Atelier de Soares dos Reis

IPA.00031838
Portugal, Porto, Vila Nova de Gaia, União das freguesias de Santa Marinha e São Pedro da Afurada
 
Atelier construído na segunda metade do séc. 19, a pedido do escultor António Soares dos Reis, para funcionar como casa-oficina, tendo ele próprio delineado o projecto executado pelo arquitecto e amigo José Geraldo Sardinha. Apresenta planta retangular e fachada principal de três panos, o central terminado em empena e de dois pisos, rasgado por amplo janelão.
Número IPA Antigo: PT011317160153
 
Registo visualizado 1434 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Cultural e recreativo  Atelier    

Descrição

Acessos

Santa Marinha, Rua de Camões, n.º 207

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, adossado nas fachadas laterais a edifícios residenciais, com maior número de pisos, confinando a principal com a via pública e a posterior com espaço para jardim. Localiza-se, na Rua Luís de Camões, relativamente próximo da Avenida da República.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Cultural e recreativa: atelier

Utilização Actual

Devoluto

Propriedade

Pública: Estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: José Geraldo Sardinha (1845 - 1906). EMPREITEIRO: Bernardino Jorge Tavates Moreira, Lda

Cronologia

1876 - Construção do edifício; 1889 - no Album phototypico e descriptivo das obras de Soares dos Reis da autoria do Dr. Alves Mendes, surge uma descrição da casa*1; 14 de Janeiro de 1938 - a casa foi adquirida, em hasta pública, por 30.100$00, pela empresa "Primeiro de Janeiro", através do seu director Manuel Pinto de Azevedo Júnior; 1946 - o jornal "Primeiro de Janeiro" sob a direcção do empresário portuense Manuel Pinto de Azevedo Júnior, vende o imóvel à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia pelo valor de 33.700$00, mas com a condição deste ser destinado a perpetuar a memória do seu primeiro proprietário e não para qualquer outro fim; 1947 - por não conseguir cumprir as condições impostas pelo "Primeiro de Janeiro", a Câmara doa o Edifício ao Estado. Após fazer as obras necessárias fez o Estado cessão do mesmo prédio ao Ensino Superior e das Belas Artes para ficar afecto à Escola Superior de Belas Artes do Porto; 1951, 24 de Janeiro - Joaquim Francisco Lopes (Director da ESBAP) refere-se aos "(…) projectos do mobiliário destinado à Casa-Oficina Soares dos Reis em Vila Nova de Gaia (…)", que se destinavam a equipar as salas de aulas de pintura, escultura, desenho de ornato e estilização e anatomia; o mobiliário foi fornecido pelas fábricas Albino de Matos (Freamunde), Madeiras & Móveis (Praia da Granja), Móveis Aséta (Porto) e António Pereira da Costa (Fábrica do Calvário, Freamunde).

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Bibliografia

ANTUNES, Joaquim, "A Casa-Oficina de Soares dos Reis". BACAG, nº 26 (nº especial), Maio, 1989, 4º vol, p.27-32; GOMES, Costa "O restauro da Casa-Oficina de Soares dos Reis", BACAG, nº 34, Dezembro, 1992, 5º vol, p.59,60.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

SIPA

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/CAM-0055/09; CMVNG - Arquivo Municipal Sophia de Mello Breyner, PT-CMVNG-AM/CMVNG/Prs-Secr/8/Cx.1.Doc18; PT-CMVNG-AM/CMVNG/Prs-SerA-SeC/12/1191; PT-CMVNG-AM/CMVNG/Prs-SerA-SeC/12/1670; PT-CMVNG-AM/CMVNG/Prs-Secr/35/40/1996; PT-CMVNG-AM/CMVNG/Prs-Secr/4/Lv35, fl32v-35; PT-CMVNG-AM/CMVNG/Prs-Secr/4/Lv35, Fl10v-14.

Intervenção Realizada

1951 - Ficam concluídas as obras de reintegração e restauro; 1954 - obras de reparação de telhado (estas incluíam: reparação do telhado; limpeza do mesmo; reparação das caleiras, tectos e paredes danificados pelas infiltrações de águas pluviais; reparação dos caixilhos exteriores, incluindo a sua pintura a óleo e esmalte; 1965 - reparação dos telhados e portas; 1989 - obras de remodelação; 1992 - obras de conservação e restauro; 1996 - obras de remodelação.

Observações

EM ESTUDO. *1 - "O atelier compunha-se de três corpos interiores. O central, vasto e desafogado, para o trabalho; o da esquerda, dividido em pequenos compartimentos, para habitação; e o da direita, que nunca chegou a concluir-se, destinou-se promiscuamente a armazem, galinheiro e pombal. Nas trazeiras, em um pedasso de terreno, dispôs um pequeno jardim em que as flores os arbustos se entremeavam com os frutos e com grandes pés de alcachofras (legume pelo qual tinha especial predilecção). (...) A jardinagem era uma das suas paixões. A entrada para o atelier abria-se, pelo lado do jardim. Era junto dessa entrada que se viam, meias envoltas pelas heras, as pedras da interessante janela de estilo romanico, que pertencera ao velho edifício que existia na rua da Reboleira e que foi destruido para a abertura da rua Nova Alfandega... Quando a casa foi demolida, comprou por alguns vintens a janella e levou-a para casa. Interiormente o atelier nada oferecia de extraordinário. Nem luxos de decoração, nem abundancias de objectos de arte. A simples oficina de um trabalhador. O atelier comunicava por uma porta com a casa de habitação. Uma sala de visitas, o quarto de dormir, a cosinha, e a sala de jantar. Tudo ao rés do chão e de pequenas dimensões. Era por esses aposentos que se achavam disseminados os quadros, os desenhos, as aguarelas e os medalhões que Soares dos Reis adquirira em algumas exposições artisticas, ou que lhe haviam sido oferecidos por amigos. Entre essas obras de arte avultavam o seu retrato, pintado por Marques de Oliveira e um outro retrato em medalhão, modelado pelo escultor Simões de Almeida e reproduzido em bronze pela galvanoplastia. Muitos dos quadros que ornavam as paredes comprára-os Soares dos Reis nas exposições de belas artes realizadas "n'esta cidade". O aumento da família sugeria-lhe a ideia de erguer mais um andar ao atelier."

Autor e Data

Ana Filipe 2011

Actualização

Sónia Queiroga 2012 / Margarida Elias (Centro de Investigação em Arquitectura, Urbanismo e Design (CIAUD-FA/UTL)) 2013
 
 
 
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