Convento de Santo António da Convalescença / Universidade Internacional

IPA.00003026
Portugal, Lisboa, Lisboa, São Domingos de Benfica
 
Arquitectura religiosa, barroca e oitocentista. Convento de frades franciscanos capuchos, de planta rectangular simples, composto por templo e zona conventual, desenvolvida no lado direito, em torno de um claustro quadrangular, com três alas por lado, todas com acesso para a quadra, com o piso inferior formado por arcadas de volta perfeita assentes em pilares toscanos, surgindo, na superior, duas alas abertas com pilares de cantaria e duas fechadas, rasgadas por janelas de peitoril. As alas têm coberturas em abobadas de aresta e pavimento em cantaria de calcário preto e branco, para onde abrem várias salas em arco de volta perfeita; a quadra possui quatro canteiros recortados e a zona central, onde surgem vestígios do antigo chafariz. A zona conventual encontra-se muito remodelada, apresentando uma fachada principal neoclássica, simétrica, com a zona central rematada em frontão triangular, dividida em panos regulares rematados por platibanda balaustrada, sendo rasgada regularmente por vãos rectilíneos, o mesmo acontecendo na fachada lateral direita. Tem o interior composto por corredores de tectos planos, que acedem, por portas de verga recta, a várias dependências, com acesso por vestíbulo rebaixado, com cobertura em estuque oitocentista.
Número IPA Antigo: PT031106390387
 
Registo visualizado 1478 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Ordem de São Francisco - Franciscanos Capuchos (Província de Santo António)

Descrição

Planta rectangular simples, desenvolvida em torno de claustro quadrangular, de volume homogéneo com coberturas em telhados diferenciados de duas, três e quatro águas. Fachadas revestidas a azulejo de padrão policromo, desigual, constituindo um reaproveitamento, percorridas por embasamento de cantaria, com cunhais apilastrados e evoluindo em dois pisos, divididos por friso de cantaria, rematando em friso, cornija e platibanda balaustrada, com acrotérios paralelepipédicos, encimados por pequenos pinocos. Fachada principal virada a NE., simétrica, composta por cinco panos delimitados por pilastras toscanas colossais. O pano central, rematado por frontão triangular, com tímpano vazado por óculo circular, protegida por grade de ferro forjado com decoração concêntrica, rodeado por enrolamentos de acantos em estuque, possui, no piso inferior revestimento a azulejo policromo seiscentista, policromo azul e amarelo, formando padrão de alcachofras, com os vãos rodeados por friso de óvulos e dardos, sendo rasgado por três vãos rectilíneos, com molduras simples de cantaria e remates em friso e cornija, correspondendo a porta central e a duas janelas de peitoril com enorme pano de peito, recortado. No piso superior, forrado com azulejo policromo oitocentista, com os vãos envolvidos por azulejo monocromo verde, formando duplas molduras, surge uma sacada corrida, com bacia de cantaria com perfil curvo e assente em seis mísulas de cantaria, tendo guarda de ferro forjado vazado, criando elementos geométricos, para onde abrem três portas-janelas com molduras simples de cantaria e rematadas por friso e cornija. Os panos imediatos são forrados a azulejo semelhante nos dois pisos, de padrão oitocentista, policromo, com os vãos rodeados por azulejo de tom azul; cada um dos panos é rasgado, no primeiro piso, por três janelas de peitoril rectilíneas, com molduras simples e assentes em cornija, surgindo, no piso superior, três janelas de sacada, com bacias rectilíneas de cantaria, com guardas em ferro forjado, para onde abre uma porta-janela rectilínea, com moldura simples de cantaria. Os panos exteriores, voltam a ter a mesma dicotomia de revestimento de azulejo do pano central, surgindo, no exterior, duplas pilastras, surgindo entre elas barras de azulejo; no piso inferior, surge janela de peitoril semelhante às do pano central, encimada por janela de sacada, com bacia rectilínea em cantaria assente em duas mísulas e guarda em ferro forjado vazado, formando entrelaçados, para onde se abre porta-janela rectilínea com moldura simples e remate em friso e cornija. Fachada lateral esquerda, virada a NO.., parcialmente adossada a edifício comercial, sendo visível a parede rebocada. Fachada lateral direita, virada a SE., com os dois pisos divididos por friso de cantaria e cinco panos definidos por pilastras toscanas colossais, apenas o do extremo esquerdo com remate em platibanda balaustrada, sendo os demais rematados em platibanda plena, escalonada, revestida a azulejo de padrão e rasgada por vãos rectilíneos. O pano do lado esquerdo possui tripla pilastra divididas por barras de azulejo, sendo os dois pisos revestidos a azulejos de padrão distinto, ambos oitocentistas; no piso inferior, por janela de peitoril com moldura simples e por porta encimada por bandeira em arco abatido, correspondendo ao acesso a uma zona comercial; no piso superior, duas janelas de peitoril. O pano imediato possui o mesmo tipo de revestimento de azulejo, com porta de moldura simples, de acesso à zona comercial, ladeada por janela entaipada, que inscreve azulejo de padrão pombalino, com moldura do mesmo teor. O pano central possui uma porta encimada por janela de peitoril, ambos com molduras de cantaria, tendo, no piso inferior, padrão de azulejo seiscentista, de acantos; no pano imediato, uma porta e uma janela de peitoril entaipada, encimadas por duas janelas de peitoril, uma delas entaipadas; ambos os vãos entaipados possuem azulejo de padrão pombalino, semelhante ao anterior. O pano do extremo direito possui revestimento a azulejo de padrão seiscentista de acantos, rasgado por porta e uma janela de peitoril entaipada, com padrão de azulejo pombalino. A fachada prolonga-se num pequeno muro côncavo, de alvenaria rebocada e pintada de branco, onde se inscreve a porta carral, de verga recta e protegida por duas folhas metalizas, rematando em friso e cornija e pequeno espaldar curvo, volutado e ornado por botão, rematado por urna do tipo Médicis. Fachada posterior formando um L. correspondendo ao corpo principal e a um muro que prolonga a quadra no lado E.; o primeiro é rasgado por uma porta de verga recta, ladeada por duas janelas de peitoril, protegidas por grades e todas com molduras simples, em cantaria de calcário; no segundo piso, uma janela de sacada e duas de varandim, com guardas de ferro forjado, formando enrolamentos e elementos geométricos. A porta do piso inferior dá acesso a umas escadas e a um pátio elevado relativamente ao piso anterior, pavimentado a calçada de calcário, onde surge uma estrutura em metal e vidro, constituindo o bar. O corpo em L tem o bar adossado ao primeiro piso, surgindo, no segundo, quatro janelas de peitoril, com molduras simples de cantaria. INTERIOR composto por vestíbulo quadrangular, com acesso por escadas de calcário e pavimento do mesmo material, com paredes percorridas por silhar calcário e rebocadas e pintadas de cinza, rematadas por friso e cornija de estuque. No lado esquerdo, uma guarita, correspondendo às instalações do segurança, possuindo portas laterais e uma frontal, com acesso por escadas, todas em arco de volta perfeita, com fecho saliente e assente em pilastras de fustes almofadados. Esta acede ao claustro, quadrangular composto, no piso inferior, por três arcos de volta perfeita assentes em pilares toscanos de cantaria, com pavimento em calcário branco e preto, formando elementos geométricos, e coberturas em abóbadas de aresta saliente, pintadas de bege e branco. No piso superior, a quadra é reentrante, possuindo nas alas E. e O. dois pilares, actualmente fechados por estrutura metálica e em vidro, surgindo nas demais três janelas de peitoril rectilíneas. A quadra possui quatro canteiros laterais, cada um deles com uma enorme palmeira. Para cada ala, abrem três portas de volta perfeita, semelhantes à do vestíbulo; estas abrem para a secretaria, no lado O. e salas de aula. Na ligação ao bar, surge um recanto com dois painéis de azulejo figurativo, azul sobre fundo branco, representando cenas de género que se complementam, com uma aguadeira e um chafariz com vários personagens em redor. No piso inferior, na ala S., surge uma porta que acede a escadas de madeira e guarda de ferro forjado pintado de bege e com corrimão de madeira, de três lanços, os dois superiores paralelos e convergentes, de acesso ao segundo piso, formado por corredores com pavimento em ladrilho cerâmico e cobertura em tecto plano, rebocado e pintado de branco, para onde abrem várias portas rectilíneas, de acesso à biblioteca, na ala E., a salas de aula e, no lado O., à zona da administração.

Acessos

Estrada de Benfica, n.º 275: Rua de São Domingos de Benfica, n.º 1-7

Protecção

Incluído na Zona de Proteção do Palácio dos Condes de Farrobo (v. IPA.00003183)

Enquadramento

Urbano, integrando-se num amplo quarteirão, com a fachada lateral esquerda adossada a edifício de habitação, com a oposta a formar gaveto. Encontra-se implantado em zona de amplo declive, com a fachada principal a abrir para a Estrada de Benfica, de que se separa por um estreito passeio, pavimentado a calçada de calcário, protegido por elemento metálico na zona frontal. Fronteiro, situa-se o Jardim Zoológico (v. PT031106390437) e o Chafariz de Santo António da Convalescença (v. PT031106390231).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Comercial: estabelecimento de restauração / Devoluto

Propriedade

Privada: pessoa colectiva

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1640 - fundação de um convento de religiosos capuchos da Província de Santo António *1 com a invocação de Santo António, por iniciativa do correio-mor do reino Duarte Gomes da Mata que torna o novo cenóbio, destinado aos frades convalescentes, patronato dos correios-mores do reino, o qual deu o terreno e 200$000; o edifício vai surgir junto a uma capela, existente no local da Cruz da Pedra; 1651 - no edifício, inicia-se vida religiosa, sendo eleito um presidente "in capite"; 1663, 3 março - o monarca dá autorização para que Duarte Gomes da Mata receba o Padroado do Convento, da Província de Santo António dos Capuchos; inicia-se a construção do edifício conventual, com um dormitório de 7 celas, em que o padroeiro gastou a quantia de 600$000; 1669, setembro - testamento do padroeiro, Duarte Gomes da Mata, tendo deixado ao convento 60$000 de juro anuais para a subsistência e 100$000 para hábitos; o Padroado permanecia na sua família; 1682 - data do primeiro livro de contas; julho - aquisição de um calabre para a nora do poço; Novembro - são pagas, ao torneiro, peças para a custódia, no valor de 1$000; compra de um candeeiro de bronze para o refeitório, por $400; séc. 17, final - o convento recebe dádivas generosas de D. Catarina de Bragança, D. Maria de Noronha, mulher do 1.º Conde de Coculim, D. Joana Madalena de Noronha, 4.ª Condessa da Ericeira, e dos Duques do Cadaval; 1696, 8 Novembro - falecimento do 3.º padroeiro do convento, Duarte de Sousa Mata Coutinho, o primeiro a fazer-se sepultar no local; o seu sucessor, decide, então construir uma nova igreja, para o doava, mensalmente duas moedas de ouro; séc. 18, início - a comunidade recebe esmolas do arcebispo D. João de Sousa, Luís de Vasconcelos e Sousa, 3.º Conde de Castelo Melhor, D. Mariana de Lencastre, os Condes de Coculim e os Condes de Sarzedas; 1702 - o hospício é elevado a convento, sendo nomeado um guardião; 1704-1705 - colocação de ladrilho na igreja e feitura do muro da cerca; 1714 - foi sepultada na igreja D. Joana Madalena de Castro, irmã do padroeiro; 1716 - projecto de construção de um novo templo; 1735 - documento que descreve o imóvel, referindo que a igreja tinha por orago Santo António, tendo as imagens de Nossa Senhora da Conceição, do Menino Jesus, São Francisco e Santo António; no arco triunfal, as armas do Padroeiro; 1721, 1 Outubro - enterramento de D. Maria Madalena de Castro no lado da Epístola, junto às grades da capela-mor, à direita do confessionário; 1725 - feitura e douramento do relicário do Santo Lenho, por 20$400; 1731 - materiais para a feitura dos candeeiros da capela, por 24$290; 1732 - pagamento de 19$200 a um entalhador, para trabalho desconhecido; 1735, 18 maio - morte de Luís Vitório de Sousa da Mata Coutinho, sem ter concretizado o seu projecto de construção de um novo templo; 1743, 28 novembro - é sepultada no convento D. Isabel Caffaro que, durante a menoridade de seu filho, dirigiu os Serviços Postais do reino; 1746, 8 setembro - início da reedificação da igreja conventual, segundo projecto elaborado em 1716, com o lançamento da primeira pedra; 1752, 12 junho - benção da nova igreja por Frei António de Santo Estêvão; 1754 - conclusão das obras do templo; 1755, 1 novembro - o terramoto causou graves danos não só à igreja mas sobretudo às restantes dependências conventuais; os ofícios passaram a efectuar-se numa barraca anexa; 1760, 09 janeiro - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco José de Melo Pinto da Silva, é referido que o convento é do padroado dos correios-mores do Reino, tendo 20 religiosos e estando refugiados numa barraca na cerca do Convento; 1775 - construção da nova igreja; 1778 - conclusão da construção do novo templo *2; 1780 - a Capela do Senhor Jesus da Paciência estava concluída, tendo-se transferido a imagem para o local; 1781 - referência à Confraria do Senhor Jesus da Paciência, que pedia autorização para realizar uma feira franca anual, em frente ao templo, o que foi indeferido; criação da Confraria de Nossa Senhor das Dores; 1784 - doação de 120$000 por Joaquim Pedro Quintela para obras na zona do convento; Pina Manique doa 19$200 para o douramento do púlpito; 1785 - residiam no convento 25 religiosos; procede-se a um inventário do templo e parte do convento *3; 1790 - o convento deixa de ser patronato dos correios-mores do reino, sendo seu último patrono Manuel da Maternidade da Mata de Sousa Coutinho, conde de Penafiel; 1791 - foram plantados na cerca 500 pés de árvores de fruto, tendo-se criado um chão para horta, zona de semeadura; construção de um poço e tanque de rega; 1798 - execução de um sino de 13 arrobas, doado por D. João VI; 1801 - termina o pagamento do órgão, que custou 300$000, para o qual contribuiu com 112$600 réis Joaquim Pedro Quintela, que viria a ser dourado posteriormente por 105$600 réis; 1813 - o Padroado da Capela foi doado à Viscondessa da Lapa; 1822 - residiam no convento 10 religiosos; 1834 - aquando da expulsão das ordens religiosas o convento contava 12 monges; a biblioteca tinha, apenas, 200 volumes; 9 Abril - a igreja e sacristia foi entregue ao pároco de São Sebastião da Pedreira, que transferiu algumas imagens e alfaias, tendo o restante dado entrada no Depósito de Objectos dos Conventos extintos; 23 outubro - auto de avaliação do convento, que valia 2:800$000, incluindo a cerca; final - o edifício foi alugado a José de Araújo Pereira Guimarães, por 30$500 anuais; 1836, 29 janeiro - o edifício foi a praça pública, tendo sido adquirido pelo banqueiro liberal João Gomes da Costa por 5:600$000, que converte o antigo complexo arquitectónico conventual em residência de veraneio e abre janelas para a Estrada de Benfica; 1846 - por falecimento de João Gomes da Costa a propriedade passa para a posse de seu filho José Gomes da Costa; 1863 - aquisição do cruzeiro do convento pelo Conde de Farrobo, tendo sido colocado no interior da sua Quinta; 1875 - aquisição do imóvel pelo arquitecto José Maria Nepomuceno, por 5:000$000, o qual efectua grandes obras e o transforma num museu destinado a albergar as suas colecções tendo revestido a fachada com azulejos dos sécs. 17 e 18; 1895 - falecimento do proprietário, tendo a herança que ser partlhada pelos seus sete filhos; 1897 - procede-se ao leilão do espólio; 1899 - aquisição da propriedade por Marcos Bensabat (1852 - 1936) por 12 contos de reis; 1916 - um funcionário do Ministério da Justiça visitou o templo e verificou que se encontrava abandonado e sem culto; Luciano Freire visita o templo e transfere para o Museu de Arte Antiga as imagens de Santo António, São Francisco de Paula e Santa Ana, um alto-relevo de madeira, dois brasões pintados, uma pia de mármore esculpida e os azulejos que forravam o vestíbulo e capela-mor; levou, ainda, uma custódia; 1922 - o que restava da igreja foi incorporado nos bens da Fazenda Nacional; 1922-1924 - a igreja encontrava-se aberta, o que provocou inúmeros estragos no interior; 1924 - o espaço foi alugado a Manuel Teixeira Duarte, que instalou no local uma carpintaria; 1927 - o Estado vendeu a igreja a Ernst Dachnhardt, presidente da Congregação Evangélica Alemã, para aí instalar o seu templo, verificando-se que as despesas de restauro e adaptação seriam enormes; 1926 - o templo foi alugado à Sociedade Técnica de Construções Lda.; 1931 - templo alugado à Carpintaria Mecânica Aliança; 1932 - a igreja foi vendida a Nuno de Barros; 1935 - Marcos Bensabat vende a propriedade a Saul Saraga, seu sobrinho, e Joaquim Fernandes por 152.000$00; 1938 - 1942 - o escultor Salvador Barata Feyo tem atelier na antiga igreja conventual; 1946 - instalação no edifício (como inquilina dos proprietários) da Escola Técnica Elementar Pedro de Santarém; 1950 - eram proprietários Saul Saraga e Emídio Gonçalves; é instalada no local a Escola Preparatório Marquesa de Alorna 1951 - início da demolição da antiga igreja conventual, cujo recheio incorporara o acervo do Museu Nacional de Arte Antiga; 1958 - a Escola Preparatória Marquesa de Alorna muda para novo edifício; 1960 - o templo foi inscrito na Conservatória do Registo Predial como pertencente à Sociedade Comercial Sousa Braga & Filhos Lda.; demolição do que restava da igreja, sendo o terreno adquirido por Elizabeth Dias Teixeira, onde se construiu um edifício residencial; 1969 - a Escola Preparatório Pedro de Santarém abandona o edifício; 1972 - instalação no imóvel da Escola Preparatória Professor Delfim Santos; 1981 - saída do edifício da Escola Preparatória Professor Delfim Santos; 1984, Outubro - instalação no imóvel da Universidade Internacional; 2009, Outubro - a Universidade Internacional deixa de ocupar o edifício, que fica devoluto.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria mista de calcário e tijolo, rebocada e pintada; modinaturas, plaibanda, acrotérios, pináculos, frisos, pilastras, espaldares, pavimentos, pilares em cantaria de calcário; elementos decorativos a estuque; revestimento a azulejo tradicional seiscentista e industrial do séc. 19; painéis de azulejo tradicional; guardas em ferro forjado; cobertura em telha.

Bibliografia

AAVV, Dicionário de História Religiosa de Portugal, 4 vols., Lisboa, Círculo de Leitores, 2001; BARBOSA, Inácio Vilhena, Fragmentos de um Roteiro de Lisboa (Inédito), in Annuario do Archivo Pitoresco, Vol. VI, Lisboa, Castro & Irmão, 1863; CAEIRO, Baltazar Matos, Os Conventos de Lisboa, Lisboa, 1989; CONSIGLIERI, Carlos e OUTROS, Pelas Freguesias de Lisboa. O Termo de Lisboa, Lisboa, 1993; DIAS, Marina Tavares, Lisboa Desaparecida, Vol. 3, Lisboa, 1992; FERREIRA, Godofredo, O Convento de Santo António da Convalescença, Lisboa, 1962; FERREIRA, Jorge Rodrigues, São Domingos de Benfica. Roteiro, Lisboa, 1991; LEAL, Augusto Soares de Azevedo Barbosa Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Vol. I, Lisboa, 1873; MATOS, Alfredo, PORTUGAL, Fernando, Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1974; MENDES, Vera, O Convento de Santo António da Convalescença, Lisboa, 1996; PEREIRA, Luis Gonzaga, Monumentos Sacros de Lisboa em 1833, Lisboa, 1924; PROENÇA, Raul, (dir. de), Guia de Portugal, Vol. I, Lisboa, 1924; PROENÇA, Pe. Álvaro, Benfica Através dos Tempos, Lisboa, 1964.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA, DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

CML: Arquivo de Obras (Processo n.º 41.421); DGARQ/TT: Institutos Religiosos (Benfica, Convento de Santo António da Convalescença, n.º 288)

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1899 - transformação de janela em porta (na fachada que dá para a Rua de São Domingos de Benfica); 1900 - abertura de janelas na cavalariça funcionando na Rua de São Domingos de Benfica, n.º 1; 1909 - transformação de porta em portão (Rua de São Domingos de Benfica); 1921 - reparação, por ameaçar ruína, de muro dando para a Estrada de Benfica; 1925 - demolição do mesmo muro; 1927 - obras de beneficiação geral; 1932 - transformação de janela em porta na fachada virada à Rua de São Domingos de Benfica; 1941 - obras de beneficiação geral; 1946 - obras de adaptação para instalação da Escola Técnica Elementar Pedro de Santarém, com a construção e demolição de paredes interiores, transformação de portas e janelas; 1957 - reparações várias no estabelecimento da Rua de São Domingos de Benfica, n.º 7; 1959 / 1963 - diversas obras, na Escola Pedro de Santarém, de reparação dos danos provocados pela demolição da antiga igreja conventual; 1974 - obras de reparação de muro; 1988 - montagem de 2 pavilhões pré-fabricados (para fins pedagógicos) no logradouro.

Observações

*1 - a Província de Santo António, uma das primeiras com fundação capucha em Portugal, destacou-se, em 1565, da Província de Portugal, como Custódia, tendo passado a Província em 1568; ao longo da sua existência herdou ou fundou os seguintes conventos: Santo António da Castanheira (1402, v. PT031114090015), Santa Catarina da Carnota, em Alenquer (1408, v. PT031101110013), Santo António do Pinheiro, na Chamusca (1519, v. PT031407030031), Nossa Senhora do Amparo, em Verdelha (1553), Santo António dos Capuchos, em Lisboa (1570, v. PT031106450153), Nossa Senhora do Loreto, em Paio de Pele (1572), Santo António de Penela (1576, v. PT020614050004), Nossa Senhora dos Anjos, em Sobral de Monte Agraço (1590), Santo António da Aldeia Galega da Merceana (1600, v. PT031101020046), Santo António da Pedreira, em Coimbra (1602, v. PT020603020213), Santo António da Sertã (1675, v. PT020509120008), Santo António de Cantanhede (1675, v. PT020602040021), São José de Cernache de Bonjardim (1699), Nossa Senhora do Cardal, em Pombal (1707, v. PT021015090017), Santo António da Anadia (1750), Santo António da Lousã (1750, v. PT020607030039), Santo António de Condeixa (1750, v. PT020605110015). *2 - conhece-se a planta da igreja, por um levantamento efectuado pela Câmara Municipal de Lisboa, a qual tinha planta longitudinal composta por nave, capela lateral adossada, dedicada ao Senhor Jesus da Paciência, capelas laterais, e capela-mor mais estreita, tendo, no lado do Evangelho, uma porta de acesso à sacristia. A fachada principal rematava em frontão triangular, tendo dois registos separados por friso e cornija, divididos em cinco panos, os laterais cegos, separados por duas ordens de pilastras toscanas, as exteriores rematadas por fogaréus. Ao centro, portal axial em arco de volta perfeita, ladeado por janelas rectilíneas com molduras recortadas, encimado por janelão com o mesmo perfil, flanqueado por dois semelhantes. Em frente ao convento, existia um cruzeiro, datado do séc. 15-16, mandado fazer por Pedro Anes, onde se manteve até à extinção. *3 - na capela-mor, onde se venerava o Santíssimo Sacramento, existia a imagem da Senhora do Bom Despacho, a imagem de São Francisco e Santo António, tendo um cofre de tartaruga marchetado de prata para o Santíssimo; tinha, ainda, um painel da Senhora do Carmo, um de Nossa Senhora da Conceição e um Santo Cristo em marfim, bem como um relógio de parede; na Capela de Santa Ana, uma imagem desta a ensinar a Virgem a ler, ambas com resplendor e coroa de prata, a imagem de São José com o Menino, a imagem do Menino e um Crucificado em pau-santo e marfim; na Capela de São João, a imagem do orago, uma da Senhor da vida, um relicário do Coração de Jesus e um painel com Nossa Senhora; a Capela da Senhor das Dores, esta com espada e diadema de prata; na Capela do Senhor Jesus da Paciência, iluminada por um lanternim na cobertura, um painel mural com o Senhor, um Crucificado de pau-santo, o Senhor morto, Santa Rita, quatro painéis dos arcanjos, com molduras douradas, um painel de Santa Ana, um de Cristo morto, outro do Senhor dos Passos e outro da Adoração dos Reis Magos, surgindo, ainda, dois espelhos com molduras de talha douras, um cálice e uma patena, um relicário de prata e quatro de madeira dourada, um lustre de cristal e alcatifa, estando protegida por grades bronzeadas; na sacristia, uma custódia de bronze dourada, com cálice do mesmo, surgindo outro de prata, com a respectiva patena, um Menino Jesus, outro de vestir, um Crucificado, um Cristo ressuscitado; no coro, um Crucificado de marfim com resplendor de prata, uma Nossa Senhora com coroa de prata, um São Joaquim e dois painéis grandes, bem como estantes; na Portaria, a imagem do Crucificado, um Santo António no altar e, nos nichos do adro, São Francisco e Santo António (FERREIRA, pp. 39-42).

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1996 / Paula Figueiredo 2008

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