Igreja Paroquial de Santa Cruz

IPA.00000311
Portugal, Beja, Almodôvar, Santa Cruz
 
Arquitectura religiosa, manuelina. Igreja paroquial de três naves com cobertura em madeira, capela-mor com abóbada estrelada e ábside facetada. Decoração naturalista das arquivoltas do portal e dos capitéis das colunas, recorte da verga da porta travessa, modinatura dos contrafortes da capela-mor e remate com merlões chanfrados de cariz manuelino. A capela-mor de ábside facetada repete ainda modelos arcaizantes, característicos do gótico. Pinturas murais e esgrafitos renascentistas na capela-mor; pinturas murais da capela lateral seiscentistas. As pinturas murais do interior, em particular o esgrafito renascentista da capela-mor de desenho de grande qualidade. A representação iconográfica de "Cristo no Horto" é pouco comum visualizando a Hematidrose de que padecia (doença pela qual o suor é transmudado em sangue) Cristo.
Número IPA Antigo: PT040202050001
 
Registo visualizado 366 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal, composta por nave rectangular com pequenas capelas laterais e torre sineira de planta quadrangular adossada a N., cabeceira poligonal de 3 panos e sacristia rectangular a N.. Volumes escalonados com cobertura diferenciada em telhado, sobre a igreja, em coruchéu prismático sobre a torre sineira. Fachada principal orientada, de pano único em empena, rasgado por portal de verga redonda com 3 arquivoltas de colunelos torsos; torre sineira lateral de dois registos definidos por friso, rasgada superiormente por ventanas de verga redonda e rematada nos ângulos por pináculos prismáticos sobre acrotérios; na fachada posterior o volume mais baixo da capela-mor, facetada, marcada por contrafortes escalonados em 3 andares, rematados por pináculos cónicos com merlões chanfrados; fachada lateral S. marcada pelo balanço da capela e rasgada por porta de vão rectangular. INTERIOR: 3 naves de 4 tramos, a central 3 vezes maior que as laterais, separadas por arcos quebrados sobre colunas de cantaria com capitéis relevados com motivos naturalistas e ábacos prismáticos; cobertura de madeira de masseira na nave central e de uma água nas laterais; pavimento desnivelado, marcado por degraus; nos alçados laterais bancos corridos, de alvenaria rebocada, capeados a tijoleira; junto às colunas da entrada pias de água benta talhadas numa só pedra. Do lado da Epístola porta travessa de verga recortada e capela lateral abrindo por arco redondo sobre pilastras; apresenta a cobertura e os alçados laterais, ao nível superior, decorados com painéis de pintura mural figurando respectivamente, do lado esquerdo "A Flagelação de Cristo", à direita, presumivelmente, "Cristo perante Herodes" e na abóbada "Cristo rezando no Horto"; as pilastras e o intradorso do arco apresentam decoração em esgrafito, a preto e branco, figurando ornatos de carácter vegetalista e carrancas, dispostos em quadrícula. Do lado do Evangelho, capela baptismal, púlpito redondo com grade de madeira e acesso por porta simples; capela lateral aberta por arco redondos sobre pilastras com retábulo de talha dourada enquadrando tábuas figurando São Miguel e as almas e São João Baptista. Arco triunfal quebrado sobre colunas, rasgado em alçado decorado por pintura mural figurando vasos de flores sobre peanhas. Altares colaterais de talha dourada. Capela-mor com cobertura em abóbada estrelada apoiada em mísulas, com fechos relevados com as armas de Santiago; os panos da ábside apresentam vestígios de pinturas murais e esgrafitos enquadrando o brasão pintado, esquartelado, de D. Violante Henriques. Na sacristia um lavabo datado de 1681, com o emblema da Ordem de Santiago *1.

Acessos

Rua de Santa Cruz

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 40 361, DG, 1.ª série, n.º 228 de 20 outubro 1955

Enquadramento

Rural, isolado, num vale rodeado por terrenos agrícolas. Em redor as ruínas da Capela de São Bento e um altar com uma imagem, junto a uma fonte e lavadouro público.

Descrição Complementar

Pinturas murais no interior: nos painéis figurativos da capela lateral do lado da Epístola predominam os tons vermelhos e cinza para os segundos planos, os rosas, avivados por vermelhos, para as carnações e cabeleiras, os brancos, ocres e verdes para as vestes; as arquitecturas de fundo acompanham a natural curvatura dos muros na zona de recepção da abóbada; apresentam molduras fingidas, pintadas a cor ocre com veios a vermelho sinopia; interligando as molduras dos painéis dos alçados com as do painel da cobertura, friso disposto em três faixas figurando, a central, elementos vegetalistas entrelaçados a cor verde, vermelho, ocre e cinza em fundo neutro e, as faixas laterais, pequenas flores brancas sobre fundo negro e laçarias a vermelho. Na capela-mor figuram-se, nos panos laterais, faixas de carácter geométrico e vegetalista de losangos, entrelaçados e rosetas a cor cinza, ocre e vermelho sinopia sob fundo branco; são enquadradas por molduras simples a cor amarela delimitada a negro; divisa-se ainda pequeno painel representando Santa Luzia e Santa Apolónia; predominam os vermelhos, ocres e pretos; no pano central esgrafito a cinza e branco figurando grutescos ladeando brasão esquartelado: no 1º e 4º quartéis as armas dos Silveira e no 2º e 3º as dos Henriques; um dos esgrafitos encontra-se inacabado apresentando-se apenas a nivel de desenho.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Beja)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

Séc. 16, inícios - data provável de construção da igreja, muito provavelmente no âmbito do mecenato empreendido por D. Fernão ou Fernando de Mascarenhas (capitão dos ginetes de D. João II e de D. Manuel, alcaide-mor de Montemor-o-Novo e de Alcácer do Sal, e comendador de Mértola e de Almodôvar), ou por sua mulher, D. Violante Henriques *2; 1501 - morte de D. Fernandode Mascarenhas; 1681 - data do lavabo da sacristia; séc. 17 / 18 - remate da torre sineira e construção da sacristia; Séc. 18, início - destruição da torre do relógio; 1740 - data inscrita na soleira da porta da sacristia.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes; estrutura mista.

Materiais

Estrutura de alvenaria rebocada; cobertura de telha assente em madeira. Tectos de madeira. Pavimento de tijoleira. Colunas e molduras em cantaria. Pinturas murais e esgrafitos.

Bibliografia

CAMPOS, Correia de, Arqueologia Árabe em Portugal, Lisboa, 1965.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; Arquivo "Mural da História"

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

DGEMN: 1962 - reconstrução da cobertura das naves; 1966 - reconstrução das coberturas da ábside e sacristia; 1968 - restauro exterior, assentamento de portas; reconstrução dos merlões da capela-mor; 1981 - reparação de coberturas, assentamento de portas, reparação de rebocos nas naves; 1982 - reparação de pavimentos, rebocos interiores e tectos.

Observações

*1 - tinha 2 torres no frontespício; *2 - D. Violante Henriques era filha de Fernão da Silveira, fidalgo e Escrivão da Puridade de D. Afonso V, e de D. Isabel Henriques, descendente de D. Henrique I de Castela, cujo panteão se encontra na Igreja Matriz de Alcáçovas (v. PT040713010007); mesmo após a morte do marido, a actividade mecenática de D. Violante Henriques foi assinalável, sendo-lhe ainda devida a fundação do Convento de Santo António de Alcácer do Sal, em 1524-1528 (v. PT041501030005); na Igreja de Nossa Senhora do Espinheiro (v. PT040705150031) encontra-se a campa funerária de D. Violante e seu marido, na qual figuram as armas de ambos, idênticas às pintadas na ábside da Igreja de Santa Cruz.

Autor e Data

Isabel Mendonça 1994 / Rosário Gordalina 2001

Actualização

 
 
 
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