Colégio de Santiago Maior / Teatro Lethes / Teatro Letes

IPA.00002854
Portugal, Faro, Faro, União das freguesias de Faro (Sé e São Pedro)
 
Arquitectura religiosa educativa e cultural, maneirista e ecléctica. Colégio da Companhia de Jesus, de construção seiscentista, adaptado a Teatro no séc. 19. O edifício mantém ainda legíveis as primitivas planimetria e estrutura. COLÉGIO DE SANTIAGO MAIOR, DA COMPANHIA DE JESUS - organiza-se a partir do modelo de estabelecimento que opta por localizar a igreja ao centro, com dois pátios, um de cada lado, em volta dos quais se desenvolviam a vida colegial e conventual. Fachada principal de composição simétrica e depurada, dividida essencialmente em três panos, correspondendo o central à frontaria da Igreja. Alas conventuais e colegiais adossadas às fachadas laterais da igreja, desenvolvidas em dois pisos, com corredor longitudinal, fazendo a distribuição das várias salas. Muros em forma de aleta a rematarem corpos laterais, ocultando as coberturas em telhado e terraço. IGREJA - alçado tripartido, rasgado por três portais de verga recta, com o central mais alto, encimados por janelas de varandim, ao nível do coro-alto, e por janelas rectangulares, ao nível do vão da abóbada da nave. Planta longitudinal, de nave única, com cobertura em abóbada de berço, coro-alto, capelas retabulares à face, transepto inscrito, pouco pronunciado, capela-mor ladeada por capelas colaterais pouco profundas, sacristia e dependências adossadas à cabeceira. Segue um esquema semelhante ao do Colégio de São Sizenando, em Portimão (v. PT050811030005). TEATRO LETHES - planta em U, de cena contraposta, com uma lotação entre 200 e 500 lugares, distribuídos por plateia, frisas, três ordens de camarotes e galeria. Plateia com pendente, provida de coxia central. Fosso de orquestra. Palco de configuração rectangular, com pendente, dotado de boca de cena e proscénio. Caixa de palco com teia, varandas e sub-palco. Dispõe de régie de som e luz e de direcção de cena. Insere-se nos auditórios de tipo A1 (salas de espectáculos) de 3ª categoria (entre 200 a 500 lugares), com palco de tipo B2 (espaços cénicos integrados), com espaços de apoio dos tipos C1 (locais de projecção e comando), C2 (locais de apoio) e C3 (locais técnicos e de armazenagem) *5. Frontaria do antigo Colégio bastante simples, revelando uma transição entre as fachadas das igrejas do primeiro período, como São Roque (v. PT031106150012), São Paulo, em Braga (v. PT010303070056), e Espírito Santo, de Évora (v. PT040705210023), e as mais elaboradas, com profusão de janelas e nichos com imaginária; a solução das aletas, no remate da fachada, assume aqui grandes dimensões, em comparação com as utilizadas noutros edifícios da Companhia, abarcando os corpos das alas colegial e conventual; estas são rasgadas por pequenos óculos, semelhantes aos colocados nos topos dos corredores do Colégio da Purificação, em Évora (v. PT040705210114). Teatro de meados do séc. 19, com organização dos espaços cénico e técnicos baseada no modelo de "cena à italiana", cuja referência coeva se encontrava concretizada, em Portugal, no Teatro Nacional de São Carlos (v. PT031106200042), construído no fim do século 18. Num período em que surgem numerosas salas de espectáculos associadas à crescente relevância do teatro, o Lethes constitui exemplo da difusão daquele modelo, aquilatada a situação de se tratar de um teatro privado, inserido num contexto social e cultural de cidade de província e resultar, não de uma de construção de raiz, mas da adaptação de um espaço preexistente, no caso uma igreja. Nesta medida, caracterizava-se por ser um teatro de dimensões generosas, promovido por uma família pertencente às elites locais e cuja organização e funcionamento assentava numa associação que lhe assegurava programação regular, actividade própria e públicos fixos, com frequência socialmente controlada. O teatro funcionou, segundo esta organização, até aos "anos 20" do século 20, conhecendo a sua época de maior projecção nas últimas décadas de oitocentos. Permanece, entre exemplos afins, como um dos teatros mais antigos existentes em Portugal, bem como se distingue das demais salas privadas suas contemporâneas pelo investimento decorativo realizado, sobretudo, na boca de cena e na cobertura interior da sala, possuindo caixa de ressonância e pintura figurativa, na dimensão da estrutura em cinco ordens e na distribuição hierárquica dos acessos, ainda que estes elementos tenham resultado das obras de ampliação e melhoramento que o teatro conhece à volta de 1860 e em 1906/1908. No que respeita às soluções encontradas para instalar uma sala à italiana numa antiga igreja, e confrontando-as com outros casos conhecidos, por saliente-se o aproveitamento da estrutura preexistente, definida por coro-alto, nave, cabeceira tripartida com sacristias adossadas, para a localização, respectivamente, da caixa de palco, auditório e vestíbulos, contrariando-se a orientação do edifício, assim se anulando as possibilidades do acesso pela frontaria da igreja (CARNEIRO, 2002). A dimensão do vão da nave terá condicionado a planta da sala, com a modelar ferradura a fechar-se em "U". Os demais espaços funcionais do teatro foram remetidos para as alas colegial e conventual, fora, portanto, do corpo da Igreja.
Número IPA Antigo: PT050805050012
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Educativo  Colégio religioso  Colégio religioso  Companhia de Jesus - Jesuítas

Descrição

Edifício construído para Colégio da Companhia de Jesus, agregando Igreja e dependências colegiais e conventuais, e que no séc. 19 é objecto de um projecto de adaptação a teatro. A leitura do edifício actual é assim indissociável desta circunstância, dada a proeminência que o espaço da antiga Igreja ocupa no conjunto, onde foram instalados o auditório e a caixa de palco. A planta resulta da articulação de três corpos, de desenvolvimento longitudinal, segundo o eixo O.-E., todos de planta rectangular, correspondendo o central, mais alto, ao volume da antiga Igreja, e os laterais às alas das dependências colegiais e conventuais, distribuídos, respectivamente, à esquerda (N.) e à direita (S.) do espaço de culto. Volumes articulados, massas dispostas na horizontal com cobertura diferenciada em telhados de duas águas no corpo da Igreja, de uma água no corpo lateral N., de tesoura no corpo lateral S. e em terraço sobre a caixa de palco. Fachadas rebocadas e caiadas, com embasamento, molduras dos vãos, elementos divisórios e de remate em cantaria. Fachada principal a O., de composição simétrica, enquadrada por cunhais rusticados nos ângulos, assentes em base saliente; dois registos definidos por cornija saliente, de perfil em quarto de círculo, e três panos, não coincidentes os inferiores com os superiores. Registo inferior subdividido em dois registos através de moldura de perfil plano; pano central, correspondente à nave e ao coro da antiga igreja, subdividido em três panos através de 4 pilastras de ordem colossal, munidas de capitéis, as centrais lisas, assentes em altos pedestais, as extremas rusticadas, assentes em bases; entre as pilastras rasgam-se três portas de acesso à antiga nave (actual caixa de palco), de vergas arquitravadas; portas laterais com bandeira definida por travessa de cantaria; porta central mais alta; superiormente, axiais rasgam-se três janelas de varandim, de iluminação do primitivo coro-alto, protegidas por guardas em ferro forjado; nos panos laterais rasgam-se, nos extremos, porta em arco de volta perfeita, seguida de janela jacente de iluminação dos extensos corredores que percorrem longitudinalmente os corpos laterais; superiormente rasgam-se, axiais, janela quadrangular e janela de varandim análogas às do coro-alto. Segundo registo, correspondente ao vão da abóbada de berço da nave (cobertura da caixa de palco e auditório), com os três panos definidos por duas pilastras, estreitas, munidas de bases e capitéis; pano central rasgado por três janelas rectangulares, encimadas pela inscrição "MONET OBLECTANDO" (INSTRUIR DIVERTINDO); panos laterais em aleta a ocultar a cobertura, rasgados, cada, por óculo oval permitindo visibilidade sobre a envolvente a partir do terraço; remates em cornija, de dupla moldura em quarto de círculo, sobre a qual se eleva, no pano central, platibanda em balaustrada coroada de pínáculos nos ângulos. Fachadas laterais de pano único, rematadas por cornija e beirado e rasgadas a ritmo regular por vãos rectangulares e quadrangulares. A que corresponde ao corpo N., desenvolve-se em três pisos, incluindo a cave, cada um contando oito janelas e uma porta junto à fachada E.; no piso 0, uma das janelas foi substituída por uma porta de acesso a deficientes, precedida de rampa. A fachada respeitante ao corpo S., tem apenas dois pisos, rasgados no inferior por duas janelas jacentes e no superior por dez janelas rectangulares, sendo a da direita de varandim. O acesso a esta zona do edifício realiza-se por porta travessa de verga alteada. INTERIOR: Teatro - o espaço do auditório, os espaços cénico (palco) e técnicos (caixa de palco e régies) e os espaços de estar para o público (foyers) localizam-se no volume da antiga igreja, sendo a sua distribuição tributária da estrutura preexistente: no vão da nave única encontra-se a sala com várias ordens de camarotes; na zona do coro-alto, situa-se a caixa de palco, separada da sala por parede constituída pelo arco toral abatido que seccionava transversalmente a nave e no alinhamento do qual se encontra a boca de cena; na capela-mor e nas sacristias dispõem-se, respectivamente, os " foyers " da plateia/ frisas e camarotes de 1.ª ordem, este em balcão, e os vestíbulos de comunicação com os acessos verticais (lanço de escadas conducentes aos camarotes de 1.ª ordem) e com os acessos horizontais (corredores das alas N. e S.). Os espaços de apoio ao público (circulações, bar, bilheteira e instalações sanitárias) e os espaços de apoio à cena (camarins e salas de produção) distribuem-se pelos pisos 0 da ala N. e S., à excepção das instalações sanitárias para homens, localizadas no piso 1 da ala S.. Espaço do AUDITÓRIO - espaço independente, ligado ao palco pela boca de cena, estabelecendo uma relação de palco/público de cena contraposta. A planta é em "U", atingindo a lotação da sala 256 lugares distribuídos por plateia (114), frisas (30), camarotes de 1.ª ordem (40), camarotes de 2.ª ordem (34), camarotes de 3.ª ordem (38) e uma galeria, esta inutilizada para o público, aqui se encontrando instalado equipamento de iluminação cénica e o sistema de climatização da sala (ventilação e arrefecimento). Plateia com pendente de 4%, apenas com uma coxia longitudinal central, equipada de cadeiras fixas, de estrutura em ferro forjado, com assento e espaldar em madeira, forrados de tecido vermelho, e ornamentadas com pintura decorativa no topo do espaldar, baseada em motivos vegetalistas; pavimento de madeira com alcatifa cinzenta. A estrutura de madeira da sala, que se fecha em "U" até à boca de cena, apresenta homogeneidade na composição e no ordenamento das frisas e das três ordens de camarotes, numa cadência de vãos só quebrada pela galeria aberta que coroa esta distribuição de lugares. Para o carácter homogéneo da sala contribuem a distribuição regular dos pilares e a sua continuidade vertical, subindo da plateia até à cobertura interior da sala, pintados de branco e relevados por frisos dourados. A unificação do espaço é ainda reforçada pela guarda contínua, em ferro forjado, ligeiramente bojuda e com peitoril forrado a veludo vermelho, que atravessa todos os camarotes, estes com divisórias forradas a papel de parede listado na vertical. Esta guarda assenta num friso, pintado de branco e com uma moldura sublinhada a dourado, onde se fixam os candeeiros de ferro de luz incandescente, com intensidade de iluminação regulável e possibilidade de serem desligadas por sectores. O tecto da sala, pela forma e pela decoração, constitui, a par da ornamentação da boca de cena, elemento fundamental na caracterização da sala. Trata-se de uma cobertura assente sobre perfis curvos, formando uma caixa invertida, com pintura figurativa policroma, inscrita em moldura saliente de madeira e enquadrada por cercadura pintada com motivos florais, representando, sob um fundo de céu e nuvens, quatro figuras (duas masculinas e duas femininas) a executarem trechos musicais com harpa, flauta transversal, clarinete e violoncelo, sobre as quais uma figura alada, em plano elevado, lança coroas de louro. Ao longo dos perfis curvos da caixa, várias figuras infantis, dispostas em banda, a tocar. Oculta pela cobertura em madeira do auditório, permanece a abóbada de berço da antiga nave da igreja, bem como o arco da capela-mor e o arco toral abatido do coro-alto *1. Espaços cénicos - o PALCO, ligado à sala pela boca de cena, tem uma área de cena de 6,20 m x 6, 80 m x 8 m, coxias direita, esquerda e de fundo (2 m de largura), pendente de 4%, paredes pretas e soalho de madeira disposto perpendicularmente à boca de cena. O acesso de carga ao palco é realizado directamente da rua. A boca de cena (6,14 m x 8m) é em arco abatido e de estrutura em madeira, com os apoios laterais praticamente ocultos pelas sucessivas ordens de camarotes que a eles encostam: a decoração, baseada em pilastras molduradas, com filamentos dourados sobre fundo branco, recai nos panos que definem a profundidade da boca de cena e prolonga-se pelo intradorso do arco. Sobre o arco da boca cena, cuja face apresenta elementos vegetalistas entalhados e cartela ao centro (com as iniciais TL), pano de parede com pintura figurativa policroma, representando, sobre céu e nuvens, uma figura feminina com coroa de louro, envolta em drapeado transparente, tocando violino. O palco dispõe de proscénio. A sala tem fosso de orquestra (6,14 m de largura x 2 m de profundidade), com capacidade para 20 músicos, não possibilitando o prolongamento da plateia, face à existência do gradeamento de separação entre a primeira fila de cadeiras e o fosso *2. Também não permite a formação de um avant-scéne, por o fosso se encontrar coberto por escadas de estrutura em madeira. Espaços técnicos - a CAIXA DE PALCO tem teia a 12 m do palco, de piso em madeira e estrutura igualmente em madeira, mas reforçada por perfis metálicos. Dispõe de dois níveis de varandas laterais e de fundo, em ferro, e sub-palco de estrutura em madeira, com quarteladas, utilizado também como oficina. Este espaço resulta do rebaixamento do antigo piso da igreja, estando o piso do palco a quase meia altura do portal central da fachada principal, possibilitando o acesso de carga ao palco e ao sub-palco pelo mesmo portão de carga. A régie de som, a régie de luz e a régie de direcção de cena partilham o mesmo espaço, localizado nos camarotes de 2.ª ordem, tendo uma má audição para o palco e plateia mas boa visibilidade para o palco. ESPAÇOS DE ESTAR PARA O PÚBLICO - nos espaços das antigas capela-mor e sacristias, com uma divisão tripartida e comunicante, acomodam-se dependências que funcionalmente são de circulação mas também de estar. Na capela-mor encontra-se o vestíbulo / foyer da plateia e frisas, estruturando-se, pela altura do vão, espaços idênticos para os pisos superiores (camarotes de 1.ª ordem e 2.ª ordem), embora de menor área e em forma de balcão aberto. Nos espaços adjacentes, correspondentes às sacristias, dois vestíbulos, com pavimento em mosaico cerâmico, comunicantes com os corredores N. e S., através de portas de verga recta encimada por cornija angular, e com as escadas de acesso aos camarotes de 1.ª ordem, através de duas aberturas em arco de volta perfeita seguidas de escadas de lanço recto em pedra, com corrimão em madeira assente em guarda de ferro. Estes três espaços apresentam paredes rebocadas e pintadas de cor rosa e silhar de azulejo industrial, de padrão, técnica de estampilha, rematado, na parte superior, por friso de azulejo com ornamentação vegetalista e, na inferior, por rodapé de azulejo esponjado. CORPOS LATERAIS (antigas alas conventual e colegial) - desenvolvem-se em dois pisos, à excepção da ala N. que conta com uma cave, e têm uma organização interior semelhante, pesem as alterações que o edifício foi recebendo para a instalação dos serviços administrativos e assistenciais que alberga juntamente com o teatro. Dispõe de acessos ao interior diferenciados, possibilitando uma ocupação de espaço por alas e pisos independente, embora partilhada no que respeita, sobretudo, às circulações horizontais e verticais (ala S.), nomeadamente por exigências de funcionamento da sala de espectáculos. As dependências utilizadas pelo teatro reúnem-se no piso 0 da ala N., onde se encontram os quatro camarins, as salas de apoio à produção e aos serviços administrativos do teatro e as instalações sanitárias para mulheres. A compartimentação interior concentra-se do lado das fachadas laterais, acedendo-se às várias salas a partir de um corredor longitudinal, existente em todos os pisos e que acompanha, a todo o comprimento, a antiga Igreja. Corredores perpendiculares ligam os acessos exteriores, localizados sensivelmente a meio das fachadas laterais (N. e S.), ao corredor principal, com exclusão da entrada do teatro, que se realiza pela frontaria do edifício (a O., nos topos N. e S.), através de átrio lateral àquela circulação interior. No piso 0 da ala S., franqueada a porta, acede-se ao corredor por escadas de lanço recto em pedra; em espaço contíguo localiza-se o acesso vertical ao piso 1: é através deste que o público chega aos camarotes de 2.ª ordem. Debaixo do segundo lanço destas escadas encontra-se a bilheteira, com espaço para dois funcionários e dotada de telefone com linhas externa e interna. Do piso 1 desta mesma ala outra escada de vários lanços permite o acesso aos camarotes de 3.ª ordem, à galeria e ainda ao terraço. Na ala N., no extremo E., de um patamar de estrutura de madeira com perfis metálicos, sai uma escada de um lanço recto para aceder ao piso 1 e uma outra de lanço curvo, comunicante com o piso 0. Todos os espaços apresentam paredes rebocadas e pintadas de branco, na sua maioria sobre silhar de azulejo de padrão recente. Em algumas zonas conserva-se o silhar de azulejo industrial de estampilha do primeiro quartel do século 20. As coberturas são em abóbada de berço nos corredores e dependências da ala S., em abóbada de aresta nas salas do piso 0 da ala N. e no cruzamento dos corredores e em tectos falsos de madeira no piso 1 da ala N.. Quanto aos pavimentos, predominam os de mosaico de padrão ou liso. Numa sala situada no piso 1 da ala N., destaca-se pequeno nicho em pedra, situado ao nível do pavimento, comunicando com o piso inferior *3.

Acessos

Rua de Portugal, n.º 58; Rua Dr. Justino Cúmano, n.º 3; Largo das Mouras Velhas; Rua Horta Machado

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 45/93, DR, 1.ª série-B, n.º 280 de 30 novembro 1993

Enquadramento

Urbano. Implantação destacada, com fachada principal voltada a pequeno largo formado pelo alargamento da R. do Lethes, artéria traçada a eixo do edifício do antigo Colégio. Frontaria antecedida por adro, resguardado por muro baixo com acesso por escada de pedra de lanço recto. Fachada posterior adossada a prédio de habitação de três pisos, alinhado com a fachada lateral S. que abre para via de circulação automóvel. A N., em terrenos da antiga cerca, parque de estacionamento automóvel, delimitado por muro que, a O., no prolongamento da fachada principal do edifício, fecha a propriedade. O imóvel insere-se numa malha de quarteirões regulares mas de dimensão variável, pontuada por prédios recentes, alguns deles de cérceas elevadas (mais de dez pisos). Nas mediações algumas casas burguesas do séc. 19 / inícios do séc. 20, como o Palacete Doglioni (v. PT050805050041) e a Vivenda Marília (v. PT050805050088).

Descrição Complementar

EQUIPAMENTO DE TEATRO - Mecânica de Cena: sistema de suspensão - 8 varas manuais e 8 varas motorizadas simples de ferro, com sistema de comando de botoneiras. Iluminação cénica: dimmers - 48 circuitos digitais, com sistema de comando também digital; equipamento de apoio à iluminação - 4 calhas electrificadas para varas, 4 torres de iluminação; equipamento de iluminação - 95 projectores. Sonorização cénica: 8 microfones, colunas de som e equipamento de gravação / reprodução, permitindo a realização de conferências, a reprodução de suportes para espectáculos diversos, o reforço acústico para espectáculos de teatro e espectáculos de música e espectáculos de música amplificada. Comunicações cénicas: walkie-talkies. Equipamento Cénico: Cortina de boca de abrir para os lados, em veludo vermelho, suspensa numa vara motorizada; bambolina régia em veludo vermelho, suspensa em vara manual; cena preta - 8 bambolinas, 8 pernas e 8 fraldões em flanela; ciclorama em PVC de cor branca; 2 praticáveis tipo Nivoflex; linóleo para dança de cor preta. INSCRIÇÕES: 1. Ala S. - Inscrição gravada numa tampa de sepultura colocada, por reaproveitamento, no patamar das escadas de acesso ao piso 1; calcário; tipo de letra: capital quadrada; leitura modernizada e reconstituida: SEPULTURA DE LOURENÇO PALERMO DE FARIA 1622. 2. Ala N. - Inscrição de posse e comemorativa; gravada em lápide localizada no patamar das escadas de acesso ao piso 1; sem moldura e com sulcos das letras pintados de dourado; mármore; leitura: DELEGAÇÃO REGIONAL DO SUL DA SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA - Inauguração da sede por sua Excelência o SECRETÁRIO DE ESTADO DA CULTURA DR. PEDRO SANTANA LOPES - Faro 22 Março 1991. PINTURA MURAL - Na parede testeira, sobre o arco triunfal, permanecem vestígios de uma pintura mural, com elementos vegetalistas; na parede do arco toral abatido, abertura, entaipada, com um emolduramento pintado a cinzento e a amarelo *1.

Utilização Inicial

Educativa: colégio religioso

Utilização Actual

Cultural e recreativa: teatro / Política e administrativa: secretaria de estado

Propriedade

Privada: associação

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Cristina Farias (1989-1991); João Coelho Pereira Matos (1906-1908) (orientação de obra); CARPINTEIRO: José Prudêncio (1843-1845); ENTALHADOR: Gabriel Domingues (séc. 17), João Dias (séc. 17), Manuel Martins (1724) e Miguel Nobre (1744); PEDREIRO: mestre José Fernandes Pinto (1843-1845); PINTOR: Cónego Rasquinho (1843-1845), José Filipe Porfírio (1906-1908)

Cronologia

1597 - o bispo D. Fernando Martins Mascarenhas, com a intenção de criar um Colégio da Companhia de Jesus, persuade o Deão da Sé, Diogo Lopes, a legar em testamento umas casas com uma horta para a residência dos padres. Estes edifícios encontravam-se destruídos por um incêndio ali ocorrido em 1596, aquando do assalto da armada inglesa, tendo-se seguido as primeiras obras para instalação dos religiosos; 1599, 8 Fevereiro - o rei D. Filipe II, por carta de Lei, concede licença para a fundação de uma Casa Professa da Companhia de Jesus em Faro; 1599, 26 Setembro - instalam-se os primeiros religiosos, quatro padres e dois irmãos, tendo como superior o Padre Nuno de Mascarenhas, irmão do bispo fundador. A ocasião é celebrada com oito dias de festejos, neste contexto realizando-se uma procissão onde são transportadas, da Sé de Faro para a Igreja do Colégio, dedicada ao Apóstolo Santiago, as relíquias de Santas Virgens e Mártires, doadas pelo bispo e por D. Margarida Corte Real; Séc. 17 - feitura de retábulos da igreja por Gabriel Domingues; execução do retábulo-mor por João Dias; 1601 - na sequência de um surto de peste em Faro, falecimento de dois religiosos da Companhia que socorriam na altura os empestados, facto que contribuiu para uma maior aceitação da congregação na cidade; 1603 - início da instrução do clero numa aula de Casos de Consciência; 1604 - ainda perdurava a dúvida se a fundação jesuíta em Faro determinaria uma casa professa ou um colégio; 1605 - provável data da traça do projecto das novas instalações (LAMEIRA, 1997); 1613, 22 Abril - bula de Paulo V sobre o valor do dízimo; 1615 - passa a Colégio e recebe, do prelado da diocese, por doação, uma quinta situada fora da cidade, junto à ermida de São Cristóvão, bem como outros terrenos localizados em Alagoa e Bela Salma; 1616 - iniciam-se as aulas de Teologia moral, as escolas de Gramática, Retórica e primeiras Letras, tendo sido bem acolhidas por muitos estudantes. A inauguração do primeiro ano lectivo é presidida pelo prelado, sendo acompanhado pelo cabido e restantes autoridades do poder civil e municipal; 1724 - realização do retábulo para a capela de Santa Bárbara, da igreja do Colégio, pelo mestre entalhador e escultor algarvio Manuel Martins; 1744 - feitura do retábulo do Senhor dos Passos, por Miguel Nobre; 1759, 3 de Setembro - decretada a expulsão dos Jesuítas de Portugal, o colégio é encerrado e o seu património incorporado no Erário Régio; 1773 - o edifício fica como propriedade da Casa da Rainha; 1779 - as instalações do antigo Colégio são entregues aos Padres Marianos ou Carmelitas Calçados; Séc. 19, primeira década - o edifício é ocupado pelas tropas napoleónicas, para aquartelamento, sob comando do General Junot; 1834, 28 Maio - data do diploma que decreta a extinção das ordens religiosas, com a consequente incorporação dos seus bens nos próprios da Fazenda Nacional (art. 2.º) e distribuição de objectos de culto pelas igrejas das dioceses (art. 3.º). Pelos templos da cidade de Faro serão divididos os retábulos em talha dourada da Igreja do antigo Colégio que ocupavam a capela-mor e os quatro altares laterais, dedicados a Santiago Maior, a Nossa Senhora da Encarnação e, supõe-se, a São Luís Gonzaga e a São João Francisco Regis (MESQUITA, 1988). Por esta altura, o edifício é avaliado em 2000$00 réis; 1843 - o imóvel vai a hasta pública, sendo adquirido por Lázaro Doglioni, um médico veneziano a residir em Faro, com a intenção de adaptar o antigo colégio a um teatro de modelo italiano. A compra do imóvel realizou-se pelo valor 35 000$000 réis; 1845 - as obras de adaptação estão concluídas: a sala, com uma lotação de 500 lugares distribuídos por plateia e por duas ordens de camarotes, inscreve-se no espaço da nave; o palco ergue-se na zona do coro, alterando-se o acesso principal à antiga igreja, que deixa de se fazer pela frontaria; o foyer, designado Sala Verde, indiciando eventual polivalência de funções, acomoda-se na zona da capela-mor. O projecto, de autor desconhecido, foi executado pelo mestre pedreiro José Fernandes Pinto e pelo mestre carpinteiro José Prudêncio, com custo avaliado em 12 000$00 réis, sendo o cónego Rasquinho responsável pela execução do programa decorativo; 1845, 4 Abril - o teatro é inaugurado no dia do aniversário da rainha D. Maria II, levando à cena a peça "O Almançor Aben-Afan, último rei do Algarve", drama em três actos da autoria de Serpa Pimentel (1814 - 1870) e interpretado por um grupo de amadores; 1845, 15 Junho - estão aprovados os Estatutos da Assembleia Teatral de Faro, associação constituída para administrar e gerir o teatro, de carácter privado. A organização de base assenta na existência de três secções (a "Philarmonica", a "Philo-Dramática", dirigida por uma Comissão Cénica, e a "Auxiliar"), sob a direcção de um presidente e de um vice-presidente, cargos assumidos por Lázaro Doglioni e pelo seu sobrinho, Justino Cúmano. À Direcção Teatral cabia toda a parte administrativa e financeira da Assembleia, distribuindo os encargos pelos sócios, vigiando o cumprimento do regulamento interno, e fixando as noites de representação, sendo esta constituída por presidente, vice-presidente, tesoureiro, quatro procuradores e oito directores. Estavam previstos cinco tipos de assinatura, incluindo todas elas um lugar na plateia, mas com um número variável de lugares em camarotes, e a distribuição dos sócios e convidados pela sala de espectáculos subordinava-se à função por estes exercida na sociedade. As mulheres ocupavam um lugar num camarote que correspondesse à disposição dos maridos na plateia. Todos os sócios deviam prestar serviços ao teatro quando solicitados, com risco de expulsão da sociedade em caso de rejeição. Quando integrassem o elenco de uma peça, a ausência aos ensaios era também punida com a expulsão. Na circunstância de faltarem sócios para preencher os 148 lugares da plateia, publicava-se um edital anunciando a abertura de novas admissões. Permitia-se a entrada de crianças entre os sete e os catorze anos, bem como aos criados que trabalhassem nas casas dos sócios. Para dignificar a sociedade, propunham-se sócios de mérito, mantendo estes, no entanto, o estatuto de convidados; 1846, 20 Janeiro - elaboração do Regulamento da Direcção do Teatro; 1850, 13 Outubro - os sócios novos que terão ficado com assento nas galerias podem concorrer a lugares na plateia; 1851, 20 Setembro - encerramento do teatro; 1853, 25 Abril - a sala retoma actividade; 1853, 20 Maio - a Direcção não autoriza a realização no Teatro Lethes de espectáculos ou outros divertimentos que sejam alheios à Sociedade. Os sócios de mérito, quando solicitam a sua admissão, têm de declarar o serviço a que se oferecem; 1854, Agosto - o número de sócios contribuintes seria de 192 homens e 205 mulheres; 1854, 3 Novembro - estipula-se que para os espectáculos extraordinários só sejam admitidos assinantes, num máximo de 240 homens e de 204 mulheres, sendo interdita a entrada de criados e convidados. O ensaiador é que estipulava o preço do bilhete de ingresso e o serviço interno do teatro deveria ser assegurado pelos empregados e criados da Sociedade; 1854, 24 Dezembro - proíbe-se os actores do Teatro de representar em outras salas; 1860, década de - o Dr. Lázaro Doglioni lega todos os seus bens ao seu sobrinho, Justino Cúmano. Com o novo proprietário, o teatro recebe obras, subindo a lotação para os 621 espectadores. O aumento da capacidade da sala resulta da construção de mais duas ordens de camarotes, ficando ao todo com 51 compartimentos, de seis lugares cada, e de uma galeria para 100 pessoas, além da ampliação da plateia, que passa a albergar 251 espectadores. Melhoram-se também as condições acústicas da sala, com a introdução de uma caixa de ressonância abobadada; 1864, 1 Janeiro - a sociedade responsável pela gestão do Teatro passa a admitir sócios contribuintes provenientes de outras localidades do Algarve e fixa nos 14 anos o limite mínimo de idade para aceitação de assinaturas; 1872, 20 Janeiro - Justino Cúmano lança os Estatutos da Sociedade Teatral de Faro: segundo estes, o proprietário do Teatro Lethes concede a sua sala de espectáculos à Sociedade enquanto esta não dispuser de um espaço próprio, reservando para si e para a sua família três camarotes e o estatuto de sócio nato e Presidente Honorário da Sociedade, com direito ao espólio desta em caso de dissolução; 1874, 27 Abril - data da factura de umas obras que se fizeram por ocasião da apresentação do drama Bouda de Montmayour, implicando a perfuração da parede situada entre o palco e o corredor inferior da parte da rua, bem como a abertura de uma porta entre os camarins das senhoras e a arrecadação da mobília, construiu-se ainda uma parede em tabique entre a dita arrecadação e os novos camarins; 1874, Maio - são pagos ao pintor José Filipe Porfírio alguns trabalhos relacionados com a realização de cenários; 1882- o teatro encerra as suas portas devido à doença do seu proprietário; 1885 - morte de Justino Cúmano; 1889 - Francisco Constantino Pereira Matos, cunhado do falecido proprietário, assume a direcção do teatro; 1898, 11 Setembro - exibe-se, pela primeira vez em Faro, o animatógrafo, tendo sido escolhido o teatro Lethes para a sua instalação; 1901 - encerramento do teatro após o falecimento de Pereira de Matos: o edifício regressa à posse de Maria Vitória Matos Cúmano, viúva de Justino Cúmano; 1906 - sob a orientação de João Coelho Pereira Matos, o teatro conhece a sua terceira campanha de obras. Datam desta intervenção a decoração do tecto e da parede sob a boca de cena, da responsabilidade de José Filipe Porfírio, bem como a introdução de um sistema especial de acetilene para iluminação, tendo-se para o efeito construído um gasómetro fabricado pela Casa Rivière, de Lisboa; 1908, Abril - conclusão das obras: segundo Sousa Bastos, a sala dispunha de 120 fauteils na plateia, 12 frisas, camarotes de 1.ª ordem, de 2.ª ordem e de 3.ª ordem com, respectivamente, 15 + 15 + 13 compartimentos, e uma "espaçosa varanda" (SOUSA BASTOS, 1908). As guardas das frisas e camarotes, constituídas por varandins de ferro forjado, pertencem também a esta intervenção; 1908, Maio - inauguração da sala, com a apresentação de quatro espectáculos realizados pela Companhia do Teatro do Ginásio, de Lisboa, dirigida pelo actor Vale (SOUSA BASTOS, 1908); 1920 - o teatro volta a encerrar após a morte de Maria Vitória de Matos Cúmano; 1921, 12 Setembro - Constantino Cúmano cede o espaço à Sociedade Teatral de Faro, que continua a gerir o Teatro, apoiada em três comissões ("Administrativa", "Cénica" e "Musical") e numa direcção, eleita neste ano, composta por Constantino Cúmano (Presidente), Justino de Bívar (Vice-Presidente), Raul de Bívar (tesoureiro), Eduardo Rodrigues de Carvalho e Henrique Braga (secretários); 1922, 14 Maio - a orquestra Blanche manifesta o desejo de organizar um concerto no teatro, pedindo informações sobre a lotação do teatro e possibilidades de realização; 1922, 22 Junho - para os núcleos familiares com mais de três elementos estipula-se uma compensação no pagamento das quotas; 1922, 22 Outubro - José Filipe Porfírio fica encarregue de reparar um tecto, trabalho pelo qual é pago a 3 de Dezembro do mesmo ano; 1925 - encerramento do teatro; 1927, 16 Fevereiro - entre a Empresa Revéz e Pádua e a família Cúmano firma-se um contrato de exploração para exibições cinematográficas, utilização que se prolonga por apenas 3 meses, contando, durante esse tempo, com algumas representações da Companhia Rafael de Oliveira; 1931 - celebração de um contrato de aluguer do teatro entre Jaime Pires e Constantino Cúmano; 1937 - os terrenos agrícolas que envolvem o antigo colégio começam a ser urbanizados; 1949 - até este ano, o teatro arrendado a Jaime Pires manteve-se em actividade, embora esporádica; 1951, 22 Junho - a família Cúmano vende o edifício à Cruz Vermelha Portuguesa pelo valor de 350.000$00; 1972, 16 Outubro - na ala Sul instala-se a escola de música do Conservatório Regional do Algarve Maria Campina; 1980, 23 Maio - data do diploma que cria a Delegação Regional da Cultura do Algarve, organismo da Secretaria de Estado da Cultura; neste mesmo ano, a Cruz Vermelha Portuguesa, através de assinatura de um protocolo, cede o Teatro à Delegação; 1989/1991 - realização de obras de adaptação na ala N., conduzidas pela arquitecta Cristina Farias, destinadas à instalação dos serviços regionais da Secretaria do Estado da Cultura; 1991, Março - inauguração da sede da Delegação Regional da Cultura do Algarve; 1990/1993 - o teatro é beneficiado por obras interiores de conservação, remodelação e restauro e prepara-se, após um longo período de inactividade, para retomar o seu lugar entre as salas de espectáculos do Algarve, oferecendo uma programação cultural diversificada; 1993 - o Conservatório deixa de utilizar as instalações do edifício, abandonando a ala S.; 1994 - reabertura do teatro; 1998 - a detecção de anomalias estruturais na cobertura da antiga Igreja, ou seja, na abóbada de berço que cobre as zonas do auditório e da caixa de palco, colocando em causa a estabilidade do edifício, conduz ao encerramento da sala de espectáculos; 1999 - iniciam-se os trabalhos de diagnóstico das anomalias, da responsabilidade da Oz Lda, que enceta um conjunto de ensaios e pesquisas contemplando a caracterização de materiais, o mapeamento das anomalias, o diagnóstico sustentado e a modelização analítica da estrutura (COSTA, RIPPER e MESQUITA, 2000), sendo estes trabalhos seguidos pela elaboração do projecto de reforço e consolidação da abóbada, na zona do palco, a cargo de uma equipa da A2P Consult, dirigida pelo eng. João Appleton; 2001, Maio - conclusão das obras de reforço e consolidação da abóbada, optando-se por uma intervenção pouco intrusiva e reversível, e da remodelação da caixa de palco; 2001, 17 Maio - reabertura do teatro ao público, contando com a presença do Presidente da República, Jorge Sampaio, e do Ministro da Cultura, José Sasportes, sendo na ocasião assinado um protocolo com a Câmara Municipal de Faro destinado à gestão conjunta da sala agora reaberta; 2005 - o teatro assegura uma programação regular, garantindo, sobretudo, a exibição de espectáculos de teatro, música e dança.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Alvenaria de pedra argamassada (paredes), alvenaria de tijolo cerâmico argamassado (abóbada), telha de canudo, ladrilho (terraços), azulejos e mosaicos (circulações), madeira (estrutura das frisas / camarotes, boca de cena e cobertura do interior do auditório, pavimentos das salas da ala S.), ferro forjado (gradeamentos das sacadas e das guardas das frisas / camarotes / galeria), pedra (frisos, ombreiras, cunhais, soleiras, platibanda, pináculos, pavimento das escadarias e do adro de acesso ao edifício); alcatifa (pavimento da plateia); veludo (estofos das cadeiras do auditório; peitoril das guardas dos camarotes e cortinas).

Bibliografia

BIVAR GUERRA, Luiz de, Documentos para a História da Arte em Portugal, n.º 13 - Arquivo do Tribunal de Contas - Colégios de Portalegre, Portimão, Faro, Angra, Ponta Delgada e Funchal (Companhia de Jesus), Lisboa, 1975; CARNEIRO, Luís Soares, Teatros Portugueses de Raiz Italiana, Porto, 2002 (Dissertação de Doutoramento em Arquitectura, apresentada na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, texto policopiado); , 28 Outubro 2005; COSTA, José Paulo, RIPPER, Thomaz e MESQUITA, Carlos, Reabilitação estrutural de uma cúpula do séc. XVI sujeita a sério risco de ruína, Ingenium, Nov. 2000, pp. 81-85; LAMEIRA, Francisco, Faro - Edificações Notáveis, Faro, 1995; IDEM, O Teatro Lethes, Faro, 1997; IDEM, Faro - A arte na história da cidade, Faro, 1999; IDEM, O Retábulo da Companhia de Jesus em Portugal: 1619 - 1759, Faro, Departamento de História, Arquelogia e Património do Algarve, 2006; LOPES, João Baptista da Silva, Corografia (...) do reino do Algarve, Lisboa, 1841; IDEM, Memórias para a Historia Eclesiástica do Bispado do Algarve, Lisboa, 1848; LOURENÇO, Paulo B e GREGORCZYK, P. Estudo sobre a estabilidade do Teatro Lethes (Faro) - Relatório 99 -DEC/E-3, Junho 1999, Universidade do Minho, http://www.csarmento.uminho.pt>; MARTINS, Carlos Alberto Pereira, Intervenção da Escola Superior de Tecnologia na reabilitação estrutural do Teatro Lethes, Revista Tecnovisão, n.º 11, Faro, 2001; MARTINS, Carlos A. P. e COSTA, José Paulo, Reabilitação do Teatro Lethes - Um Contributo para a Conservação do Património Cultural da Região do Algarve, Albufeira, 2001; MARTINS, Carlos A. P. e COSTA, José Paulo e FARIAS, Cristina, Reabilitação Estrutural do Teatro Lethes - Um Contributo para a Modernização Cultural de Faro, s.l., s.d.; Centro de Estudos de Teatro (UL, Faculdade de Letras): CETbase, Sistema de Informação sobre Teatro em Portugal, www.fl.ul.pt/CETBase ; MESQUITA, José Carlos Vilhena, O Teatro Lethes - Breve apontamento histórico, Faro, 1988 (2.ª ed. 2002); Ministério da Cultura, Delegação Regional da Cultura do Algarve, www.cultalg.pt, 28 Outubro 2005; Ministério da Cultura, radix.cultalg.pt , 3 de Janeiro 2006; PAULA, Rui M. e PAULA, Frederico, Faro. Evolução Urbana e Património, Faro, 1993; PINTO, Rocha, O Teatro Lethes in O Algarve Ilustrado, Faro, 1880; RODRIGUES, Francisco, História da Companhia de Jesus na Assistência em Portugal, T. II, Porto, 1938; SOUSA BASTOS, Dicionário do Teatro Português, Lisboa, 1908.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMS/DM

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Cruz Vermelha Portuguesa - Delegação de Faro: Arquivo histórico

Intervenção Realizada

CVP: séc. 20, década de 90 - obras de adaptação às novas funções; MC - Delegação Regional do Algarve: 1989 / 1991 - reabilitação da fachada principal, com reposição da simetria, substituição de rebocos da fachada N., obras de reabilitação da ala N. (infraestruturas e equipamentos, montagem de sistema de refrigeração, ampliação da zona coberta - com aproveitamento de terraço aí existente para a edificação de nova estrutura -, colocação de novo pavimento cerâmico e nova cobertura interior, em tecto falso de madeira); 1994 - intervenção no auditório: substituição de todo o panejamento, recuperação dos antigos dourados das cadeiras da plateia, substituição dos tecidos dos estofos e espaldares das cadeiras da plateia, supressão das portas de acesso aos camarotes, instalação do sistema de climatização, revisão do sistema de meios de detecção e combate a incêndio e de fuga de emergência; 1998 - revisão das redes de águas e esgotos dos camarins e instalações sanitárias femininas; reabilitação da zona de apoio ao teatro (camarins e sanitários). CVP / MC - Delegação Regional do Algarve: 1999 / 2001 - obras de reforço e consolidação das paredes e da abóbada da antiga igreja do colégio, na zona do palco: aplicação de uma estrutura metálica para travamento horizontal das paredes de apoio; atirantamento radial de uma grelha de chapas finas de aço a um vigamento instalado na cobertura em terraço, para suspensão de abóbada; injecção de resinas de poliéster e caldas de cimento para preenchimento de fissuras e descontinuidades. Remodelação da caixa de palco.

Observações

*1- Dado o coro-alto das igrejas jesuítas não possuir a dimensão sugerida pela permanência deste vestígio construtivo, poder-se-á admitir ser a edificação atribuível à ordem que ocupou o Colégio após a expulsão da Companhia: os Carmelitas Descalços; *2 - O gradeamento em ferro, com decoração idêntica à guarda dos camarotes, assemelha-se à teia de separação da zona da orquestra da plateia, usualmente existente nas salas que não dispunham de fosso. Poderá, assim, colocar-se a hipótese do actual gradeamento constituir uma sobrevivência da primitiva organização do espaço da orquestra, tal como era prática nos teatros oitocentistas antes da introdução do fosso, que aparece pelas últimas décadas do século 19. Desconhecemos a data da construção do actual fosso, sendo de admitir a possibilidade de aquela resultar das intervenções ocorridas já no séc. 20; *3 - Este nicho foi descoberto aquando das obras efectuadas em 1989/1991, constituindo possivelmente uma forma de comunicação entre os pisos 0 e 1. Este elemento foi deixado a descoberto; *4 - Arquivo com relevância para a história do Teatro Lethes e para uma investigação mais abrangente relacionada com a actividade associativa cultural, com as modalidades de consumo de bens culturais e com as formas de sociabilidade, num período que se estende de meados do séc. 19 até às primeiras décadas do séc. 20. Este arquivo é constituído por documentação administrativa do teatro, de 1845 a 1922: livros de receitas; livros de despesas (incluindo recibos de obras, de livros comprados, de execução de cenários, de despesa de récitas, de pagamento de actores, criados, alfaiates, sapateiros, etc.); cartazes do teatro; livros de actas das sessões da Direcção do Teatro e das sessões da Assembleia Geral da Sociedade do Teatro Lethes; correspondência e livros de registo de correspondência; documentos da relação da disposição dos sócios na sala de espectáculo e da relação dos assinantes na plateia; Estatutos da Sociedade Teatral; contratos; catálogo dos livros existentes no teatro. Contém ainda documentação relacionada com a actividade cénica (partituras musicais, ofertas de serviços ao teatro por compositores amadores, lista de contra-regras com os pertences de cena de várias peças levadas à cena no Teatro Lethes, lista de comédias e farsas representadas, lista de actores e suas moradas, documentos de distribuição de papéis, etc.), documentos pessoais da família proprietária do teatro e obras clássicas da dramaturgia nacional e estrangeira; *5 - Elementos que respeitam e adoptam a classificação do "Regulamento das Condições Técnicas e de Segurança dos Recintos de Espectáculos e Divertimentos Públicos", vide Anexo ao Decreto regulamentar n.º 34/95 (art. 2º e art. 3º).

Autor e Data

João Neto 1991 / Daniel Giebels e Filomena Bandeira 2005

Actualização

Daniel Giebels 2005
 
 
 
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