Igreja Paroquial de Cinco Ribeiras / Igreja de Nossa Senhora do Pilar

IPA.00029064
Portugal, Ilha Terceira (Açores), Angra do Heroísmo, Cinco Ribeiras
 
Igreja paroquial construída no séc. 19 e com grandes obras após o terramoto de 1980, as quais alteraram bastante a igreja e o esquema de iluminação. Apresenta planta composta por nave e capela-mor, interiormente com ampla iluminação axial e bilateral. As fachadas são rebocadas e pintadas, com os elementos estruturais e molduras dos vãos sublinhados a azul, de caráter popular; a principal termina em frontão triangular, com elemento curvo e alteado ao centro, criando eixo vertical por meio de frisos, interligando o remate ao portal, de verga reta, encimado por painel fitomórfico relevado e óculo circular, ladeado por janelas laterais, com frisos comunicando com a cornija. Torre sineira de três registos, tendo no segundo relógio circular e no terceiro sineira em arco de volta perfeita, e remate em coruchéu piramidal facetado. As fachadas laterais são rasgadas por várias janelas retangulares, com frisos verticais criando almofadas, e porta travessa de verga reta na lateral esquerda.
Número IPA Antigo: PT071901050061
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta retangular composta por nave e capela-mor, da mesma altura, junto à qual existem lateralmente corpos salientes, o da fachada lateral esquerda de perfil curvo e o oposto rectilíneo, tendo adossada à fachada lateral esquerda torre sineira quadrangular. Volumes articulados com coberturas em telhados de duas águas na nave e três na capela-mor, rematadas em beirada simples, e em coruchéu facetado na torre sineira, formando faixas alternadas a azul e branco, coroado por duplo globo. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com embasamento em cinzento, e os cunhais, frisos, cornijas e molduras dos vãos sublinhados a azul claro. Fachada principal virada a SO., terminada em frontão triangular, curvo e alteado ao centro, de onde partem frisos verticais que se interligam ao portal, coroado por globo, pintado de azul e cruz. É rasgada por portal de verga recta, com moldura recortada inferiormente e nos ângulos, encimado por painel rectangular com acantos e florão central relevado, pintado de azul, verde e dourado, inserido em almofada côncava criada por friso horizontal que secciona os frisos verticais. Superiormente, na zona do tímpano, abre-se ao centro óculo circular, de dupla moldura e, ladeando o portal, duas janelas rectangulares, de onde partem dois frisos até à cornija do frontão, criando almofadas retangulares. No alinhamento da fachada, dispõe-se à esquerda a torre sineira, de três registos separados por cornija ou friso, tendo no segundo relógio circular e abrindo-se no terceiro, em cada uma das faces, sineira em arco de volta perfeita sobre pilastras, albergando sino; nos cunhais possui bolas. Fachadas laterais rematadas em duplo friso, rasgadas, na nave por quatro janelas rectangulares, desenvolvendo-se sobre cada uma frisos verticais que se interligam ao remate, formando almofadas rectangulares e, na lateral esquerda por porta travessa de verga recta, de tripla moldura, a exterior formando recorte; na capela-mor abrem-se janelas em dois registos. A fachada lateral esquerda da torre sineira é semelhante à frontaria. A empena posterior da nave surge alteada em relação à cobertura, tendo a mesma modinatura que a fachada principal. No INTERIOR possui seis altares laterais dedicados ao Coração de Jesus, Nossa Senhora da Conceição, Santa Teresinha, São João Batista, São Sebastião e Nossa Senhora de Fátima.

Acessos

Cinco Ribeiras, Estrada Regional 1-1

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, no interior da povoação, desenvolvida ao longo da Estrada Regional, em plataforma sobrelevada disposta frontalmente à via, formando adro pavimentado, precedido por ampla escada. O adro é parcialmente delimitado por muro, vedado na fachada lateral esquerda por gradeamento de ferro, tendo deste lado antigo sino. Junto à fachada lateral esquerda ergue-se edifício integrando ao centro o Império do Espírito Santo.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Angra)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARTISTA: José Soares de Oliveira (séc. 19). ENTALHADOR: António Machado Conanha (séc. 19). MESTRE: Custódio José Pereira (1967-1972). PINTOR: Manuel de Oliveira (séc. 19). PINTOR-DOURADOR: José Nunes Sobrinho (1895).

Cronologia

Séc. 17, 2ª metade - a Companhia de Jesus adquire uma propriedade no lugar das Cinco Ribeiras para veraneio e ali constrói uma ermida com invocação de Nossa Senhora do Pilar; 1691 - a capela já é sufragânea da paróquia de Santa Bárbara; 1759 - com a expulsão dos Jesuítas, a propriedade é arrematada por particulares, tendo a ermida continuado a serviço da comunidade; 1761 - Cinco Ribeiras tem 80 fogos; 1832 - doação da ermida ao povo da freguesia; 1840 - até esta data ali se celebra missa a expensas dos habitantes, venerando as imagens do orago e de Santo Inácio de Loyola; com o tempo, a capela, que fica fora da povoação, mostra-se insuficiente para o culto, devido ao crescimento da povoação; 1861, 13 junho - provisão do bispo D. Frei Estêvão de Jesus Maria torna Cinco Ribeiras curato sufragâneo; tem por primeiro cura João Lourenço da Rocha, já na época capelão da ermida; Domingos de Sousa Mendes (1807-1861), filho de Francisco Mendes Álvares e de Francisca Mariana de Jesus, lega a anuidade de 30 alqueires de trigo a Nossa Senhora do Pilar, com vista a auxiliar a mudança da sua ermida; 1862, 10 abril - após a reivindicação de um grupo de moradores, o governador civil do Distrito de Angra do Heroísmo, Jácome de Ornelas Bruges de Ávila Paim da Câmara, emite alvará nomeando uma comissão destinada a desenvolver as diligências necessárias à construção de uma nova igreja, com a escolha de terrenos apropriados, sua aquisição e a reunião dos meios financeiros e apoios; nomeia como presidente da comissão o padre João Lourenço da Rocha, vigário da Igreja de São Jorge das Doze Ribeiras, e estipula que os cargos de secretário e tesoureiro sejam eleitos entre os membros da comunidade; 2 Julho - reunião da comissão na sacristia da ermida de Nossa Senhora do Pilar, para apreciação dos quatro terrenos oferecidos para implantação da igreja, um pelo capitão Luís Jacinto Pacheco, outro por José Caetano Serpa, outro por António Coelho Romeiro e o último por José Coelho Romeiro, membro da comissão, mas, por não serem contíguos à estrada, nem ficarem no centro da povoação nenhum deles é selecionado; assim, escolhe-se os terrenos pertencentes à Santa Casa de Misericórdia de Angra do Heroísmo, mas esta não os podia vender sem autorização, e a comissão não tinha meios para suportar o respectivo foro, acrescendo a necessidade de se obter o seu domínio útil, o que implicava pagar 72$500 a quem os tinha aforado; a aquisição é ainda dificultada pelo facto de, entre os terrenos e a estrada, existirem duas habitações cuja demolição ou expropriação implicarem fundos que excediam os da comissão; 1866, 14 outubro - depois desta data obtêm-se autorização para venda dos terrenos pela Misericórdia; a Junta de Paróquia de Santa Bárbara das Nove Ribeiras, freguesia a que então pertencia o lugar das Cinco Ribeiras, delibera suportar a compra, entregando-os livres de encargos à comissão; 1867, 20 janeiro - escritura de compra dos terrenos para a edificação da igreja; 20 maio - bênção da primeira pedra da igreja paroquial; 23 maio - despacho do bispo D. Frei Estêvão de Jesus Maria autoriza a demolição da ermida para aproveitamento dos materiais, sobretudo das cantarias; 30 maio - procissão de transferência da imagem de Nossa Senhora do Pilar para a paróquia de Santa Bárbara, na quinta feira de Ascensão; 13 Junho - provisão do bispo de Angra elevando o lugar de Nossa Senhora do Pilar das Cinco Ribeiras a curato; 1871, 1 janeiro - benção da primeira capela lateral para a celebração da missa, pelo Padre João Lourenço da Rocha, estando a igreja ainda em construção, tendo apenas o teto a cobrir a nave e faltando a capela-mor e a sacristia; 1872, 14 agosto - benção da igreja, tendo assistido à cerimónia o governador civil interino, o governador do bispado, o administrador do concelho, todos os párocos das freguesias próximas e o de São Pedro da cidade de Angra; toda a estrada, desde a paróquia à nova igreja, é juncada de flores e enfeitada com bandeiras e arcos; a construção da igreja orça em 7.889$415, tendo o Estado contribuído apenas com 1.000$000, e as obras são dirigidas pelo mestre Custódio José Pereira; 15 agosto - cortejo de transferência da imagem de Nossa Senhora do Pilar da igreja de Santa Bárbara para a de Cinco Ribeiras; Fernando da Rocha Vaz, abastado proprietário do lugar de Regatos, oferece a imagem do Senhor Santo Cristo, que é colocada no lado direito, contígua à capela do Sacramento, para o que se fez retábulo e camarim, pelo mestre António Machado Conanha; 1871 - 1874, entre - depois da conclusão da igreja, procede-se à construção do batistério, embutido na parede, por 200$000, promovida pelo padre Belarmino José da Silva; posteriormente, o pároco Belmiro José da Silva transforma as duas portas de acesso à sacristia nas capelas do Santíssimo Sacramento, com gradeamento, e na das Almas, com retábulo a óleo, do artista Manuel de Oliveira (200$000); sobre a sacristia e imediações constrói-se também duas salas, destinadas às sessões da Junta e Santuário e a outra à Ordem Terceira, com uma loja por baixo para arrumações; 1874, 29 junho - bispo D. João Maria visita a igreja e celebra missa; 15 agosto - visita do bispo de Nilopolis, D. Francisco Maria de Sousa do Prado de Lacada; 1879, 08 fevereiro - elevação do curato a paróquia e freguesia, por desmembramento da parte leste da freguesia de Santa Bárbara das Nove Ribeiras; 1888, 14 março - realiza-se pela primeira vez a Procissão da Penitência; 1890 - a côngrua anual do vigário é de 350$000, igual à de Santa Bárbara; 1891 - compra de um sino grande, com 32 arrobas, por 5000$000 (400$000 proveniente de esmolas e 100$000 recebidas do Brasil); 1892 - construção da torre sineira, impulsionada pelo Pe. Belmiro da Silva, para colocação do sino grande anteriormente adquirido, devido à pequena sineira que encimava o frontispício não o comportar; a obra da torre custa 1:500$000, tendo exigido que as escavações das fundações atingissem a fundura de 30 palmos; na mesma altura substitui-se o antigo batistério pelo atual; no vão deixado pela primitiva sineira, instala-se o oratório da imagem da Virgem do Pilar, oferecido pelo Pe. João Bernardo Corvelo, antigo cura, depois de autorizado pela família do seu antecessor, João de Aguiar Valadão, a quem pertencera a imagem; 1895, 07 março - subscrição promovida no Rio de Janeiro, por Francisco Vaz Rocha, para auxiliar as despesas no douramento dos retábulos da igreja, no valor de 400$000; José Nunes Sobrinho doura os retábulos e pinta o teto e cimalha; séc. 19 - Luís António Pires da Fonseca (1825-1877) oferece uma imagem da Virgem do Pilar para a igreja, visto a primeira ser muito pequena; oferta da imagem de São Luís de França por José Nunes; aquisição do santuário completo, das alfaias e imagens de Santa Margarida de Cortona, São Francisco das Chagas, São Luís de França e Senhor da Coluna, quase de tamanho natural e do artista portuense José Soares de Oliveira, feita com dinheiro das Irmandades dos Terceiros, do Rosário e das Almas, da Caixa do Senhor Santo Cristo dos Milagres e das esmolas anónimas; 1906, 25 março - na procissão da Penitência o badalo do sino grande cai na cimalha; posteriormente, o sino, por ter rachado, é fundido em São Miguel; 1938 - colocação do relógio paroquial na frontaria da igreja, proveniente de casa francesa e oferecido por Manuel Pereira Soares; 1939, 22 dezembro - Decreto 30 214 determinando a incorporação da designação de Cinco Ribeiras na designação da freguesia, embora ela já apareça nos censos da população a partir de 1911, passando então a designar-se de Nossa Senhora do Pilar das Cinco Ribeiras; 1958, 23 dezembro - inauguração da luz elétrica na freguesia; 1980, 01 janeiro - sismo provoca o colapso das torres e do frontão da fachada principal; posteriormente procede-se à sua reconstrução, com a traça atual; 1990, 07 agosto - Decreto Legislativo Regional n.º 15/90/A, alterando a denominação da freguesia, que passa simplesmente a ser Cinco Ribeiras.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; frisos, pilastras, cornijas, faixas e molduras dos vãos em argamassa; portas de madeira; vidros simples; coberturas de telha.

Bibliografia

MERELIM, Pedro de - As 18 Paróquias de Angra. Sumário Histórico. Angra do Heroísmo: tipografia Minerva Comercial, 1974; OLIVEIRA, Carlos, LUCAS, A., GUEDES, J. H. correia, ANDRADE, Rui - «Metodologia para a quantificação dos dados observados no parque monumental». 10 Anos após o sismo dos Açores de 1 de Janeiro de 1980. Lisboa: Carlos Sousa Oliveira, Arcindo R. A Lucas e J. H. Correia Guedes, 1992, vol. 2, pp. 743-791.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

EM ESTUDO. *1 - O topónimo Cinco Ribeiras deriva do seu núcleo principal se localizar em torno da Ribeira das Cinco, ou seja, cinco ribeiras depois da saída O. da cidade de Angra. O lugar desenvolveu-se sobretudo quando a Companhia de Jesus ali adquiriu uma propriedade, para veraneio.

Autor e Data

Paula Noé 2010

Actualização

Paula Noé 2012
 
 
 
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