Ermida de São Julião

IPA.00003165
Portugal, Lisboa, Mafra, Carvoeira
 
Ermida rural de pequena dimensão e feição rustica, construída no século 18 no local de um possível ermitério quinhentista. Apresenta uma planta poligonal, conseguida pela articulação axial de três pequenos corpos retangulares, correspondentes à galilé, à nave única e à capela-mor profunda, mais estreita, com sacristia adossada à esquerda. Fachadas rebocadas e caiadas de branco, e, à exceção das fachadas da galilé, percorridas por faixa azul e flanqueadas por cunhais pintados da mesma cor, todas rematadas em friso e cornija. A fachada principal, orientada a sudoeste, é precedida por galilé fechada, apenas aberta lateralmente, a sul, rematada em empena triangular, apresentando no cunhal do lado direito um relógio de sol cúbico. O interior da galilé apresenta um revestimento murário a painéis de azulejo policromos, neoclássicos, da segunda metade de Setecentos, representando motivos vegetalistas, sob moldura de cercadura azul e sobre alto rodapé de esponjados, com almofadas marmoreadas a amarelo e rosetões centrais. Na parede nascente, fachada principal da ermida, envolvido na decoração azulejar encontra-se o portal de acesso à nave, em cuja verga se encontra inscrita a data da campanha construtiva (1758) e, ao centro um emblema formado por uma coroa, atravessada por uma palma e uma espada. Por cima, uma cartela em azulejo exibe a figuração dos patronos da ermida, São Julião e Santa Basilissa. O interior, de nave única e capela-mor, com coberturas diferenciadas de madeira em masseira, apresenta as paredes murárias totalmente preenchidas com painéis de azulejo figurativo barroco, em três registos, numa iconografia que reflete a sua dedicação a São Julião e a Santa Basilissa, cujos episódios são identificáveis por cartela com legenda. As molduras denotam a linguagem neoclássica, com uma ornamentação mais leve e delicada. Ainda na nave encontra-se um púlpito de madeira e o coro, assente sobre mísulas de cantaria. Por fim, na capela-mor, salienta-se o retábulo com as imagens estofadas de São Julião e Santa Basilissa. Uma última referência para a sacristia, cujo revestimento azulejar azul e branco deverá ser anterior ao da nave, e representa episódios da Paixão de Cristo.
Número IPA Antigo: PT031109020013
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta poligonal, composta pela articulação axial de tês corpos retangulares escalonados, de um só registo, correspondentes à galilé, à nave e à capela-mor, a que se adossam, a norte, o retângulo da sacristia, e outros dois corpos retangulares, mais pequenos e de construção mais recente. Fachadas rebocadas e caiadas de branco, e, à exceção das fachadas da galilé, percorridas por faixa azul e flanqueadas por cunhais pintados da mesma cor, todas rematadas em friso e cornija. Coberturas telhadas a duas águas, sendo a da sacristia e corpos anexos a uma só água. Fachada principal orientada a sudoeste, precedida de galilé fechada, apenas aberta lateralmente, a sul, rematada em empena triangular, apresentando no cunhal do lado direito um relógio de sol cúbico, deixando visível a empena da nave, vazada por óculo e decorada por elementos decorativos escalonados, coroada no topo por uma cruz latina. Fachada lateral esquerda voltada a noroeste, encoberta por pequenos edifícios residenciais unifamiliares, percorridos por faixa azul, rematados em beirada simples, e rasgados por vãos retilíneos com moldura de cantaria simples. Fachada lateral direita voltada a sudeste, dividida em três panos, correspondentes aos três corpos escalonados, com os panos da nave e capela-mor percorridos por canteiros de flores e rasgados por janelas retilíneas com molduras recortadas, protegidas por gradeamento de ferro pintado de preto, e o da galilé rasgado por um vão de verga reta protegido por portão de ferro pintado de preto, ladeado por duas janelas retilíneas protegidas por gradeamento do mesmo material, separadas do vão central por colunelos de fuste liso, com base e capitéis sem decoração. Fachada posterior cega, em empena, flanqueada por cunhais, percorrida por bailéu, articulando, em ângulo, no lado direito, com o corpo da sacristia, rasgado por porta de verga reta com moldura em cantaria. Este pano é rematado em meia-empena, sustentando uma sineira em arco de volta perfeita, sobrepujado por cruz latina. INTERIOR: a anteceder o interior do templo encontra-se a galilé com cobertura em travejamento de madeira, banco corrido de cantaria a toda a volta, e muros revestidos a painéis de azulejo policromos setecentistas, representando motivos vegetalistas, sob moldura de cercadura azul e sobre alto rodapé de esponjados, com almofadas marmoreadas a amarelo e rosetões centrais. Na parede nascente, envolvido na decoração azulejar encontra-se o portal de acesso à nave e, sobre este, uma pequena moldura oval, dentro da qual se encontra a representação de São Julião, Santa Basilissa e da pomba do Espírito Santo. O portal é de verga reta e moldura recortada, rematada por cornija saliente, sob a qual surge no entablamento, ao centro, uma coroa de acantos atravessada por espada, ladeada por inscrição. O vão é protegido por duas folhas de madeira almofadadas, pintadas de castanho. A ladear, encontram-se duas janelas de verga reta com moldura de cantaria simples, protegidas por gradeamento de ferro pintado de preto e por postigos de uma folha de madeira pintados de castanho. Na parede fronteira ao portal principal localiza-se uma lápide poligonal com inscrições e desenhos. O templo é de nave única e capela-mor profunda, retabular, teto de masseira, em três panos, com caixotões pintados e pavimento de lajeado calcário. As paredes murárias são totalmente revestidas a azulejo, centralizadas por painéis de azulejo azul e branco, de composição figurativa, representando cenas da vida de São Julião e Santa Basilissa, que se desenvolvem em três registos, simulando uma decoração arquitetónica, esta em tons de amarelo, simulando molduras de cantaria decoradas de motivos vegetalistas com festões de flores e folhagem. Sensivelmente ao centro da nave, no lado do Evangelho, encontra-se adossado um púlpito quadrangular, com bacia em cantaria, com guarda plena em madeira sustentado ilusoriamente por duas figuras atlantes, em trompe l'oeil, representadas no revestimento de azulejos, que se voltam a repetir no lado da Epístola, servindo de suporte à janela. Ainda no lado da Epístola, encontra-se o portal axial ladeado por pia de água benta em forma de concha de mármore. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras almofadadas, com fecho saliente e recortado, apresentando-se sobre ele, um pequeno registo azulejar figurativo, do orago, segurando a palma do martírio, ladeado por anjos que suportam grinaldas de flores caídas lateralmente em festões. Capela-mor profunda, centralizada por retábulo de talha policroma, sobre supedâneo de dois degraus, de corpo reto e dois eixos verticais definidos por quatro pilastras decoradas por motivos vegetalistas, assente em plintos paralelepipédicos, prolongando-se em duas arquivoltas, unidas no sentido do raio, constituindo o remate. Ao centro, nicho de volta perfeita, com o interior decorado por motivos vegetalistas e banco decorado por motivos geométricos, encerrando as imagens de vulto de São Julião e de Santa Basilissa, ambas do séc. 18 / 19. No frontal de altar um Cristo crucificado setecentista. Sotobanco em forma de urna, com o frontal ornado por cruz aguçada. No muro, do lado do Evangelho, porta de verga reta de acesso à sacristia; esta apresenta as paredes totalmente revestidas a azulejo seiscentista, azul e branco, representando cenas da Paixão de Cristo. Ainda na capela-mor, na parede nascente existe o que resta de um lavabo, em cantaria que exibe arco de volta perfeita e, um nicho retilíneo com cercadura e interior revestidos a azulejo. Junto à porta que faz ligação às dependências, conserva-se um arcaz de madeira, perto do qual se situa uma pia de água benta, semelhante à que se encontra a ladear o portal principal. Conserva confessionário. As dependências são intercomunicantes e desenvolvem-se adossadas à fachada lateral esquerda da nave, apresentando paredes rebocadas e pintadas de branco e escadas de madeira de acesso ao piso superior que conduzem ao coro-alto e ao púlpito. Adossado à parede fundeira, coro-alto de madeira, assente em mísulas de cantaria, com guarda de madeira torneada, a que se tem acesso através das dependências. Frente à fachada principal encontra-se, sobre soco de três degraus, um cruzeiro em calcário, composto por plinto paralelepipédico com inscrições, onde se situa painel de azulejo muito degradado, apresentando na base uma inscrição e o que resta de uma caixa de esmolas, e coroado por uma cruz boleada. Na parede do cruzeiro, revestimento parcial de azulejos de figura avulsa.

Acessos

Lugar de São Julião, a c. 3 km a sul da Ericeira. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,935462; long.: -9,419652

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 42 007, DG, 1.ª série, n.º 265 de 06 dezembro 1958 *1

Enquadramento

Urbano, destacado, adossado. Localizada no cimo da falésia, a norte da praia de São Julião, no fundo de um terreiro delimitado pelas edificações outrora destinadas a acolher peregrinos, ao centro do qual existe, sobre um soco de dois degraus de betão, uma placa com inscrição de feitura recente: "LANÇAMENTO DA PRIMEIRA PEDRA PARA O CRUZEIRO DE 1794 IGUAL AO DA SERRA DE SÃO JULIÃO COM A PRESENÇA DO GOVERNADOR CIVIL DE LISBOA E PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE MAFRA 21-06-86". Frente à fachada principal, a ocidente, junto ao muro de delimitação da falésia encontra-se, sobre soco de três degraus, um cruzeiro em calcário. Junto à fachada lateral esquerda, adossadas ao corpo da sacristia, encontram-se duas pequenas casas de habitação. A fachada posterior da ermida confronta com algumas pequenas edificações, numa das quais se encontra uma placa com a inscrição "CAZA DOS LEILOIS DE SÃO JULIAM 1785". Nas proximidades localizam-se, a sul, junto à praia, a Colónia de Férias de São Julião (v. IPA.00021151) e, a meia encosta, a Fonte de São Julião (v. IPA.00025449).

Descrição Complementar

Inscrição gravada numa lápide sobre a porta da galilé: "As obras de beneficiação desta Capela foram executadas pela LIGA dos AMIGOS de S. JULIÃO com a colaboração do Prior da Ericeira e C. M. Mafra 31-12-1984". Em frente ao portal principal, inscrição gravada numa lápide poligonal delida. Gravada no entablamento da porta de acesso ao interior, inscrição comemorativa da reedificação da ermida "MDCCLXVIII".

Utilização Inicial

Religiosa: capela / ermida

Utilização Actual

Religiosa: capela / ermida

Propriedade

Privada: Igreja Católica

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

séc. 16, segunda metade - encontra-se, neste local, já edificada uma primitiva ermida, embora não seja de excluir a anterior existência de um anterior culto a São Gião neste mesmo local; 1554 - 1585 - é aqui ermitão Mateus Álvares, terceirense, monge capuchinho em Sintra, que abandonando o hábito, aqui se refugia, tornando-se ermitão, com grandes parecenças físicas com D. Sebastião, faz-se passar pelo rei desaparecido em Alcácer Quibir, ficando para a história com o epíteto de "Rei da Ericeira" *2; séc. 17 - as paredes da atual sacristia são revestidas por azulejos figurativos policromos, azuis e brancos, com cenas da vida de Cristo, sendo de supor que a primeira ermida de São Julião se limitasse a este espaço; séc. 18 - reedificação da ermida, na sua atual feição, para o que terão sido fundamentais as esmolas oriundas dos diversos círios que aqui acorriam; 1754 - colocação do relógio de sol; 1758 - de acordo com a informação contida nas Memórias Paroquiais do Reguengo da Carvoeira, a ermida, pertença dos fregueses, acolhe romarias em três datas, 07 janeiro, em honra do patrono, no domingo anterior ao dia de Santo António e no primeiro domingo do mês de setembro, o chamado "Círio da Água Pé" *3; 1760, 04 novembro - de acordo com a informação contida nas visitações desta data, a ermida mantém-se sufragânea da Matriz de Cheleiros (IPA.00003045), não obstante o facto da paroquial da Carvoeira, a Igreja de Nossa Senhora do Ó (IPA.00006380), se desvincular da matriz; o ermitão é, assim, da apresentação do prior de Cheleiros, responsável, igualmente, pela gestão das suas verbas (provindas das esmolas), as quais se destinam à manutenção da ermida e das casas de romagem que lhe são anexas; 1765, 30 julho - morre, no Hospital da Santa Casa da Misericórdia da Ericeira, João Fernandes, ermitão de São Julião, sendo sucedido no cargo por Manuel Teixeira, a quem deixa o capote de ourelo; deixa, ainda, além de 20.000 reais para o "frontal e vestimento da capela de São Julião", um legado de 18.000 reais para lajear a ermida e adquirir para a mesma "ornamento roxo"; 1765 - gravura representando São Julião e Santa Basilissa, de pé, em corpo inteiro, nimbados e segurando grandes palmas, ladeando dois anjos e sobrevoados pela pomba do Espírito Santo, com uma cartela onde figura o texto "Imagens dos ditosos consortes, e gloriosos martyres São Julião e Santa Bazalissa que se veneram na sua ermida de Nossa Senhora do Porto da Carvoeira", autoria de Lourenço Lopes, escultor local; 1768 - conclusão da obra de reedificação da ermida, de acordo com inscrição no seu pórtico; 1784 - colocação do cruzeiro de fronte do templo, sobre uma falha geológica, no local onde a tradição diz se ter salvo milagrosamente um gaiteiro que encabeçava o "círio da água pé" e que aí terá caído; cruzeiro incluído no designado "Caminho das Almas" *4; 1788 - edificação da fonte (com azulejos alusivos ao orago) na proximidade da ermida; 1784, 26 - 27 abril - durante a noite a ermida é assaltada, arrombados dois cofres com esmolas, que desaparecem, assim como a banqueta de metal branco e dourado que estava sobre o altar, avaliada em 9.000 réis, e uma toalha de linho que se encontrava no sacrário da sacristia, orçada em 500 réis (AHMM: Tribunal de Mafra, Autos Crimes de Querela acerca do arrombamento e roubo na ermida de S. Julião, 1874); 1841 - é criada a Irmandade de São Julião sedeada na ermida homónima; 1855, 24 fevereiro - por alvará do regente D. Fernando de Saxe-Coburgo Gotha (1816 - 1885), as irmandades de São Julião e de Santo António são incorporadas na Confraria do Santíssimo Sacramento da Carvoeira; 1958, 15 janeiro - a Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais propõe a sua classificação; 06 dezembro - a ermida e o cruzeiro são classificados como Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 42 007, DG, 1.ª série, n.º 265; 1961 - ermida ameaçava ruína, apresentava falta de barrotes e telhas apoiadas em ripas já podres, as infiltrações de água punham em risco os painéis de azulejos e as paredes exteriores estavam carcomidas deixando ver o aparelho; é restaurado o fontanário próximo; 1984, 09 agosto - é formalmente instituída a Liga dos Amigos de São Julião, associação que toma a seu cargo algumas obras de beneficiação na ermida; 1990 - a ermida, e as casas de romeiros, encontram-se em perigo de ruina motivada pela erosão da arriba que lhes serve de suporte; interiormente também o teto da capela-mor e os azulejos da galilé necessitam de intervenção; 1995 - decorrem obras de conservação na capela com substituição da porta exterior da capela e do teto em dependências anexas.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria mista; pilastras, pavimento, relógio de sol, canteiros, banco da galilé, modinaturas, mísulas, lavabo da sacristia, bacia do púlpito, colunelos em cantaria de calcário; coberturas internas, portas, arcaz da sacristia, confessionário, postigos, coro-alto, guarda do púlpito, escadas em madeira; gradeamentos e lemes de ferro; revestimento das paredes interiores em azulejo; retábulo-mor em talha policroma; coberturas exteriores em telha; janelas com vidro simples.

Bibliografia

ALMEIDA, José António Ferreira de (dir. de) - Tesouros Artísticos de Portugal. Lisboa, 1976; ALMEIDA, Raúl de - “A Ermidinha de São Julião: Os Círios”. Boletim da Junta de Província da Estremadura. Lisboa: Junta de Província da Estremadura, 1950, n.º 23, pp. 77-78; AAVV - O Falso Dom Sebastião da Ericeira e o Sebastianismo. Mafra: Câmara Municipal de Mafra, 1998; AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de - Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa. Lisboa: Junta Distrital de Lisboa, 1963, vol. III; CARDOSO, Luiz - Diccionario Geografico ou Noticia histórica de todas as cidades, vilas e lugares …. Lisboa, Regia Oficina Silviana, 1751, vol. 2; CORDEIRO, Roberto - Mafra: Memorial do Concelho. Diário de Notícias. Lisboa, 08.08.1983; FERNANDES, Paulo, Almeida; VILAR, Maria do Carmo - Identidades: património arquitectónico do Concelho de Mafra. Mafra: Câmara Municipal de Mafra, 2009; GANDRA, Manuel J. - Carvoeira de Lés a Lés. Mafra; Rio de Janeiro: Instituto Mukharajj Brasilan & Centro Ernesto Soares de Iconografia e Simbólica-Cesdies, 2014; LUCENA, Armando de - Monografia de Mafra. Mafra: Comissão Municipal de Turismo, 1987; LOPES, Flávio, (coord. de) - Património Arquitetónico e Arqueológico Classificado. Distrito de Lisboa. Lisboa: IPAAR, 1993; PEREIRA, Gabriel - A Villa da Ericeira. Lisboa: Typ. Do Dia, 1903; PEREIRA, Gabriel - Pelos Subúrbios e Visinhanças de Lisboa. Lisboa A. M. Teixeira & Companhia, 1910; PROENÇA, Raul (dir. de) - Guia de Portugal. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1924, vol. I; Ericeira e a Sua Área de Turismo. Lisboa: Bertrand, 1931; PEREIRA, João Castel-Branco (coord.), Cerâmica Neoclássica em Portugal, Lisboa, 1997; Guia do Concelho de Mafra, www.mafra.net , 4 de Abril 2007.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

DGPC: PT DGEMN/DSID; PT DGEMN/DSMN

Documentação Administrativa

DGPC: PT DGEMN/DSMN

Intervenção Realizada

LIGA DOS AMIGOS DE SÃO JULIÃO: 1983 - restauro da capela; 1984 - obras de beneficiação da ermida; 1995 - substituição da porta exterior da capela; substituição de tecto em dependências anexas.

Observações

*1 DOF: Ermida de São Julião recheio de azulejos e o cruzeiro anexo; *2 Mateus Álvares, o Rei da Ericeira, nasceu na praia da Vitória, na ilha Terceira, nos Açores, filho de um pedreiro, ingressou na vida religiosa e, nessa qualidade, veio para o continente, tendo ingressado no Convento de Santa Cruz na serra de Sintra. Porém, não se adaptou à vida monástica e acabou por abandonar o cenóbio para se refugiar em São Julião como ermitão. As suas parecenças físicas com o monarca luso desaparecido em Alcácer Quibir, levaram a que fosse tomado por D. Sebastião e formado uma corte na Ericeira, a partir de onde organizou um grupo de resistência ao domínio filipino. Foi preso e executado, sendo a revolta abortada com morte de muitos dos seus apoiantes sepultados junto da Igreja da Senhora do Ó; *3 este círio, oriundo da Ribeira de Pedrulhos, Torres Vedras, chegava no dia de São Jerónimo (30 de setembro) à Ericeira, dirigindo-se depois a São Julião, onde chegava a um sábado, dava três voltas ao templo, festejava no domingo, em honra de São Julião e santa Basilissa, e partia na segunda-feira. A ele acorria gentes da Carvoeira, Pobral, Baleia, Varatojo, Ribeira de Pedrulhos, etc; * 4 na freguesia da Carvoeira existe um conjunto de cruzeiros devocionais dos séculos 17 / 18 de que subsistem cinco exemplares, sendo o mais antigo, datado de 1668, o fronteiro à Igreja de Nossa Senhora do Ó (IPA.00006380), seguido de São Julião (1784), monumentalizado com painéis azulejares, modelo seguido pela Cruz das Alminhas (1779), no caminho para a Senhora do Ó, Valbom (1794), isolado na costa de São Julião, e Nossa Senhora da Lapa (1757). O último, já do século 19 (1880), o da Burrinha, concebido como ex-voto popular pela salvação de uma menina de sete anos, Guilhermina, que foi arrastada até àquele local por uma burra, desde a povoação da Baleia.

Autor e Data

Paula Noé 1991 / Teresa Vale e Carlos Gomes 1995 / Rute Antunes 2007 / Paula Tereno 2018

Actualização

 
 
 
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