Aglomerado urbano da cidade de Lisboa

IPA.00030998
Portugal, Lisboa, Lisboa, Avenidas Novas
 
Aglomerado urbano capital nacional, sede municipal e distrital, centro de área metropolitana regional. Cidade situada em estuário, com núcleo urbano formado em colina sobranceira ao rio Tejo com ocupação sucessiva de tribos autóctones, fenícios, romanos, visigodos, muçulmanos e cristãos. Cidade medieval de jurisdição régia com castelo, cerca urbana e arrabalde, implantada sobre cidade portuária romana e oppidum adaptado a al-qasbah (alcáçova), tornando-se a cidade principal do reino desde o reinado de D. Afonso III. A persistência da matriz romana na rede viária é ainda identificável, tal como a vocação portuária que esteve na raiz da formação urbana. Imagem urbana estabilizada desde o século 16, focada na frente ribeirinha e na sequência de colinas e linhas de vale, polarizada pelo Terreiro do Paço (manuelino) / Praça do Comércio (pombalina). Crescimento ao longo da época moderna (pré-industrial), segundo eixo estruturante ocidental paralelo ao rio, conjugando unidades morfológicas de traçado planeado / regular (Bairro Alto, Madragoa, Lapa) com unidades de crescimento linear atraídas por casas conventuais, paços régios e senhoriais. Impacto pontual de alguns objectos arquitectónicos onde se observa uma intenção barroca de cenografia urbana, em grande parte desaparecido com o Terramoto de 1755. Processo de reconstrução pombalina conduzido pela engenharia militar portuguesa, permitindo articulação com tecidos preexistentes na área central e propondo o planeamento de outras áreas dentro do perímetro urbano correspondente à primeira linha de circunvalação. Primeira expansão contemporânea oitocentista marcada pela abertura de grande avenida perpendicular ao eixo de crescimento paralelo ao rio (com influência do conceito de boulevard) e segundo antigos caminhos para Norte, e planeamento de novas áreas residenciais com traçado geométrico (Avenidas Novas), reflectindo influência parisiense (Haussmann), acompanhada por aterro para infra-estruturas portuária e ferroviária, encanamento de ribeiras e primeira implantação de unidades fabris. Segunda expansão contemporânea em meados do século 20 (Estado Novo) com recurso ao planeamento global da cidade (plano diretor de urbanização) com implicações regionais, acentuando preocupação com organização da rede viária hierarquizada à escala concelhia e introduzindo fortes eixos circulares sobre anteriores linhas de circunvalação. Intensa campanha de construção de equipamentos públicos e bairros planeados, muitos dos quais de habitação económica. Décadas de 60 a 90: expansão da cidade objecto de planos sectorais (a par do plano diretor), com grande impacto da urbanização privada de quintas na zona periurbana. Crescimento da área metropolitana com o fenómeno da expansão suburbana conjugando-se com as grandes estruturas rodoviárias de atravessamento. Recente valorização dos núcleos antigos e da frente de rio.
Número IPA Antigo: PT031106011720
 
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Registo

 
Conjunto urbano  Aglomerado urbano  Cidade  Cidade medieval  Cidade fortificada  Régia (D. Afonso Henriques)

Descrição

O actual perímetro urbano da cidade, confinante com as zonas urbanizadas dos concelhos limítrofes, integra áreas muito diferenciadas na sua génese e estrutura morfológica. Identificam-se cinco grandes áreas definidas por uma referência geográfica básica, considerando a conjugação dos limites geofísicos com a evolução urbanística, e tomando como recorte mais estrito as principais linhas de vale e as vias públicas que as acompanham ou dão continuidade. Lisboa Central ou Área do Centro de Lisboa (v. IPA.00034034) integra as áreas com a malha mais consolidada, incluindo desde o primeiro núcleo de povoamento até à expansão do século 19 e meados do século do 20, quando ainda se aplicava o princípio do traçado urbano definido pela relação entre a rua e o quarteirão edificado. Considera-se a área circunscrita pela via pública à cota baixa correspondente à linha da primeira Estrada da Circunvalação, via implantada sobre o perímetro da cintura defensiva projectada no século 17. A Área de Lisboa Ocidental (v. IPA.00034037) manteve o carácter rural do termo da cidade, separada pelo vale da ribeira de Alcântara, linha de água que contorna esta área a N., aqui se incluindo o Parque Florestal do Monsanto. O processo de urbanização iniciou-se a partir de pequenos núcleos costeiros, conhecendo depois um crescimento linear, constituindo ainda actualmente uma parte da cidade com espaço edificado pouco denso, mas objecto de operações de planeamento urbano contemporâneo. A Área de Lisboa Oriental (v. IPA.00034036) conheceu um crescimento urbano ainda mais tardio; permaneceu até à 2ª metade do século XX como território rural, registando apenas alguns pólos escassamente urbanizados junto à linha de costa, associados à presença de casas conventuais; a topografia obrigou à inflexão para o interior pelo vale de Chelas, demarcando-se a partir daí a Área de Lisboa Norte, através do eixo fundamental que liga o centro da cidade à auto-estrada do Norte (A1). A vasta área consolidou a tendência lisboeta para um crescimento linear costeiro através da implantação de unidades industriais do século 20; foi também alvo de importantes experiências urbanísticas (Olivais e Chelas). Recentemente viu a sua área alargada na frente de rio até Sacavém, por via da alteração das circunscrições administrativas. A Área de Lisboa Norte (v. IPA 0034038) constitui também uma grande área incorporada no perímetro urbano de Lisboa apenas na Contemporaneidade, caracterizando-se pela persistência desarticulada de antigos núcleos do hinterland rural, quintas e novas urbanizações, apesar de integrar algumas grandes zonas de expansão planeada (Alvalade e Telheiras). Agrega ainda importantes infra-estruturas rodoviárias, ferroviárias e aeroportuárias. Apesar da divisão operativa da cidade por áreas geográficas, a estrutura urbanística de Lisboa revela traços de unidade, com raízes territoriais antigas, algumas reforçadas e outras alteradas pelas grandes linhas do planeamento urbano contemporâneo. Uma leitura macroevolutiva começa por evidenciar a ocupação inicial do território de Lisboa, ainda na época proto-histórica, tendo como ponto de referência a colina de São Jorge, centro físico e simbólico da génese urbana. Da primeira implantação da Época do Ferro, quando os esteiros circundantes eram ainda navegáveis, os poucos vestígios poderão traduzir-se em caminhos que estarão na origem das principais vias romanas, sendo o uso do porto natural identificado pelo menos desde a presença fenícia. A estruturação urbanística mais evidente deve-se à ocupação romana, associando a colina fortificada (oppidum) à formação de uma cidade portuária dotada de edifícios públicos e cujo tecido urbano, adaptado à irregularidade topográfica, abrangia a vertente S. e O da colina, até atingir o esteiro e a margem do rio. Cruzavam os limites urbanos da cidade importantes ligações à rede viária peninsular, definindo eixos ainda hoje marcados na malha urbana (Mantas, 2012) nas principais ligações E./O. e N./S.*1. A ocupação muçulmana reforçou parte desta estrutura, adaptando a cidade preexistente: terá ocorrido reaproveitamento das muralhas do período tardo-romano ou a construção da própria cerca (cerca velha ou cerca moura); no topo da colina concentraram-se as funções político-administrativas e militares, organizando o recinto da Alcáçova (Al-Qasbah), enquanto a zona da Medina foi ganhando o traçado orgânico que ainda hoje caracteriza a encosta (e o arrabalde de Alfama), mas a vitalidade da urbe não se traduziu em fortes mudanças urbanísticas. É de assinalar o crescimento de arrabaldes e um povoamento difuso na área hoje correspondente ao limite concelhio. Ao longo da época medieval cristã confirmaram-se as anteriores linhas de crescimento, reconfigurando as preexistências da cidade mourisca e seus arrabaldes, adensando-se a ocupação do espaço entre as colinas de São Jorge e de São Francisco. Consolidou-se uma malha irregular, cujos elementos agregadores foram as igrejas paroquiais, mantendo-se a catedral como forte pólo urbano na confluência das principais portas O. da cerca velha. A implantação das grandes casas conventuais (São Vicente de Fora, Carmo, Trindade, São Domingos, Graça) balizam os pontos altos dos arredores, depois incluídos na cerca fernandina (finais do século 14), do mesmo modo que as principais portas se relacionam com a matriz viária mais antiga, contribuindo para a formação de ruas direitas. A regulação dos usos e forma do espaço urbano, desde cedo assegurada pela coroa portuguesa (em parceria subordinada com o poder municipal), confirma o centro simbólico da morada régia principal no Paço da Alcáçova (Castelo de São Jorge), renovado no reinado de D. Dinis. Registam-se alguns realinhamentos viários, destacando-se a abertura da Rua Nova, via larga e paralela à muralha da Ribeira, cujos espaços funcionais foram reorganizados, intervenções que indiciam a transferência da dinâmica urbana para a cidade baixa nas margens do rio. Tendência ampliada no reinado manuelino com a total reorganização da frente ribeirinha, onde se incluiu a construção do palácio real (consagração efectiva e simbólica da mudança do centro de poder político), a que associam outras intervenções estruturadoras da cidade pré-moderna, situando-se a construção naval e os arsenais nos extremos ribeirinhos da cidade consolidada; é de salientar o estabelecimento de uma nova ligação N./S., entre o Terreiro do Paço e o Rossio (onde se edificava o Hospital Real de Todos os Santos) através da Rua Nova del Rei, aberta sobre o leito encanado do esteiro da Baixa (Cano Real), aspecto que se compagina com outros processos de organização da forma urbana, como o alargamento de vias e até mesmo uma sequência de novas operações imobiliárias estruturadas que foram urbanizando a colina O. (Vila Nova do Olival, Vila Nova de Andrade) correspondendo às actuais zonas do Chiado e Bairro Alto e cercanias, ultrapassando os limites muralhados. Fixou-se nesta fase a imagem da cidade portuária entre duas colinas e com a praça aberta ao rio, capital de um império marítimo, aspecto acentuado pela renovação filipina do Paço Real da Ribeira. A formação urbana da área central de Lisboa, em especial o anel de crescimento correspondente à época pré-industrial, reflecte uma estrutura linear dependente de novas ruas direitas resultantes da edificação ao longo de antigos caminhos, estrutura essa relacionada principalmente com três fenómenos. Implantação de edifícios marcantes, alguns paços senhoriais mas em especial casas conventuais, cujas cercas constituíram zonas de reserva, em parte ainda identificáveis no tecido parcelar. Situavam-se preferencialmente ao longo da faixa ribeirinha, mas também na encosta da Cotovia (Companhia de Jesus), destacando-se o pólo beneditino de São Bento da Saúde, a ocupação da vertente S. da colina de Santa Ana, e a profunda remodelação do convento de São Vicente de Fora, destacado no perfil da encosta oriental. Este factor intercala-se com o surgimento de pequenos núcleos de povoamento costeiro (Santos, Mocambo/Madragoa, Alcântara, Belém), ambos os aspectos menos evidentes mas identificáveis no lado oriental (Xabregas, Beato), numa tendência que se acentuará nos séculos 17 e 18, alargando significativamente a área urbanizável ou passível de ser integrada nos limites da cidade. Terceiro factor importante refere-se às diversas acções de rectificação e alargamento viário, reparação dos cais e equipamentos colectivos, um processo paralelo à multiplicação de igrejas na época barroca, em especial os empreendimentos de patrocínio régio. Se a cidade era defendida pelas fortificações costeiras da barra do Tejo, o projecto de construção de nova cerca urbana, em meados do século 17, e de que apenas se construíram alguns baluartes (Alcântara e Santa Apolónia), funcionou como marcação virtual dos limites de Lisboa, muito alargados e mais fluidos a N., seguindo de muito perto a lógica topográfica, base sobre a qual se construiu a primeira estrada da circunvalação oitocentista. O crescimento linear para Ocidente, especialmente reforçado no reinado de D. João V (Palácio - Convento das Necessidades, a par das várias quintas em Belém) e a infra-estruturação hidráulica com a construção do Aqueduto das Águas Livres, constituem alguns dos mais importantes indícios do planeamento urbano setecentista. A ruptura provocada pelo Terramoto de 1755, especialmente visível no traçado ortogonal da Baixa Pombalina e na deslocação da residência régia para o Alto da Ajuda, permitiu a intervenção planeada noutras áreas da cidade (São Paulo, Lapa / Buenos Aires, Praça da Alegria, São Mamede / Salitre, Príncipe Real / São Bento e o Bairro das Águas Livres / Amoreiras). Intervenção dominada pela metodologia urbanística dos engenheiros militares, neste contexto sob a direcção de Manuel da Maia, e que permitiu a cerzidura entre as diferentes unidades morfológicas e o tecido preexistente, como em síntese pode ser entendida a reconversão do Terreiro do Paço em Praça do Comércio, onde a presença régia se restringe à centralidade da estátua equestre. Os ciclos da Guerra Peninsular e das Lutas Liberais, a extinção das ordens religiosas e o processo tardio da industrialização, coincidentes com a concretização parcial dos planos pombalinos e com a reconversão de muitos conventos em equipamentos públicos e/ou colectivos, de que será símbolo maior a instalação das Cortes Constituintes em São Bento (actual Parlamento), constituem aspectos que justificam o facto de somente em finais do século 19 se identificarem novas linhas de expansão urbanística planeada. Verificou-se uma redefinição sucessiva dos limites urbanos com um significativo alargamento do termo e a construção de uma segunda estrada da circunvalação (em parte coincidente com a estrada militar do Campo Entrincheirado de Lisboa). No território do termo subsistiam vários núcleos rurais, antigos mosteiros, casais e quintas (Ameixoeira, Lumiar, Paço do Lumiar, Carnide, São Domingos de Benfica, Benfica) cuja estrutura fundiária em certos casos ainda pode ser reconstituída apesar do processo de urbanização extensiva. A estruturação da primeira expansão contemporânea, enquadrada por um Plano de Melhoramentos, mas sobretudo pela actuação do engenheiro Frederico Ressano Garcia, é marcada pela abertura da Avenida da Liberdade, pretendido boulevard e eixo que direccionou o crescimento para Norte, para onde foram desenhadas as novas áreas residenciais com traçado geométrico (Avenidas Novas), depois das experiências de Campo de Ourique, Alto do Calvário e Estefânia. A direccionalidade induzida pela Avenida da Liberdade (visualmente rematada pelo Parque da Liberdade, depois Eduardo VII), reforçada pela rotunda (Marquês de Pombal) como ponto de encontro de vias divergentes e estruturadoras do crescimento urbano, privilegiou na prática uma forte continuidade axial através da Avenida Fontes Pereira de Melo (sobreposta à Estrada das Picoas), ligando o centro da cidade (Baixa) ao planalto das Avenidas Novas. Através de outra rotunda (Saldanha) e da Avenida Ressano Garcia (depois da República), terminada em nova rotunda (Entrecampos), acentuou-se a orientação viária privilegiada para o Campo Grande, incorporando o traçado da primeira Estrada da Circunvalação (Duque de Ávila - Visconde de Santarém) e dissimulando quase todas as preexistências viárias. A par deste eixo N./S. de ligação à Baixa, a abertura da Avenida dos Anjos (Almirante Reis), afundando o percurso do Regueirão dos Anjos, confirma a força dos itinerários matriciais de acesso ao núcleo urbano a partir de N. (Valverde e Arroios). Foi ainda determinante a construção do aterro e consequente regularização da frente ribeirinha, permitindo a abertura da Avenida 24 de Julho e a implantação da infra-estrutura ferroviária, facto que fomentou o crescimento de unidades fabris situadas na Boavista, Alcântara. Junqueira, Bom Sucesso e, no lado Oriental, em Xabregas, Chelas, Beato e Marvila. O Estado Novo marcou o novo ciclo de expansão urbanística planeada, estruturante da Lisboa Contemporânea, no qual aparece formalmente a figura do Plano Director de Urbanização, tomando a cidade não apenas como um todo delimitável, mas na sua indispensável ligação ao território ou região. O plano encomendado a Étienne de Groër consagrou o princípio da circunvalação através da criação de eixos circulares (antes latentes) conectando os fortes eixos que irradiam a partir da Baixa. Apesar de concretizado em grande parte até aos anos 70 (mas ainda hoje com troços incompletos), foi aplicado o esquema básico de duas circulares: a primeira circular entre Marvila/Chelas, Entrecampos, Sete Rios, Alcântara, Ponte sobre o Tejo; a segunda circular entre a Portela de Sacavém /aeroporto, Campo Grande, Benfica com a ligação às diferentes auto-estradas. As linhas do traçado das Avenidas Novas foram continuadas e a Avenida Almirante Reis prolongada até ao Areeiro. O esquema de eixos circulares, levado até ao limite se consideramos as intenções ensaiadas de mais outras duas circulares para o centro, é ainda observável na ligação entre a rotunda Marquês de Pombal e o alto das Amoreiras. Aqui privilegiou-se o acesso à auto-estrada para Cascais, vencendo o vale de Alcântara com o extenso viaduto em betão, enquadrado por Monsanto, transformado em grande parque florestal da cidade. Registou-se o processo de monumentalização da zona de Belém, o reforço das estruturas do domínio portuário, a construção de assinalável número de bairros de habitação económica (quase sempre implantados em áreas periféricas: Encarnação, Alvito, Caselas), assim como a organização de uma rede de equipamentos públicos. Destaca-se o conjunto da Cidade Universitária e a alameda do Instituto Superior Técnico, que constituem também amarrações entre os planos de Ressano Garcia e a cidade de circulação moderna pensada por De Groër, que integrava já a delimitação de grandes extensões de terreno a expropriar para operações urbanísticas planeadas. Salienta-se neste contexto o caso de Alvalade (plano de Faria da Costa), última grande área ainda caracterizada por uma malha contínua, equilibrada na sua relação entre vias e quarteirões. Áreas planeadas como Olivais, Chelas e de algum modo Telheiras, desenvolveram-se a partir da década de 60 e apresentam desenho urbano muito diferente, conjugando o modelo organicista e racionalista. Apesar disso, perante a pressão demográfica e imobiliária dos anos 70 e 80, e em particular na área de influência da segunda circular (denominada zona rural de proteção na década de 40), foi avançando um processo disseminado de urbanização privada de quintas (algumas com perímetro ainda reconhecível), intercaladas com tecidos consolidados preexistentes, áreas de construção clandestina (hoje já muito residuais) e com as rodovias de perfil complexo, com múltiplos nós, túneis e viadutos. O melhor exemplo é o eixo Norte / Sul, que se cruza com a última via de cintura, também esta já de escala metropolitana regional (CRIL), sobrepondo-se a áreas de características periurbanas. Mais recentemente uma das maiores operações urbanísticas e imobiliárias, resultado da reconversão da frente ribeirinha industrial a Oriente, a pretexto da Feira Internacional de 1998, é a área periférica do Parque das Nações, recém-integrada nos limites administrativos da cidade de Lisboa.

Acessos

A1, A2, A5, A37, Avenida Infante D. Henrique, Avenida da Índia.

Protecção

Não aplicável. PDM, Anúncio n.º 11622/2012, DR, 2ª série, n.º 168, de 30 agosto 2012

Enquadramento

Situada em estuário de grande amplitude, na margem N. do rio Tejo, constitui o centro de uma região urbana que resultou de um processo de conurbação. Corresponde à sub-região estatística da Grande Lisboa, que abrange nove concelhos e tem a maior concentração demográfica do país. Integra a Área Metropolitana de Lisboa, uma associação de dezoito municípios que inclui a península de Setúbal e o estuário do Sado. Os limites administrativos da cidade confinam a N. e O. com os concelhos de Loures, Odivelas, Amadora e Oeiras e na margem S. com os concelhos do arco ribeirinho de Almada - Montijo (v. IPA.00027495). Mas a actual circunscrição urbana e concelhia não coincide em rigor com os limites naturais ou geomorfológicos da cidade. A S. a margem do rio é limite evidente, aspecto sublinhado pelo aterro sucessivo na faixa portuária; a O. a linha da ribeira de Algés mantém um carácter separador, prolongando-se para N. através de várias linhas de talvegue; estas convergem na bacia hidrográfica da Várzea de Loures, contornando as escarpas da área planáltica do Lumiar a uma cota altimétrica de cerca de 100 m, unindo-se a N. ao rio Trancão (ou rio de Sacavém). Estes limites naturais foram acentuados pela estrutura rodoviária principal (CRIL / A36), que constitui uma terceira circular urbana com múltiplos nós que direccionam o tráfego para as áreas suburbanas. As vias circulares periféricas sobrepõem-se à antiga estrutura radial dos caminhos, consolidada no século 19 pela ferrovia (linhas do Norte, Sintra e Cascais) e no século 20 pelas principais auto-estradas (A1, A37-IC19 e A5). Para além das ligações regulares entre ambas as margens através de transporte fluvial, apresenta duas ligações rodoviárias estruturantes, Ponte 25 de Abril (incluindo ligação ferroviária, v. IPA.00009862) e Ponte Vasco da Gama (v. IPA.00009859), que se ligam à auto-estrada do Sul (A2). Tal ligação contemporânea não anulou a ancestral importância do porto de Lisboa, ponto terminal importante nas rotas mediterrânicas e atlânticas, e antes essencial nas ligações fluviais e terrestres para o centro do país e meseta ibérica. O próprio território de Lisboa é entendido como unidade de paisagem (v. IPA.00033944 e IPA.00033955) entre o Oceano Atlântico e o Mar da Palha, a parte superior do estuário confinante com as lezírias. Com formações rochosas de múltiplas épocas geológicas, trata-se de uma região instável do ponto de vista tectónico, na qual vastas zonas planálticas ou de relevo acidentado do Terciário são cortadas por vales profundos mais ou menos perpendiculares à orla costeira. A partir de grandes distâncias ou pontos altos a paisagem urbanizada e industrializada é visualmente estremada pelas serras de Sintra (maciço granítico e limite atlântico) e da Arrábida (aglomerado calcário com influência mediterrânica), associadas respectivamente aos cabos da Roca e Espichel, os pontos de referência da finisterra continental.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Não aplicável

Afectação

Não aplicável

Época Construção

Não aplicável

Arquitecto / Construtor / Autor

URBANISTAS: Manuel da Maia (séc. 18), Frederico Ressano Garcia (séc. 19), Etienne de Groër, João Guilherme Faria da Costa (séc. 20).

Cronologia

Paleolítico e Neolítico - vestígios de povoamento documentados arqueologicamente na região e no actual perímetro urbano; Bronze final - identificação de vestígios na Praça da Figueira documentando assentamento humano na bordadura do esteiro do vale da Baixa (Silva, 2012). séc. 6 a.c. - povoamento da colina de São Jorge; presença de fenícios, que chamaram ao lugar Alis Ubbo (enseada amena), usando-a como porto de troca comercial marítima e fluvial; Época romana, 138 a.c. - primeira grande campanha militar no actual território português, comandada por Décimo Júnio Bruto, que organizou a defesa da faixa litoral da Lusitânia e margem N. do Tejo e mandou fortificar Lisboa; 26 a.c. - reforma da estrutura administrativa da Hispânia, inserindo-se Olisipo no Conventus Scalabitano (Santarém); terá sido Augusto quem atribui o nome de Olisipo Felicitas Júlia concedendo-lhe a categoria de Municipium Civium Romanorum, cujo território dependente abrangia terras desde Torres Vedras a Alenquer coincidindo aproximadamente com o termo medieval (Moita,1994, p. 38); constitituía na época imperial o principal porto da Lusitânia; séc. 3, fins / séc. 4 ou 5 - hipotético segundo amuralhamento que poderá coincidir em parte com traçado da cerca velha (Amaro, 1994; Moita, 1994; Santana, 1996, pp. 503-508); aparecimento das primeiras paróquias e locais de culto cristão e talvez criação do bispado; 469 - sucessivas pilhagens de suevos e visigodos; 711 / 716 - conquista islâmica (de árabes e berberes) colocou fim à administração visigótica; a duração do legado islâmico é visível na progressiva alteração toponímica de Olisipo para Al-Usbuna e suas variantes; séc.s 8 / 12 - vestígios de povoamento na toponímia dos lugares de Alfama, Alcântara, Alvalade, entre outros; a cidade cresceu formando arrabaldes (onde se incluíam comunidades judaicas e moçárabes); identificação de pontos fortificados (atalaias) nos sítios da Penha de França, Bairro Alto (Rua da Atalaia), pequenas fortalezas em Belém-Ajuda (as alcolenas de cima e de baixo), pontos de vigilância de movimentos navais (Rei, 2005); 798 - conquista efémera da cidade pelos asturianos; 953 - saque da cidade por Ordonho III de Leão; 1147 - conquista de Lisboa aos mouros por D. Afonso Henriques e cruzados, abrangendo perímetro muralhado e arrabalde envolvente; início da construção do Convento de S. Vicente Fora e da Igreja dos Mártires; doação régia ao primeiro bispo das terras que iam da Pedreira (actual Chiado) até Campolide; sequente instituição de quatro paróquias: Santa Maria Maior, Mártires, Santa Justa e São Vicente de Fora; 1173 - lendário desembarque em Lisboa da barca com relíquias do mártir São Vicente, acompanhada por dois corvos, dando origem ao emblema da cidade; 1179 - concessão do primeiro foral; 1191 - assédio das tropas mouras; registo de novas freguesias; séc. 13, 1º quartel - instituição dos conventos de São Domingos, São Francisco e Santíssima Trindade; séc. 13, meados - Lisboa tornou-se sede da chancelaria régia, traduzindo a sua condição de cidade principal do reino; 1248 / 1274 - referência nas Inquirições Afonsinas a Santa Maria dos Mártires como paróquia nos arrabaldes de Lisboa, cujo território abrangia terras desde a Sé até Oeiras; a cidade integrava mais treze novas paróquias novas (Silva, 1900/ 1940, II, pp. 13-14); 1248 - abertura do primeiro troço da Rua Nova, paralela à margem do rio (Carita, 1999); 1290 - criação dos Estudos Gerais, primeira instituição universitária portuguesa; 1294 /1295 - construção da muralha da Ribeira na frente de rio entre as colinas do castelo e de São Francisco; 1300 - transformação da alcáçova mourisca no Paço Real da Alcáçova; 1310 - prolongamento da Rua Nova (depois Rua Nova dos Mercadores) e sequente abertura da Rua Nova dos Ferreiros; 1370 - aforamento de terras no bairro do Almirante junto à Pedreira; 1373 / 1575 - construção da cerca nova (cerca fernandina); 1385 - primeiras referências documentais ao termo de Lisboa: partia com termo de Sintra até à beira-mar, Torres Vedras, Alenquer, Vila Verde, Colares, Ericeira, Mafra, sendo talvez delimitado a N. pela ribeira da Ota e a E. pela ribeira de Alcabrichel (Silva, 1940 / 1968, p. 4); 1410 - D. João I manda casear Vila Nova de Santa Catarina, dentro da Cerca Nova; 1490 - ordem régia para demarcação do termo de Lisboa com os termos de Alhandra e Vila Franca (Silva, 1940 / 1968, p. 3); 1498 / 1502 - reorganização do espaço urbano por iniciativa manuelina: decisão de transferência da residência régia para a Ribeira, início da construção do Paço Real, encanamento das ribeiras de Valverde e de Arroios; início do processo de arruamento de Vila Nova do Olival e da primeira fase de Vila Nova de Andrade (Bairro Alto); ordem para derrube de balcões e obrigatoriedade de construção em pedra e cal, com fachadas direitas, não podendo as sacadas avançar mais do que um palmo e meio (Carita 1999); 1500 - concessão de Foral Novo; 1496 / 1502 - fundação e início das obras do Mosteiro de Santa Maria de Belém, junto ao porto do Restelo; 1508-1510 - construção do Real Paço da Ribeira; 1513 - segunda fase da urbanização no Bairro Alto; nova campanha de obras na Ribeira; 1527 / 1532 - Lisboa tinha 13 023 vizinhos na cidade e arrabaldes e 4024 no termo; 1551 - Sumário de Cristóvão Rodrigues de Oliveira, com breve caracterização da cidade de Lisboa (24 paróquias, 18 030 vizinhos; cerca de 98.990 pessoas); 1554 - Urbis Olisiponis Descriptio, de Damião de Góis; 1557 / 1578 - abertura da Rua Larga de São Roque e calçada da Pampulha, multiplicação de casas conventuais: Esperança, Santana, Santo António dos Capuchos, Estrelinha; 1571 - Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa, de Francisco de Holanda; séc. 16, 2ª metade - aumento significativo do número de paróquias; 1582 - reforma dos Paços Reais da Ribeira; para instalação da corte de Felipe I de Portugal; 1590 / 1630 - multiplicação de casas religiosas ao longo da faixa ribeirinha e a partir da encosta da Cotovia; 1593, 6 Dezembro - alvará onde são nomeadas novas freguesias periféricas entretanto criadas: São Paulo (extra-muros), Santos-o-Velho, Santa Catarina, Trindade, São José, Santa Ana, São Sebastião da Mouraria, Anjos, Santa Engrácia, Conceição Nova (intra-muros), Encarnação (Silva, 1941); 1608 - Do Sítio de Lisboa, de Luís Mendes de Vasconcelos; 1620 - Livro das Grandezas de Lisboa, de Frei Nicolau de Oliveira: a cidade tem 26 860 vizinhos, cerca de 113.200 habitantes; 1620 - Roteiro da Agua Livre de Lisboa, de Pedro Nunes Tinoco; 1650 - proposta de perímetro abaluartado; levantamento cartográfico de João Nunes Tinoco; 1652 - início da construção da nova cintura fortificada; 1656 - redução do perímetro defensivo; reinado de D. Pedro II - várias disposições municipais para limpeza (e iluminação) dos espaços públicos; séc. 17, 2ª metade - construção de palácios urbanos e de quintas de recreio nas zonas periférica; multiplicação de casas religiosas; 1690, 6 Outubro - assento de vereação determinando obrigatoriedade de qualquer obra particular, na cidade e termo, ser licenciada com fiscalização do vedor das obras, vulgarizando-se os critérios de utilidade pública e formosura da cidade (Murteira, 1999, p. 118); 1700 - reformulação do perímetro fortificado retomando amplitude da primeira proposta; 1712 - termo com 36 freguesias, na cidade 26 900 vizinhos e cerca 90 500 habitantes; 1716 / 1717 - divisão administrativa entre Lisboa Oriental e Lisboa Ocidental, ficando a primeira (cidade antiga) na obediência à Sé (Santa Maria Maior) e a segunda (cidade nova) na obediência à Capela Real transformada em sede da Patriarcal; 1719 - vinda do arquitecto Filippo Juvarra para elaborar planos de palácio real e patriarcal com basílica na zona de Buenos Aires; 1726 - aquisição por D. João V de três quintas cuja união predial deu origem ao Palácio de Belém e cerca respectiva; compra régia de outras quintas na zona de Pedrouços; 1728 - 1732 - obras de melhoramento no Paço Real da Ribeira; 1731 - 1748 - construção do aqueduto das Águas Livres; 1742 - a cidade passa a contar com novas freguesias: Ajuda (com lugares de Alcântara e Belém), Santa Isabel, São Sebastião da Pedreira, Mercês (Silva, 1941); 1742 - início da edificação do Convento e Palácio das Necessidades; 1745, 13 Abril - decreto régio com regulamento urbanístico que o senado municipal deveria fazer cumprir (Rossa, 1998, p. 28; Murteira, 1999, p. 126); 1746 - desenho com proposta de regularização da frente ribeirinha de Lisboa, desde o Cais de Santarém ao Cais Novo de Pedrouços; 1755, 1 novembro - terramoto e maremoto seguido de incêndio provocando destruição de grandes proporções no centro urbano; o núcleo antigo (colina do Castelo) e as zonas planálticas foram as menos afectadas; instalação da família real no Alto da Ajuda; Sebastião José de Carvalho e Melo, conde de Oeiras e futuro marquês de Pombal, foi a figura que dirigiu de imediato a reconstrução da cidade; 1755 - João Baptista de Castro refere cidade com 32 700 vizinhos (cerca 108 850 habitantes); 1755, 3 Dezembro - decreto, confirmado por alvará de 12 Maio de 1758, determinando os "justos limites da Cidade" fora dos quais não era permitido construir; 1755 / 1756 - Manuel da Maia redigiu as três Dissertações, onde apresenta e justifica as propostas para a reconstrução da cidade elaboradas por uma equipa de engenheiros militares; 1756, 12 Junho - constituição da Casa do Risco das Obras Públicas; 1758, 12 Maio - alvará estabelecendo a obrigatoriedade de edificar conforme as regras aprovadas; 1759, 7 Junho - elevação de Oeiras a vila, desanexada do termo de Lisboa (Silva, 1940); 1770, 8 Abril - reorganização das circunscrições paroquiais, com mudança de sedes de freguesia (Silva, 1941); 1771 - edificação da Real Cordoaria, no contexto do surto manufatureiro pombalino (Fábrica de Sedas e Bairro das Amoreiras, Régia Oficina Tipográfica à Cotovia); 1774 - construção do Passeio Público; 1780, 19 Abril - confirmação da nova rede de freguesias, integrando ainda Lapa e Coração de Jesus; a cidade contava 33 760 fogos e cerca 135 900 habitantes; 1801 - Recenseamento Geral da População: Lisboa regista 44 050 fogos e 237.000 pessoas; 1807 - Carta Topográfica da Cidade de Lisboa, levantamento dirigido por José Fava; 1833 - criação da freguesia de Belém, desanexada da Ajuda; 1834 - extinção das ordens religiosas e início da progressiva reconversão dos espaços conventuais; 1836, 6 Novembro - promulgação da lei da Reforma Administrativa do Reino determinando um extenso corte no termo de Lisboa, em especial a N.; 1845 - iluminação da cidade a gás; 1852, 11 Setembro - extinção do termo de Lisboa e nova delimitação concelhia marcada pela Estrada da Circunvalação, delineada para fins aduaneiros; criação dos concelhos de Belém (englobando as freguesias de Belém, Ajuda, área O. do vale de Alcântara, extramuros de Santa Isabel e de São Sebastião da Pedreira) e dos Olivais (freguesias de São Bartolomeu do Beato, extramuros de São Jorge de Arroios); séc. 19, 2ª metade (1853 / 1888) - instalação de unidades fabris (mecanizadas) privadas em antigos conventos ou em edifícios construídos de raiz, situando-se na frente ribeirinha devido à proximidade da estrutura portuária (Bom Sucesso, Junqueira, Alcântara - Calvário, aterro da Boavista, Xabregas, Beato, Chelas, depois acompanhando a linha férrea) mas também em zonas de vale com acesso a água e em quintas da periferia urbana; 1856 / 1864 - construção da linha ferroviária Leste / Norte com terminal em Santa Apolónia; 1858 /1865 - aterro da Boavista e abertura da Avenida 24 de Julho, permitindo a criação de zona industrializada com armazéns; 1864 - Recenseamento Geral da População: o concelho contava cerca de 200 000 habitantes (163 700 na cidade e 34 000 extramuros); 1865 / 1881 - Plano Geral de Melhoramentos, elaborado por P. J. Pézerat, engenheiro e arquitecto municipal, que apontava para a necessidade de renovar a rede viária e de construir novas áreas residenciais, recomendando a demolição de grande parte dos bairros antigos devido à sua insalubridade; 1874 - contratação de Frederico Ressano Garcia como engenheiro chefe da Repartição Técnica da CML; 1878 / 1906 / 1911 - urbanização de Campo de Ourique; 1879 - início da transformação do Passeio Público em Avenida da Liberdade, 1885, 18 Junho / 1886 - estabelecimento legal de nova Linha de Circunvalação; extinção do concelho de Belém, passando a cidade a integrar as freguesias da Ajuda, Belém e Alcântara, enquanto as freguesias exteriores à Circunvalação passaram a integrar os concelhos de Oeiras, Sintra e Olivais; 1885 - aterro da zona ribeirinha de Boavista até Santos, pouco depois prolongado até Belém, cujas obras foram adjudicadas ao engenheiro de obras públicas Pierre Hersent; 1885 - autorização para as obras do porto de Lisboa, segundo projecto dos engenheiros João Matos e Adolfo Loureiro; 1886, 22 Julho - extinção do concelho dos Olivais e criação do concelho de Loures, com distribuição de freguesias; 1886 - abertura inaugural da Avenida da Liberdade; 1888 - Ressano Garcia apresentou em Cortes o plano para as Avenidas Novas; 1887 - construção da linha de caminho-de-ferro que ligava Lisboa a Sintra; 1888 - abertura de linha de circunvalação ferroviária ligando Alcântara-Terra à linha de Sintra, permitindo depois ligação à linha de Cascais e mais tarde ao vale de Chelas para ligação à linha do Norte; 1890-1895 - construção da linha de caminho-de-ferro Lisboa / Cascais; 1890 - Lisboa regista 301.200 habitantes; encanamento da ribeira de Alcântara; 1895, 26 Setembro - desanexação do concelho de Lisboa da freguesia de Camarate e parte de Sacavém; 1898 - conclusão dos aterros portuários e abertura da Avenida da Índia; 1900 - Lisboa tinha 356.009 habitantes; prolongamento da Rua da Palma com a abertura da Avenida dos Anjos (depois Almirante Reis); 1901 - instituição do Campo Entrincheirado de Lisboa; 1902 - iluminação pública eléctrica; 1907 - instituição da Administração do Porto de Lisboa com autonomia face ao município; 1911 - carta topográfica à escala 1: 1000., sob direcção de (Júlio António Vieira da) Silva Pinto; Recenseamento conta 434 500 habitantes na cidade; 1914 - projecto de ponte ligando Lisboa à margem S. junto à Rocha do Conde de Óbidos, pelos engenheiros Bartissol e Seyrig (Moita, 1994, p. 467); 1930 - Lisboa tinha 600 000 habitantes; 1935 / 1936 - Plano de Urbanização da Costa do Sol, da responsabilidade de Alfred Agache; 1938 - contratação de Etienne de Gröer por Duarte Pacheco (Ministro das Obras Públicas e Presidente da CML em simultâneo, 1938-1943), para desenvolver o Plano Geral de Urbanização e Expansão de Lisboa; 1938, 1 Julho - Decreto-Lei nº 28.797 que viabilizou campanha municipal de expropriação de solos rurais em larga escala; 1938 / 1940 - elaboração do Plano da Encosta da Ajuda pelo arquiteto urbanista Faria da Costa; 1940 - Lisboa regista 702.400 habitantes; início da construção da Estrada Marginal da Costa do Sol, prolongada na cidade pela Av. Ribeira das Naus e Infante D. Henrique; realização da Exposição do Mundo Português; arborização do Parque Florestal da Ajuda (Monsanto); 1940 / 1945 - Plano de Urbanização para Alvalade, elaborado por Faria da Costa; 1948 - aprovação do Plano Geral de Urbanização e Expansão de Lisboa, orientado por Étienne de Groër; 1954, Fevereiro - criação municipal do Gabinete de Estudos de Urbanização (GEU), que procedeu à revisão do Plano Director da Urbanização da Cidade de Lisboa (aprovado em 1948); 1955 - 1958 / 1964 - elaboração do Plano dos Olivais Norte (GEU); 1959 - inauguração do primeiro troço do Metropolitano de Lisboa, cuja rede foi sucessivamente ampliada (em 2012 chegou ao aeroporto); 1960 - Lisboa regista 801.155 habitantes; 1960, 18 Março - aprovação do plano base de urbanização da zona dos Olivais Sul; 1960 / 1962 - plano base de urbanização da zona de Chelas pelo Gabinete Técnico da Habitação (GTH); 1961 - Plano Director da Região de Lisboa, da DGSU; 1961 / 1966 - elaboração do plano base, plano definitivo e revisão do plano definitivo para a urbanização de Chelas (GTH); 1966 - abertura ao tráfego rodoviário da ponte sobre o Tejo; 1967 - conclusão do Plano Director de Lisboa (apenas aprovado em 1976); séc. 20, décadas de 60 e 70 - acentuado crescimento demográfico e ocupação das zonas periféricas, iniciando-se a formação da área metropolitana; construção da Segunda Circular; 1970 - Lisboa regista 782 300 habitantes; 1971 / 1972 - Plano do Restelo (EPUL); 1973 / 1974 - Plano de Urbanização de Telheiras SUL (EPUL); 1973 / 1983 - revisão do Plano Director Municipal; 1981 - Lisboa atinge o seu máximo populacional com 807.937 pessoas; 1982 / 1984 - Plano de Urbanização das Olaias; 1988 - incêndio do Chiado; conclusão da ETAR de Alcântara; séc. 20, décadas de 80 e 90 - EPUL e FFH apoiaram reconversão de vastas áreas de habitação clandestina; 1990 / 1992 - Plano Estratégico de Lisboa, dando maior atenção à faixa ribeirinha de Belém aos Olivais e aos núcleos rurais antigos; 1990 / 1994 - Plano Director de Lisboa; 1992 / 2012 - multiplicação de planos urbanísticos sectoriais; 1994 - início da construção do Eixo Norte-Sul; Lisboa - Capital Europeia da Cultura; 1995 / 1998 - processo de aprovação do Plano de Urbanização do Alto do Lumiar (PUAL); 1998 - Exposição Internacional de Lisboa, permitindo a renovação urbanística da frente ribeirinha industrial desde o rio Trancão até aos Olivais (actual freguesia dos Parque das Nações); inauguração da Ponte Vasco da Gama, ponto terminal da CRIL; 2011 - Lisboa regista 547.773 habitantes; 2011 - inauguração do último troço (Pontinha - Buraca) da CRIL; 2012 - reorganização administrativa, com agregação de freguesias e integração da área do Parque das Nações no limite concelhio (Lei 56/2912, DR n.º 216, 1ª série, 8 Novembro 2012); 2012, 26 Abril - aprovação da delimitação da Área de Reabilitação Urbana (ARU) de Lisboa, abrangendo todo o espaço consolidado, pelo Aviso n.º 5876, DR n.º 82, 2ª série, publicado nesta data.

Dados Técnicos

Não aplicável

Materiais

Não aplicável

Bibliografia

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Documentação Gráfica

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Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, SIPA; CML: Arquivo Municipal, Museu da Cidade; Lisboa Hoje e Amanhã, realização António Lopes Ribeiro, 1948, documentário 0:39:37, disponível em Cinema Português, Universidade da Beira Interior (Cons. 06.12.13).

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID (Plano Director de Lisboa, DSID-001/011-025-1656/2, DSID-001/011-025-1656/2), DGEMN/DSARH (Plano Director de Lisboa: DSARH-010/125-0188/01, DSARH-005/125-0702/05, Plano Director de Lisboa: DSARH-005/125-0702/0, Plano Director de Lisboa 1967: DSARH-005/125-0703/04), DGEMN/DSMN (DSMN-0591/05, DSMN-0594/05, DSMN-0595/02, DSMN-0595/03, DSMN-0595/04, DSMN-0595/05, DSMN-0595/06, DSMN-0595/07), DGEMN/DSC (Anteplano de urbanização da cidade de Lisboa, DSC-0301/004/01); CML: Arquivo Municipal, Museu da Cidade.

Intervenção Realizada

Não aplicável

Observações

A evolução do topónimo Lisboa revela a consolidação progressiva do núcleo de povoamento mais antigo: desde a latinização do topónimo pré-romano Olisipo (com as variantes Olisipone ou Olisipona), alterações por via do árabe para Al-Usbuna ou Al-Uxbuna, transformando-se em Luxbuna ou Lixbuna no árabe hispânico, enquanto o latim medieval usou Ulixona até à fixação do nome português Lixboa. A denominação clássica Olisipo foi vista ainda como justificação para uma fundação heróica por Ulisses, mito difundido pelo menos desde o século 7 (Santo Isidoro de Sevilha) e muito citada pelos eruditos.* 1 O início de dois tramos pertencentes à via Lisboa - Scallabis -Bracara Augusta, com derivação para Mérida, fixando o eixo E./O. (decumanus) pelo Largo da Sé, Rua das Cruzes da Sé, Rua de S. João da Praça até à Porta de Alfama seguindo pela Rua do Paraíso, Calçada da Cruz da Pedra, vale de Chelas passando junto ao convento, prosseguindo até Sacavém; eixo N./S. (cardus), com início em São Nicolau seguindo o vale pela Praça da Figueira e Valverde em direcção à Calçada de Carriche de onde seguia para a ponte de Frielas (Loures); outras estradas secundárias abrem percursos ainda hoje marcantes: depois de Valverde no Andaluz bifurcava um itinerário em direcção a Sintra (por Benfica); a partir de São Nicolau outro percurso dirigia-se para N. pela Porta da Mouraria, Rua do Bem Formoso ao longo do vale da ribeira de Arroios; outra estrada dirigia-se para O. talvez também a partir de São Nicolau, subindo a colina de São Francisco. O Itinerário de Antonino aponta Olisipo, de onde partiam quatro estradas importantes, como caput viarum entre as cidades mais importantes da província (Bracara, Scallabis, Pax Julia, Emerita); aqui se iniciava a Via XVI (Olisipo - Bracara Augusta), entroncando em Santarém para os outros destinos; nos limites urbanos da cidade cruzavam dois tramos (documentados por miliários) desse percurso, já que era necessário acautelar as diferenças de caudal do Tejo entre a estiagem e a invernia; pode-se ainda anotar a existência de outros itinerários (para Oeiras, existindo talvez uma ponte sobre a ribeira de Alcântara; provável existência de uma ponte em Sacavém, cuja ruína é mencionada por Francisco de Holanda em 1571 (Mantas, 2012).

Autor e Data

Margarida Tavares 2014

Actualização

 
 
 
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