Povoação de São Julião do Tojal

IPA.00030315
Portugal, Lisboa, Loures, União das freguesias de Santo Antão e São Julião do Tojal
 
Núcleo urbano. Povoação situada em planície, de fundação medieval sob jurisdição monástica (Cónegos Regrantes de Santo Agostinho), de base agrícola. Estrutura urbana linear apoiada no eixo principal: antiga estrada real, depois estrada nacional Entrada marcada pela existência de duas quintas contíguas à estrada implantadas em frentes opostas. Espaço edificado em banda homogénea, formada por casas de um e de dois pisos marginando a estrada, com logradouros de traseiras confinantes com espaço agrícola. O Largo da Igreja, onde se situam a Igreja Matriz e a Capela do Espírito Santo, é o principal espaço público de referência. Os restantes largos correspondem a alargamentos das vias.
Número IPA Antigo: PT031107160191
 
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Registo

 
Conjunto urbano  Aglomerado urbano  Povoação  Povoação medieval  Povoação medieval  Monástico-conventual (Cónegos Regrantes de Santo Agostinho)

Descrição

Núcleo urbano de origem medieval, mediante doação régia de terras à Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, formando traçado linear estruturado pela Estrada Nacional (antiga Estrada Real). O aglomerado evoluiu pela articulação de três polos ligados pela EN: o polo linear de SÃO JULIÃO DO TOJAL que corresponde aproximadamente à ocupação contínua marginal ao longo da Rua Primeiro de Maio (designada Rua Direita no séc. 17); a O. deste, o polo de SÃO SEBASTIÃO, onde se localiza a Capela de S. Sebastião (v. IPA.00021409) inserida em tecido orgânico muito alterado, contido a S. pela Rua 1º de Maio e a O. pela Rua Alfredo Dinis (antiga estrada para Bucelas), e o polo da ESTRADA, na entrada O. do núcleo antigo, onde se localizam a Quinta da Estrada (v. IPA.00034915) e Quinta Azul (v. IPA. 00034916) contíguas à EN, cujas casas são enquadradas por espaços não edificados. A área agrícola da Quinta da Estrada, atravessada a meio pela ribeira de Santa Clara, constitui um espaço-charneira entre os dois aglomerados vizinhos. Traçado composto por um eixo fundamental, EN 115 (antiga Estrada Real) de ligação entre Lisboa e Vila Franca de Xira, por Loures, atual eixo Rua Alfredo Dinis / Rua Primeiro de Maio (Rua Direita). Duas vias secundárias entroncam perpendicularmente na EN, desenvolvendo-se para S. em direção à várzea: o eixo Rua da Igreja / Rua do Tazim a E. e a Rua da Ribeirinha a O. A ocupação ao longo da Rua 1º de Maio (Rua Direita), no troço compreendido entre a Rua da Ribeirinha e a Rua da Igreja, é contínua e linear, com edifícios de 1 e 2 pisos. Nesta frente de rua destacam-se a casa da Quinta Pequena (v. IPA.00034918) e a Casa da Quinta da Bandeira (v. IPA.00034919), dotadas de significativas áreas verdes contíguas às construções que se estendem para S. Constituem espaços públicos de referência, a E., o pequeno largo ajardinado de configuração trapezoidal, na interseção da Rua Alfredo Dinis com a Rua da Igreja, com zona de estar. É enquadrado do lado E. por casa térrea em gaveto com telhado sanqueado e respetivo muro (v. IPA. 00034920), e do lado O. pela fachada lateral esquerda da casa da Quinta da Bandeira. Este pequeno largo articula-se do lado S. com o Largo da Igreja, de configuração irregular, onde se localizam a igreja matriz (v. IPA.00020201) e a Capela do Espírito Santo (v. IPA.00021408). Para S. do largo da igreja desenvolve-se o eixo da Rua da Igreja / Rua do Tazim em direcção à várzea. No seguimento deste eixo para S. a permeabilidade do tecido urbano na envolvente do núcleo permite sucessivos enquadramentos visuais sobre a várzea e rio Trancão. Na entrada O. uma zona de estar pavimentada acompanha o traçado da Rua Alfredo Dinis, antiga EN 115-5, do lado S. contornando o muro da Quinta da Estrada na proximidade do Chafariz (v. IPA.00034917). Beneficiando da situação de miradouro existente, o local proporciona vistas panorâmicas para S., favorecendo a proximidade visual da várzea.

Acessos

A8, saída 3 (Loures / Bucelas), EN115 e EN115-5 em direção a Bucelas, Rua Alfredo Diniz que se prolonga pela Rua 1.º de Maio, no atravessamento do aglomerado.

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Implantado em planície, na zona de transição entre a encosta do Complexo Vulcânico de Lisboa e a zona aplanada da Várzea de Loures. Insere-se na unidade de paisagem Terra Saloia, subunidade da Baixa de Loures e Encostas Envolventes. A variação altimétrica situa-se entre os 35 m de altitude, que se verificam no extremo NO., na Quinta Azul (v.IPA.00034916), e os 12 m, na ribeira de Santa Clara, no extremo SO. do núcleo, junto ao limite da freguesia. O espaço edificado situa-se à cota média de 18m de altitude. A ribeira de Santa Clara é a única linha de água presente, atravessa o núcleo de N. para S., efetuando o limite E. da Quinta Azul, passa canalizada sob a EN 115-5, continuando para S., onde separa em duas metades a área agrícola da Quinta da Estrada (v. IPA.00034915); a S. do núcleo, na Várzea de Loures, a ribeira junta-se à ribeira de Fanhões, no designado Esteiro da Princesa. A geologia expressa a transição da encosta para a várzea. A Quinta Azul que se posiciona à cota mais elevada, apresenta-se sobre três estratos geológicos distintos: o complexo vulcânico de Lisboa, a Formação de Benfica, com intercalações calcárias (calcários de Alfornelos) e, junto à ribeira, os aluviões; a povoação de São Julião do Tojal situa-se sobre a Formação de Benfica, conglomerados, arenitos e argilitos; os terrenos agrícolas a S. da EN115-5, planos e fronteiros à várzea, encontram-se, maioritariamente, sobre aluviões-aterros e depósitos de terraços fluviais. Os solos são muito produtivos a S. da EN115-5, nos terrenos agrícolas da Quinta da Estrada, onde dominam os coluviossolos ou solos de baixas não calcários, e nas Quintas Pequena (v. IPA.0003418) e da Bandeira (v. IPA. IPA.0003419), onde dominam os aluviossolos antigos não calcários. Na envolvente S. a paisagem rural é formada por terrenos aluvionares agricultados e áreas construídas de génese ilegal. A N. da povoação dominam os solos calcários pardos, menos produtivos do que os anteriores. Em resultado da elevada fertilidade, os solos foram ocupados por culturas hortícolas e cerealíferas até à presente década, sendo o abandono da produção recente. A vegetação dominante é a resultante do abandono agrícola, prados naturais, canas e caniços na margem da linha de água, entre as espécies arbóreas destacam-se as oliveiras (em alinhamento denso e em quadrícula dispersa). Estão presentes algumas árvores exóticas nos logradouros das casas e no espaço público, e alguns alinhamentos formando sebe junto aos muros que delimitam as propriedades. O núcleo urbano situa-se na Área Metropolitana de Lisboa, a N. da capital e a NE da sede do concelho de Loures, da qual dista cerca de 5 km. Confina a N. com indústria, área habitacional e terrenos de cultivo próximos da Via de Cintura da Área Metropolitana de Lisboa; a E. com o cemitério de São Julião do Tojal e terrenos de cultivo; a S. com terrenos de cultivo (alguns em abandono de produção) e a O. com área urbana de Santo Antão do Tojal, povoação à qual se liga pela Rua 25 de Abril. O limite O. de São Julião do Tojal coincide com o limite administrativo da freguesia *2. Na envolvente, a NE., destaca-se a Quinta de Valbom (v. IPA.00034927) localizada entre a Rua Alfredo Dinis (EN 115) e a Via de Cintura. Da área agrícola S. avista-se o conjunto monumental de Santo Antão do Tojal (v. IPA. 00005971).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Não aplicável

Afectação

Não aplicável

Época Construção

Séc. 12

Arquitecto / Construtor / Autor

Não aplicável

Cronologia

1176 - doação das terras do Tojal aos frades de São Vicente de Fora por D. Afonso Henriques; séc. 12 - fundação da Igreja de São Julião do Tojal pelo Mosteiro de São Vicente de Fora da cidade de Lisboa; 1218 - D. Afonso II concede ao Mosteiro dos Cónegos de S. Vicente, todas as terras do Tojal, com todas as suas águas, azenhas, moinhos e marinhas, montados, devesas, campos, olivais, vinhas, casais e casas do lugar, que poderia ter até 100 vizinhos, no qual o mosteiro teria toda a jurisdição civil e criminal, sendo prior D. Gonçalo Mendes; séc. 16 - fundação da Capela do Espírito Santo com hospital anexo e da Capela de São Sebastião; 1606 - A planta incluída no Tombo do mosteiro de São Vicente de Fora apresenta a povoação organizada em três polos distintos: a E. designava-se por LUGAR DA ESTRADA, englobando a N. as casas do desembargador Simão de Oliveira e Costa e do Dr. Gaspar Barreto de Brito, que deram origem à casa da Quinta Azul, e a S., as casas e quinta das terras junto ao ribeiro de Santa Clara já então rodeada de muros, de Inofre Alentão e de sua mulher, Joana de Campos, que deram origem à atual Quinta da Estrada cujo limite S. sempre separou as terras do Mosteiro de São Vicente de Fora das terras da Mitra; o polo central, dito de SÃO SEBASTIÃO, marcado pela capela quinhentista de São Sebastião e pelas casas sobradadas construídas por Fernão Dias em 1572 e, posteriormente, compradas por Diogo Soares, Secretário de Estado do Conselho de Portugal em Madrid no tempo de Filipe IV; estas duas únicas construções eram rodeadas a N. e a E. por olival de considerável dimensão; o polo O., designado por LUGAR DE SÃO JULIÃO DO TOJAL, com desenvolvimento linear ao longo da estrada real, apresentava duas frentes edificadas contínuas, a N. e a S. as casas notáveis destacavam-se pela escala, sempre de dois pisos, maior área de implantação e maior largura da frente; as casas comuns, de um ou de dois pisos, implantavam-se em lotes estreitos, perpendiculares à via; a configuração de algumas destas parcelas manteve-se até ao séc. 20; o adro da igreja era um espaço público que suportava edifícios e atividades importantes e para o qual confluía a maior parte das vias; aqui se situavam a igreja paroquial, o lagar e o celeiro do Mosteiro de São Vicente de Fora, junto às casas de hospedaria dos cónegos regrantes de Santo Agostinho, a E., a capela e hospital do Espirito Santo e as casas nobres de Diogo Soares a O.; para o adro se dirigia uma importante serventia de traseiras, tortuosa *3, que o articulava com o Serrado de Diogo Pais, futura Quinta Pequena, com as casas nobres e Serrado de Diogo Soares, futura Quinta da Bandeira e, com ligação também à Estrada Real; a N. do lagar e celeiro do Mosteiro, partia para E. uma serventia de traseiras em direção a um pequeno largo, junto à Estrada Real, onde atualmente se encontra um poço com chafariz (v. IPA. 00034921); o adro articulava-se em dois pontos com a Estrada Real, separados por uma casa de dois pisos e seu quintal murado (v. IPA.00034920); para S., caminhos de ligação com as marinhas do Mosteiro, cais de embarque e moinho de água; ao centro do lugar, para NO., abria-se um caminho em direção à fonte da Quinta de Valbom (v. IPA.00034927), através dos olivais da Corredoura; na parte urbana deste caminho, a seguir às casas, do lado O., situavam-se o curral do concelho e o açougue; para E., desenvolvia-se também a partir da Estrada Real um importante espaço de natureza lúdica, o Jogo da Bola, do qual não restam vestígios atualmente; 1758 - Memórias Paroquiais referem que a povoação tinha trezentos habitantes; 1764 - Na planta da Várzea de Loures, levantada por Luis de Alincourt e Eusébio A. de Ribeiros, o aglomerado mantém a sua configuração tripartida, com o polo das Quintas Azul e da Estrada a O., o polo em torno da capela de S. Sebastião com nove edifícios que se densificou muito nesta centúria (uma vez que em 1606 só possuía dois), e a E. ,povoação linear terminando no adro da Igreja Matriz e Capela do Espirito Santo, constatando-se que a área do adro foi reduzida por construções avançadas de ambos os lados da capela do Espirito Santo; do lado direito do caminho que vai para a fonte da Quinta de Valbom, existia um lote vago em resultado de uma demolição feita no séc. 17 das casas sobradadas pertencentes a António Soares, que fora partidário do Prior do Crato e por esse motivo perdera os seus bens; a demolição foi feita por seu primo Diogo Soares, do partido filipino e o espaço manteve-se desocupado até à segunda metade do séc. 20; na banda S. da Estrada, junto às casas nobres que haviam sido de Diogo Soares, foram demolidas as casas grandes sobradadas localizadas a O., posteriormente substituídas por edifícios de apoio à produção agrícola; séc. 20, primeira metade - densificação com ocupação industrial entre o polo das quintas a O. e o polo da Capela de São Sebastião; progressão da construção marginal ao caminho para a fonte da Quinta de Valbom; séc. 20, último terço - expansão linear para N. ao longo da Rua Alves Redol, sobre o antigo caminho para a fonte, expansão para E., ao longo da EN115 e ocupação dos logradouros do edificado pré-existente; expansão habitacional para além do núcleo tradicional, mediante transformação do solo rural em solo urbano por loteamentos de baixa densidade, a N. da EN; séc. 21, construção de escola básica e jardim-de-infância na Rua Alves Redol, integrada na zona de expansão habitacional; 2001, 8 outubro - PDM, RCM 149 149/2001, DR 233 1ª série - B*1; 2013, 28 janeiro - a povoação passa a pertencer à União das Freguesias de Santo Antão e São Julião do Tojal por agregação das mesmas, pela Lei n.º 11-A/2013, DR, 1.ª série, n.º 19.

Dados Técnicos

Não aplicável

Materiais

Não aplicável

Bibliografia

AA.VV. - Património Cultural Construído. Loures: Câmara Municipal de Loures, 1988; CASTRI, João Baptista de - Mappa de Portugal Antigo e Moderno. Lisboa: Oficina Patriarcal de Francisco Luiz Ameno, 1763, tomo III, p. 471; COSTA, António Carvalho da - Corografia Portuguesa. Lisboa: Oficina Real Deslandesiana, 1712, tomo II, p.613; SEQUEIRA, Gustavo de Matos - A Abelheira e o Fabrico do Papel em Portugal. Lisboa: s.n. 1935; SILVA, Carlos Guardado - O Mosteiro de S. Vicente de Fora, a comunidade regrante e o património rural (séculos XII-XIII). Lisboa: Colibri, 2002.

Documentação Gráfica

IHRU: SIPA; DGARQ/TT: desenho aguarelado e esquema planimétrico, Cónegos Regulares de St.º Agostinho, Mosteiro de S. Vicente de Fora, liv. 22, 1606; IGP: Mapa topográfico, séc. 18, Luís de Alincourt e Eusébio A. De Ribeiros (CA 127); C.M.Loures.

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA; CMLoures: arquivo Divisão Planeamento Municipal e Ordenamento do Território

Documentação Administrativa

DGARQ/TT: Memórias Paroquiais, 1758; Cónegos Regulares de St.º Agostinho, Mosteiro de S. Vicente de Fora, liv. 22, 1606 e liv. 25, 1695; CMLoures.

Intervenção Realizada

Observações

*1 Aglomerado incluído no levantamento do património cultural construído do Concelho de Loures de 1988, anexo ao regulamento do PDM de Loures, RCM 54/94, DR 161 1ª Série - B de 14 de Julho de 1994 (1ª publicação). *2 A freguesia de São Julião do Tojal confina a N. com as freguesias de Bucelas e Fanhões; a S. com as freguesias de Unhos, Frielas e São João da Talha; a E. com o concelho de Vila Franca de Xira e a O. com a freguesia de Santo Antão do Tojal. *3 Em 1695 esta azinhaga encontrava-se fechada à circulação.

Autor e Data

Fernanda Ferreira, Frederico Pinto, Madalena Neves, Manuel Villaverde (CMLoures) 2013 (no âmbito da parceria IHRU / CMLoures)

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