Paço Episcopal de Pinhel

IPA.00002935
Portugal, Guarda, Pinhel, Pinhel
 
Paço Episcopal pombalino, de morfologia classicista, com permanência de elementos significativos, característicos da arquitectura barroca de aparato. Arquitectonicamente, caracteriza-se pela planta quadrangular desenvolvendo-se em torno do pátio interno, pelas fachadas com marcação horizontalizante muito forte, pelo enquadramento dos panos através da inserção de pilastras, pela modulaçao dos vãos, coroamento dos corpos principais em frontões triangulares, com espelho ornamentado, e diversidade de molduras das fenestrações. Em cada fachada destacam-se os corpos principais. De acordo com estas características denuncia a proximidade formal do solar pombalino dos Mendonça Arrais em Seia, designado por Casa das Obras, hoje Câmara Municipal *3. Destaca-se no conjunto um sentido da modulação vertical através do enquadramento com pilastras e o da modulaçao horizontal através do ritmo de rasgamento das fenestrações e vãos de acesso, sempre com destaque para os corpos centrais, manifestando-se no tipo de molduras, de coroamentos e de ornatos.
Número IPA Antigo: PT020910170019
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Paço eclesiástico  Paço episcopal  Tipo planta quadrangular com pátio central

Descrição

Planta quadrangular regular, que se desenvolve em torno de um pátio interno com a mesma forma. Massa quadrada de grande escala, com cobertura exterior, de telhado de 2 águas em cada uma das três alas que rodeiam a principal, esta com cobertura de 3 águas, de modo a encaixar o frontão. A fachada principal, orientada a E., eleva-se sobre embasamento de cantaria, mostra três panos delimitados por pilastras nos cunhais e no enquadramento do corpo central; os dois andares são separados por banda recortada, onde os vãos imprimem um ritmo horizontal, com simetria e eixo sobre eixo, 3 em cada andar. O pano central da fachada corresponde ao corpo de aparato e divide-se em três módulos. Os módulos laterais prolongam o ritmo horizontal, através da inserção em paralelo das fenestrações, variando no segundo andar para janelas de sacada com balcão corrido, em ferro forjado. Ao centro inscreve-se o portal almofadado, com verga horizontal a separar a bandeira da porta e lintel recortado sobre o qual se inscrevem os modilhões que sustentam o balcão do andar superior. O coroamento desta fachada é formado por um ático em banda que corre ao longo dos panos laterais, no qual estão marcados os ritmos de inserção dos vãos inferiores, através do rasgamento de óculos ovais com paramentos internos cegos; sobre a janela do corpo de aparato transforma-se em frontão contracurvado, sobre o qual se ergue a empena triangular do frontão, com brasão episcopal no espelho e enjuntas em cantaria. A fachada lateral S. continua o mesmo ritmo horizontalizante, dividindo-se em três andares separados por faixas lisas, com 9 vãos cada. A fachada N. tem dois andares sem divisão marcada e dois corpos individualizados, pela diferente modulação dos vãos e das fenestrações e vestígios parietais de antigas pilastras, intercalados. A empena é recta, com cornija; por cima do segundo conjunto inscreve-se o ático rasgado com óculos ovais de paramento cego. A fachada O. desenvolve-se em dois andares, com corpo interrompido por passadiço fechado a fazer a ligação a edifício secundário *2. As quatro fachadas interiores organizam-se em dois andares separados por faixas e três panos, separados por pilastras embebidas nos paramentos murais, sempre com destaque morfológico para o pano central, quer através dos recortes das molduras das janelas, quer pela abertura de portais de comunicação com o exterior do edifício, a E. e a O., em arcos de volta perfeita. Na fachada interior N. destaca-se o pano central: no piso térreo abre-se porta em arco de volta perfeita, enquadrado por pilastras e lintel recto embebido no paramento, ladeada por 2 janelas de guilhotina com molduras lisas, enquanto o andar nobre apresenta 3 janelas de sacada - as laterais de lintéis em arco abatido e a central em arco de volta perfeita - abrindo sobre balcão suportado por modilhões desenvolvidos, encimadas por faixa lisa. Este corpo é coroado por frontão triangular, com espelho em cantaria ornamentado por motivo circular, ladeado por enjuntas triangulares recortados no granito. A articulação entre o exterior e o interior é desnivelada, com acesso interno através de escadaria de aparato constituída por lanços paralelos que terminam em patamar, abrindo-se para o exterior através das janelas de sacada. O tecto apresenta decoração em estuque pintado com quadro central em relevo da Virgem com o Menino e São João Baptista e medalhões angulares com meios corpos de santos. A organização do espaço interno faz-se a partir de corredores longitudinais que se articulam com o patamar da entrada e percorrem as quatro alas do edifício.

Acessos

Praceta Coronel Lima da Veiga

Protecção

Em vias de classificação

Enquadramento

Urbano. Integra-se na fachada edificada da Praceta que se desenvolve em planta triangular à sua frente, incluindo o Monumento aos Mortos da Grande Guerra (v. PT02091017028) e o Chafariz (v. PT02091017025), que se ergueram a eixo do portal de aparato do edifício. A N. situa-se o Lg. do Marco, a S. a Adega Cooperativa de Pinhel e a R. Josefete de Figueiredo que dá acesso ao Convento dos Frades ou de Santo António (v. PT02091017012) *1. Na encosta, a O., situa-se o Parque Municipal da Trincheira.

Descrição Complementar

Na fachada principal, o pano lateral S. apresenta 3 janelas rectangulares de duas folhas com molduras lisas abertas no embasamento, 4 janelas de guilhotina emolduradas com cantaria de perfis rectos recortados no lintel e no peitoril ao nível do primeiro andar, e 3 janelas de guilhotina enquadradas dentro de espelho com avental recto e coroamento composto de lintel desenvolvido sob cornija recortada no andar nobre. No pano lateral N. repete-se a forma e a distribuição dos vãos, excepto no embasamento, sem aberturas. Os módulos laterais do corpo de aparato da fachada principal apresentam, no embasamento do lado N., a moldura de uma fresta rectangular cega, no primeiro andar janelas de guilhotina emolduradas com cantaria de perfis rectos que mostram o lintel recortado em arco canopial no centro e remates laterais com os cantos prolongados até à banda de separação dos andares e, no segundo andar, janelas de sacada com gradeamento em ferro forjado com molduras de recorte semelhante às do segundo andar dos corpos laterais do edifício. No corpo de aparato, a janela central tem emolduramento semelhante às suas paralelas, prolongado até ao fundo e é coroada por frontão curvo. Na fachada N. as fenestrações continuam a disposição horizontalizante da fachada principal. No primeiro andar inserem-se 3 janelas rectangulares, em cada extremidade, ladeando o conjunto de 2 portas de arco abatido com uma janela rectangular no meio; no segundo andar rasgam-se 9 janelas com molduras iguais às do mesmo andar da fachada principal; no terceiro andar o ritmo dos vãos define-se por 2 módulos sequenciais compostos de janela de guilhotina junto do cunhal, seguida de janela de sacada com modilhões inferiores e lintel de cantaria prolongado até à banda do ático, intercalando-se nova janela de guilhotina, janela de guilhotina com lintel de cantaria prolongada até à banda do ático e janela de guilhotina a separar o módulo seguinte de janelas com a mesma molduração. Na fachada N., no andar inferior, rasgam-se 6 vãos de janelas de guilhotina de lintel recto e com emolduramento liso prolongado até ao pavimento, enquanto o andar superior apresenta um primeiro conjunto de 4 vãos correspondentes a 3 janelas de guilhotina, com bandeiras cegas, enquadradas numa moldura de conjunto em banda lisa que prolonga os lintéis e os poiais a partir das linhas superiores e um segundo conjunto, mais baixo, constituído por uma janela de sacada que abre para passadiço em betão, a que se seguem duas janelas de guilhotina. Entre vãos há vestígios parietais da inserção de pilastras. O edifício secundário do imóvel, com comunicação interna pela ala O. e externa por escadaria semicircular, desenvolve-se em planta em T e eleva-se sobre embasamento proeminente, apresentando o mesmo tipo de moldurações nos vãos, pilastras nos cunhais e cobertura em telha de canudo sobre a qual se destaca a chaminé de coroamento em frontão curvo recortado.

Utilização Inicial

Residencial: paço eclesiástico

Utilização Actual

Residencial: palácio eclesiástico

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Instituto de Apoio Sócio-Educativo, por doação da Câmara Municipal de Pinhel em 03 de Agosto de 1990 (artº 74)

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1770 - criação do Bispado de Pinhel; 1783/1797 - construção do Paço durante o bispado de D. José António Pinto de Mendonça Arrais; o prelado projectava a edificação de um Seminário e da Sé Catedral, nunca concretizada; 1882, 4 Setembro - extinção da diocese de Pinhel; 1883/1887 - compra do Paço pela Câmara Municipal de Pinhel; 1888 - instalação do Regimento de Infantaria 24; 1938 - instalação da Biblioteca Pública; Séc. 20, década de 1940 - instalação do quartel da GNR e do posto da PSP; foram destruídas as salas de estudo, quartos dos seminaristas e capela, jardim, chafariz e cerca; 1954 - instalação do Colégio da Beira; 1971/1972 - instalação do Liceu nas áreas do Paço anteriormente ocupadas pela GNR; 1973, 22 abril - proposta de classificação do edifício apresentada pela CMPinhel, na sequência da deliberação camarária de 26 janeiro do mesmo ano; 1990 - doado pela Câmara Municipal de Pinhel ao Instituto de Apoio Sócio-Educativo; 2002, 15 Maio - despacho de abertura do processo de classificação pelo vice-presidente do IPPAR; 2009, 23 outubro - caduca o processo de classificação conforme o Artigo n.º 78 do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, n.º 206, alterado pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251 de 28 dezembro 2012, que faz caducar os procedimentos que não se encontrem em fase de consulta pública; 2014, 26 dezembro - publicação do Anúncio de abertura do procedimento de classificação, em Anúncio n.º 299/2014, DR, 2.ª série, n.º 249.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Granito; cantaria de granito; alvenaria rebocada, caiada ou pintada; estuque; pavimentos em soalho corrido; pavimentos em laje de granito.

Bibliografia

FIGUEIREDO, Fr. Manuel de, Descripção de Portugal. Apontamentos e Notas da sua Historia Antiga e Moderna, Ecclesiastica, Civil e Militar, Lisboa, 1788; FRANKLIN, Francisco Nunes, Memoria para servir de Indice dos Foraes das Terras do Reino de Portugal e seus Dominios, Lisboa, 1816; LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Pinho, Pinhel, in Portugal Antigo e Moderno. Diccionario, vol. VII, Lisboa, 1876; MARTA, Ilídio, Pinhel-Falcão. Notas e Factos, Celorico da Beira, 1943; BIGOTTE, José Quelhas, D. José António Pinto de Mendonça Arrais (Bispo de Pinhel e da Guarda). Grande Prelado e Grande Patriota, Guarda, 1949; BRÁSIO, Pe. António, Três Dioceses Pombalinas. Castelo Branco. Penafiel. Pinhel, in Lusitânia Sacra, 1958, Tomo III, pp. 165-233; Breve Notícia sobre a extinta diocese de Pinhel, in Boletim da Liga dos Amigos de Pinhel, Pinhel, nº 2, Agosto 1970; Pinhel, in Tesouros Artísticos de Portugal, coord. José António Ferreira de Almeida, Lisboa, 1976; Ministério do Equipamento Social-Secretaria de Estado da Habitação e Urbanismo-Direcção Geral do Planeamento Urbanístico, Plano da área Territorial da Guarda. Situação Actual. Património Histórico/Cultural. Concelho de Pinhel, Lisboa, 1984; Guia de Portugal, vol. III, Beira, II. Beira Baixa e Beira Alta, 2ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1985; SARAIVA, Laurindo, Calçada mais antiga que aqueduto, in Ponto Final. Jornal de Pinhel, Pinhel, Ano 3, Nº 32, 01/03/1999; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/10729959 [consultado em 20 dezembro 2016].

Documentação Gráfica

ME: DREC; CM Pinhel

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

ME: DREC; CM Pinhel

Intervenção Realizada

1969 / 1970 - adaptação das dependências a salas de aula, gabinetes para professores, oficinas, sanitários, remodelação das instalações de água e electricidade para o funcionamento da Escola Técnica, secção da Guarda; ME / DREC: 1991 / 1994 - projecto e execução das obras de recuperação e adaptação a residência de estudantes; CMP: 1998 / 1999 - sondagens arqueológicas e arranjo urbanístico do Lg. dos Combatentes da Grande Guerra e Pctª Coronel Lima da Veiga *4.

Observações

*1 - No topo N. da Praceta foram documentados arqueologicamente um troço de calçada em xistos hídricos formando um desenho geométrico de círculos secantes através da inserção de pedras de quartzitos, assim como, um troço e caixa de água do antigo encanamento de águas ou aqueduto, nas sondagens arqueológicas que acompanham as obras de beneficiação em curso na Praceta (SARAIVA, 1999, p. 2). *2 As obras de adaptação deste edifício secundário, não estão concluídas, prevendo-se que venha a ser ocupado pela casa do Director da residência de estudantes. *3 - Onde a historiografia considera ter nascido o bispo que ordenou a edificação do Paço de Pinhel.*4 - Patrocinado pelo Ministério do Equipamento, do Planeamento e da Administraçao do Território, co-financiado pelo FEDER e pelo Prosiurb/DGAA, com empreitada a cargo de Carlos Alberto Antunes Gil.

Autor e Data

Margarida Conceição / João Vilhena 1999

Actualização

 
 
 
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