Mosteiro do Monte Calvário / Convento de Santa Helena do Monte Calvário

IPA.00002862
Portugal, Évora, Évora, União das freguesias de Évora (São Mamede, Sé, São Pedro e Santo Antão)
 
Convento feminino, característico do ciclo henriquino da arquitectura eborense, com aspecto que invoca a Igreja de Santo Antão (v. IPA.00003953); a igreja mantém os traços originais, decorada por pinturas maneiristas e barrocas; apresenta planta rectangular de nave única, de seis tramos, com cobertura em abóbada de canhão, de caixotões com estuques relevados; paredes da nave e capela-mor revestidas a azulejo, respectivamente de padrão e de ramagens, de padrão oriental, monocromático; na capela-mor cobertura de caixotões decorados por pinturas murais; coro de planta retangular com tecto de caixotões decorados por pinturas. Claustro rectangular de dois pisos, de arcos plenos sobre colunas toscanas de granito e abóbadas em arco abatido com caixotões estucados. Dormitório com grande dimensão, de planta retangular, coberto por tecto de caixotões triangulares. Importante acervo pictórico do estilo maneirista e barroco.
Número IPA Antigo: PT040705050034
 
Registo visualizado 2391 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro feminino  Ordem de Santa Clara - Clarissas (Província dos Algarves - Xabreganas)

Descrição

Planta irregular, composta pela igreja de planta rectangular e nave única e pelo claustro que organiza a distribuição dos elementos de serviço e restantes dependências conventuais. Volumes articulados e massas dispostas na vertical, em dois pisos. Coberturas diferenciada em telhados de duas e de quatro águas. Fachada principal a norte, correspondendo ao corpo da igreja, de pano único subdividido em 10 tramos definidos por botaréus graníticos rematados com gárgulas cilíndricas marcada por 11 sólidos contrafortes apilastrados; entre o 4º e o 5º contraforte, a partir da ábside, rasga-se o vão do pórtico, emoldurado de cantaria granítica e com entablamento retabular rectangular profundamente moldurado, acessível por pequena escadaria; entre os restantes contrafortes, dispostos assimetricamente, rasgam-se, ao nível dos dois registos, frestas e janelas rectangulares de molduras esquadriadas graníticas. A área correspondente à Portaria consiste em duas dependências de planta rectangular, uma delas com cobertura em abóbada abatida, de dois tramos, com nervuras de aresta viva, assentes em mísulas, uma ostentando a data de término da intervenção (1578) e a segunda uma cabeça de serafim. Claustro tem planta rectangular, disposto em dois pisos, de cinco tramos no sentido longitudinal e três no perpendicular; arcadas de volta perfeita apoiadas em colunas toscanas, de granito e embasamento de alvenaria; galeria térrea com cobertura em abóbadas de arcos abatidos, emoldurados, com caixotões estucados; superiormente cornija rectilínea, granítica; na quadra, fonte de mármore branco, com tanque rectangular e taça elíptica. Nas dependências conventuais, pátio com tanque de lavagem com gárgula zoomórfica de mármore e três inscrições no mesmo material; no piso térreo, várias capelas, o antigo dormitório de planta rectangular, coberto por tecto de caixotões triangulares; pequeno oratório de talha dourada e marmoreada. INTERIOR: igreja com nave de seis tramos, definidos por pilastras que englobam a galeria do coro e a capela-mor; cobertura em abóbada de canhão de caixotões geométricos, com estuques relevado; no pavimento várias campas de mármore, duas delas brasonadas; paredes revestidas por azulejos de padrão, padronagem diversa; no lado da Epístola, tribuna cilíndrica, de mármore, rematada por balaustrada do mesmo formato. No cruzeiro, dois altares de madeira dourada de arcos redondos e frontões quebrados, de volutas, com tábuas de pintura a óleo; no pavimento campa de mármore branco, ostentando armas e inscrição. Capela-mor ocupando o último tramo da nave, antecedida por grade de pau-santo e com arco triunfal decorado por pinturas murais; paredes totalmente revestidas por azulejos monocromáticos de ramagens, de padrão oriental; cobertura em tecto de caixotões, decorados por pinturas murais. Coro de planta rectangular com cobertura em tecto de caixotões decorados por pinturas. Em várias dependências conventuais, paredes revestidas de azulejos; nos antigos armazéns e cavalariças, arcada e coberturas artesoadas de aresta viva; na cerca, três capelinhas arruinadas.

Acessos

Rua Cândido dos Reis; Travessa dos Lagares

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 8.217, DG, 1.ª série, n.º 130 de 29 de junho 1922 / ZEP / Zona "non aedificandi", Portaria, DG, 2.ª série, n.º 62 de 15 março 1954

Enquadramento

Urbano, intramuros (Cerca Nova), a NO. do Centro Histórico (v. v. IPA.00000064), na base da plataforma de onde arranca a colina de Évora. Insere-se em grande quarteirão fechado, com a fachada principal aberta para uma das principais artérias da cidade, área arqueologicamente importante, onde se sabe existirem estruturas relacionadas com o Aqueduto da Prata (v. IPA.00002755) e respetiva alimentação ao convento, com o Palácio dos Sepúlvedas (IPA.00003844) e com o sistema defensivo da cidade. Nas proximidades localizam-se ainda o Forte de Santo António (v. IPA.00006504), a Casa da Quinta da Horta da Porta (v. IPA.00004362) e o Chafariz da Porta da Lagoa (v. IPA.00022966).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro feminino

Utilização Actual

Administrativa

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Afonso Álvares; MESTRE DE OBRAS: Mateus Neto; PINTOR: Francisco João; VEDOR: Padre Domingos Henriques

Cronologia

1565, 29 maio - fundação da casa religiosa pela Infanta D. Maria de Portugal, filha do Rei D. Manuel I e de D. Leonor de Áustria, que, para esse efeito obteve, do arcebispo D. João de Melo e Castro e a instâncias do seu tio o Cardeal regente D. Henrique, a ermida de Vera Cruz, as casas de cura do donato franciscano Fr. Domingos e terrenos anexos patrimoniais da Câmara, junto da muralha da Porta da Lagoa; 1569 - data da outorga real do anel da Água da Prata e dos estudos e levantamentos dos terrenos; 1570 - a partir deste ano os trabalhos são conduzidos pessoalmente pelo arquiteto-mor da Comarca Afonso Álvares, autor do projeto e pelo seu construtor o mestre-de-obras eborense Mateus Neto; 1574, 23 outubro - inauguração da casa religiosa; 1577, outubro - falecimento da princesa instituidora, facto que imprimiu à edificação uma feição austera, ainda assim de acordo com a traça barroca dominante; 1577 - quitação entre o pintor eborense Francisco João e o cavaleiro fidalgo Álvaro Fernandes, tesoureiro da Infanta D. Maria de Portugal, havendo o pintor a receber 200 mil reais das rendas da falecida infanta pela execução e douramento de um retábulo; 1635 - a Misericórdia de Évora empresta às freiras do convento 5 cruzados para auxiliar na reparação dos telhados; 1663, maio - junho - pelo seu posicionamento junto à muralha, o edifício é muito afetado pelos bombardeamentos das tropas inimigas durante os assédios da Guerra da Restauração, o que motiva o seu abandono temporário; 1889, 7 setembro - secularização do convento na sequência do perecimento da derradeira abadessa, D.ª Maria José; é permitido que nele permaneçam algumas recolhidas sem votos com o objetivo de ensinar leitura e trabalhos manuais às raparigas, o que vigorou por algumas décadas, mesmo após a implantação da República, com a designação de Casa de Trabalho; 1933, 29 julho - após obras de beneficiação da Direção dos Monumentos Nacionais, por auto de cessão instala-se no imóvel a Casa de Regeneração Infantil, dirigida pelas Religiosas Adoradoras Escravas do Santíssimo Sacramento e da Caridade; 1969 - estragos causados pelo sismo; 1981 - reconstrução dos telhados pela DGEMN; 2007 - encerramento do Lar das Religiosas Adoradoras Escravas do Santíssimo Sacramento e da Caridade, ficando este devoluto (Espanca, 1966).

Dados Técnicos

Estruturas mistas

Materiais

Cantaria de granito, alvenaria, mármore regional em elementos secundários e ornamentais.

Bibliografia

BARATA, António Francisco Barata, Breve Notícia do Mosteiro de Santa Helena do Monte Calvário em Évora, Évora, 1899; ESPANCA, Túlio, Inventário artístico de Portugal - Distrito de Évora, Vol. VI, Lisboa, 1966, pp. 241-247; FONSECA, Padre Francisco da, Évora Gloriosa, 1728, pp. 394 - 396; VAL-FLORES, Gustavo e SANTOS, João, Carta de Sensibilidade Arqueológica: Centro Histórico de Évora, 2007, CME, s.e..

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DREMS; CME: DCP

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS; Arquivo Distrital de Évora: Livro 6 dos Originais da Câmara de Évora, fl. 256.

Intervenção Realizada

DGEMN: 1981 - reconstrução dos telhados; 2003, c. de - obras de conservação de paredes exteriores, incluindo impermeabilizações e caiações e de coberturas incluindo reparação pontual e reforço da estrutura de madeira.

Observações

EM ESTUDO

Autor e Data

Manuel Branco e Castro Nunes 1993 / João Santos (Câmara Municipal de Évora) 2014 (no âmbito da parceria IHRU/CMÉvora)

Actualização

 
 
 
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