Casa de Almendra / Solar do Visconde de Almendra

IPA.00003001
Portugal, Guarda, Vila Nova de Foz Côa, Almendra
 
Casa nobre rococó, de planta rectangular, com fachadas de dois pisos, cunhais apilastrados de ordem colossal compósita, terminadas em friso, cornija e beiral, e de fenestrações regular, na fachada principal e lateral S., com vãos de verga abatida e molduras profundamente decoradas com concheados, flores-de-lis, volutas, elementos contorcidos e entrelaçados, e formando brincos. Fachada principal, de três panos, terminando o central em frontão contracurvado, com escudo vazio ao centro e com portal de planta côncava e moldura trabalhada, sobrepujado por janela de sacada contracurvada com guarda em balaustrada, rematada em frontão de lanços. A fachada lateral N. e a fachada O. são de carácter mais simples sem grande expressão estilística, com vãos de molduras simples, e patamar das escadas, com balaustrada. Interior com vestíbulo central tendo na parede testeira duas portas de verga abatida ladeando vão em arco em asa de cesto, a partir do qual se desenvolve escadaria para o andar nobre; neste, as várias salas têm tectos em estuque decorativo de gramática neoclássica, bastante estilizada. Caracteriza-se pela horizontalidade e profusão decorativa das molduras dos vãos da fachada principal e lateral esquerda que dinamiza a estrutura, acentuado na primeira pelo alteamento do eixo central e esquema dos vãos, com portal de planta côncava. Estas duas fachadas apresentam tratamento diferente, das restantes, com um tratamento mais cuidado e de maior expressão estilística. A fachada S. encontra-se inacabada, indiciando que a casa foi projectada com planta em L e para ter maior envergadura. A fachada principal apresenta pedra de armas com escudo de fantasia vazio. O solar apresenta afinidades com a Casa do Cabo, em São João da Pesqueira (v. PT011815080011), Casa de Nossa Senhora Conceição, em Cedovim (v. PT010914030013), Casa Grande em Freixo de Numão (v. PT010914060012). As janelas da fachada principal têm algumas semelhanças com as do Solar de Lemos, em Vila Flor (v. PT010410170031) e as do Solar dos Pimentéis, em Torre de Moncorvo (v. PT010409160020). A decoração em estuque do interior e respectiva gramática assemelha-se à da Casa da Quinta Judite, em Torre de Moncorvo (v. PT010409160159), e à Casa da Câmara do Comércio Italiana, no Porto. Destaca-se a bomba das escadas, com janela e portal central do patamar do segundo piso com decoração das molduras igual às do exterior, e algumas salas forradas a tecido.
Número IPA Antigo: PT010914010011
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  Tipo planta retangular

Descrição

Planta rectangular, desenvolvida horizontalmente, com cobertura homogénea em telhado de quatro águas, em telha de canudo. Fachadas de dois pisos, em cantaria de granito, com embasamento saliente, cunhais apilastrados da ordem colossal compósita, e terminadas em duplo friso e cornija sobreposta, por beiral, e rasgadas regularmente por vãos de verga abatida, com molduras decoradas, em granito. Fachada principal, virada a E., de três panos, divididos por pilastras da ordem colossal compósita, sendo o central mais alto, terminado em frontão contracurvado, de cornija bastante avançada e exteriormente telhado. No primeiro piso, abre-se no pano central, portal de planta côncava, em arco abatido, com moldura recortada, rematada por voluta, elementos vegetalistas e colchete, sobrepostos por concheado triplo, com porta de duas folhas, em madeira pintada de castanho, formando almofadas recortadas, flanqueada por pilastras dispostas de ângulo e capitel ornado de folhas de acanto; é sobrepujado, no segundo piso, por janela de sacada, em arco abatido, com dupla moldura recortada, decorada com elementos vegetalistas no terço inferior, e, superiormente, com orelhas de concheados, rematada em frontão de lanços, com duplo friso, e florão fitomórfico assimétrico, ao centro, envolvido por volutas, terminando com colchete, com caixilharia de madeira pintada a bordeaux, de duas folhas e bandeira, e sacada de perfil contracurvado, com guarda em balaustrada, assente em friso e cornija, formando bico ao centro; no tímpano surge pedra de armas, de campo vazio *1. Nos panos laterais, abrem-se dez janelas de peitoril, em arco abatido, com molduras recortadas, nas do primeiro piso, tendo inferiormente elementos contorcidos e concheado central, orelhas laterais, e rematadas em cornija recortada, sobreposta por duplo concheado e flor-de-lis, ao centro, e por elementos vegetalistas laterais. As janelas, do segundo piso, formam inferiormente, ao centro, duplo concheado, em espelho, ladeado por concheados e terminando em brincos com flor-de-lis, e superiormente, também com friso e cornija recortada, com concheados ao centro, envolvidos por palmetas e elementos vegetalistas que pendem lateralmente, terminando em borlas. À fachada adossa-se, no lado direito, portal em cantaria, terminado em empena contracurvada, com volutas rematado por cornija, coroada por cruz latina, em cantaria, assente em base volutada, com vão de verga recta; é flanqueado por pilar, encimado por pináculo, assente em base, ao qual é adossado, no lado direito, muro em alvenaria rebocada e pintada de branco, que envolve a propriedade. A fachada lateral S., desenvolvida num só pano, interrompido 2*, tem em cada um dos pisos, cinco janelas de peitoril, idênticas às da fachada principal, tendo uma do segundo piso moldura inacabada. Á fachada adossa-se, no lado esquerdo, muro em alvenaria rebocada, que envolve a propriedade. A fachada N., em alvenaria rebocada e pintada de branco, com capitel-cunhal, é rasgada, no primeiro piso, por duas pequenas janelas, e, no segundo, por duas janelas de peitoril, com molduras simples e caixilharia de guilhotina, em madeira pintada de branco; ao centro, sobre a cobertura, surge chaminé em alvenaria rebocada e pintada de vermelho. A fachada posterior desenvolve-se em três panos, sendo o primeiro piso, em cantaria de granito, e o segundo, em alvenaria rebocada e pintada de branco, à excepção do pano direito, em xisto, e terminada em friso simples, cornija e beiral. No pano esquerdo, no primeiro piso, abre-se portal de verga recta, com moldura simples, ladeado à esquerda, por janela superior, com moldura simples, e interrompido no lado direito por escada, desenvolvida paralelamente à fachada, de um lanço, dando acesso, ao segundo piso, através de patamar, com guarda em balaustrada; no segundo piso, no pano recuado, abrem-se três janelas de sacada, com moldura simples, e caixilharia de duas folhas e bandeira, em madeira pintada de castanho; no pano central, no segundo piso, abre-se janela de sacada de verga abatida, com moldura simples e no pano direito, no segundo piso, portal antecedido por escada, de um lanço, desenvolvida perpendicularmente à fachada. No INTERIOR, o primeiro piso apresenta compartimentos com pavimento lajeado; o vestíbulo tem tecto plano de madeira, formando amplos caixotões, apresentando na parede testeira duas portas de verga abatida, ladeando arco central em asa de cesto, com porta envidraçada, de acesso à escadaria nobre, de três lanços, com os dois superiores divergentes. A bomba da escada, no piso superior, tem as paredes decoradas com estuque a imitar marmoreados e silhar de azulejos de padrão, geométrico, e janela de peitoril, com moldura decorada, semelhante às da fachada principal, de duplo concheado e elementos vegetalistas, no remate; tecto formando apainelado octogonal, de estuque pintado a preto e molduras a creme. No topo da escada, rasga-se portal, com dupla moldura, orelhas laterais, elementos vegetalistas e remate em friso e cornija contracurvada, sobreposta por concheado, envolvido por elementos vegetalistas entrelaçados. Nas paredes laterais, abre-se portal de verga abatida, com moldurado de cornija contracurvada. A partir da escada, o espaço organiza-se através de corredor longitudinal, com pavimento em soalho, paredes com silhar de azulejo azul e branco, e revestidas superiormente a estuques a imitar mármore rosa, formando molduras. As salas nobres estão viradas a E., apresentando uma maior preocupação decorativa, tendo pavimento de soalho, paredes revestidas a tecido, e tectos em madeira, formando apainelados, e trabalho decorativo em estuque.

Acessos

Largo da Amoreira. WGS84 (graus decimais) lat.: 40.9997010, long.: -7.054386º

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 129/77, DR, 1ª série, nº 226 de 29 setembro 1977

Enquadramento

Urbano, isolado, situado em local plano, com muros adossados às fachadas laterais, formando pequeno largo de configuração rectangular; na proximidade ergue-se a Capela da Nossa Senhora da Misericórdia (v. PT010914010165), de construção quinhentista.

Descrição Complementar

ESTUQUE: sala com tecto octogonal, formando apainelados lisos, com florão estilizado ao centro; sala com tecto, de medalhão circular, central, com florão igual ao da outra sala, mas de maior dimensão, desenvolvido em quatro braços, que se estendem até ao friso, decorados com ramos estilizados, ilusoriamente presos por colchetes, e friso decorado com pequenos medalhões circulares, com flor estilizada; noutra sala o tecto apresenta decoração central em losango, interceptado por círculos e quadrados, com fundos formando quadrícula, e centro com florão igual aos das outras salas, mas formando um losango.

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Residencial: casa

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 16 - Fixação em Portugal da família asturiana Castilhos, com solar em Castilho-Pedroso (Santander), durante o reinado de D. João III; 1674 / 1680 - compra de propriedades em Almendra por António Lopes Castilho (1656 - 1693), filho de António Lopes de Castilho, Capitão-mor da Vermiosa e casado com Teresa de Almeida Cabral Sampaio, da Casa de Celorico *3; 1687 - instituição de vínculo de morgado e Capela de Nossa Senhora do Socorro em Almendra, com as suas propriedades da Vermiosa, Almendra, Vale de Espinho, Gamelas e Algodres; 1743 - início das obras de construção do solar; séc. 18, meados - período mais activo da construção, por iniciativa de Manuel António de Castilho e Távora Falcão Mendonça (1720 - 1796?); este era Fidalgo da Casa Real, Capitão-mor de Almendra e Castelo Melhor e casado com Maria Madalena da Costa Falcão Mendonça *4; 1758 - a construção da casa foi interrompida por ordem do Marquês de Pombal; 1810 - as tropas de Napoleão transformam a casa em Quartel-General e, ao retirarem-se, incendeiam-na, tendo ficado parcialmente destruída; 1870 - criação do Viscondado de Almendra a favor de António de Castilho Falcão Mendonça; 1895 - reconstrução da casa por Júlio Faria de Morais Sarmento, 3º Visconde do Banho; 1897 / 1898, cerca - obras de restauro.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante.

Materiais

Fachadas em cantaria de granito, aparente ou rebocada e pintada; frisos, cornijas, pilastras, moldura de vãos, cartelas, muro, balaustradas, cruz latina e pináculo em cantaria de granito; revestimento de fachada posterior parcial, a xisto; caixilharia em madeira; muro em alvenaria rebocada; pavimento lajeado no piso térreo e em soalho no segundo; paredes interiores revestidas a tecido; estuque a imitar mámore; silhares de azulejos; tectos em madeira e com trabalho em estuque; cobertura em telha de canudo.

Bibliografia

LEAL, Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, 1873; AZEVEDO, José Correia de, Brasões e Casas Brasonadas do Douro, vol. 1, Lamego, 1974, p. 308; AZEVEDO, Correia de, Património Artístico da Região Duriense, Porto, 1963; SILVA, António Lambert Pereira da, Nobres Casas de Portugal, Porto, s.d.; AZEVEDO, Carlos de, Solares Portugueses, Lisboa, 1971; ALMEIDA, José António Ferreira de, Dir., Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1980; CAIXÃO, António e TRABULO, António, Por Terras do Concelho de Foz Côa, Foz Côa, 1999, p. 149; PEREIRA, Liliana Maria Ferreira Figueiredo, Estuques no Espaço Doméstico - Contributos para Um Itinerário na Arquitectura Rústica e Nobre do Norte de Portugal, com particular Incidência no Douro Superior. Estudo de uma peça. O Solar dos Pimentéis, em Torre de Moncorvo, 2 Volumes, Lisboa, (dissertação de Mestrado em História da Arte da Universidade Lusíada), Universidade Lusíada, 2003.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC

Intervenção Realizada

DGEMN: 1996 - consolidação do portal principal; 1997 - início da reparação da cobertura.

Observações

*1- Não existe qualquer informação que possa explicar tal facto; A. L. P. Silva coloca a hipótese de ter sido picado por nele figurarem as armas dos Távoras pois Manuel António de Castilho era filho de Ana Maria de Távora Donas Boto. *2- Segundo a lenda "constou na Corte que o Senhor da Casa estaria a construir um palácio que ultrapassaria em pompa o do Rei. Então o Monarca não esteve pelos ajustes e teria mandado parar a obra", (COIXÃO, António e TRABULO, António, 1999). *3- Foram herdeiros e senhores da Casa de Almendra: Bernardo Lopes Garcia de Castilho; António Lopes Sanches de Castilho Falcão Mendonça, Capitão-mor de Almendra e Castelo Melhor, casado com Ana Maria de Távora Donas Boto. *4- Foram herdeiros e senhores da Casa de Almendra: Pedro António de Castilho Mendonça Falcão (1782 - 1829); António de Castilho Falcão Mendonça (1819 - 1880); Márcia Augusta de Castilho Falcão Mendonça (1842 - 1880); Ana Augusta de Castilho Falcão Mendonça (1877 - 1933) casada com Júlio Girão de Sousa e Melo Magalhães Coutunho Faria de Morais Sarmento, 3º Visconde do Banho; Alexandre Jorge Luna Saraiva Caldeira, casado com Márcia Augusta de Castilho Morais Sarmento. *5- Encontra-se em estudo um projecto de reutilização do imóvel.

Autor e Data

Margarida Conceição 1992 / Sandra Alves 2006

Actualização

Lúcia Pessoa 1997 / Alexandra Schiappa (Contribuinte externo) 2019
 
 
 
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