Castelo da Guarda / Castelo e cerca urbana da Guarda

IPA.00002918
Portugal, Guarda, Guarda, Guarda
 
Castelo muito adulterado pelas sucessivas demolições das muralhas, mas que, ainda hoje, serve, em alguma zonas, para definir o limite da cidade, adaptado à topografia e de configuração irregular, com construção e remodelações sucessivas desde o séc. 12 ao 15. No recinto interior da cidadela, torre de menagem de dois andares, com acesso por vão elevado de verga recta, de construção gótica, surgindo um perímetro de muralhas a proteger a almedina, de espessura variável, em cantaria de aparelho isódomo, rasgada por várias portas, em arco de volta perfeita ou apontado, reflectindo as sucessivas construções que o espaço sofreu, sendo uma delas em cotovelo; ao longo das muralhas, algumas torres e seteiras em arco recto. Uma delas integra oratório barroco de invovação cristológica.
Número IPA Antigo: PT020907420003
 
Registo visualizado 2284 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo e cerca urbana    

Descrição

Muralhas com traçado de forma irregular, adaptando-se ao terreno em acentuado declive, mantendo, ainda, a distinção entre a alcáçova, na zona imediata à torre de menagem e a almedina, intramuros. As muralhas, integradas, em vários pontos, nos edifícios que constituem a malha urbana, são em cantaria aparente, em aparelho isódomo com enchimento ciclópico, de espessura variável e sem merlões. Os troços ainda existentes são: três viradoa a E., na Rua Tenente Valadim até à Torre dos Ferreiros, na R. Lopo de Carvalho e um desde a Porta da Erva até ao Torreão na Avenida Bombeiros Voluntários, apresentando vestígios das ruínas do Torreão; no lado N. mantém dois troços, o existente na Avenida Bombeiros Voluntários e outro junto à Porta d'El Rei na Travessa do Povo; no lado O. mantém amplo troço, a partir da Rua Salvador do Nascimento, integrando a denominada Porta Falsa. Os muros são rasgados, ainda, por três portas, a Porta da Erva pu da Estrela e a Porta dos Ferreiros, ambas a E., surgindo, no ponto oposto, a Porta del Rei. A Porta del Rei rasga-se em arco apontado assente em impostas salientes e com a moldura formada pelas aduelas; o intradorso forma um arco mais amplo, com o mesmo tipo de perfil, mas sem impostas. A Porta da Erva apresenta perfis distintos nos extra e intradorsos; no primeiro forma arco ligeiramente apontado com a moldura formada pelas aduelas, tendo, superiormente, vestígios do primitivo arco de volta perfeita, mais amplo e com correspondência no intradorso, cujo perfil é de volta perfeita com aduelas irregulares. A Porta dos Ferreiros constitui uma entrada em cotovelo, protegida por torre quadrangular, tendo dois vãos de acesso, um na face O., apresentando arco de volta perfeita no extradorso e em arco abatido no intradorso, encimado por passadiço; na face S., porta em arco de volta perfeita, sendo o do interior emoldurado por amplo arco apontado, de arestas biseladas. No interior do cotovelo, num dos ângulos, surge um oratório dedicado ao Crucificado, assente sobre plataforma quatro degraus em cantaria de granito, protegido por gradeamento em ferro forjado pintado de verde, com portadas centrais, sendo o oratório constituído por nicho concheado com arco contracurvado, assente em colunas dóricas, encimado por cornija interrompida em volutas, com elemento concheado no centro e encimada por festão; as ilhargas apresentam decoração de acantos e enrolamentos. O conjunto encontra-se sobre soco de cantaria aparente granítica. A Torre de Menagem é de planta pentagonal irregular, isolada e assente em afloramentos graníticos, apresentando paramentos em cantaria aparente de aparelho isódomo, com cobertura em telhado de duas águas, inferior relativamente ao muro, tendo passadiço em duas das faces, formando L, com acesso por escadas no interior. A fachada principal e a posterior, apresenta uma linha de mísulas desactivadas, surgindo, na principal porta de verga recta, alteada, de acesso à torre e na lateral porta em arco abatido, envolvido por dupla arcada cega, em arco de volta perfeita. INTERIOR em cantaria aparente de aparelho isódomo, com cobertura em vigamento de madeira, tendo três pisos com pavimento de madeira e com acesso por escadas do mesmo material, com guarda vazada, que levam à cobertura, com acesso por porta de verga recta.

Acessos

Guarda, Largo João Soares, Rua Tenente Valadim, Avenida dos Bombeiros Voluntários, Rua Salvador do Nascimento

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910 / Decreto n.º 38 147, DG n.º 4 de 05 janeiro 1951 / ZEP, DG n.º 237 de 08 outubro 1956 *1

Enquadramento

Perímetro muralhado envolvendo todo o núcleo medieval, confluindo com a primeira zona de expansão (E.), mas ainda funcionando com limite urbano nas zonas N., O., e parcialmente a S., situado no flanco NE. da Serra da Estrela, a 1021 m. de altitude. Torre de Menagem isolada situada numa colina, a Torre dos Ferreiros a meia encosta, adossada a várias casas de habitação, tendo, numa das faces, um Passo que integrava a Via Sacra. O Castelo domina os Vales do Côa e Mondego.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: castelo e cerca urbana

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Câmara Municipal da Guarda (tel.: 271220220), auto de cessão de 13 Agosto 1941 (castelo) / Instituto de Meteorologia e Geofísica (Torre dos Ferreiros)

Época Construção

Séc. 12 (conjectural) / 15

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 1 - castro lusitano romanizado (J. Almeida); séc. 12 / 13 - início da construção das actuais muralhas; 1187 - execução do torreão; 1199, 27 Novembro - D. Sancho I dá carta de foral à povoação, seguindo o modelo de Salamanca / Numão; 1290 - início da construção da Torre de Menagem e do troço N. das muralhas, junto à Porta d'El Rei; séc. 13 / 14 - construção da Torre dos Ferreiros, com pedra proveniente da Igreja de Nossa Senhora da Consolação, durante o reinado de D. Dinis, e as muralhas no troço E. e da Porta da Erva; séc. 14, 2.ª metade - no reinado de D. Fernando, alguns trabalhos e destruição do arrabalde E.; 1371 - instituição de couto de homiziados (200); séc. 14, início / 15 - conclusão das muralhas nos troços N. (junto ao Torreão) e a S. (junto à Porta da Covilhã); séc. 15 - construção da Torre Nova, correspondendo a um novo surto construtivo; terminam as referências a trabalhos de vulto; 1422 - no Rol dos Besteiros, é referida a existência de 10650 habitantes; 1496 - na Inquirição, é referida a existência de 1426 habitantes; 1527 - no Numeramento, é referida a existência de 2321 habitantes; séc. 18 - existiam as seguintes portas, a Porta Nova ou da Covilhã a E., Porta do Curro e Porta Falsa a N., surgindo, junto ao Torreão, a Porta da Erva ou da Estrela a E., Porta d'El Rei a N., Porta dos Ferreiros a E. e Porta falsa a N.; existiam as Torre de Menagem a S., Torre dos Ferreiros a E., Torre Nova ou da Covilhã a E.; 1801 - demolição de troço de muralhas; 1887 - 1888 - demolição da Torre Nova; séc. 19, 2.ª metade - demolição do Torreão, também denominado Torre Velha; destruição das portas do Curro, a N., e a Nova, a S. e todo o troço de muralhas que se encontrava junto ao Torreão, desde a passagem da Ruas 31 de Janeiro, da Rua do Comércio e da Rua Salvador do Nascimento; 1890 - referenciadas muralhas e porta junto à Capela do Senhor do Bonfim; 1898 - existia muralha no terreiro do Antigo Mercado dos Porcos; 1902 - pedra do castelo existente a S. do Paiol, aproveitada na construção da enfermaria regimental. 1910 - ainda existia um troço de muralha no antigo Lg. do Espírito Santo, fronteiro às Portas de El-Rei; 1935 - foram demolidos os troços de muralhas desde a cerca do Solar Torre Vasconcelos até à Rua Tenente Valadim.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante.

Materiais

Granito; cantaria; madeira; ferro; aparelho isódomo; telha de aba e canudo

Bibliografia

LEAL, Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, 1873; DIONÍSIO, Sant'Ana, Guia de Portugal, Lisboa, 1924; OLIVEIRA, Carlos, Apontamentos para uma Monografia da Guarda, Guarda, 1940; ALMEIDA, João de, Roteiro dos Monumentos da Arquitectura Militar do Concelho da Guarda, Lisboa, 1943; COMISSÃO DE INICIATIVA DA GUARDA, Guarda, Album Ilustrado, Porto, s.d.; RODRIGUES, Adriano Vasco, Monografia Artística da Guarda, Guarda, 1980; GOMES, Rita Costa, A Guarda Medieval, 1200 - 1500, Lisboa, 1987; GOMES, Rita Costa, Castelos da Raia. Beira, vol. I, Lisboa, 1997; GAMELAS, Sérgio, Memória Descritiva da Recuperação do Torreão, Guarda, 1989; GONÇALVES, Luís Jorge Rodrigues, Os castelos da Beira interior na defesa de Portugal (séc. XII - XVI), [dissertação de mestrado], Lisboa, Faculdade de Letras de Lisboa, 1995; SANTOS, Manuel Luís Fernandes, D. Sancho I deu carta de Foro à Guarda em 27 de Novembro de 1199, in Praça Velha, ano II, 1.ª série, n.º 4, Novembro 1998, pp. 5-8.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DREMC

Intervenção Realizada

DGEMN: 1942 / 1947 - Diversas obras; 1947 - reconstrução e limpeza de panos de muralha e torres, picagem do reboco do arco da porta e do volume poligonal do ângulo NO. da Torre dos Ferreiros, construção de pavimentos, porta e escadas de madeira da Torre de Menagem, reconstrução da cobertura da Torre de Menagem; 1956 - consolidação da muralha, troço N. junto à Porta Falsa: apeamento e reconstrução do pano de muralha em ruína, reconstrução do lajedo do adarve e assentamento de parapeito, consolidação do cunhal da casa adossada à muralha; 1956 / 1957 - reparação da cobertura e construção de porta de madeira na Torre de Menagem; 1959 - Obras de consolidação na Torre dos Ferreiros: desaterro da mole granítica na qual assenta a muralha lateral, apeamento da empena do prédio confinante, vedação e iluminação do local, consolidação das muralhas; 1960 - Obras de consolidação na Torre dos Ferreiros: continuação dos trabalhos de consolidação das muralhas junto à Torre dos Ferreiros, e na parte liberta pela demolição de casas aí adossadas, consolidação do cunhal da parede do lado esquerdo, incluindo apeamento e reconstrução de silhares, consolidação e reconstrução de panos de muralhas; 1961 - Obras de conservação no Castelo e Torre dos Ferreiros: apeamento das paredes de pedra, construção de panos de muralha com silhares de granito e conclusão do pano de muralha anexo à Torre dos Ferreiros, tapamento de algumas fendas na base da mesma torre, limpeza do terreno anexo; 1962 / 1963 - execução de iluminação exterior; 1965 - colocação de grade de vedação na Torre dos Ferreiros; 1984 - consolidação e beneficiação do troço de muralhas junto à "Porta da Traição": remoção de entulhos, desobstrução da porta e consolidação do seu arco, consolidação do pano de muralha e tapamento de rombo; 1985 - beneficiação da Torre de Menagem e muralhas: substituição da estrutura da cobertura, de telhas partidas e do pavimento, substituição dos cobertores e guardas dos degraus, substituição de caleiras, construção de nova porta para o vão de entrada na torre, limpeza das paredes interiores e do pavimento térreo, execução de rede eléctrica, reparação dos panos de muralhas junto à "Porta da Traição": remoção de entulhos para desobstrução da porta, reconstrução de uma parte do pano da muralha, execução de porta de madeira e respectica soleira em cantaria; IPPC (Serviços de Arqueologia): 1989 - escavação arqueológica: recolha de cerâmica medieval, cinzas, ossos de animais, indicando existência de restos de cozinha; DGEMN: 1994 - consolidação de muralhas; 2004 - projecto de recuperação da Torre dos Ferreiros.

Observações

*1 - DOF: Castelo da Guarda ( a Torre dos Ferreiros e ainda além do troço junto à torre, todos os restantes fragmentos de muralhas ); Dec. nº 38 147, 05 Janeiro 1951 classifica-a conjuntamente com o Castelo: a) Torres dos Ferreiros; b) Troço situado junto à torre; c) Os restantes fragmentos de muralha existentes.

Autor e Data

Margarida Conceição 1991

Actualização

 
 
 
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