Bateria Alta ao Norte da Praia da Água Doce / Hotel do Guincho

IPA.00003042
Portugal, Lisboa, Cascais, União das freguesias de Cascais e Estoril
 
Bateria construída no séc. 18, durante o reinado de D. José I, devido à guerra com Espanha, juntamente com a Bateria da Crismina e a da Galé, com quem cruzava fogo, e ampliada no séc. 19 com um muro de gola, fechando o recinto fortificado e formando planta poligonal. Integrada nas obras de fortificação da barra do Tejo, possuía inicialmente um parapeito de traçado angular, de três faces com dimensões aproximadas, rasgado por sete canhoneiras, com plataforma para a artilharia lajeada, ficando na retaguarda os aquartelamentos e o paiol em "pedra seca" e cobertas em telha vã, o que foi considerado no relatório de 1796 como de maior defeito da construção. Possuía estrutura semelhante às baterias da Galé e Crismina e tinha como principal objetivo o aquartelamento de pequenas guarnições que dificultassem o desembarque de forças contrárias, enquanto se dava o alarme e reforçava pontos críticos. A construção atual corresponde a uma adaptação da antiga bateria.
Número IPA Antigo: PT031105030005
 
Registo visualizado 234 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Forte    

Descrição

Planta pentagonal com paramentos rebocados e pintados. Face principal virada a oeste, com contrafortes cónicos nos cunhais, rematado em parapeito pleno integrando quatro falsos merlões geometricamente dispostos, e com quatro gárgulas. É rasgado por porta fortificada, enquadrado por estrutura de cantaria, com vão em arco de volta perfeita, encimado por tabela retangular ornada de bosantes sobrepujados por armas nacionais, e, lateralmente, por duas frestas. Pátio central com fachadas de dois pisos, tendo no primeiro arcada de amplos arcos, em asa de cesto, sobre pilares, e no segundo por loggia, com estrutura alpendrada sobre colunelos assentes em guarda plena, ritmada por gárgulas de canhão; ao centro do pátio, com pavimento de cantaria, surge poço. Interior muito remodelado, tendo algumas salas e corredores com abóbada de aresta em tijolo.

Acessos

Estrada Cascais - Guincho, a N. da praia da Água Doce, os vestígios das muralhas situam-se entre o mar e o lado poente do Hotel do Guincho. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,728250, long.: -9,476167

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 129/77, DR, 1.ª série, n.º 226 de 29 setembro 1977 / Incluído na Área Protegida de Sintra - Cascais (v. PT031111050264)

Enquadramento

Marítimo, isolado, adaptado ao declive do terreno. Ergue-se num maciço rochoso que avança sobre o mar e junto à estrada nacional que passa a norte. Em frente, do lado de terra, possui parque de estacionamento.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: forte

Utilização Actual

Comercial e turística: hotel

Propriedade

Privada: pessoa colectiva

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Jorge Santos Costa (1957). ENGENHEIRO: José António Mourão (1832).

Cronologia

1762 - durante o início do reinado de D. José I decide-se proceder ao reforço da defesa marítima do Reino, com a construção de três baterias no Guincho, tendo como objetivo reforçar a defesa da linha da costa entre o forte do Guincho e o do Cabo Raso; 1777, 14 março - relatório de inspeção refere a bateria Alta, da Galé e Crismina "construídas com acerto e em bom estado"; o parapeito está bem conservado, mas ainda por artilhar; 1793, janeiro - segundo relatório do Coronel Engenheiro Romão José do Rego, as baterias estão muito danificadas, devido aos estragos provocados pelo vento e pelo mar; dezembro - as baterias já se encontram re-edificadas e acrescentadas com um corpo de guarda e artilhadas; 1820, década - início da degradação da bateria, encontrando-se desartilhada; 1830 - perante a iminência de um conflito armado entre os partidários de D. Miguel e as forças liberais, procede-se ao estudo das intervenções a realizar nas baterias do Guincho; considera-se urgente proceder à reparação dos parapeitos, merlões e canhoneiras; reparação dos quartéis, armazéns e paióis; rebocos e colocação / substituição de madeiramentos e ferragens (tarimbas, portas e janelas) e fecho das fortificações com um muro de gola, que as envolvesse e no qual seria aberto um portal; 1831, final - execução de todas as obras, à exceção da construção dos muros de gola, ficando a bateria Alta apta a receber as respetivas guarnições e peças de artilharia; cada uma das baterias é dotada de seis peças de ferro, duas de calibre 18 e quatro de calibre 12, sendo o comando geral entregue a um comandante ou governador sediado na bateria Alta; justifica-se a não construção dos muros de gola pela necessidade de empreender, com maior urgência, a obras de restauro em outros fortes dependentes da praça de Cascais; 1832 - conclusão da feitura dos muros de gola da bateria, obedecendo aos projetos executados em maio pelo Major de Engenharia José António Mourão, passando as baterias a apresentar um recinto fortificado de planta poligonal com seis lados de diferentes dimensões; 1833, 24 julho - abandono da bateria aquando da retirada do exército Miguelista e mais tarde desartilhada, entrando em rápida degradação; 1850 - orçamento para reparação; 1854 - relatório de inspeção denota o estado de ruína avançado; 1868 - ainda não se haviam realizado as obras orçamentadas; 1898 - 1899 - após ter sido desclassificada como fortificação militar, a bateria vai a hasta pública e é comprada por Francisco Ribeiro Ferreira, que o deixa a abandono; 1956 - aquisição da bateria pelo jornalista Manuel Soares de Portugal; 1957 - obras de adaptação da bateria a estalagem, denominada "Estalagem do Guincho", pelo arquiteto Jorge Santos Costa; 1959 - inauguração da estalagem; 1971 - encerramento para obras de beneficiação a cargo do Estoril Sol, SARL; 1974 - reabertura do hotel.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria de calcário; betão; molduras dos vãos, estrutura do pátio e outros elementos em cantaria de calcário; pavimentos cerâmicos, de cantaria e de madeira; silhar de azulejos.

Bibliografia

CALLIXTO, Carlos Pereira - Fortificações da Praça de Cascais a Ocidente da Vila. Lisboa: 1980; LOURENÇO, Manuel Acácio Pereira - As Fortalezas da Costa Marítima de Cascais. Cascais: 1964; MOREIRA, Rafael - "Do Rigor Teórico à Urgência Prática: A Arquitectura Militar". In História da Arte em Portugal. Lisboa: edições Alfa, 1986, 8 vol., pp. 66-85.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

Autor e Data

Paula Noé 1991

Actualização

 
 
 
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