Capela de São João Baptista / Ermida de São João Baptista

IPA.00002885
Portugal, Faro, Lagos, São Gonçalo de Lagos
 
Arquitectura religiosa renascentista e barroca. Ermida de nave única rectangular, articulada com capela-mor renascentista de planta centralizada regular, que provavelmente teria constituído um templo autónomo; apresenta semelhanças com a desaparecida Ermida de Nossa Senhora da Piedade, também ela com capela-mor oitavada coberta por cúpula revestida a telha mourisca e nave com telhado de três águas. Retábulo-mor barroco de colunas torsas e decorações de pâmpanos. A ermida pertencia a um conjunto que integrava tanques de lavagem, casa de água e aqueduto. A evidente desarticulação entre a nave e a capela-mor sugere que esta teria sido um primitivo morábito Implanta-se num local historicamente importante, dada a alusão a um primitivo templo de 1174, ainda antes da conquista cristã do Algarve.
Número IPA Antigo: PT050807060015
 
Registo visualizado 240 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta longitudinal composta por nave rectangular, capela-mor octogonal de lados curvos, sacristia a NO. e dependências anexas a SE.. Volumes articulados, massas dispostas na horizontal, com cobertura diferenciada em telhado de duas águas na nave, uma água sobre as estruturas anexas e em cúpula telhada sobre a capela-mor, rematada no vértice por pináculo piramidal. Fachada principal a SO., organizada em dois registos de corpo único; no primeiro registo, ao centro, portal de arco recto moldurado em cantaria, com bandeira com cruz de malta ladeado por duas sineiras de secção quadrangular e adossadas à nave, formando dois pesados gigantes; segundo registo: janelão rectangular disposto verticalmente, com moldura ligeiramente diferente à do portal principal, construída com outro tipo de cantaria, ladeado pelas duas sineiras das torres, com arco de volta perfeita aberto harmonicamente no segundo registo destas torres; empena triangular encimada axialmente por uma cruz; empenas das torres sineiras em frontão triangular irregular encimado por um pequeno pináculo circular; nos extremos das torres dois pináculos trapezoidais, esquema comum às torres sineiras. Fachada lateral SE. integralmente adossada, sendo visível apenas o beiral. Fachada lateral NO. adossada ao corpo da actual Sacristia, disposto paralelamente à nave; apresenta o alçado principal SE., de pano único, com remate recto em beirado, rasgado ao centro por duas portas simples, e à esquerda por janela gradeada. Fachada posterior de três corpos correspondentes ao corpo da capela-mor, ao centro, e aos corpos da Sacristia e anexo, cegos com remates em meia empena; o corpo da capela-mor é de registo único, elevando-se bem acima da altura da nave; divisão em vários panos, delimitados por pilastras adossadas e muito pouco salientes; janela aberta no pano E., rectangular disposta verticalmente e com pequena moldura em cantaria; remate em entablamento e cornija, com pináculos trapezoidais pontiagudos no remate das pilastras. INTERIOR: Espaço único amplamente iluminado pelo janelão da fachada principal e pela janela E. da capela-mor; pavimento em tijoleira a que faltam partes, revelando um pavimento de terra batida; cobertura em abóbada de canhão; coro-alto adossado à fachada principal, com balaustrada destruída para a capela-mor; púlpito a O., localizado sensivelmente ao eixo da nave. Arco triunfal de volta perfeita, bastante amplo, com molduramento caiado. Capela-mor octogonal, com cobertura em cúpula sobre pendentes, na qual, através de uma brecha, são visíveis vestígios de cúpula anterior, a ela subjacente, possuindo um raio maior e uma diferente configuração; do lado da Epístola janela e do lado do Evangelho porta para a Sacristia; retábulo-mor: na parede fundeira da capela-mor abre-se um nicho de volta perfeita que albergava o retábulo barroco, em talha dourada e composto por duas ordens de colunas salomónicas; restam alguns pedaços de talha, ladeada por restos de azulejos que formariam o frontal de altar dos dois lados do nicho.

Acessos

Avenida dos Descobrimentos, à entrada de Lagos, pelo lado N..

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Peri-urbano, planície, extra-muros, numa zona de aluvião a N. da Marina de Lagos, relativamente distante do Centro Histórico. Fachada principal aberta para adro murado; fachada lateral NO. adossada a dependência térrea, que funcionou primitivamente como anexo da ermida; fachada lateral SE. adossada a anexo térreo com edifício mais moderno, térreo, adossado a partir da sua fachada SO., delimitando a SE. o adro; a E. confina com os Tanques de Municipais de São João, onde outrora as lavadeiras diariamente se deslocavam, uma Nora e parte do Antigo Aqueduto que abastecia a cidade. Na envolvente construiu-se a variante à EN 125, que afronta a capela a SO. e O., abrindo-se duas rotundas a O. e a N.. A NE. Superfície Comercial de médias dimensões, com parque de estacionamento; a NO. e SO. faz-se já sentir a pressão imobiliária com alguns quarteirões com prédios de 6 andares.

Descrição Complementar

Conserva-se a porta barroca original, no interior da nave, encostada ao lado E., em estado deplorável e a ameaçar ruína.

Utilização Inicial

Religiosa: ermida

Utilização Actual

Devoluto

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese do Algarve)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 12 (conjectural) / 16 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

1174 - primitiva edificação segundo inscrição numa lápide do portal principal, entretanto desaparecida; 1325 - documentada; 1536, 16 de Março - D. João III ordena à Câmara de Lagos para, todos os anos, a 24 de Junho, se dirigir à ermida, acompanhada pela nobreza para assistir à missa de esmola de 320 réis; 1573, Agosto - terá sido visitada por D. Sebastião, que segundo o cronista João Gascão, ouviu missa na antiga Ermida de Nossa Senhora da Piedade, que se situava a N. da Bateria de Nossa Senhora da Piedade e foi demolida para a construção do Farol; Séc. 16, finais - provável reconstrução, por iniciativa de D. Diogo de Menezes, Governador, segundo a "Relação e Traça da Cidade de Lagos", elaborada por Massey; 1755 - graves danos com o terramoto tendo o templo sido "arrastado pelas ondas"; 1805 - reconstrução do edifício: alteamento da nave e da porta principal; abertura da janela para iluminação do coro; colocação do "pau de fileira" acima do normal ficando encastrado na cúpula; 1920 - com a construção de uma nova estrada, o templo fica separado da antiga alameda que o ligava à cidade; 1969 - parcialmente arruinado com o sismo; Séc. 20, 2ª metade - construção de dependências anexas (actual sacristia); 1984, 09 março - despacho do IPPC para abertura de eventual processo de classificação;1991, 05 dezembro - despacho de abertura do processo de classificação pelo Presidente do IPPC; 1992 - Projecto de recuperação da ermida e da zona envolvente *1; 1993 - Supressão de pequeno muro de taipa que circundava a capela-mor e que, ao que tudo indica, seria o elemento restante de um alpendre de modestas dimensões, de madeira, e construído em época incerta; 2003, 20 fevereiro - Parecer do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como VC - valor Concelhio; 2010, 17 setembro - Proposta de encerramento da classificação pela DRCAlgarve, por não ter valor nacional; 2010, 07 outubro - Despacho de encerramento da classificação pelo Diretor do IGESPAR.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria de pedra (paredes exteriores), taipa (paredes da nave), pedra calcária (molduras); madeira, talha dourada, vidro, telha de aba e de canudo

Bibliografia

LOPES, Silva, Corografia do Reino do Algarve; LEAL, Pinho, Portugal antigo e moderno, vol. 4, Lisboa, 1874; PEREIRA, Esteves, Portugal Diccionário, vol. 4, Lisboa, 1909; PAULA, Rui Mendes, Lagos. Evolução urbana e património, Lagos, Câmara Municipal de Lagos, 1992; Idem, Ermida de São João Baptista, Lacobriga Zawiya Lagos. Lagos Evolução Histórica e Património, Lagos, Câmara Municipal.

Documentação Gráfica

DGEMN: DSID; CML; IPPAR; CEGE

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID; IPPAR; CML; CEGE

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1985 - Obras de conservação; 1993: CML - Levantamento de um pano de tijolo que entaipou a porta do púlpito; construção de uma viga transversal de de reforço; picagem do pavimento; instalação eléctrica; construção de dependências a N. para sanitários; 2001: CML - Arranjos exteriores do adro, com um novo acesso; obras de consolidação dos tanques de água.

Observações

1 - da autoria dos Arquitectos Rui Mendes Paula e Frederico Mendes Paula, este projecto previa a recuperação dos tanques de água e nora, localizados a NE. da ermida, através da criação de uma zona ajardinada, com auditório circular, um quiosque-esplanada e um parque infantil, entre outros equipamentos; o projecto acabaria por não receber a aprovação camarária, que preferiu a rentabilização do espaço através da concessão de alvarás para construção de uma estrutura comercial de baixa intensidade e de um loteamento para urbanização.

Autor e Data

Anouk Costa e Marta Celada 1998 / Patrícia Viegas 2000 / Paulo Fernandes 2001

Actualização

 
 
 
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