Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Silves

IPA.00002852
Portugal, Faro, Silves, Silves
 
Arquitectura religiosa, manuelina e maneirista. Igreja de Misericórdia de estrutura maneirista, com planta longitudinal simples, de nave única e presbitério, interiormente coberta por abóbada de berço, seccionada por arcos torais e iluminada por vãos laterais, com casa do despacho adossada. Fachada principal terminada em frontão triangular e rasgada por portal de volta perfeita sobre pilastras, enquadrado por colunas toscanas suportando frontão triangular. Fachadas com cunhais em cantaria e terminadas em friso e cornija, a lateral direita rasgada por janelas em capialço e por portal manuelino, com arco de cortina, ostentando decoração vegetalista. No interior, possui tribuna com cadeiral dos mesários no presbitério, colocado do lado da Epístola, e protegido por balaustrada e retábulo-mor de planta recta e estrutura maneirista, com vários andares de pinturas, divididas por elementos arquitectónicos e representando as sete Obras da Misericórdia Corporais, envolvido por pinturas murais decorativas, de carácter vegetalista simulando talha e sanefa de enquadramento, de características tardo barrocas. Casa do Despacho de dois pisos, rasgada por porta e janelas de perfil rectilíneo, com sineira em arco de volta perfeita sobre o remate. Igreja de misericórdia com fundação quinhentista, visível na manutenção do portal manuelino da fachada lateral direita - actualmente desactivado, constituído por arco em cortina com lóbulos em sentido inverso do normal e capitéis decorados com espiras e entrelaçados, um deles com duas faces, tendo no remate filactera com inscrição, identificando o proprietário do imóvel -, mas com estrutura maneirista, visível nas fenestrações, estrutura do portal axial, este em mármore, contrastando com a cantaria de grés dominante no imóvel, e no remate da fachada principal. A Casa do Despacho e a sacristia, esta com vestígios do primitivo lavabo, adossam-se à fachada posterior, numa solução pouco comum, com acesso pela tribuna dos mesários, junto ao altar-mor. O facto de não apresentar vãos na fachada lateral esquerda, obrigando a ampliar os que existem na oposta, e de surgir uma pequena porta entaipada no lado do Evangelho poderá sugerir a existência de um primitivo anexo. Os cunhais ostentam gárgulas. Na nave mantém uma pia de água-benta com decoração manuelina, a ladear a porta travessa e várias telas, com ambas as faces de duas Bandeiras Reais e das Bandeiras da Paixão, as quais possuem no anverso vários passos da Paixão e no reverso anjos com os símbolos do martírio de Cristo. O retábulo, de estrutura maneirista, executado por volta do 2º quartel de seiscentos, apresenta sete painéis sobre tábua representando as Sete obras Corporais da Misericórdia, aludindo à função das Misericórdias enquanto instituição de beneficência, constituindo um programa iconográfico pouco comum nos retábulos destas Irmandades, onde normalmente surgem representadas cenas da vida da Virgem ou de Cristo. Estes painéis, de pintor anónimo, inspiram-se nas gravuras editadas por Dirck Volkertsz, alcunhado de Coornhert, com grande fidelidade nos painéis "vestir os nus", "enterrar os mortos", "visitar os enfermos" ou "resgatar os cativos", ainda que o pintor tenha introduzido algumas simplificações compositivas e, noutros casos, tenha censurado certos pormenores, como as figuras desnudas, que no retábulo surgem cobertas. Os painéis não são dispostos segundo a ordem numérica das obras de Misericórdia Corporais, mas agrupadas por prioridade das necessidades e acções da Misericórdia; assim, do lado do Evangelho, surgem "dar de comer aos famintos" (4ª C.), "dar beber a quem tem sede" (5ª C.) e "cobrir os nus" (3ª C.), ou seja, as necessidades humanas básicas, e do lado da Epístola as de segunda ordem: "enterrar os mortos" (7ª C.), "remir os cativos" (1ª C.) e "dar pousada a peregrinos" (6ª C.); no topo, "visitar os enfermos" (2ª C.). O retábulo apresenta ainda grandes afinidades com o da Misericórdia de Faro, a qual não só seguiu o mesmo programa iconográfico, como os painéis pintados foram igualmente inspirados nas gravuras de Dirck Volkertsz, ainda que tenham melhor qualidade (v. PT050805050038). A estrutura retabular é envolta por pinturas murais decorativas tardo-barrocas. O remate da cornija borromínica da sineira sobre a Casa do Despacho aponta para uma intervenção rococó.
Número IPA Antigo: PT050813070006
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja de confraria / irmandade  Misericórdia

Descrição

IGREJA de planta longitudinal simples, de nave única rectangular e presbitério, de volumes simples e disposição horizontal, com cobertura em telhado de duas águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, circunscritas por cunhais em cantaria de grés, com gárgulas de canhão no topo decoradas com elementos zoomórficos, e remates em pequeno friso pintado de vermelho e cornija do mesmo material. Fachada principal virada a S., terminada em frontão triangular, atarracado, coroado por cruz latina em cantaria assente em plinto; é rasgada por portal em arco de volta perfeita, moldurado, assente em pilastras de fuste côncavo, e enquadrado por duas colunas toscanas, sobre altos plintos almofadados, que sustentam o entablamento e frontão triangular, tudo em cantaria de mármore. A fachada lateral direita, virada a E., possui portal, actualmente desactivado, de arco em cortina, assente em colunelos finos, apoiados em bases facetadas, côncavas, com anéis, e capitéis distintos, o esquerdo com pequeno torso decorado com botões e o direito com dois elementos entrelaçados e faces antropomórficas, tendo duas arquivoltas, a interna formando moldura de decoração fitomórfica e a externa com remate em cogulho, onde surge uma filactera com a inscrição: "CAZA DA / MISERICORDIA". Superiormente, abrem-se duas frestas de capialço. Fachadas lateral esquerda, a O., e posterior cegas, esta última parcialmente adossada e com remate em empena. O INTERIOR com paredes rebocados e pintados de branco, pavimento em tijoleira e cobertura única, em abóbada de berço, igualmente rebocada e pintada de branco, marcada por cinco arcos torais que arrancam de mísulas decoradas e cornija pétrea envolvente. Os portais de acesso apresentam modinatura rectilínea, ladeados por pia de água-benta, a que ladeia o portal axial facetada e decorada com toros e a da porta travessa semicilíndrica com florão pendente inferior, enquanto que as janelas do lado da Epístola apresentam-se em arco de volta perfeita, permitindo uma maior iluminação. Nas paredes, dispõem-se 16 telas das antigas Bandeiras Real e da Paixão, representando passos da Via Sacra e símbolos do martírio de Cristo. Sobre o presbitério, acedido por seis degraus centrais, demarca-se uma falsa capela-mor com pavimento de grés; no lado do Evangelho, abre-se vão, de volta perfeita sobre pé direito, actualmente entaipado, e, no oposto, surge a tribuna dos mesários, protegida por murete e guarda de madeira torneada, com marmoreados fingidos, e cadeiral composto por um simples banco corrido, com espaldar terminado em cornija e seccionado por colunelos simples, com acesso por porta de verga recta de ligação ao edifício da casa do despacho. Retábulo-mor de talha dourada e policroma, de planta recta, três eixos, definidos por colunas de fuste canelado e de terço inferior marcado, assentes em plintos, os do primeiro registo paralelepipédicos sobre duas mísulas exteriores e duas consolas interiores, e os superiores, mais baixos, e decorados com florões, e de dois registos, separados por entablamentos, com frisos ornados por motivos fitomórficos; no eixo central, abre-se tribuna, em arco de volta perfeita sobre pilastras, pintadas com festões de frutos e flores, tendo na chave o escudo português, envolto em paquife recortado, de intradorso pintado com os mesmos motivos, cerrada por tela a representar a "Visitação"; nos eixos laterais, surgem dois painéis pintados sobre madeira, de cada lado, alusivos às obras da Misericórdia corporais, figurando no lado do Evangelho "dar de comer aos famintos" e "dar de beber a quem tem sede", e, do lado da Epístola, "enterrar os mortos" e "remir os cativos e visitar os presos"; ático em espaldar, definido lateralmente por duas colunas semelhantes às dos registos inferiores, e superiormente recortado, integrando quatro painéis pintados sobre madeira, tendo inferiormente três igualmente alusivos às obras da Misericórdia corporais, figurando "cobrir os nus", "visitar e curar os enfermos" e "dar pousada aos peregrinos e pobres", e, superiormente, a representação do Calvário. A estrutura retabular é envolvida por pinturas murais decorativas, formando composição de lambrequins, concheados e folhas de acanto, predominando as cores amarelo ocre e vermelho sinopia. Altar paralelepipédico com frontal decorado por elementos fitomórficos estilizados que se repetem; no lado direito, rasga-se porta de verga recta de acesso à tribuna, decorada com motivos fitomórficos gravados e pintados de preto. Edifício CASA DO DESPACHO, de dois pisos, com fachadas em taipa rebocadas e pintadas de branco e terminadas em cornija e beirada simples. Fachada principal virada a E., sobre a qual surge sineira, com vão de volta perfeita e remate em cornija borromínica, pintada de branco e vermelho, sendo rasgada por porta de verga recta no piso inferior e duas janelas rectilíneas no superior, com molduras pintadas de vermelho, estas últimas recortadas e, em cada um dos pisos, pequena janela quadrangular, a do piso superior de menores dimensões. INTERIOR com acesso pela tribuna dos mesários ou pela fachada principal, existindo, no piso inferior, uma pequena sacristia, onde surgem vestígios do lavabo, umas instalações sanitárias, ambas com tecto de madeira e pavimento em tijoleira, e escadas com guarda em grelha, de acesso ao piso superior com vasta sala, constituindo o local de reuniões, sendo visíveis as vigas do telhado, reforçado por tirantes metálicos.

Acessos

Rua da Misericórdia

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 44 075, DG, 1.ª série, n.º 281 de 05 dezembro 1961

Enquadramento

Urbano, implantado em zona de pendor inclinado, de gaveto com a estreita rua da Misericórdia e o amplo largo da Sé, na fachada lateral direita, confinando a esquerda com quintal murado, possuindo várias árvores de médio porte e a posterior tendo adossada a Casa do Despacho. O acesso ao portal axial processa-se por dupla escadaria transversal, suportada por muro rebocado e pintado e com guarda plena.

Descrição Complementar

No retábulo-mor, a cena de "dar de comer" desenrola-se num interior arquitectónico, onde uma figura masculina envelhecida estende um pão para uma mulher sentada com criança ao colo, tendo, ao fundo, duas figuras que conversam, uma delas ostentando uma cabaça, símbolo de peregrino; na representação de "dar de beber" surge um homem de manto azul com um jarro a encher várias malgas dos sequiosos, surgindo uma criança que estende os braços para outra, não visível, devido à inexistência de uma tábua; no painel "enterrar os mortos" surge o féretreo amortalhado em primeiro plano a ser depositado numa sepultura por dois homens, recebendo os sacramento finais por um clérigo, acompanhado por dois acólitos; a cena "remir os cativos" está dividida por uma mesa, tendo, à direita, dois turcos e, à esquerda, um frade e um ajudante ajoelhado que retira as moedas dum cofre; ao fundo surgem várias figuras; a cena no painel com representação de "vestir os nus" desenrola-se num espaço exterior, enquadrado por meias-arquitecturas, com um homem envelhecido de manto azul a ajudar um outro a envergar uma camisa, estando outros mendigos expectantes, no lado esquerdo; no painel "visitar os doentes" mostra um interior com uma figura feminina que visita um acamado e um convalescente; no painel "dar pousada aos peregrinos" surge um homem de manto azul a convidar à entrada dois romeiros, sendo possível identificá-los pela concha, bordão, cabaça e vieiras que transportam. A tela da tribuna, com a representação da "Visitação" mostra a Virgem a abraçar Santa Isabel, na presença dos maridos de ambas. No topo do retábulo, representa-se um Calvário, com Cristo na cruz, rodeado pela figura da Virgem (Evangelho) e de São João Evangelista (Epístola). As PINTURAS MURAIS apresentam-se divididas em três registos, coincidentes com os da estrutura retabular: os 2 primeiros registos, delimitados superiormente pela cornija pétrea que percorre as paredes, são definidos por rectângulo, traçado a pincel a vermelho sinopia, com roseta central, intercalado entre duas molduras rectangulares, dispostas na vertical, contendo decoração de carácter vegetalista; as molduras, delimitadas a traço vermelho sinopia, apresentam decoração de flores e folhagens, na mesma cor, sobre fundo amarelo ocre, simulando talha dourada; no ângulo interno inferior de cada moldura do primeiro registo, uma flor de girassol; o espaço contido pelas molduras é preenchido com volutas e enrolamentos de acanto, flores e folhagens, a amarelo ocre e vermelho sinopia com apontamentos azuis, sobre fundos brancos amarelados; nesta zona, a cornija pétrea apresenta decoração idêntica à das molduras; a decoração murária do terceiro registo é limitada superiormente, e obedecendo à configuração do pano murário em arco de volta perfeita, por sanefa em trompe l'oeil, de brocado de flores, vermelho escuro sob fundo negro, com fímbria e borlas douradas, enquadrando composição de ramagens, flores, enrolamentos de acanto, a cor vermelho sinopia e amarelo ocre, e, em destaque a cor vermelho escuro, concheados. BANDEIRAS: apresentam as telas de cada uma das faces separadas e dispostas ao longo da nave, representando, do lado do Evangelho para a Epístola: "Queda de Cristo"; "Anjo segura um hissopo e os dados", tendo ainda à direita do anjo um gomil, símbolo da forma como Pilatos lavou as mãos da responsabilidade da condenação, e inferiormente uma inscrição muito delida; "O sudário de Verónica", com a inscrição DABO CLAVEM DOMVS DAVID SVPER HVM...VER....ESA.22"; "Anjo com a cruz", tendo inferiormente a inscrição "VTVIDIM SEVM ET NON ERAT ASPECTVS" e ao lado do anjo a inscrição INRI; "Anjo com o Santo Sudário"; "Lamentação de Cristo morto"; "Cristo atado à coluna"; "Ecce Homo"; "Queda de Cristo"; "Lamentação de Cristo morto"; "Mater Omnium"; "Prisão de Cristo" (?); "Caminho do Calvário"; "Mater Omnium"; "Anjo com a coroa de espinhos", apoiada num pano branco, e tendo inferiormente a inscrição, "VIDETE RECEM SALOMONE MINDDIADE MATEOVO CORO... VM MATER SVA..."; "Anjo com a bolsa das moedas", inferiormente com inscrição muito delida. A Bandeira real principal deve datar do séc. 18, figurando no anverso a Virgem, coroada, de mãos postas, e de manto azul aberto, seguro por dois anjos, acolhendo, à sua direita o Papa, com a tiara deposta, um frade trino e outras figuras religiosas, e, à sua esquerda, o rei, com o cetro e coroa igualmente deposta, a rainha coroada e ajoelhada e um outro nobre. Existe uma segunda bandeira real, seguindo o modelo da anterior, mas de carácter mais ingénuo.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja de confraria / irmandade

Utilização Actual

Religiosa: igreja de confraria / irmandade / Cultural e recreativa: galeria de exposições

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1491 - fundação do Hospital do Espírito Santo pelos moradores; séc. 15 - D. João II cedeu Silves à Casa da Rainha; séc. 16 - provável construção do imóvel; 1529 - carta dos irmãos da Misericórdia a D. João III queixando-se do bispo impedir a eleição dos oficiais da Irmandade; 1574, 5 Junho - alvará de D. Sebastião autorizando a Santa Casa da Misericórdia a anexar o hospital do Espírito Santo, erguido nas proximidades (PINTO, 1968); 1577 - transferência da capital do Algarve para a cidade de Faro; séc. 17, 2º quartel - execução do retábulo-mor, com as pinturas dos painéis inspiradas no ciclo de gravuras sobre o Juízo Final e as Seis Obras da Misericórdia, gravadas e editadas em Leidem (em 1552), por Dirck Volkertsz, com alcunha de Coornhert; 1724, anterior - incêndio destruiu o antigo arquivo da Misericórdia; 1727 - 1728 - obras no retábulo, com rasgamento da nova tribuna, colocação da tela da "Visitação", que, segundo Vítor Serrão levou à redistribuição dos painéis com a representação das Obras de Misericórdia, frontal e púlpito, por 55$200; execução da porta para a sacristia por $780; 1758 - tinha 50$000 de rendimento; séc. 18, 2ª metade - provável data de execução das pinturas murais do retábulo-mor; 1882 - petição à rainha D. Maria Pia para concessão de verba para socorrer os "inundados"; a rainha envia 225$000; 1765 - a Casa do Despacho encontrava-se destruída, talvez na sequência do terramoto de 1755; foi reconstruída pela quantia de 20$665; 1783 - gastou-se 2$700 no novo compromisso, proveniente de Lisboa; 1785 - obra no telhado, pagando-se 1$280 ao pedreiro e a um servente; 1786 - obra no telhado e na tribuna, por 11$210; 1788 - pintura da tribuna por 3$000; execução do armário para guardar as capas dos irmãos, por 2$450; 1819 - obra na Casa do Despacho, despendendo-se $600 para areia, aquisição de oito tábuas de castanho e $700 em telha; 1891 - feitura da banqueta para o retábulo-mor pela quantia de 24$000, para integrar dois tocheiros de chumbo; 1912, 14 Fevereiro - a Comissão Administrativa que regia a Santa Casa ofereceu o edifício ao município para nele ser instalado uma escola primária, o que não se viria a concretizar; 1969 - estragos provocados pelo sismo; 1991 - ainda existia uma teia a proteger o presbitério, entretanto removida; 2004 - reabertura da igreja ao público.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Cantaria de grés rosado na estrutura (rebocada e pintada de branco), na porta travessa, nos cunhais, gárgulas, cornijas, cruz da empena, arcos torais e mísulas, pavimento do supedâneo, moldura do vão interior, pias de água benta e lavabo da sacristia; cantaria de mármore no portal axial; madeira nas portas, caixilhos, tribuna e cadeiral dos mesários, cobertura da sacristia, escadas e respectiva guarda retábulo e painéis pintados; telas pintadas na nave; taipa (madeira, tijolo burro e argamassa de areia) na Casa do Despacho e betão e tijolo na cobertura da mesma; telha de aba e canudo, pavimento cerâmico na nave; vidro simples nas janelas.

Bibliografia

BRÁSIO, António - As confrarias medievais do Espírito Santo, paradigmáticas das Misericórdias. Lisboa: MCMLXXII; LAMEIRA, Francisco I.C., Inventário Artístico do Algarve, a talha e a imaginária, n.º XV, Faro, 2000; PAIVA, José Pedro (coord.), Portugaliae Monumenta Misericordiarum, vol. 1, Lisboa, 2002; PINTO, Maria Helena Mendes e PINTO, Victor Roberto Mendes, As Misericórdias do Algarve, Lisboa, 1968; REIS, João Vaz, Vozes da Pedra. Tumulária e Armaria da Sé Velha de Silves, Silves, Câmara Municipal de Silves, 2002; ROSA, José António Pinheiro e, Tesouros Artísticos do Algarve, Faro, 1990; SERRÃO, Vítor, As sete obras corporais de Misericórdia pintadas no retábulo maneirista da Misericórdia de Silves, Revista Monumentos, nº 23, Lisboa, 2005, pp. 116 - 127; TOJAL, Alexandre Arménio, PINTO, Paulo Campos, Bandeiras das Misericórdias, Lisboa, 2001.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DSID

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN:DSID; DGARQ/TT: Chancelaria de D. Sebastião (Liv. 9, fl. 228 v.); ASCMS (datas extremas: 1724 - 1981)

Intervenção Realizada

DGEMN: 1946 - apeamento do coro que se encontrava encostado à parede lateral da igreja; construção de degraus de cantaria para acesso ao altar-mor; construção e assentamento de portas e caixilhos; reparação geral do pavimento; 1958 - reparação de telhados; 1959 - reconstrução dos tectos de madeira das naves; 1962 - reconstrução de zonas de reboco salitrosos, nas fachadas lateral e principal; limpeza de cantarias e refechamento de juntas; construção e assentamento de uma porta na fachada lateral; caiação das fachadas; remoção de consola colocada no cunhal durante os trabalhos de remodelação da rede de distribuição de baixa tensão na zona da Sé ( v. 0813070003); 1970 - obras; 1982 - reparação de telhados; apeamento do cadeiral e sua remoção para depósito; apeamento e reassentamento de painéis de azulejo; pavimento de tijoleira sob o estrado do cadeiral; 1983 - demolição de alvenaria hidráulica em elevação para desobstruir um vão da fachada lateral esquerda e de uma escada de acesso às zonas dos altares; assentamento de degraus para completar a escada de acesso ao portal lateral; assentamento de cimalha de cantaria da região na escada de acesso aos altares; assentamento de uma grade de ferro forjado; beneficiação da instalação eléctrica; séc. 20, década de 90 - conservação da talha do retábulo e limpeza das telas que o compõem; 2003 - obras de restauro da igreja.

Observações

Segundo Vítor Serrão, a intromissão da tribuna no eixo central do retábulo, em 1727, levou a que a parte central do retábulo tivesse sido desfeita, "as ilhargas deslocadas para os lados, e os painéis, que se tiveram de desmontar, mal adaptados ao remate". Segundo o mesmo autor, originalmente o retábulo teria no primeiro registo um nicho central com imagem da Virgem e o Menino, ladeado pelas tábuas "dar de comer" e "enterrar os mortos", o segundo incluiria a figuração de "visitar os enfermos" e no último registo surgiria o "Calvário" ladeado pelas cenas "vestir os nus" e "dar pousada aos peregrinos".

Autor e Data

João Neto 1991 / Paula Noé e Rosário Gordalina 2002

Actualização

 
 
 
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