Palácio do Governador de Bissau / Palácio Presidencial

IPA.00030431
Guiné-Bissau, Bissau SA, Bissau, Bissau
 
Arquitectura política e administrativa, do séc. 20.
Número IPA Antigo: GW910301000003
 
Registo visualizado 68 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa de função  Residência oficial  Palácio do Governo

Descrição

Planta retangular com cobertura em telhado de quatro águas. Fachada principal volta a SE., simétrica, de três panos e dois pisos. Pano central de maiores dimensões, recuado, nele se destacando, no primeiro andar, uma profunda varanda de aparato, assente sobre seis colunas. A essa varanda abrem-se cinco janelas de sacadas de ferro com bandeiras em arco de volta perfeita. Os panos laterais apresentam três janelas no piso térreo e três janelas de sacada com guardas de ferro no superior. A fachada posterior replica, inversamente, a configuração da principal: simétrica, com três panos, o central (caixa de escadas) avançado em relação aos laterais, com uma grelha de cimento de grandes dimensões que providencia uma correta ventilação do espaço. Nos panos laterais rasgam-se três janelas em cada piso. Entablamento reto acompanhando a totalidade das fachadas do edifício.

Acessos

Avenida Amílcar Cabral

Protecção

Enquadramento

Urbano, isolado. Localiza-se no topo da Avenida Amílcar Cabral (antiga Avenida da República), em local de destaque no contexto urbano de Bissau. Nas proximidades localizam-se a Sede do PAIGC (antiga Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Bissau - v. GW910301000021) e o Cinema da União Desportiva Internacional de Bissau (v. GW910301000022)

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: residência oficial

Utilização Actual

Propriedade

Afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Lucínio Cruz (1946); José Manuel Galhardo Zilhão (1946); João Aguiar (1948); Rogério Cavaca (1948); Mário de Oliveira (1954); Júlio Naya (1962).

Cronologia

1941 - anteprojeto de arquitetura da autoria de José Pereira Zagallo (Engenheiro-Chefe da Repartição Técnica dos Serviços de Obras Públicas e Minas) *1; 1944 - projeto de arquitetura da autoria do arquiteto Carlos Ramos e de estabilidade pelo engenheiro Ventura Rego; 1946 - projeto da autoria dos arquitectos José Manuel Galhardo Zilhão e Lucínio Cruz (Gabinete de Urbanização Colonial) visando a conclusão do edifício; 1948 - adaptação do edifício existente da autoria dos arquitetos João Aguiar e Rogério Cavaca; 1954 - projeto de candeeiros da autoria do arquitecto Mário de Oliveira (Gabinete de Urbanização do Ultramar); 1962 - projeto de um muro de vedação da autoria de Júlio Naya (Direção dos Serviços de Urbanismo e Habitação - Direção Geral das Obras Públicas e Comunicações do Ministério do Ultramar); 1998 - o edifício sofre fortes danos na sequência de um bombardeamento no decorrer da Guerra Civil.

Dados Técnicos

Materiais

Bibliografia

MILHEIRO, Ana Vaz e DIAS, Eduardo Costa, Arquitectura em Bissau e os Gabinetes de Urbanização Colonial (1944-1974) in usjt.br/arq.urb/numero 02, 2009; MILHEIRO, Ana Vaz, Guiné-Bissau, Lisboa: Circo de Ideias, 2012;

Documentação Gráfica

AHU: MU/DGOPC/DSUH/Caixa62

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA; Arquivo Histórico Ultramarino: Agência Geral do Ultramar

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

Em ruína desde o bombardeamento ocorrido na Guerra Civil em 1998. Não foi possível aferir a totalidade das características do imóvel, porém, segundo a memória descritiva do projeto de 1945 do Gabinete de Urbanização Colonial, a sua execução foi "condicionada ao aproveitamento máximo do existente [tendo sido] respeitada a estrutura [original] e, quanto possível, os vãos interiores e exteriores." Relativamente ao processo então em curso, compreendeu-se a necessidade de uma ampliação do edifício, tendo sido efetuadas, para o efeito, uma escada monumental e a substituição das duas escadas de serviço pré-existentes. Procedeu-se igualmente à alteração dos vãos da parte central da fachada principal (transformados "em vãos de vêrga recta"), tendo igualmente sido evitado o emprego de cantaria, de modo a tornar a obra menos onerosa (optando-se pela escolha de "material "Cavan" aglomerado de pedra e cimento" para revestimento exterior do Palácio). Segundo os seus arquitetos, procurou-se "dar a êste edifício uma expressão arquitectónica que se impuzesse pela sua dignidade [recorrendo] de preferência a materiais locais não só para satisfazer o [...] propósito de economia como por princípio de ordem técnica" (ainda que fosse admitido a recorrência a "materiais importados indispensáveis"). Seguindo a distribuição feira pelo próprio Governador da Guiné à época, o edifício foi projetado de modo a comportar os aposentos particulares do governador e seu gabinete, serviços, parte destinada a hóspedes do Governo. Do lado esquerdo do piso térreo, localizar-se-ia a parte destinada aos hóspedes do Governo da Colónia, compondo-se de três quartos, galeria e instalações sanitárias. Do lado oposto instalar-se-ia igualmente a "repartição do Gabinete", composta pelos gabinetes do governador e chefe de gabinete, salas de espera e estar, dois arquivos, secretaria e dependências sanitárias. No primeiro andar, do lado direito, instalaram-se os aposentos particulares do Governador, compondo-se por três quartos de dormir e instalações sanitárias. "As galerias que estabelecem a ligação entre os dois quartos da frente, nos dois lados do edifício, constituem uma defesa contra a insolação, podendo, por vezes, servirem como salas de estar". Existiam ainda salas de jantar e estar, uma galeria que "pode[ria] ser utilizada com sala de fumo e jôgo" e serviços de cozinha (cozinha, copa e despensa). Os restantes serviços deveriam ser instalados na cave. Data de 1954 (também do Gabinete de Urbanização do Ultramar) o projeto do jardim do palácio. *1 o projeto de 1941 pressupunha a construção de um edifício de maiores dimensões relativamente ao que efetivamente foi executado. Na fachada principal diferia sobretudo na existência de um grande frontão triangular ao centro, na inexistência da grande varanda e na presença de um terceiro piso nos extremos, simulando simbolicamente a presença de torreões.

Autor e Data

Tiago Lourenço 2010 (projeto FCT PTDC/AURAQI/104964/2008 "Gabinetes Coloniais de Urbanização: Cultura e Prática Arquitectónica")

Actualização

 
 
 
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