Convento de Santo António de Recife

IPA.00030672
Brasil, Pernambuco, Pernambuco, Recife
 
Arquitectura religiosa, seiscentista, setecentista, e oitocentista. Convento franciscano de planta composta e volumes articulados, com eixo orientado, tendo ao centro a igreja, também orientada, de nave única, capela da Ordem Terceira de São Francisco aberta do lado do Evangelho, capela-mor, e logo atrás, sacristia e dependências. A S. as dependências da Ordem Terceira de São Francisco, e a N. o convento com claustro rectangular, ao redor dos quais se desenvolvem as demais dependências conventuais.
Número IPA Antigo: BR921701330014
 
Registo visualizado 283 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Ordem de São Francisco - Franciscanos (Província de Santo António do Brasil)

Descrição

Complexo conventual de planta composta, com eixo maior orientado de E. para O., tendo igreja de nave única, capela da Ordem Terceira de São Francisco aberta do lado do Evangelho, capela-mor, e logo atrás, sacristia e dependências. A S., as dependências da Ordem Terceira de São Francisco, e a N. o convento com claustro, ao redor do qual se desenvolvem as demais dependências conventuais. Coberturas diferenciadas em telhados de duas, três, e quatro águas. IGREJA com fachada principal rematada por empena de concheados com divisa franciscana ao meio e cruz no topo. Está dividida em dois registos, o inferior com cinco arcos de volta perfeita suportados por pilares, sobre as quais assenta um entablamento. No segundo piso, sobre os três arcos centrais, aparecem, separadas por pilastras almofadadas, três janelas de sacada do coro-alto, decoradas com enrolamentos e concheados, e flanqueadas por cunhais apilastrados, sobre as quais assenta entablamento curvado. Nos tramos extremos, grandes aletas, enrolamentos de acanto, e pináculos bolbosos preenchem o espaço. A torre sineira encontra-se do lado esquerdo, recuada, erguendo-se mais alta que os restantes corpos, com cobertura em coruchéu bolboso forrado a azulejos azuis e brancos, encimado por catavento de ferro, tendo, sobre os cunhais, pináculos bolbosos. Evolui em três registos de diferentes dimensões, o segundo rasgado por óculos e o terceiro com quatro ventanas de volta perfeita com molduras de cantaria, onde se distribuem os sinos. INTERIOR com a nave marcada por painéis de azulejo recortado, em monocromia azul sobre fundo branco, figurativos, encimados por tribunas e janelas. Cobertura em abóbada de berço abatido, em madeira, com painel pintado ao centro. Coro-alto sobre a galilé e zona inicial da nave, com guarda integrando maquineta com o Crucificado. Possui cadeiral de duas filas e espaldar. O sub-coro é coberto por tecto de caixotões pintados. No lado do Evangelho, a Capela da Ordem Terceira de planta quadrada, com pavimento em mármore e cobertura em caixotões pintados e emoldurados em talha dourada. As paredes ostem painéis de azulejo, em monocromia azul sobre fundo branco, sendo o restante espaço integralmente revestido de pintura, escultura e talha dourada, que envolvem cinco janelas de sacada de cada lado. Entre as pinturas das paredes laterais distribuem-se, de cada lado, três retábulos de talha dourada e duas portas. No meio do espaço está o cadeiral de uma fila e, na parede testeira, um retábulo com duas colunas que sustentam arquivoltas, ladeado por duas portas. No lado da Epístola, o púlpito de talha dourada e pintada de branco. Arco triunfal de volta perfeita, totalmente revestido a talha pintada de branco e dourada, ladeado por dois retábulos do mesmo material sobrepujados por pinturas. A capela-mor possui cobertura em cúpula assente em trompas, com os paramentos revestidos a azulejos de padronagem policroma. Na parede testeira, o retábulo-mor em talha dourada e pintada de branco. A SACRISTIA é rectangular, à qual se adicionaram dois compartimentos, desenvolvendo-se de S. para N.. As paredes possem painéis de azulejo figurativo, em monocromia azul sobre fundo branco, formando silhar recortados. Possui arcazes, oratório e armários embutidos, surgindo, num dos compartimentos, um lavabo em mármore. É antecedida pela Via Sacra, adossada à parede N. da capela-mor, também com painéis de azulejos semelhantes aos da sacristia. O CLAUSTRO é de planta rectangular com dois pisos separados por um silhar de azulejos de figura avulsa de produção holandesa e uma cornija. Dois lados do claustro têm sete colunas de pedra e outros dois têm seis, que no primeiro piso são mais largas e altas, sustentando arcos de volta perfeita com fecho central em voluta, e no segundo sustentam vãos rectilíneos sobre os quais assenta a cobertura de madeira e telha. Nas paredes das alas do primeiro piso estão painéis de azulejos figurativos de produção portuguesa, em monocromia azul e branco, e na alas do segundo, azulejos de padrão policromo de produção portuguesa. A PORTARIA é de planta quadrada com acesso directo à fachada principal e ao claustro conventual, tendo as paredes com painéis de azulejo recortados e figurativos, em monocromia azul sobre fundo branco, de produção portuguesa. A SALA DO CAPÍTULO situa-se na ala N. do claustro e é de planta quadrangular, tendo cobertura plana em madeira pintada de branco, e as paredes decoradas com painéis recortados de azulejos figurativos, em monocromia azul sobre fundo branco, de produção portuguesa. A ESCADARIA conventual parte da Via Sacra e é composta por degraus de pedra, e as suas paredes estão cobertas de azulejos de padronagem em monocromia azul sobre fundo branco, de produção portuguesa. FACHADA da casa de oração dos TERCEIROS *1 erguida num adro recuado em relação à rua, e vedado por um gradeamento de ferro. É de cantaria, ladeada por cunhais apilastrados que sustentam um entablamento e rematada em empena contracurva tendo um nicho ao meio, e cruz no topo. Divide-se em dois registos, tendo, no primeiro, a porta de acesso ladeada de janelas, decoradas com frontões estilizados, e no segundo janelas de sacada com guardas de ferro, decoradas de igual forma.

Acessos

Em Recife

Protecção

Enquadramento

Urbano, adoçado a outros edifícios do mesmo quarteirão da cidade.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Religiosa: igreja

Propriedade

Privada: Igreja Católica

Afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

PINTOR DE AZULEJOS: António Pereira (atr., 1704).

Cronologia

1606 - é decidida a fundação de um convento no Recife; 1695 - data presente na galilé; 1696 - construção da capela da Ordem Terceira; 1698 - feitura do retábulo-mor da capela da Ordem Terceira; 1704 - data em que foram colocados os silhares de azulejos figurativos portugueses atribuídos a António Pereira; 1717 - estavam concluídas as campanhas decorativas da capela da Ordem Terceira; 1770 - data na fachada da igreja; 1787 - data proposta para o mobiliário da sacristia; 1804 - data na fachada portuguesa da Casa de Oração dos Terceiros.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Paredes rebocadas e caiadas; modinaturas, colunas, cornijas, pavimentos em cantaria; painéis de azulejo; guardas, retábulos, portas, arcazes em madeira; lavabo de mármore; cobertura exterior em telha.

Bibliografia

JABOATÃO, António de Santa Maria, O.F.M. Novo Orbe Seráfico Brasílico, ou Chronica dos Frades Menores da Província do Brasil (5 vols.), Rio de Janeiro: Typ. Brasiliense de Maximiano Gomes Ribeiro, 1858-62, vol. I, 1, pp. 227 e 402; JABOATÃO, António de Santa Maria, O.F.M. Novo Orbe Seráfico Brasílico, ou Chronica dos Frades Menores da Província do Brasil (5 vols.), Rio de Janeiro: Typ. Brasiliense de Maximiano Gomes Ribeiro, 1858-62, vol. I., pp. 465; PIO, Fernando, O Convento de Santo Antônio do Recife e as Fundações Franciscanas em Pernambuco, Recife: 1939, pp. 56; PIO, Fernando, A Ordem Terceira de São Francisco do Recife e Suas Igrejas, Recife: Imprensa Universitária da Universidade Federal de Pernambuco, 1967 (4ª edição revista), pp. 16-21; SENOS, Nuno, Franciscan Art and Architecture in Colonial Brazil 1650-1800, Dissertação de doutoramento apresentada ao Institute of Fine arts, New York University, 2006, pp. 29, 60, 81, 82, 99, 100, 111, 118-122, 126, 127, 129, 132, 133; SIMÕES, João Miguel dos Santos, Azulejaria Portuguesa no Brasil (1500-1882), Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1965, pp. 31; SIMÕES, João Miguel dos Santos, Estudos de Azulejaria, Lisboa: IN-CM, 2001, pp. 188 e 195; SMITH, Robert Chester, “José Gomes de Figueiredo and his Eighteenth-Century Pernambucan Sacristy Furniture.”, in The Connoisseur, 1972.

Documentação Gráfica

IPHAN

Documentação Fotográfica

Arquivo pessoal (Nuno Senos)

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Nada a assinalar.

Observações

*1 - a fachada da casa de Oração dos Terceiros foi originalmente trazida de Lisboa para a igreja do Corpus Christi de Recife mas, devido a uma alteração na planta desta igreja, acabou por ser vendida à Ordem Terceira de São Francisco.

Autor e Data

Manuel Apóstolo (Centro de História Além-Mar - CHAM) 2010

Actualização

 
 
 
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