Castelo de Alfaiates

IPA.00002960
Portugal, Guarda, Sabugal, Alfaiates
 
Castelo medieval, de dupla cintura de muralhas, ambas de planta quadrangular postas em losango, a exterior provida de três cubelos cantonais cilíndricos e a interior com duas torres quadrangulares, a de menagem encaixada num cunhal, em projecção. A campanha manuelina está marcada pela heráldica real.
Número IPA Antigo: PT020911070011
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo    

Descrição

Castelo de dupla cintura de muralhas de planta centralizada, a exterior, correspondente à barbacã, quadrangular, posta em losango, com corpo rectangular avançado justaposto no ângulo NO. (entrada) e cubelos cilíndricos nos ângulos NE., SE. e SO., e a interior, do castelejo, igualmente quadrangular em losango, em cujo vértice SE. se encaixa a eixo torre de menagem quadrangular, projectada para o exterior, e no vértice oposto, cortado em chanfro, adossa-se outra torre menor, quadrangular. BARBACÃ: Corpo NO.: fachada principal com portal em arco pleno de rebordo facetado (rebaixado no tardoz) ladeada por dois vãos transversais rectangulares e encimada por pedra de armas com brasão real flanqueado por duas esferas armilares rematadas por cruzes da Ordem de Cristo; à dir. encosta-se estrutura pétrea de Passo da Via Sacra; remate em empena angular rematada por cruz latina florenciada sobre peanha paralelepipédica com inscrição, e pináculos piramidais sobre os cunhais; fachadas laterais cegas; do lado N. adossa-se o alpendre do mercado que se prolonga por todo o comprimento desta fachada da barbacã, vazada por uma única seteira rectangular e encimada por cachorrada. Cubelo NE.: com 3 seteiras rectangulares e uma porta em arco pleno. Fachada E.: visível porta em arco pleno entaipada junto ao cubelo NE.. Cubelo SE.: 3 seteiras rectangulares e porta em arco pleno. Fachada S.: com seteira rectangular e uma construção adossada. Cubelo SO.: 3 seteiras rectangulares e uma porta em arco pleno. Fachada O.: seteira rectangular. CASTELEJO: Subsistem os panos de muralha a S.e O. e troços truncados a N. e E., deste lado com porta em arco abatido. Torre de Menagem: Fachada E.: 1º registo: cego; 2º registo: janela rectangular com moldura biselada, pedras de fecho salientes e seteira no peitoril. Fachada S.: 1º registo: cego; 2º registo: janela rectangular com moldura biselada, encimada por pedra de armas com brasão real entre duas esferas armilares. Fachada N.: 1º registo: porta sem lintel; 2º registo: seteira recta. Fachada O.: 1º registo: porta de lintel recto (em arco pleno no interior); seteira rectangular. Interior: ausência da estrutura dos pisos e de cobertura; porta a O. rectangular, a nível do 2º registo, de acesso a escadas abertas na caixa murária. Torre NO.: Fachada O.: 1º registo: seteira rectangular; 2º registo cego. Fachada N.: 1º registo: seteira rectangular; 2º registo cego. Fachada E.: 1º registo: porta em arco pleno; 2º registo cego. Fachada S.: 1º registo: seteira recta; 2º registo cego. Interior: 1º piso sem compartimentações, com pavimento: lajeado e cobertura em abóbada de berço quebrado; 2º piso: sem acesso.

Acessos

Largo do Castelo

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto nº 28/82, DR, 1ª série, nº 47 de 26 de fevereiro 1982

Enquadramento

Urbano. Implantado em planalto, circundado pelo terreiro da feira que se estende para N., lado em que se adossa o alpendre do mercado, e com edificações rústicas de piso único adossadas às fachadas E. e S.. O antigo núcleo urbano da vila era cercado por muralha de que subsistem alguns vestígios, como o arranque de um arco no local da Porta de São Miguel.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: castelo

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCCentro, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009

Época Construção

Séc. 13 / 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

PEDREIRO: Martim Teixeira (pedreiro e mestre empreiteiro da campanha de obras manuelina do castelo, cerca e muros da vila)

Cronologia

Época pré-romana - Hipotética existência de um castro; Séc.1 - Existência de uma povoação, segundo referência setecentista a uma lápide epigrafada referindo cidade reedificada pelo Imperador Augusto; Época árabe - Origem do topónimo, derivado de "Al-Chait"; séc. 13 - Reedificação da povoação e castelo, que estaria situado no centro da antiga vila, junto da igreja da Misericórdia; concessão de Carta de Foros e Costumes por Afonso X de Leão, sendo designada por "Castillo de la Luna"; 1297 - Integração da povoação em território português na sequência do Tratado de Alcanices; concessão de carta de foral e reconstrução do castelo por D. Dinis; séc. 15 - É pertença da família Castro; 1422 - no Rol dos Besteiros, é referido que a povoação tem 852 habitantes; 1496 - numa Inquirição, é referido que a povoação tem 176 habitantes; 1510 e 1514 - Concessão de privilégios à população que habitava intra-muros; transformação da localidade em Couto de Homiziados; 1510 - D. Manuel tem a intenção da mandar fazer uma fortaleza na vila de Alfaiates; 1515 - Foral novo dado por D. Manuel; 1516, 19 Mar. - Alvará de D. Manuel para ser entregue a Luís do Mercado, almoxarife das rendas do Sabugal e Alfaiates e recebedor do dinheiro das obras da fortaleza de Alfaiates, 202.000 reais para despesa dela, proveniente do rendimento das terras que foram de Diogo Lopes (pagos em 19 Mar. 1517); 1518, 21 Maio - Alvará do rei para o almoxarife e recebedor das rendas reais para se entregar a Tomé do Mercado, recebedor das obras do castelo por morte de seu pai Luís do Mercado, o montante de 130.000 reais, entregues em 28 de Set., para as "obras da fortaleza que Sua Alteza manda fazer"; 1520, 23 Dez. - Contrato, confirmado por alvará régio, feito com Martim Teixeira, pedreiro, para feitura da cerca e muros da vila, ao redor da povoação e arrabaldes que "cerrarão de uma parte e da outra com o castelo da dita vila e tomará dentro todas as casas", devendo os muros ser de cantaria, aproveitando-se alguns alicerces da antiga cerca, e rematados por peitoril e ameias com seteiras, idênticas às que o mesmo pedreiro fizera no castelo, e providos de cubelos de topos redondos, de alvenaria de pedra e cal, vazados cada um por três bombardeiras; os muros terão três portais de pedraria protegidos por baluartes, pagos a preço igual ao que o mesmo pedreiro fizera no castelo; 1521, 20 Fev. e 18 Ab.- Alvarás régios para se entregar dinheiro a Tomé do Mercado, recebedor das obras de Alfaiates, para factura dos muros e fortaleza da vila; 1521, 4 de Mar. - Início da obra dos muros; 1521, 1 Ag. / 1527, 13 Fev. - Mandados de Fernando Álvares de Alvim, alcaide-mor e vedor das obras de Alfaiates, para o recebedor destas pagar a Martim Teixeira, mestre empreiteiro das obras dos muros da vila, os montantes respeitantes às mesmas após medidas e avaliadas, e respectivos conhecimentos de paga; 1522, 4 Set. e 1 Nov. - Conhecimentos de paga de Tomé do Mercado, recebedor das obras dos muros e cerca de Alfaiates, em como recebeu dinheiro para despesa das obras; 1523, 10 Mar. / 1524, 5 Maio - Mandados de Fernando Álvares de Alvim, alcaide-mor e vedor das obras que o rei "manda fazer em os muros e cubelos" da vila de Alfaiates, para o recebedor dos dinheiros das mesmas pagar ao escrivão delas, João Vaz, o seu mantimento, e respectivos conhecimentos de paga; 1525, 8 Ab - Mandado do rei para Tomé do Mercado pagar a Diogo de Arruda, mestre e medidor das obras reais, pelo seu trabalho de medição da obra feita em Alfaiates; 1525, 4 Set. - Conhecimento de paga e certidão das medições feitas por Diogo de Arruda, referindo os muros, portas, baluartes e bombardeiras já feitas, achando-se 3.319 braças e meia de pedraria "à razão de real e meio a braça"; 1527 - no Numeramento, é referido que a povoação tinha 318 habitantes; 1528 - Mandado de pagamento a Martim Teixeira do que lhe ainda era devido das obras dos muros e respectivo conhecimento de paga; 1641 - Inspecção do castelo pelo Engenheiro Jesuíta Cosmander e obras de beneficiação e construção de muralhas e de reduto no lado N. e fortificação do lado S., por ordem do governador militar da vila, Brás Garcia de Mascarenhas, aproveitando muros e alicerces pré-existentes e integrando o castelo*1, projecto que não foi totalmente executado; 1758 - Nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco António Carvalho Baptista, Alfaites vem referido como tendo uma muralha de cantaria, sendo o revelim antigo de alvenaria, e o castelo forte no cimo da vila, cercado de revelins e um baluarte sobre a porta principal; tinha 3 baluartes para E. e duas meias-luas para O., surgindo, a S., dois baluartes e duas meias-luas; nesta data, construía-se uma meia-lua e um baluarte na parte de fora; tinha várias guaritas e três portas, a da Veiga, São Miguel e Castelo, bem como uma cisterna; Séc. 18 - Era pertença dos Condes de Santiago (LEAL, Pinho), passando depois para a Coroa; 1762 - Estragos no castelo; 1811 - Assolado pelas invasões francesas, o castelo desempenhou papel importante na defesa da raia; 1836 - Extinção do estatuto concelhio e posterior transformação do castelo em cemitério: colocação da cruz e dos pináculos na fachada principal; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126.

Dados Técnicos

Estruturas autoportantes.

Materiais

Cantarias de granito; alvenaria mista de aparelho isódomo sem revestimento.

Bibliografia

VITERBO, Sousa, Dicionário Histórico e Documental dos Arquitectos, Engenheiros e Construtores Portugueses, vol. 3, Lisboa, 1922; ALMEIDA, João de, Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, Lisboa, 1945; CORREIA, Joaquim Manuel, Terras de Riba-Côa, Memórias sobre o Concelho do Sabugal, Lisboa, 1946; PEREIRA, Mário, dir., Castelos da Raia da Beira, Distrito da Guarda, Guarda, 1988; JORGE, Carlos Henrique Gonçalves, O concelho de Alfaiates em 1758 - Memórias Paroquiais, Sabugal, 1989; VAZ, Francisco, Alfaiates, na Órbita de Sacaparte, Lisboa, 1989; VAZ, Francisco e AMBRÓSIO, António, Alfaiates, na Órbita de Sacaparte,vol. III Lisboa, 1991; GOMES, Rita Costa, Castelos da Raia. Beira, vol. I, Lisboa, 1997.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH; DGA/TT, Corpo Cronológico, Parte I: Maço 11, doc. 31; Maço 20, doc. 129; Maço 23, doc. 49; Maço 26, docs. 2, 108 e 127; Maço 28, doc. 69; Maço 32, doc. 27; Parte II: Maço 97, doc. 71; Maço 105, doc. 1; Maço 107, doc. 42; Maço 113, doc. 133

Intervenção Realizada

DGEMN: 1944 - Escavações e sondagens, apeamento e reconstrução de troços de muralha em cantaria e alvenaria; 1970 - Escavações e desaterro para atingir o nível do pavimento primitivo, demolição do alpendre de feira adossado à muralha N., consolidação de parede de alvenaria na muralha e na torre de menagem, reconstituição de troço de muralha; 1971 - Escavações e sondagens, refechamento de juntas; 1972 - Reconstituição e consolidação de troços de muralha anexos à torre E.; 1983 - Demolição de um casebre abandonado pertencente à Junta de Freguesia, a fim de libertar parte de um cubelo do lado NE., refechamento de juntas e limpeza do paramento exterior do cubelo e no troço de muralha onde existiu o alpendre de feira; 1984 - Beneficiação da porta principal do castelo: substituição das cantarias degradadas, execução de soleira e de porta de madeira, reconstrução de um paramento da torre de menagem, colocação de uma vara de ferro em cada fresta; 1985 - Remoção de ervas e limpeza rebocos existentes, refechamento de juntas no paramento da entrada principal e em paramentos no exterior do castelo, reconstrução de cunhal na torre de menagem, reconstrução de paramentos exteriores e interiores, construção de ombreira de porta; 1986 - Consolidação da torre de menagem: consolidação de um cunhal, colocação das Armas de Portugal numa das faces da torre, consolidação dos arcos, execução de remate dos peitoris de duas janelas.

Observações

*1 - "(...) fica tres legoas a Leste do Sabugal huã do castelo de Albergaria, três do de Paio, este lhe fica ao sul aquele ao Norte, e com ambos guerreia e tambem com o de Elge, porque fica esta vila naquele canto que faz a raia quando vira a leste e torna a virar a nor nordeste (...) Adonde agora está a igreja matris que parece moderna esteue o castelo, el rei Dom Manuel o mudou para donde agora esta, 300 passos adiante em sitio baixo e muito peor (...) dele saiam os alicerces de huãs muralhas de cantaria que já tinham de fora da terra em partes 15 palmos em partes menos, que hiam já em meio da Vila, e atiravam a cingir todo o monte da parte do Norte. E mandando me Sua Magestade a governar e fortificar esta praça quando fui com a fortificação abraçando este monte em que se lavravam mais de cem fanegas de trigo, ao abrir das cavas e escarpar das trincheiras achei de baixo de mais de 15 palmos de terra duas ordens de muros, huã de cantaria com cal que eram os alicerces de el rei Dom Manuel, outra mais adentro de cantaria com barro, cousa mais antiga de que inda ficou hu pedaço debaixo de huã cortina que se foi levantando sobre este muro. Acharam se nestas cavas e escarpas muitas moedas de cobre, quatro ou cinco de prata, duas delas de Sertorio, acharam se estribos com cadeas por loros, mós de moinhos de mão, carvões e outros indicios de que se asolou ali grande povoação que ocupava todo aquele monte que gira com a vila. A fortificação que fiz nela em tres meses 4680 pes geometricos ate o Castelo e por fora dele pera a parte do Sul adonde chamam as eiras, mandei desfaser huãs cavas antigas que giravam pouco menos e mostravam serem de Romanos e serem redondas e sem descortino como a cava de Viseu (...)" (GOMES, Rita Costa, pp. 111-112).

Autor e Data

Margarida Conceição 1992 / Lina Oliveira 2005

Actualização

 
 
 
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