Convento de Santo António dos Capuchos / Hospital de Santo António dos Capuchos

IPA.00003024
Portugal, Lisboa, Lisboa, Santo António
 
Arquitectura religiosa, maneirista. Convento franciscano capucho da Província de Santo António.
Número IPA Antigo: PT031106450153
 
Registo visualizado 4985 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino (casa-mãe)  Ordem de São Francisco - Franciscanos Capuchos (Província de Santo António)

Descrição

De planta rectangular, volumetria paralelepipédica e com cobertura de telhado a 2 águas. Alçado principal (SE) ostenta, ao nível térreo, um arco abatido de acesso à galilé, sobre o qual se observam 2 cartelas sobrepostas centradas; no nível superior encontram-se 3 janelas rectangulares coroadas de ática, terminando-se a fachada por frontão triangular com uma fresta ao centro. A galilé, defendida por grade setecentista de ferro forjado, é coberta por abóbada abatida e revestida de azulejos azuis e brancos historiados, datáveis do 2º quartel de Setecentos. O interior da igreja, actualmente funcionando como arquivo dos H.C.L., apresenta a sua nave única - para onde abrem capelas laterais profundas e comunicantes entre si coberta por abóbada de berço decorada com pintura ornamental monócroma, do séc. 20. A restante decoração da igreja resume-se ao lambril de azulejo azul e branco, de meados do séc. XVIII. A capela-mor, profunda e ladeada por altares de cabeceira, é igualmente coberta por abóbada de canhão decorada com estuques. O claustro apresenta ainda revestimento azulejar ao nível do lambril. Trata-se de azulejos do tipo albarradas e golfinhos com barra de volutas, datáveis da 1ª metade do séc. 18.

Acessos

Alameda de Santo António dos Capuchos; Rua de Santo António dos Capuchos; Calçada de Santo António

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 1/86, DR, 1.ª série, n.º 2 de 03 janeiro 1986 (igreja) *1 / Incluído na classificação do Campo dos Mártires da Pátria (v. IPA.00005967)

Enquadramento

Urbano, destacado, isolado

Descrição Complementar

Num pátio é visível a boca oitavada de uma cisterna revestida de azulejos azuis e brancos da 2ª metade de Setecentos, a qual funciona como base de um relógio de sol de 3 quadrantes onde é legível a data de 1586 e as iniciais F.P.L. Escadarias do Palácio Mello: "De particular significado no contexto da história da arquitetura doméstica, a entrada do Palácio Mello figura-se como um dos mais notáveis casos de escadaria barroca em Portugal (…) Este processo de aproximação resulta em Portugal de um conjunto de experiências realizadas ainda no século XVIII onde se destacam as escadarias do Palácio de Palhavã (…) As proporções dos espaços, o requinte do tratamento dos balaustres, o jogo de molduras dos arcos e portais, associado a um programa azulejar de notável pujança estética tornam, sem dúvida, este caso num dos mais originais e conseguidos espaços da arquitetura civil portuguesa. Pela sua adaptação à inclinação dos lances de escada e pela dinâmica e movimentação que imprimem no espaço são, sem dúvida, as cercaduras inclinadas que melhor evidenciam o notável virtuosismo e a complexidade conceptual deste conjunto" (A Casa Senhorial).

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Saúde: hospital civil

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 16 / 17

Arquitecto / Construtor / Autor

ESCULTOR João Crisóstomo Policarpo da Silva.PINTOR DE AZULEJOS Nicolau de Freitas (1703-1765)

Cronologia

1570 - colocação da 1ª pedra para a fundação do convento de Santo António dos padres Recolectos da Custódia de Santo António; 1579 - rezada a 1ª missa no convento erigido com reduzidos meios (que incluíram dádivas da Coroa) em terrenos doados designadamente por Diogo Botelho; 1688 - pedido de desembargador António Freitas Branco para obras no futuro palácio Mello. "Da primeira campanha de obras iniciada pelo desembargador em 1688 o palácio guarda uma feição seiscentista que se expressa na fachada principal por uma estética chã marcada por um rigor de linhas e forte austeridade." (A Casa Senhorial); séc. 16 - 17 - no reinado de D. Filipe I, o convento passa a receber da Câmara uma esmola anual de 64$800, a cuja renda se junta um conjunto de dádivas de elementos da aristocracia e do alto funcionalismo da Coroa; séc. 18, 1ª metade - campanha de decoração azulejar em lambris do claustro; 1715 - compra do edifício que será o Palácio Mello por João de Mello e Abreu, ao desembargador António Freitas Branco; 1726 - pedido de continuação das obras do Palácio Mello. "Da campanha de obras promovida por D. João é já o elegante arco abatido de entrada para o pátio numa nova linguagem de sentido barroco italianizante que se manifesta em Portugal a partir da década de vinte com as intervenções de Canevari e Ludovice. Esta estética volta-se a manifestar no arco trilobado da entrada do pátio dando acesso ao vestíbulo e escadarias nobres onde no interior os pressupostos do barroco de tendência italianizante se manifestam em todo o seu esplendor" (A Casa Senhorial); 1755, 01 novembro - o terramoto causa grandes estragos, tendo danificado a abóbada da nave da igreja, a capela do Beato, a Capela de Santo Cristo da cerca e a capela do Presépio, que fora realizado por João Crisóstomo Policarpo da Silva; os religiosos ficam abarracados na cerca; 1758 - concluída a reedificação, com grandes melhoramentos, graças à generosidade do Conde de Povolide, que detinha então o padroado da capela-mor; 1836 - na sequência da expulsão das ordens religiosas, o convento é transformado em Asilo da Mendicidade, para mendigos de ambos os sexos; 1843 - O palácio Mello é alugado à Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho; 1854 - o Palácio Mello é vendido ao Estado (por João José Maria, 3º conde de Murça); c. 1890 - 1900 - restauro da igreja ; 1903 - é englobado nos anexos ao Hospital de São José, tornando-se propriedade dos Hospitais Civis de Lisboa; 1928 - o Asilo é instituído como Hospital; 1946, 20 abril - publicação da Lei n.º 2011, que definiu o Plano de Construções Hospitalares; 30 Abril - por Decreto n.º 35621 é criada a Comissão de Construções Hospitalares, para execução do Plano de Construções Hospitalares; 1950 - a Direcção dos Serviços de Construção e Conservação estuda e dirige as obras realizadas no hospital; 2006, 24 agosto - o edifício está em vias de classificação, nos termos do Regime Transitório previsto no n.º 1 do Artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 173/2006, DR, 1.ª série, n.º 16, tendo esta caducado, visto o procedimento não ter sido concluído no prazo fixado pelo Artigo 24.º da Lei n.º 107/2001, DR, 1.º série A, n.º 209 de 08 setembro 2001; 2009 - o Hospital é vendido à Estamo (numa operação que envolveu também o Hospital de S. José e de Santa Marta) por 28,6 milhões de euros. O Hospital fica a pagar a esta entidade o valor mensal de 161.415 euros a título de indeminização pela não desocupação.

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Alvenaria mista, cantaria de calcário, reboco pintado, ferro forjado, azulejos, madeira, estuque pintado

Bibliografia

ALMEIDA, D. Fernando de, (coord. de), Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, Lisboa - Tomo II, Lisboa, 1975; CAEIRO, Baltasar Matos, Os Conventos de Lisboa, Lisboa, 1989; CASTRO, João Baptista de, Mappa de Portugal, Lisboa, 1762 - 63; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra, Relatório da intervenção nos azulejos azuis e brancos do nártex da Igreja, 4 vol., Cacém, 1999; MATOS, Alfredo, PORTUGAL, Fernando, Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1974; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1950, Lisboa, 1951; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1951, Lisboa, 1952; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1952, Lisboa, 1953; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1954, Lisboa, 1955; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1955, Lisboa, 1956; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1956, Lisboa, 1957; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos anos de 1957 e 1958, 1º Volume, Lisboa, 1959; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos Anos de 1959, 1º Volume, Lisboa, 1960; PAIS, Alexandre Manuel Nobre da Silva, Presépios Portugueses Monumentais do século XVIII em Terracota [dissertação de Mestrado na Universidade Nova de Lisboa ], Lisboa, 1998; Monumentos, n.º 17, 19, Lisboa, DGEMN, 2002-2003; PEREIRA, E., RODRIGUES, G., Portugal Dicionário, Lisboa, 1905 - 1911; PEREIRA, Luis Gonzaga, Monumentos Sacros de Lisboa em 1833, Lisboa, 1927; “Escadarias do Palácio Mello”, “A Casa Senhorial, Portugal, Brasil e Goa”, Anatomia dos Interiores, FCSH/NOVA: 2011-2018. [acedido a 23 março 2026].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DRMLisboa, DGEMN/DSARH, DGEMN/DRELisboa/DRC/DEM; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRMLisboa; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH, DGEMN/DRMLisboa, pº 258; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra

Intervenção Realizada

1940 - transformação do claustro; década de 50 - a igreja é adaptada a arquivo morto dos Hospitais Civis de Lisboa; DGEMN: 1956 - ampliação do Serviço de Neurologia, pelos Serviços de Construção e Conservação; 1957 - remodelação do bloco operatório do serviço 4 e ampliação do Serviço de Neurologia pelos Serviços de Construção e Conservação; 1958 - continuação da remodelação do bloco operatório do serviço 4; 1959 - beneficiação dos Serviço 1 - sala 1 e do Serviço 2 - sala 1; trabalhos de remodelação para instalação de um ascensor e diversos trabalhos, pelos Serviços de Construção e Conservação; 1996 - recuperação das coberturas e do exterior da igreja; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra: 1999 - intervenção nos azulejos azuis e brancos do nártex da igreja, com limpeza, consolidação, preenchimento e fecho de juntas; assentamento de chacotas; reintegração cromática, manufactura e colocação dos azulejos em falta; 2002 - beneficiação das coberturas e fachadas da igreja; início do arranjo das coberturas e fachadas da sacristia e capela-mor; 2003 - tratamento dos estuques e pinturas da cobertura da capela-mor.

Observações

*1- DOF: Antiga Igreja do Convento dos Capuchos, bem como a boca de cisterna revestida a azulejo existente num dos pátios do hospital e ainda todas as dependências decoradas com lambrins de azulejo, incluindo o claustro e a escadaria nobre.

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1994

Actualização

Luisa Cortesão 2003 Josina Almeida 2026
 
 
 
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