Monumento aos Combatentes da Grande Guerra em Maputo / Padrão de Lourenço Marques

IPA.00031705
Moçambique, Cidade Maputo, Maputo (M), Maputo (M)
 
Monumento aos Combatentes da Grande Guerra, construído por iniciativa da Comissão dos Padrões da Grande Guerra, na década de 1930, em Portugal e transportado para Moçambique, em homenagem aos combatentes europeus e africanos na guerra. Executado pelo escultor Ruy Roque Gameiro e pelo arquiteto Veloso dos Reis Camelo, apresenta grandes dimensões e figuras de expressão grave e calma, com a pátria exaltada pelas inscrições "génio" e "força". É composto por soco de planta circular e grande plinto, escalonado, decorado por quatro painéis, dispostos em cruz, contendo relevos alusivos às ações militares durante a Grande Guerra em Moçambique. Sobre este dispõe-se grupo escultórico, formado por uma figura feminina, de rosto másculo, mas de peito bastante saliente, simbolizando a Pátria, segurando, na mão direita, um padrão dos descobrimentos, com as armas de Portugal e, na esquerda, uma espada, que ampara um escudo contra as pernas. Do seu lado direito surge ainda uma serpente, representativa do génio dos portugueses na epopeia dos descobrimentos, em atitude agressiva.
Número IPA Antigo: MZ910201000025
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Comemorativo  Monumento comemorativo  Monumento aos Combatentes da Grande Guerra  

Descrição

Sobre soco de planta circular, dispõe-se, ao centro, grande plinto, também circular, diminuindo de diâmetro da base para o topo, com faces lisas, de onde sobressaem, em direções perpendiculares entre si, quatro grandes painéis retilíneos e de perfil ligeiramente côncavo, com relevos representativos de atividades militares em Moçambique, em Quionga, Quivambo, Nevala e Mecula, durante a Grande Guerra, assentes em plintos retangulares. Superiormente, sobre base também circular, surge o grupo escultórico, virado sensivelmente a poente, definindo a frente do monumento. É composto por uma figura feminina, tendo a seus pés, do lado direito, uma serpente e, do lado esquerdo, uma espada e um escudo. A mulher altiva, representando a Pátria, possui vestido longo, moldado ao corpo da cintura para cima, e capa caída pelas costas, com amplos drapeados, até aos pés. Segura na mão direita um padrão dos descobrimentos, com as armas atualmente delidas *1, e na esquerda o punho de uma espada, que ampara um escudo contra as pernas. A serpente, representativa do génio dos portugueses na epopeia dos descobrimentos, é representada de cabeça soerguida e boca aberta, em atitude agressiva. O monumento tem a altura total de 14,3 metros.

Acessos

Maputo, Praça dos Trabalhadores (antiga Praça Mac-Mahon)

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, em placa circular arrelvada e rodeado por faixa de cantaria, ligeiramente inclinada, acompanhando o perfil do monumento. Implanta-se no centro da Praça dos Trabalhadores, na baixa da cidade, junto à zona portuária a sul e sudoeste. Ladeando a mesma praça, a nordeste e a noroeste, respetivamente, erguem-se o Edifício Abreu, Santos e Rocha (v. IPA.00031688) e a Estação Ferroviária de Maputo (v. IPA.00031693), para onde se vira o grupo escultórico.

Descrição Complementar

Os relevos associados às ações militares em Moçambique representam, no sentido dos ponteiros do relógio partindo da face principal: Quionga, Quivambo, Nevala e Mecula. O relevo "QUIONGA" representa o soldado europeu, apoiado por outro africano, afirmando a soberania portuguesa ao empunhar uma bandeira com as cinco quinas; no relevo "QUIVAMBO", militares africanos e europeus, um destes ferido, combatem lado a lado as forças alemãs; o relevo "NEVALA" representa o esforço de soldados e marinheiros nas difíceis operações militares em Moçambique e em território da colónia alemã; e o relevo "MECULA" presta tributo aos auxiliares, em especial os carregadores. Na face principal do plinto surge a inscrição: "AOS / SEUS COMBATENTES / EUROPEUS E AFRICANOS / NA / GRANDE GUERRA"; na face lateral direita, a norte, sob a serpente, está inscrita a palavra "GÉNIO" e na esquerda, a sul, sob a espada e o escudo, a palavra "FORÇA", na face posterior inscreve-se "1914 / 1918" datas do início e fim do conflito, tanto na Europa como em Moçambique *2. Na base do grupo escultórico, sob a serpente, inscreve-se "1935 / Rvy,G.".

Utilização Inicial

Comemorativa: monumento aos Combatentes da Grande Guerra

Utilização Actual

Comemorativa: monumento aos Combatentes da Grande Guerra

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Veloso dos Reis Camelo (1931-1935). EMPREITEIROS: Companhia Industrial Marmorista (1933-1935), Companhia Portuguesa de Mármores e Cantarias (1933-1935). ENGENHEIROS: Francisco dos Santos Pinto Teixeira (1933-1935), Vitor Barbosa da Silva Carvalho (1933-1935). ESCULTOR: Ruy Roque Gameiro (1931-1935).

Cronologia

1914, 28 julho - invasão austro húngara da Sérvia, dando início ao conflito armado que viria a ser conhecido por Grande Guerra ou Primeira Guerra Mundial; 03 agosto - a Alemanha declara guerra a França e invade o Luxemburgo e a Bélgica; a Inglaterra reafirma a aliança com Portugal e pede a Lisboa que não proclame a neutralidade; 04 agosto - a Grã-Bretanha declara guerra à Alemanha, devido à violação do Tratado de 1831 que declarava a Bélgica território neutral perpetuamente; 15 agosto - ocupação da baía de Quionga no norte de Moçambique por forças da África Ocidental Alemã, atual Tanzânia; 24 agosto - ataque alemão ao posto português de Maziua no norte de Moçambique; 10 setembro - partida de Lisboa das primeiras forças expedicionárias destinadas a Angola e Moçambique; 16 outubro - chegada das primeiras forças expedicionárias portuguesas a Lourenço Marques (atual Maputo) de onde seguiram para Porto Amélia (atual Pemba); 23 novembro - o parlamento aprova a participação de Portugal na guerra ao lado de Inglaterra; 1915 - diversos incidentes agravam as relações entre Portugal e Alemanha; 07 outubro - embarca em Lisboa para Moçambique a segunda expedição militar; 1916, 09 março - a Alemanha declara guerra a Portugal; 10 abril - reocupação de Quionga, no norte de Moçambique, por forças militares portuguesas; 23 abril - forças alemãs atacam o posto português de Namoto no Rio Rovuma; maio a agosto - intensifica-se a atividade militar na fronteira norte de Moçambique marcada por repetidos ataques alemães a vários postos militares, reconhecimentos pelos portugueses da margem esquerda do Rio Rovuma, em território da colónia alemã, e tentativas de travessia do rio por forças militares portuguesas; no mesmo período partiu de Lisboa a terceira expedição militar a Moçambique; 19 setembro - travessia do Rio Rovuma por forças portuguesas iniciando uma campanha dentro de território da colónia alemã; 22 outubro - combate junto aos poços de água de Nevala com retirada das tropas alemãs e tomada de Nevala pelas forças portuguesas; 8 novembro - combate de Kiwambo, ou Quivambo, quanto uma coluna militar portuguesa tentava penetrar ainda mais em território da colónia alemã, na direção de Mikindani, junto à costa; 22 novembro - novo combate em Nevala a que se segue o cerco das forças portuguesas pelas alemãs; 28 novembro - aproveitando a noite, as forças portuguesas abandonam Nevala retirando em direção a Moçambique; 30 novembro - as forças portuguesas atravessam o Rio Rovuma na fase final da retirada; dezembro - as forças militares alemãs, retomam a iniciativa e fazem sucessivos ataques e pequenas incursões sobre postos militares e forças portuguesas; 1917, janeiro a julho - partida de Lisboa, em diversos transportes, da quarta expedição militar a Moçambique; continuam as pequenas incursões das forças alemãs no norte de Moçambique a diversos postos fronteiriços; 25 novembro - combate de Negomano no qual uma força militar alemã, comandada pelo General Paul Emil von Lettow-Vorbeck, surpreende as forças militares portuguesas e provoca-lhes centenas de baixas; 03 a 08 dezembro - combate da Serra Mecula no qual as forças portuguesas resistem a uma das colunas de tropas alemãs que, depois da vitória em Negomano exploram o sucesso internando-se em Moçambique; dezembro - as forças alemãs mantêm a iniciativa ofensiva demonstrando grande flexibilidade, rapidez e adaptabilidade, atacando e ocupando território do norte de Moçambique; 1918 - apesar dos reforços e da cooperação luso-brtânica, as forças alemãs, sob o comando do General Lettow-Vorbeck mantêm a iniciativa e a postura ofensiva internando-se em território da colónia portuguesa; 01 a 03 julho - combate de Namacurra, a cerca de 40 km de Quelimane, após o qual as forças alemãs retiram; 28 setembro - as forças alemãs atravessam o Rio Rovuma deixando Moçambique; novembro - as forças alemãs entram na antiga Rodésia (atual Zimbabwe) *3; 11 novembro - é assinado o armistício de Rethondes que põe fim à Grande Guerra onde morreram perto de 8000 militares portugueses, europeus e africanos, entre os quais cerca de 4800 em Moçambique; 1921, 03 dezembro - constituição da Comissão dos Padrões da Grande Guerra (CPGG) em Lisboa, a qual logo nas primeiras reuniões resolve incluir no seu programa de ação, a construção de Padrões da Grande Guerra em Angola e Moçambique de forma a não ser esquecido o esforço nacional nas colónias; 1924, 25 fevereiro - em carta dirigida à colónia portuguesa no Brasil o Dr. António José de Almeida, antigo Presidente da República, solicita apoio financeiro para levar avante os projetos de construção dos padrões em França (La Couture), Angola (Luanda) e Moçambique (Lourenço Marques); 1925, 03 julho - publicação da Lei n.º 1.797, de 30 de junho do mesmo ano, em Diário do Governo, 146, 1ª série, a autorizar a utilização do bronze necessário à execução dos trabalhos de fundição, para os monumentos de La Couture, Luanda e Lourenço Marques; 1927, 12 abril - data da entrega à Câmara Municipal de Lourenço Marques da primeira pedra do monumento, que será construído na Praça Mac-Mahon; 1930, 13 dezembro - abertura de concurso para o projeto do monumento *4; 1931, 26 novembro - o júri do concurso decide atribuir a execução do monumento ao escultor Ruy Roque Gameiro *5 e ao arquiteto Veloso dos Reis Camelo; 1932, 26 julho - celebração de contrato com os autores do monumento; 1933, março e agosto - adjudicação dos trabalhos em cantaria, relevos e estatuária, sendo a empreitada de cantarias e de quatro relevos da responsabilidade Companhia Industrial Marmorista, de Domingos Fernandes, do Porto, e a da estátua da Companhia Portuguesa de Mármores e Cantarias, de Lisboa; a direção da construção fica a cargo dos engenheiros Francisco dos Santos Pinto Teixeira e Vitor Barbosa da Silva Carvalho; 1934, 03 março - inicia-se o transporte de cantarias, relevos e estátua para Lourenço Marques; 1935, 29 de maio - conclusão da construção do pedestal e, após um curto interregno, e início da montagem da estátua; 31 julho - data do término do transporte de materiais para o monumento *6; 29 outubro - conclusão da construção do monumento, orçada em 647.730$22, 530.628$99 gastos em Lisboa, dos quais 180.710$80 de prestações aos autores, 169.000$00 em cantarias de granito e relevos, e 111.500$00 para a execução da estátua terminal, e 117.101$23 despendidos na então Lourenço Marques, com fundações, assentamento e outras despesas; do valor total, 391.863$91 são obtidos na subscrição efetuada em Moçambique; 11 novembro - inauguração do monumento; 2011, fevereiro - o monumento faz parte de uma lista de 200 imóveis de Maputo ("Catálogo dos Edifícios e Espaços Urbanos Propostos para a Classificação") para os quais a Faculdade de Arquitetura e Planeamento Físico da Universidade Eduardo Mondlane irá propor a classificação.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante.

Materiais

Estrutura em pedra de "Cabris" *7.

Bibliografia

AFONSO, Aniceto, e GOMES, Carlos Matos - Portugal e a Grande Guerra. Vila do Conde: Editora Verso da História, 2014; BARROS, Victor - «Portugal e as Comemorações aos Mortos da Grande Guerra em Angola e Moçambique». In Revista Portuguesa de História. 2015, tomo XLVI, pp. 301-325; CORREIA, Sílvia - Políticas da memória da I Guerra Mundial em Portugal 1918-1933: entre a experiência e o mito. Dissertação de Doutoramento apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, texto policopiado, 2010; Comissão dos Padrões da Grande Guerra. Padrões da Grande Guerra, Consagração do Esforço Militar de Portugal, 1914 - 1918. (Relatório Geral da Comissão) 1921-1936. Lisboa: 1936; «Cronologia da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial» in (http://www.arqnet.pt/portal/portugal/grandeguerra/pgm1910.html), [consultado em março 2017].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

DGPC: SIPA; Arquivo Histórico Ultramarino: Agência Geral do Ultramar

Documentação Administrativa

Comissão dos Padrões da Grande Guerra. Relatórios da Comissão Executiva de 1922 a 1936

Intervenção Realizada

Observações

*1 - As antigas armas de Portugal já não percetíveis por terem sido propositadamente picadas; também na parte inferior da face frontal existem indícios de algo ter sido ocultado com argamassa. *2 - Segundo a memória descritiva do projeto aprovado «O monumento, que será construído em pedra de «Cabris», de tonalidades cinzentas e escuras, que bem dominam o ceu forte das paragens ardentes do continente africano, assenta numa base simples, soerguida a pouca altura do solo, sem necessidade de grande elevação para base, a fim de mostrar, altiva e dominante, a figura da Pátria que, por si só e pelo seu nome se avoluma do solo magestosa e augusta. Ladeiam a base onde assenta a figura da Pátria, quatro baixos-relêvos representando a acção heroica dos nossos exércitos de terra e mar, que brilhantemente se sacrificaram pelo amor da Pátria; estes quatro baixos-relêvos no sentido espiritual representam a luta e o sacrifício das fôrças armadas e no sentido construtivo, os contrafortes, os pontos de resistência, que levantam a Pátria acima do seu nível e acima de tudo; a figura da Pátria Portuguesa, serena e forte, aquela que Camões cantou e a quem nos orgulhamos de chamar nossa Mãe. Estes baíxos-relêvos, onde estão vincados os perfis e atitudes guerreiras dessa valente «tropa de África», dêsses herois metropolitanos e ultramarinos, irmanados no mesmo pensamento, que se bateram em defesa dum direito e património que a História afirma categoricamente pertencerem-nos, aguentam e amparam o pedestal, que com o seu próprio corpo defendem e elevam aos olhos de todos, o símbolo pelo qual se bateram. Ao alto e dominante, a Pátria; uma Pátria com letra grande, serena, tal como nós a vemos, inteligente e valorosa, ladeada por um lado pela serpente, símbolo do génio, interpretando o valor científico dos nossos navegadores, que partiram para os mares, alargando a «fé e o Império» e símbolo também dêsse «engenho e arte» que Camões pediu às musas para cantar as glórias da nossa terra; e pelo outro, a espada e o escudo, símbolos da fôrça e que tão bem manejamos como a pena, uma escrevendo a sangue o nosso nome, a outra escrevendo a ouro as nossas glórias e o heroismo, que oitocentos anos não conseguiram ainda envelhecer. A mão direita da Pátria, aquela que afaga o coração, quando se sobressalta ou quando vibra de emoção, levanta orgulhosa ao alto o Padrão, símbolo do pequenino triângulo de Kionga, nesga de terra, que por ser nossa e por nos ser tirada, obrigou a tantos sacrifícios, até ao momento em que a valentia portuguesa a entregou solénemente na mão forte de Portugal. O monumento levará na frente e gravada na pedra, como legenda acessível da idéa que representa: «Ao esfôrço heroico das Tropas Portuguesas. Na parte posterior leva inscritas as datas de 1914-1918, início e fim da conflagração europeia» (CPGG, 1936, pp. 118-119). *3 - Em 12 de novembro, desconhecendo o armistício, o General Lettow-Vorbeck ainda trava o combate de Kasama na Rodésia. Só em 13 de novembro as forças alemãs se rendem, apresentando então um efetivo de 156 militares europeus, 1156 ascaris e 1598 carregadores e numeroso armamento, entre o qual, algum capturado às forças portuguesas. A campanha da África Oriental Alemã na Grande Guerra foi a única campanha colonial da guerra em que a Alemanha não foi derrotada, em muito, devido ao génio militar do seu comandante. *4 - No convite referia-se que o monumento «evocará o magnífico esforço colectivo da Nação, intervindo na Grande Guerra; exaltará o heroísmo de marinheiros e soldados europeus e dos valorosos e dedicados soldados africanos, que sustentaram a longa e áspera campanha nos vastos territórios do norte de Moçambique; e não esquecerá a reconquista do minúsculo triângulo de Quionga, além Rovuma, única recompensa territorial que foi a inequívoca demonstração de que a nossa intervenção, decidida pelo Governo da República, era indispensável para a afirmação, em face das potências, de que o povo português adquiriu com grandes sacrifícios e quere manter o seu extenso domínio colonial em África» (CPGG, 1936, pp. 117-118). *5 - Roque Gameiro e a esposa morrem em acidente de viação na estrada de Sintra, perto de Mem-Martins, a 5 agosto de 1935, três meses antes da inauguração do monumento. *6 - Os 444 volumes de pedra, com um peso total de 271 toneladas foram transportados nos navios «João Belo» da Companhia Colonial de Navegação, e «Nyassa» e «Quanza», da Companhia Nacional de Navegação. *7 - Designação constante do Relatório Geral da CPGG de 1936 (p. 118) que se julga tratar de calcário dolomítico extraído na pedreira de Cabriz, Sintra, já encerrada, e da qual resta apenas como memória, na toponímia local, a Rua da Pedreira, tanto mais que ali se encontra pedra muito idêntica em cor e textura à do monumento.

Autor e Data

João Almeida (Contribuinte externo) 2017

Actualização

 
 
 
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