Casa na Avenida Almirante Reis, n.º 74 B

IPA.00003036
Portugal, Lisboa, Lisboa, Arroios
 
Casa Arte Nova de planta retangular, de dois pisos, tendo no primeiro lojas e no segundo habitação unifamiliar, de espaço organizado a partir de escada central iluminada por clarabóia, com fachadas rematadas em platibanda plena e com jardim posterior de cota mais elevada. Fachada principal integralmente revestida a tijolos cerâmicos monócromos no primeiro piso e a azulejos policromos de composição decorativa no segundo, com decoração floral típica da Arte Nova, como girassóis, folhagens, festões de flores e grinaldas, rasgada por três eixos de vãos; no primeiro piso com portas de verga recta simples e no superior por janelas geminadas, tripla e de sacada ao centro e dupla e de peitoril lateralmente, com molduras e guarda igualmente Arte Nova. Fachadas laterais e posterior rebocadas e com vãos moldurados, tendo na última marquise adossada. Jardim posterior de recorte geométrico. Constitui um dos primeiros exemplos de fachada integralmente revestida a azulejos decorativos com motivos Arte Nova, trabalho assinado e datado, existindo o projecto original, aguarelado, também assinado e datado. Constitui ainda um testemunho da arquitectura de início do século numa zona que sofreu descaracterização. Contraste entre a fachada principal e as restantes, de carácter muito mais sóbrio e simples, destacando-se a existência de dois arcos longilíneos, integralmente revestidos a tijolos cerâmicos e azulejos com motivos florais Arte Nova na face virada à avenida, colocados na fachada posterior à cota do jardim, no enfiamento dos dois corredores laterais que o separavam dos edifícios vizinhos, e que formavam pequeno miradouro. O primeiro piso da fachada posterior implanta-se a uma cota inferior ao jardim, separando-se deste por corredor estreito, coberto por placa de sustentação de alpendre e marquise do segundo piso, conservando no ângulo NE. alpendre metálico Arte Nova. No interior, a decoração do átrio e das salas do segundo piso em trabalhos de estuque, concilia elementos Arte Nova com neobarrocos; os azulejos do silhar do átrio parecem ser posteriores, provavelmente Art Deco.
Número IPA Antigo: PT031106060109
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa  Casa abastada  

Descrição

Planta longitudinal rectangular de massa simples e com cobertura em telhado de quatro águas, a telha de marselha, com pequena clarabóia de vidro ao centro e alpendre e marquise posterior em chapa. Fachadas de dois pisos terminadas em platibanda plena, capiada a cantaria. Fachada principal virada a O., de pano único, com pisos separados por friso de azulejos monócromos brancos, integralmente revestida a tijolos cerâmicos e azulejos, rasgada por três eixos de vãos sobrepostos, com molduras em calcário de lioz, sendo o primeiro ocupado por estabelecimentos comerciais e o superior de habitação e escritório. O primeiro piso, com embasamento de cantaria e revestido a tijolos cerâmicos biselados, monócromos verdes vidrados, é rasgado por três portais de verga recta, a central de acesso à residência, com porta de madeira e postigo de vidro e bandeira com grades de ferro, e as laterais, mais largas, de acesso aos estabelecimentos comerciais, com portas em alumínio e ferro. Piso superior rasgado ao centro por três janelas geminadas de sacada, sobre mísulas, sendo a central de verga curva e as laterais de verga recta, com molduras comuns ornadas nos encontros por elemento geométrico quadrangular, e tendo guarda convexa em ferro trabalhado; lateralmente, rasgam-se duas janelas de peitoril geminadas, com o mesmo tipo de moldura e decoração, possuindo bandeira e estores. Este piso é revestido por azulejos policromos de composição figurativa vegetalista; inferiormente corre friso com girassóis delimitado por elemento vegetalista que percorre de forma sinuosa os extremos da fachada, surgindo sobre as janelas festões de flores com grinaldas dependuradas entre os vãos, sob fundo amarelo; coroa a fachada friso de parras e outros elementos fitomórficos, encimado por cornija com azulejos monócromos brancos e platibanda igualmente revestida com motivos vegetalistas, também sobre fundo amarelo. No extremo inferior esquerdo do segundo piso lê-se "Alfdo. Pinto / 1911". Fachadas laterais idênticas, rebocadas e pintadas de bege, com os dois pisos rasgados por janelas simples, de verga recta molduradas. Fachada posterior a E. organizado em dois níveis; o inferior, ao nível da avenida, é rasgado por porta e janelas entaipadas, dando para um corredor estreito, limitado por um muro paralelo à fachada de sustentação do jardim, revestido com azulejos monócromos brancos; o superior, abrindo directamente para o jardim, é rasgado, do lado esquerdo por duas portas de três folhas cobertas por alpendre; à direita, adossa-se marquise, com estrutura em madeira, pintada de verde, e vidro martelado branco e vermelho formando padrão geométrico; o alpendre e a marquise implantam-se sobre placa que cobre o corredor para o qual abre o piso inferior. No topos do prédio, adossam-se de cada lado dois arcos de volta perfeita, coroados por cornija e pequena platibanda, revestidos a tijolos cerâmicos e azulejos monócromos brancos, apresentando na face virada à avenida girassóis e outros motivos florais. INTERIOR: átrio rectangular, com pavimento cerâmico de motivo geométrico, em tons cinzentos e branco, paredes com silhar de azulejos monócromos verdes, relevados, e cobertura plana, pintada em verde e amarelo a formar desenho geométrico, com moldura em madeira e medalhões de elementos vegetalistas, também em madeira, nos cantos e ao centro. Ao fundo do átrio, arco de volta perfeita em cantaria, conduz às escadas, de madeira, de acesso ao segundo piso, iluminadas pela clarabóia, tendo um lance, com guarda em ferro decorada com elementos vegetalistas e corrimão de madeira exótica, e nas paredes laterais silhar de azulejos idênticos aos do átrio, mas em bege, o qual se prolonga pelo patamar. Do patamar, e transposta uma porta, dispõe-se um corredor para onde se abrem cinco portas, ao fundo, à esquerda, uma porta de acesso a uma casa de banho, do lado oposto a porta de acesso a uma habitação, as restantes três de acessos a escritórios. As três salas ocupadas por escritórios têm pavimento revestido a alcatifa e tectos decorados a estuque com motivos florais. Habitação de planta em L, com divisões dispostas ao longo de três corredores; o mais longo, de entrada na habitação, a N., paralelo à fachada lateral esquerda, abre para quatro quartos, um no extremo esquerdo do corredor, os restantes dispostos ao longo da fachada; os quartos são todos iguais, com pavimento de madeira coberta com alcatifa, excepto um que tem madeira à vista, e tectos decorados com elementos florais em estuque; entre os quartos surge uma casa de banho com silhar de azulejos monócromos verdes e brancos, formando losangos e pavimento cerâmico coberto com linóleo. Um segundo corredor, a E. e fronteiro ao átrio, abre, para a cozinha a E., para uma pequena cozinha a O., com duas entradas de luz rasgadas no tecto, e para uma das salas que servem de escritório, cujo acesso está vedado a S.. Cozinha ampla, com silhar de azulejos idênticos aos da casa de banho, pavimento cerâmico, chaminé, porta de acesso à marquise na fachada posterior e a S. uma porta de acesso ao terceiro corredor; este último, o mais curto dos três, paralelo ao primeiro e perpendicular ao segundo, tem a E. porta a abrir directamente para o jardim, sob o alpendre, e uma outra a S. para a sala de jantar. A marquise é rasgada por uma porta a E. de acesso ao jardim e outra a S. para o alpendre; a N. uma pequena casa de banho. Escada de ferro de acesso ao piso inferior, liga a marquise ao corredor exterior que percorre o piso inferior da fachada posterior do edifício. Jardim de composição geométrica, com canteiros delimitados por placas cerâmicas recortadas e passeios com calçada à portuguesa.

Acessos

Avenida Almirante Reis, n.º 74 B. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,727893, long.: -9,134253

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 95/78, DR, 1.ª série, n.º 210 de 12 setembro 1978 *1

Enquadramento

Urbano, isolado. Insere-se em frente de rua, erguendo-se lateralmente dois edifícios destoantes de cércea mais elevada e dos quais se separa por dois corredores laterais estreitos, vedados por portões de ferro pintados de verde escuro, adossados ao prédio por pilaretes de cantaria; os dois corredores, com pavimento em "calçada à portuguesa", unem-se a um terceiro, que acompanha a fachada posterior do edifício, formando um "U", a partir do qual se desenvolve, ao nível do segundo piso e a uma cota mais elevada que a avenida Almirante Reis, um pequeno jardim, rectangular, com canteiros de contorno geométrico.

Descrição Complementar

AZULEJO: Num pequeno muro à frente do alpendre da fachada posterior, revestimento com azulejos monócromos brancos e, junto ao solo, uma faixa de azulejos monócromos castanhos relevados, ornados com palmetas. No interior, paredes do átrio com silhar de azulejos relevados, formando "favos" circulares, com dois frisos de azulejos monócromos castanhos lisos e brancos ornados de "canais". As paredes que acompanham a escada de acesso ao segundo piso têm silhar de azulejos bege, relevados com flores, limitados por dois frisos de azulejos verdes, lisos e castanhos relevados, com volutas.

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Residencial: casa

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Joaquim Craveiro Lopes. CERMISTA: Empresa Cerâmica de Lisboa. PROJECTO dos AZULEJOS: Alfredo Pinto.

Cronologia

1908 - Júlia da Silva Gonçalves Dias obtém, da Câmara Municipal de Lisboa, aprovação do projecto para a construção do edifício, conforme projecto do arquitecto Joaquim craveiro Lopes; 1911 - execução e assinatura dos azulejos que revestem a fachada principal do edifício e parte do seu interior *2; 1945 - alterações na fachada lateral direita; 1954 - Adelina da Conceição Silva Gonçalves lega em simples propriedade, em partes iguais, o imóvel ao Instituto de Cegos "Branco Rodrigues" e ao Asilo de D. Pedro V; 1965 - alteração no interior.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de alvenaria rebocada; embasamento, friso, molduras dos vãos e outros elementos em calcário de lioz; pavimentos de mosaico cerâmico e madeira, parcialmente cobertos por alcatifa e linólio; revestimento e silhares de azulejos e em tijolos cerâmicos; guardas e grades de ferro; caixilharia de alumínio; aros, corrimão e portas interiores em madeira exótica envernizada; janelas com vidros simples e martelado, colorido; cobertura exterior em telha.

Bibliografia

RIO-CARVALHO, Manuel, Para uma compreensão da Arte Nova, in Colóquio, nº 41, Dezembro 1966; idem, História da Arte em Portugal, vol. 11, Lisboa, 1986; HENGL, J. e HUSTIN, V., Painéis de Azulejos no Século XX, Lisboa, 1987; Guia Urbanístico e Arquitectónico de Lisboa, Lisboa, 1987; MECO, José, O Azulejo em Portugal, Lisboa, 1989; ARRUDA, Luísa, Decoração e Desenho, Tradição e Modernidade, in História da Arte em Portugal, vol. 3, Lisboa, 1995; O Azulejo em Portugal no século XX, Lisboa, 2000.

Documentação Gráfica

SCML: DGIP; IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

SCML: DGIP; IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

SCML: DGIP; CML: Arquivo da Câmara no Alto da Eira, Procº. nº 5963

Intervenção Realizada

1926 - Reparações nos interiores; 1928 - limpeza e reparações nos interiores; 1936 - reparações nos interiores e exteriores, telhados, esgotos e calhas; limpeza dos azulejos; 1940 - reparações nos interiores, telhados e esgotos; 1945 - alterações no nº 74 - B: ampliação das janelas da fachada lateral direita; substituição da porta de entrada; colocação de um chuveiro e revestimento das paredes da casa de banho com azulejos; 1953 - obras de beneficiação e limpeza; 1960 - colocação de duas vitrinas de encontro aos paramentos com dimensões de 1,00 x 0,80 m2 cada, sendo o avanço de 0,070 m; 1963 - limpezas gerais; 1965 - modificação de interiores; 1981 - Loja nº 74 - C: obras no interior, revestimento das paredes com revestimento lavável, substituição do pavimento, pinturas, arranjo das instalações sanitárias e demolição de uma divisória; criação de uma pala no exterior e substituição das portas em ferro por outras em alumínio anodizado e vidros amplos.

Observações

*1 - DOF: Edifício com fachada de azulejo Arte Nova na Avenida Almirante Reis, n.º 74 - B. *2 - o projecto do revestimento azulejar, com desenhos aguarelados, assinados e datados, encontra-se no Museu do Azulejo.

Autor e Data

João Silva 1991 / Helena Mantas 2004

Actualização

 
 
 
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