu reconstruir os arcos, pois o esquema sugerido não era prático em caso de ruptura, tendo que se abrir toda a obra para localizar o problema; reforço da estrutura com pegões; 1715 - reforço do abastecimento com a utilização do Poço do Concão; o aqueduto era alimentado por nove nascentes; introdução da água da nascente da Serra do Bispo; 1727, 05 Junho - confirmação do cargo de alvaneiro do aqueduto a João Fernandes Cordeiro; 1733 - adução das águas de uma nova nascente, situada na Herdade de Trinta-Alferes; 1738 - reforço do abastecimento com a exploração do Poço do Gorgulhão; 1745, 17 Março - confirmação do cargo de mestre do aqueduto a José Ramalho Rogado, que exercia há 12 anos, com o ordenado de 20$000 anuais; 1753-1754 - reforço do abastecimento intramuros com o Poço Seco; 1761 - novo recurso ao Poço Seco; 1796, Janeiro - um terramoto derrubou dois arcos no Outeiro dos Pobres; termina o reforço da estrutura; 1825 - detecta-se bastante água na Herdade de Trinta-Alferes, passando-se a explorar duas fontes conforme projecto do tenente Francisco de Paulo de Sousa Pegado; 1825 - 1827 - obra no aqueduto, dirigida por Francisco de Paula e Sousa Pegado; 1846, 26 e 27 Fevereiro - um temporal derrubou um contraforte; 1864 - feitura de azulejos com as armas municipais; 1870 - a vereação pede às Cortes a limpeza e reboco da estrutura e a construção de um canal suplementar para facilitar a limpeza; define-se a remoção do calcário dos canos de 10 em 10 anos; séc. 19, década de 70 - exploração de nascentes na Herdade dos Vales de Santarém; 1872 - 1890 - sofre importantes obras de conservação e restauro, com a construção de um segundo cano e o acrescento de 462 arcos para o suportar; 1873 - colocação dos painéis de azulejo; 1902 - as fontes não eram consideradas salubres, excepto a de Ruy de Mello e a de São Lourenço, esta abastecida pelo aqueduto; séc. 20, década de 80 - o aqueduto continuava a abastecer a cidade, através da cisterna, com a água de Trinta-Alferes e Algaravenha; 1995 - obras de limpeza no local.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante

Materiais

Alvenaria de pedra argamassada e tijolo maciço (arcos)

Bibliografia

ALMADA, Vitorino de, Elementos para um Dicionário de Geographia e História Portuguesa - concelho d'Elvas, vol I, Elvas, 1888; CABEÇAS, Mário Henriques, Obras e remodelações na Sé Catedral de Elvas de 1599 a 1638, in ARTIS, Lisboa, Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa, 2004, n.º 3, pp. 239-266; KEIL, Luís, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Portalegre, vol. I, Lisboa, 1940; ALMEIDA, António José Ferreira de, Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1980; DENTINHO, Maria do Céu Ponce, Elvas Monografia, Elvas, 1989, p.88-90; PEDREIRINHO, José Manuel, Dicionário de arquitectos activos em Portugal do Séc. I à actualidade, Porto, Edição Afrontamento,1994; MASCARENHAS, José Manuel de e QUINTELA, António de Carvalho, O Aqueduto da Amoreira e o sistema de abastecimento de água a Elvas, in Monumentos, n.º 28, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Setembro 2008, pp. 92 - 101; MECO, José, O Colégio jesuíta em Santiago, em Elvas, in Monumentos, n.º 28, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Setembro 2008, pp. 128-137; PEREIRA, Paulo, De Elvas a Olivença. O Renascimento antes de Vitrúvio, in Monumentos, n.º 28, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Dezembro 2008, pp. 82-91; VALLA, Margarida, A praça-forte de Elvas: a cidade e o território, in Monumentos, n.º 28, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Dezembro 2008, pp. 34-43; VITERBO, Sousa, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904, 3 vols..

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMS - Planta do traçado Esc. 1 / 2500 / Perfil longitudinal - horizontal à Esc. 1 2500 e vertical à Esc. 1 / 500 / Cortes (pormenores dos canais) tipos A, B, C, D e F à Esc. 1 / 10 / Planta da Zona de protecção Esc. 1 / 1000

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DREMS, SIPA

Documentação Administrativa

DGARQ/TT: Cartas Missivas, maço 2, doc. 118; Chancelaria de D. João III, Doações, Liv. 46, fl. 71 (publ. VITERBO); Arquivo Municipal de Elvas: Tombo dos bens do meio Cabeção desta cidade de Elvas

Intervenção Realizada

1708 - arranjo dos canos, financiado por D. João V e com pedra dada pela Câmara; MOP: 1872 - arranjo do aqueduto, por 16.140$780; 1964 - apeamento e reassentamento de silhares de cantaria, demolição de alvenarias, execução de isolamento no arco em ruínas, rebocos; 1971 - reconstrução de arcos, reconstrução de rebocos, execução de lintel em betão armado, refecho de juntas; 1973 - limpeza e reconstrução de rebocos; 1979 - construção de alvenaria hidráulica para construção de pilar, refecho de fendas, reconstrução de rebocos, refecho de fendas, arranque de ervas e arbustos; 1987 - arranque de ervas e reconstrução de rebocos; 1988 - arranque de formações vegetais, levantamento de laje de cobertura, limpeza de canal, reconstrução de laje de cobertura e refecho de fendas; 1989 - levantamento e reposição da laje de cobertura e remoção cuidadosa do "corroio" no interior, revestimento da caleira, colocação de tubos de drenagem no canal desactivado, assentamento do lajedo de pedra de xisto; 1992 / 1993 - recuperação dos canais adutores e arcos; 1994 - levantamento da laje (canal inferior e canal único), limpeza do corroio, revestimento da superfície da caleira, fornecimento e assentamento de laje de xisto e colocação de protecção; 1995 - remoção de laje de cobertura (canal inferior e canal único) limpeza com remoção de entulhos e "corroio" do interior dos canais, colocação de tubos para drenagem no canal inferior, colocação de guarda de protecção e porta no canal inferior, revestimento em argamassa da caleira pertencente ao canal único, revestimento das coberturas de ambos os canais em laje de xisto e recuperação do passeio e canal laterais.

Observações

Autor e Data

Rosário Gordalina 1991 / 2008

Actualização

Maria Fernandes 1996
 
 
 
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