Escola Primária Adães Bermudes
| IPA.00029409 |
| Portugal, Aveiro, Espinho, Espinho |
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| Arquitectura educativa, do séc. 20. Escola primária do projecto-tipo Adães Bermudes, de duas salas e duas residências, de planta rectangular composta por três volumes escalonados, o central, de dois pisos, destinado às residências dos professores, e os laterais destinados às salas de aula, com vestíbulo e gabinete, dois alpendres que correspondiam aos recreios cobertos de cada sexo e instalações sanitárias adossados à fachada posterior. O edifício é rasgado por vãos em arco abatido, com moldura na verga, em azulejo e pedra de fecho saliente, com excepção das janelas do piso superior em verga recta. O corpo central, com dois registos separados por friso, é rasgado no inferior por duas portas de verga abatida, e duas janelas e o superior por quatro janelas. As salas de aula possuiem três amplas janelas em arco abatido que permitem a iluminação unilateral daquele espaço de estudo. Os corpos laterais terminam em empena de cornija truncada por sineira de uma ventana, rectangular. |
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| Número IPA Antigo: PT010107020036 |
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| Registo visualizado 934 vezes desde 27 Julho de 2011 |
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Edifício e estrutura Edifício Educativo Escola Escola primária Tipo Adães Bermudes
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Descrição
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| Planta em L, composta vários corpos, com desenvolvimento horizontal. Coberturas diferenciadas em telhados de quatro águas, três e duas águas Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com embasamento pintado a castanho e remates em beiral. Fachada principal, simetrica, de três panos, o central levemente saliente, rasgada por vãos em arco abatido, de aduelas calçadas, simples, em azulejo, e molduras de cantaria enquadrando apenas a zona da bandeira e pedra de fecho saliente. O pano central, de dois pisos, separados por friso de cantaria, é rasgado por duas portas, precedido por quatro degraus de cantaria e duas janelas, e no piso superior, abrem-se quatro janelas de verga recta, no alinhamento superior das duas janelas centrais, surge cartela de cantaria, emoldurada com a inscrição "ESCOLA PRIMÁRIA" .Os panos laterais são rasgados por três amplas janelas, em arco abatido, de aduelas calçadas, em azulejo, e molduras de cantaria enquadrando apenas a zona da bandeira e pedra de fecho saliente, e porta com modinatura semelhante às janelas, precedida por quatro degraus de cantaria, encimada por cartela também em cantaria, emoldurada, com a inscrição "SEXO MASCULINO", no pano esquerdo e "SEXO FEMININO" no pano direito, termina em empena truncada por sineira de uma ventana, rectangular, rematada por pequeno telheiro de quatro águas com beiral saliente e pináculos cerâmicos nos ângulos. Fachada lateral esquerda, rasgada por quatro amplas janelas de verga rectacom moldura granítica. INTERIOR não observado.
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Acessos
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| Rua 19. WGS84 (graus decimais) lat.: 41,008632, long.: 8,638648 |
Protecção
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| Inexistente |
Enquadramento
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| Urbano, flanqueado. Na proximidade ergue-se a Câmara Municipal (v. PT010107020016), o Tribunal de Comarca (v. PT010107020014) e o Palacete Rosa Pena (PT010107020043). |
Descrição Complementar
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Utilização Inicial
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| Educativa: escola primária |
Utilização Actual
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| Educativa: universidade sénior |
Propriedade
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| Pública: municipal |
Afectação
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| Sem afectação |
Época Construção
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| Séc. 20 |
Arquitecto / Construtor / Autor
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| Arquitecto: Arnaldo Redondo Adães Bermudes, autor do projecto-tipo
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Cronologia
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| 1897 - Congresso Pedagógico de Lisboa argumenta que face à taxa de analfabetismo - 4, 5% da população portuguesa, se deveria construir escolas; refere a urgente dotação de edifícios apropriados a todas as povoações com escolas primárias num período de 5 anos, seguindo um plano de construção estudado por uma comissão de engenheiros, que o Governo delegou à Associação dos Engenheiros Civis Portugueses; a equipa era constituída por Augusto Simões de Carvalho, Severino da Fonseca Monteiro, Polycarpo José da Costa Lima, António Teixeira Júdice e Joaquim Renato Baptista; 1898, 3 Janeiro - assembleia extraordinária aprova o projectos de edifícios destinados a escola primária, elaborado pela Associação dos Engenheiros Civis Portugueses; no texto, reconhecia a necessidade de difusão da instrução e a influência que a disposição adaptada nos edifícios escolares exercia no desenvolvimento físico, intelectual e moral das populações; 10 Janeiro - entrada no Ministério das Obras Públicas dos programas do Concurso para apresentação de projectos de edifícios destinados a escolas de instrução primária e o respectivo relatório; 2 Março - abertura oficial do concurso público por anúncio no Diário de Governo, estipulando-se um prazo de 6 meses para admissão dos projectos concorrentes; os trabalhos teriam de ser entregues na 1ª Repartição da Direcção-Geral de Instrução Pública; era obrigatório o uso de pseudónimos; estipulavam-se 3 prémios de mérito relativo para os projectos que satisfizessem todas as condições do concurso e tivessem sido aprovados com mérito absoluto: 750$000 rs, 450$000 rs e 300$000 rs, respectivamente *1; 31 Outubro - júri aprova projecto do Arq. Arnaldo Redondo Adães Bermudes, sob o pseudónimo Fiat Lux, que fora o único candidato *2; 10 Novembro - homologação do parecer técnico, pelo Ministro do Reino e confirmação da atribuição do 1º prémio; 23 Novembro - Adães Bermudes é oficialmente nomeado delegado por Lisboa à Exposição Universal de Paris e convidado por Ressano Garcia a apresentar o projecto dos edifícios escolares como concorrente; 9 Dezembro - Direcção-Geral de Instrução Pública expediu circular aos governadores civis de todos os distritos em que se perguntava: "quantas e quaes são, as escolas primárias officiaes do distrito que não têm casa propria; quaes as escolas que, na conveniente distribuição dos edificios escolares, devem ser preferidas, e com que auxílio poderá o governo contar da parte das corporações administrativas ou dos particulares para a diminuição dos seus encargos na construção dos edifícios"; 1900 - Adães Bermudes obtém a medalha de ouro da Secção Escolar na Exposição Universal de Paris; 1900 - arrematação das obras da escola; 1902, 18 Dezembro - assinatura de contrato de empréstimo de 245 rs. para auxílio da Direcção-Geral de Instrução Pública na diminuição dos encargos na construção das escolas; 1905 - conclusão das obras do edifício escolar. |
Dados Técnicos
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| Sistema estrutural de paredes portantes |
Materiais
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| Estrutura em alvenaria de granito, molduras de vãos, sineira, escadas cartelas e outros elementos em granito; vidros simples; azulejos das molduras; caixilharias em alumínio; cobertura em telha cerâmica. |
Bibliografia
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| BEJA, Filomena, SERRA, Júlia, MACHÁS, Estella, SALDANHA, Isabel, Muitos Anos de Escolas, Edifícios para o ensino infantil e primário até 1941, Lisboa, 1987. |
Documentação Gráfica
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Documentação Fotográfica
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| IHRU: SIPA |
Documentação Administrativa
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Intervenção Realizada
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| 1913 - Obras de ampliação da escola. |
Observações
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| *1 - O programa preliminar do projecto estabelecia que: deveriam ser apresentadas peças desenhadas à escala 1/100, memória descritiva e justificativa, medição e orçamentos; era apresentada uma listagem de áreas que contemplava um vestiário, uma ou mais salas de aula, pátio com recreio coberto, habitação do professor e instalações sanitárias; requeria-se dimensões para o máximo de 50 alunos por sala, na razão de 1,25 m2 por aluno, sendo o pé direito de 4 m. a 4,5 m.; os pavimentos, de madeira, teriam de ser elevados de 1,5 m. acima do terreno exterior; quanto à iluminação natural, excluíram-se as entradas de luz pelo tecto e exigiam-se janelas rectangulares; considerando-se a hipótese de escolas mistas, tornaram-se obrigatoriamente independentes as salas de aulas, os sanitários e as habitações dos professores e as entradas e vestíbulos; nas condições especiais do programa determinava-se que os projectos considerassem 3 tipos diferentes de edifícios: escolas com 1 sala, para 50 alunos, e habitação para um professor (só rapazes ou só raparigas); escolas com 2 salas para 100 alunos (só para rapazes ou só raparigas) com habitação para professor e ajudante; escolas mistas, com 2 salas, para 100 alunos, com duas habitações para os professores e ajudantes respectivos; como limite para a base orçamental dos edifícios indicava-se 40$000 rs / aluno, especificando-se que a este preço correspondiam alicerces a 1,50 m. de profundidade; recomendava-se pela primeira vez que cada tipo de edifício viesse a ser construído de acordo com as técnicas e materiais próprias de cada zona do país, considerando-se 7 regiões: Minho e Douro, Trás-os-Montes, Beiras, Estremadura, Alentejo, Algarve, Ilhas Adjacentes. *2 - O seu projecto tinha as seguintes características: salas de aula térreas, abrindo 3 grandes janelas para a fachada principal assegurando boa entrada de luz natural e arejamento suficiente; sanitários bem articulados com a sala, sendo possível o seu acesso circulando pelo recreio coberto; o vestíbulo (nalguns casos adaptado e com utilização diferente) permitia que se organizasse uma zona para cuidados de higiene dos alunos (desparasitação, etc.); casa do professor desenvolvida em 2 pisos e sótão, com entradas e janelas sempre sobre a fachada principal; nas escolas com 2 salas, a habitação ocupava a parte central do conjunto; o projecto não incluía desenhos de mobiliário escolar, que seria providenciado pelas Câmaras Municipais. |
Autor e Data
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| Sónia Basto 2010 |
Actualização
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