Igreja Paroquial de Lourosa / Igreja de São Tiago
| IPA.00030948 |
| Portugal, Aveiro, Santa Maria da Feira, Lourosa |
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| Igreja paroquial de fundação medieval, sendo o atual templo de feitura seiscentista, recebendo estruturas de talha nos séculos 18 e 20. É de planta em cruz latina, composta por nave, capela-mor com dois corpos anexos, formando a haste travessa da cruz, e torre sineira de três registos, com cobertura em domo, tendo acesso pelo interior. Tem coberturas interiores facetada na nave e em falsa abóbada de berço na capela-mor, que substitui uma cobertura de madeira pintada, datada do séc. 18; a nave é iluminada uniformemente por janelas retilíneas e em capialço, datáveis do séc. 17, rasgadas nas fachadas laterais, tendo a capela-mor, reformada no séc. 19, com novo perfil curvo, uma janela ampla. Fachada principal rematada em frontão triangular com óculo, rasgada por portal axial de verga reta. As fachadas são rematadas por cornijas, enquadradas por cunhais apilastrados, firmados por pináculos piramidais seiscentistas, as laterais rasgadas por portas travessas retilíneas. O interior possui coro-alto de feitura recente com acesso no lado do Evangelho, tendo, na base da torre sineira, o batistério. O púlpito, no lado do Evangelho apresenta decoração em talha vazada do final do séc. 18 e tem acesso pelo exterior; no início do séc. 20, foi feito o guarda-voz. Arco triunfal de volta perfeita, totalmente revestido a talha rococó, que prolonga as estruturas das capelas colaterais, cujo remate e decoração do frontal possui alusões aos primitivos oragos. Retábulo-mor de talha barroca, de estilo joanino, de que subsistem nichos com rocalhas e drapeados, transformado num baldaquino durante as obras do início do séc. 20. A capela-mor possui duas tribunas que ligam aos pisos superiores dos anexos. |
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| Número IPA Antigo: PT010109130077 |
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| Registo visualizado 1213 vezes desde 27 Julho de 2011 |
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Edifício e estrutura Edifício Religioso Templo Igreja paroquial
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Descrição
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| Planta em cruz latina composta por nave e capela-mor ladeada por dois anexos, que formam os braços da cruz, sendo a capela rematada em perfil curvo, tendo torre sineira no lado direito, de volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de uma (anexos), duas (nave) e cinco (capela-mor) águas, rematadas em beiradas simples, sendo em domo rebocada e pintada de branco na torre sineira. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por socos de cantaria, flanqueadas por cunhais apilastrados rematados por pináculo piramidais, e rematadas em cornijas. Fachada principal virada a este, rematada em frontão triangular encimado por cruz e com o tímpano rasgado por óculo circular. É rasgada por portal de verga reta, ladeado por pilastras almofadadas e encimado por entablamento com friso de almofadas, sobrepujado por pináculos e por amplo óculo quadrilobulado, tendo, na base, pequenas volutas relevadas. No lado direito, a torre sineira, de três registos na fachada principal, definidos por frisos e cornijas, os inferiores cegos, e o superior com quatro ventanas de volta perfeita, assentes em impostas salientes; remata em cornijas, com pináculos e gárgulas de canhão nos ângulos. Fachada lateral esquerda com porta travessa de verga reta e remate em friso e cornija, tendo três janelas retilíneas em capialço com molduras de cantaria, rasgadas no corpo da nave; junto à porta travessa, escadas de cantaria levam à porta de verga reta, de acesso ao púlpito. A capela-mor possui uma janela ampla e tem adossado o corpo anexo, de dois pisos, o inferior com duas janelas em capialço e, no superior, duas janelas retilíneas; na face oeste, surge porta de verga reta. A fachada lateral direita é semelhante, tendo a porta travessa protegida por alpendre metálico e vidro, sustentado por duas colunas toscanas sobre plintos paralelepipédicos de faces almofadadas. O corpo anexo é semelhante, mas possui três janelas no piso inferior e duas no superior. Fachada posterior cega, tendo, em cada corpo anexo, uma janela em capalço. INTERIOR com as paredes da nave rebocadas e pintadas de branco, percorridas por lambris pintados de cinza, com cobertura de madeira facetada, dividida em caixotões, reforçada por tirantes metálicos, assente em frisos e cornijas de cantaria, pontuados por mísulas equidistantes; pavimento em soalho. Coro-alto em betão, com guarda plena, encimada por grades, tendo acesso por escadas no lado do Evangelho. Portal axial protegido por guarda-vento de madeira e vidro, estando ladeado, tal como as portas travessas, por pias de água benta embutidas no muro. No lado da Epístola, o batistério com acesso por arco de volta perfeita assente em falsas pilastras toscanas talhadas nas molduras de cantaria, protegido por teia de madeira. No interior, tem a pia batismal em cantaria de granito composta por coluna e taça hemisférica e facetada, com painel de azulejo azul e branco a representar o "Batismo de Cristo" com moldura de rocalhas, enquadrada por moldura esponjada de amarelo, no lado do Evangelho; no lado oposto, nicho para alfaias. O acesso ao batistério está ladeado por pequena porta de ligação à sineira. No lado do Evangelho, púlpito quadrangular com bacia em cantaria de granito assente em consola, tendo guarda plena de talha pintada de branco e dourado, com decoração de florões e acantos vazados; tem acesso por porta de verga reta, encimada por guarda-voz. Confrontantes, as capelas laterais, inseridas em vãos de volta perfeita, assentes em pilastras toscanas, dedicadas à Virgem. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas e de fustes almofadados, envolvido por talha pintada de branco e dourado, que liga os retábulos colaterais, dedicados a São Francisco (Evangelho) e ao Sagrado Coração de Jesus (Epístola). Capela-mor com as paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por silhares de azulejo de padrão azul e branco, tendo cobertura em falsa abóbada de berço, rebocada e pintada de branco, com florão dourado ao centro, e pavimento em ladrilho. Tem as janelas encimadas por sanefas de talha pintada de branco e dourado, decorado por lambrequins. Confrontantes, duas tribunas com guardas convexas, de talha pintada de branco e dourado, com ligação a partir dos segundos pisos dos anexos. Ao centro, mesa de altar e ambão, ambos de madeira. Na parede testeira, o altar-mor, encimado por estrutura de talha pintada de branco e dourado, formando um baldaquino, com corpo marcado por duas colunas de fustes lisos, com os terços inferiores marcados por anel, encimado pro fragmentos de frontão e eplo remate com espaldar ornado por rocalhas, enrolamentos e cartela com a inscrição "JHS", de onde pendem lambrequins. Enquadra trono expositivo com três degraus marcados por anjos de vulto, encarnados, que direcionam o olhar para uma glória de querubins; o trono tem acesso por duas escadas laterais, que ladeiam a estrutura. Mesa de altar paralelepipédica, com frontão tripartido, ornado por acantos, encimada pelo sacrário, com colunas torsas, percorridas por espiras fitomórficas, sobrepujado por fragmentos de frontão concheados e encimados por anjos de vulto; está ladeado por dois nichos de remates idênticos, de onde pendem cortinas a abrir em boca de cena, contendo imaginária. O baldaquino está ladeado por duas mísulas do mesmo material, enquadradas por apainelado retilíneo, envolvido por enrolamentos e encimado por vieira, criando um falso dossel. Confrontantes, portas de acesso aos anexos e sacristia, esta com arcas de madeira e lavabo em cantaria de granito, formado por espaldar retilíneo, flanqueado por pilastras que sustentam o remate, em friso e cornija, encimado por aletas e bola; tem torneira que verte para taça ovalada e bordo boleado, sustentada por mísula. |
Acessos
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| Lourosa, Largo da Igreja; Rua do Lusitânia |
Protecção
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| Inexistente |
Enquadramento
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| Urbano, isolado, implantado a abrir para um amplo largo pacialmente ajardinado, onde se ergue um coreto, um jardim infantil e várias infraestruturas de apoio, bem como um cruzeiro sobre plataforma quadrangular e com cruz latina simples. A área ajardinada é rodeada por vias públicas e por algumas casas unifamiliares. A este do largo, surge o templo, rodeado por Cemitério, que secciona e de que se separa por alto muro em alvenaria rebocada e pintada, formando um pequeno adro pavimentado a lajeado. No muro do lado esquerdo do adro, surge a antiga cruz da fachada principal com a inscrição: "PVLS. ETAPER. VOB. LVC. XI (1640)". |
Descrição Complementar
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| No painel de azulejo, a identificação: "S(ão) JOÃO A BAPTIZAR CRISTO" e, na base, a inscrição: "OUTEIRO / ÁGUEDA". Os RETÁBULOS LATERAIS são semelhantes, de talha pintada de branco e dourado, de corpo reto marcado por amplo nicho central, de volta perfeita e assente em pequenas pilastras, o do Evangelho ladeado por mísulas, sobrepujadas por sanefas e o oposto marcado por duas colunas coríntias laterais. Casa uma das estruturas rematam em frisos de acantos. Altares paralelepipédicos com os frontais formados por cartelas e acantos laterais, contendo as iniciais "AM". Os RETÁBULOS COLATERAIS são semelhantes, de talha pintada de branco e dourado, de corpo reto e um eixo definido por duas colunas de fuste liso e com o terço inferior marcado por anel e por cartela concheada, assentes em plintos paralelepipédicos. Ao centro, nicho amplo e de boca rendilhada, com os fundos pintados a imitar brocados. A estrutura remata em enrolamentos e espaldar recortado, o do Evangelho ostenyando os cravos da Paixão de Cristo e o oposto as iniciais "AM", revelando os antigos oragos, ladeados por cartelões de atlantes; sobre estes, sanefa de lambrequins e um segundo espaldar, curvo e ornado por festões, que sustentam fragmentos de frontão com anjos de vulto, os quais centram o espaldar sobre o arco triunfal. Este apresenta a representação relevada de São Tiago mata mouros, ladeado por querubins e enrolamentos, tudo encimado por cornija e lambrequins ao centro. As estruturas possuem altares paralelepipédicos, com os frontais ornados por motivos vegetalistas, o do Evangelho com alusões ao antigo orago, o Crucificado, apresentando o lenço de Verónica e os cravos; no lado oposto, alusões a Maria, com a representação dos símbolos das Litanias Marianas, a estrela, o sol e a luz. Num dos SINOS, a inscrição "FUNDIÇÃO DE SINOS / DE / RIO TINTO" e "1978"; num outro, a inscrição "FUNDIÇÃO DE SINOS / NOVA LUSITANIA / I.S. JERONIMO / ERMESINDE" e "192?". |
Utilização Inicial
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| Religiosa: igreja paroquial |
Utilização Actual
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| Religiosa: igreja paroquial |
Propriedade
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| Privada: Igreja Católica (Diocese do Porto) |
Afectação
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| Sem afetação |
Época Construção
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| Séc. 17 / 18 / 20 |
Arquitecto / Construtor / Autor
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| ENTALHADOR: Manuel da Fonseca (1707). FUNDIDORES: Joaquim Dias Sorrilha (1873); Fundição de Sinos de Rio Tinto (1978); Fundição de Sinos Nova Lusitânia (séc. 20). PINTOR DE AZULEJOS: Fábrica do Outeiro (séc. 20). |
Cronologia
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| 1112 - 1136 - a paróquia passa da jurisdição do bispado de Coimbra para o do Porto; 1288 - surge referida nas Inquirições de D. Dinis, com 9 casais; 1371 - a paróquia paga 5 libras à diocese do Porto; 1542 - o pároco é apresentado pela Ordem do Hospital; 1574 - a igreja pertence ao padroado real e integra a Diocese do Porto; séc. 17 - construção da igreja; 1640 - data na cruz existente no adro, proveniente da empena da fachada principal; 1707, 17 agosto - Manuel da Fonseca contrata a obra do retábulo-mor e grades da igreja por 80$000; 1758 - nas Memórias Paroquiais, surge referida a igreja dedicada a São Tiago, tendo, no retábulo-mor o Santíssimo, ladeado por duas vidraças com o Menino Jesus e Santa Quitéria; tem as imagens do padroeiro e a de São Luís Bispo, tendo, ainda, São Sebastião e São João; um dos colaterais é do Crucificado; o padre é abade, apresentado pela diocese e tem de rendimento 400$000; 1790 - pintura da cobertura da capela-mor, entretanto desaparecida; feitura da talha do arco triunfal e dos retábulos colaterais; execução das tribunas e da guarda do púlpito; séc. 19 - remodelação da capela-mor e reforma da estrutura retabular; 1873 - feitura de um dos sinos na oficina de Joaquim Dias Sorrilha; séc. 20 - pintura do painel de azulejos do batistério na Fábrica do Outeiro, em Águeda; feitura das estruturas retabulares das capelas laterais; década 20 - fundição de um dos sinos da Nova Lusitânia, em Ermesinde; meados - 1978 - fundição de um sino na Fábrica de Rio Tinto; 1981 - registo fotográfico mostra a fachada principal revestida a azulejo de padrão, integrando dois painéis figurativos, tudo removido em obras mais recentes. |
Dados Técnicos
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| Sistema estrutural de paredes portantes. |
Materiais
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| Estrutura em alvenaria, rebocada e pintada; modinaturas, cunhais, pináculos, cruz, bacia do púlpito, pias de água benta, pia batismal e lavabo em cantaria de granito; pavimentos, mobiliário, cobertura da nave de madeira; guarda-vento de madeira e vidro martelado; silhares e painel de azulejo; janelas com vidro simples; cobertura em telha cerâmica. |
Bibliografia
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| BRANDÃO, Domingos de Pinho, Obra de talha dourada, ensamblagem e pintura na cidade e na Diocese do Porto - Documentação, Porto, Diocese do Porto, 1985, vol. II; GONÇALVES, A. Nogueira - Inventário Artístico de Portugal: Distrito de Aveiro Zona do Norte. Lisboa: Academia Nacional de Belas-Artes, 1981; REIS, Maria Cecília Rodrigues - Lourosa - sua história e gentes. Monografia. Porto: Tipografia Nunes, Lda., 1989; SERRÃO, Joaquim Veríssimo - Livro das Igrejas e Capelas do Padroado dos Reis de Portugal - 1574. Paris: Fundação Calouste Gulbenkian Centro Cultural Português, 1971. |
Documentação Gráfica
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Documentação Fotográfica
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| SIPA; Diocese do Porto: Secretariado Diocesano de Liturgia |
Documentação Administrativa
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| DGLAB: Memórias paroquiais, vol. 21, n.º 147, fls. 1281 - 1284 |
Intervenção Realizada
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| PROPRIETÁRIO: 1903 - restauro da igreja; restauro e pintura a marmoreados do retábulo-mor; 1918 - reparação da igreja e o teto de madeira passou a reboco *1; 2013 - renovação das telhas da cobertura; pavimentação do adro. |
Observações
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| *1 - tinha uma inscrição: "Jesus vivit, Christus regnatm Deus imperat. Homo anno MDCCXC". |
Autor e Data
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| Paula Figueiredo 2015 (no âmbito da parceria IHRU / Diocese do Porto) |
Actualização
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