Igreja do Mosteiro de Fonte Arcada

IPA.00000287
Portugal, Braga, Póvoa de Lanhoso, União das freguesias de Fonte Arcada e Oliveira
 
Igreja românica, integrada no românico tardio do Minho, com planta longitudinal, de nave única coberta a madeira e capela-mor redonda abobadada, de dois tramos e organizada em dois andares, tendo no 1º arcadas cegas e no 2º arcaturas cegas no 1º tramo e no topo três frestas abrindo para o interior e exterior. O modelo do 1º registo repetir-se-á depois nas arcaturas, sob a cornija, na Igreja de Airães (Felgueiras e na de S. Torcato - Guimarães). A rosácea da fachada principal é já gótica. Constitui um magnífico caso de arquitectura românica regional e assumida com recriação. São notórias as suas características evoluídas: uma nave proporcionalmente mais alta do que o normal e uma ampla e alta capela-mor com uma espacialidade nova e razoável luminosidade, um portal axial com colunas finas, prismáticas e redondas assentes sobre alta sapata corrida e o tipo de representação do Agnus Dei no tímpano. A capela-mor é excelente exemplo da força e riqueza do românico.
Número IPA Antigo: PT010309090001
 
Registo visualizado 1157 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro masculino  Ordem de São Bento - Beneditinos

Descrição

Planta longitudinal composta por nave, capela-mor e torre sineira adossada à esquerda da fachada, sendo de construção muito posterior. Os volumes da nave e capela-mor, com proporção equilibrada, são escalonados e têm cobertura diferenciada em telhados de duas águas. Na fachada principal, orientada a O., e terminada em empena, rasga-se um pórtico de três arquivoltas, apoiadas em seis colunelos, com capitéis esculpidos e ábacos salientes e tímpano esculpido com Agnus Dei. Sobrepuja-o uma rosácea. A fachada è dividida em dois registos por friso horizontal e tem lateralmente dois contrafortes. A torre sineira com portal de verga curva, é rasgada por vários vãos e é coroada por telhado piramidal. A porta lateral S., de arco quebrado, ostenta no centro do tímpano uma cruz pátea emoldurada e ladeada, um pouco mais abaixo, por um sol e uma lua. A cabeceira é flanqueada por colunas com capitéis esculpidos e contornada, no cimo, por uma cornija de arcadas lombardas. As cornijas das paredes laterais da nave, de desenho idêntico, servem de apoio ao beiral da cobertura. O interior de uma nave, é coberta por tecto de madeira de duas pendentes e a cabeceira por abóbada com um sector de planta rectangular e outro semicircular. Dois registos referenciados marcam o interior da ábside. Junto ao solo, uma série de arcaturas cegas, peraltadas que assentam em colunas adossadas de altos capitéis lavrados (acantos, e outras estilizações vegetalistas, laçarias, etc.). Sobre as arcaturas um friso entrançado que se situa ao mesmo nível do primeiro cordão externo. Sobre o friso, as frestas (com tratamento idêntico ao dos portais), sob 3 volumosas arquivoltas boleadas, com apoios de colunas capitelizadas, ábacos salientes, pilastras intermédias. Acima o intradorso da abóbada de cantaria, seccionada por nervuras em gomos, remata esta interessante composição. Pode ainda observar-se o que resta de alguns frescos. Através de este espaço têm-se acesso à sacristia, com pavimento em cota superior e tecto plano em madeira tipo camisa e saia.

Acessos

Fonte Arcada, Lugar do Mosteiro

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910

Enquadramento

Rural. Isolada, situa-se num terreiro sobranceiro à povoação. Envolvida por muro de delimitação do cemitério anexo e casa / quinta onde se localizaria o mosteiro. Na proximidade existe um cruzeiro de construção recente.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro masculino

Utilização Actual

Religiosa: igreja

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Época Construção

Séc. 13

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

1067 - Data provável de uma primeira construção por Godinho Fafilaz Fafes; 1082 - Morte de D. Frei João, primeiro abade do Mosteiro de S. Salvador; 1257 - documento refere uma dádiva de 10 morabitinos por causa das obras; séc. 13, 2ª metade - construção da actual igreja; 1450 - Por intervenção real confirmam-se previlégios do Mosteiro; 1455 - Arcebispo D. Fernando Guerra decide converter o Mosteiro em Arcediaconado.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante na nave e estrutura mista na capela-mor.

Materiais

Paredes exteriores em alvenaria de granito aparente, pavimentos em lajeado de granito, tecto em madeira (tipo guarda pó), na nave e em cantaria na capela-mor. Cobertura em telha de barro. Caixilharias em madeira de castanho.

Bibliografia

ALMEIDA, José António Ferreira de, dir., Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa; GIL, Júlio e CABRITA, Augusto, As Mais Belas Igrejas de Portugal, Lisboa, 1985; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Geografia da arquitectura românica in História da Arte em Portugal, vol. 3, Lisboa, 1986, 50 - 131.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DREMN

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN:DSID

Intervenção Realizada

DGEMN: 1942 - Restauro de frescos, reconstrução de frestas, colunas, capitéis da capela-mor; 1943 - Assentamento de portas e altar, reparação de coberturas; 1946 - Remoção de estuques e côro, reconstrução da rosácea da fachada; 1950 - Reconstrução do telhado da nave; 1958 - Reparação do pavimento, conclusão do telhado; 1961 - Reparação ligeira das coberturas dos telhados; 1962 - Restauro (IJF) de 3 frescos; 1965 - Transporte de altares existentes e sua arrecadação na Igreja da Serra do Pilar; 1967 - Assentamento de portas e vitrais, reajustamento do lajedo; 1975 - Reconstrução do telhado e vitrais; 1976 - Reparação geral da sacristia e reconstrução de taburnos para conclusão do pavimento da nave; 1977 - Reparação vitrais da nave; 1979 - Reparação do tecto da sacristia; 1993 - Reformulação do lajeado no exterior, rebocos da torre sineira e remodelação da instalação eléctrica.

Observações

Dois dos altares renascença retirados durante o restauro foram cedidos à Igreja de Póvoa de Lanhoso, um dos quais foi arrecadado na residência Paroquial. Em 1965 foram guardados 2 altares na Igreja da Serra do Pilar. Na sacristia existe um cofre bastante interessante com a seguinte inscrição: "Este cofre pertence o Senhor E. A. S. do Rozário 10 de Julho de 1822".

Autor e Data

Isabel Sereno e João Santos 1994

Actualização

Paula Noé 1997
 
 
 
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