Mosteiro de Santa Maria de Ceiça / Mosteiro de Seiça

IPA.00002791
Portugal, Coimbra, Figueira da Foz, Paião
 
Mosteiro masculino cisterciense, de nave única de 5 tramos para a qual abriam capelas laterais intercomunicantes, com coro-alto a ocupar o 1º tramo; possuia transepto inscrito, capela-mor saliente e cúpula sobre o cruzeiro que ruiram (parte da cabeceira terá sido destruída para passagem da linha férrea); esteve aqui instalada uma fábrica de descasque de arroz, sendo ainda visíveis adaptações feitas no edifício, para o seu funcionamento, como o entaipamento de parte da nave e de alguns vãos, e, ainda abertura de outros vãos completamente distintos dos pré-existentes, vestígios de pisos, construção de anexos e chaminé em tijolo*2.
Número IPA Antigo: PT020605090024
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro masculino  

Descrição

Planta rectangular irregular composta pelo corpo da igreja de planta longitudinal, de nave única, pelo claustro e pelas depêndencias conventuais, adossadas a N., constituídas por corpo regular simples. Volumes articulados, sendo o corpo da nave mais baixo que a fachada principal; massas dispostas na vertical na igreja e na horizontal na zona conventual. Cobertura diferenciada em telhado de 2 águas na nave e dependências conventuais. IGREJA: fachada principal voltada a O., harmónica, de 3 registos no corpo central e de 4 registos nos corpos laterais formados pelas torres sineiras. Corpo central de 3 panos, delimitados por pilastras colossais, que se repetem nos ângulos das torres, rasgado inferiormente por portal de volta perfeita, ladeado por dois vãos com arco idêntico, sendo o da esquerda entaipado por alvenaria e o da direita parcialmente entaipado e com gradeamento; no registo médio 3 nichos de ombreiras apilastradas e vergas arquitravadas sobrepostas de frontões de volutas e munidos no peitoril de pias; no registo superior grande vão semicircular rasgado por janelão rectangular central, de duplo batente, ladeado por pilastras no prolongamento das inferiores, e por 2 janelões em 1/4 de círculo; remate em entablamento que se prolonga pelas faces das torres rasgadas inferiormente por janelas rectangulares dispostas na horizontal repetidas no terceiro registo; entre elas janelão rectangular vertical; todas as janelas têm molduras de cantaria e colocam-se simétricas relativamente aos vãos do corpo central; no quarto registo os corpos das sineiras, abertos nas 4 faces por vãos de volta perfeita, sobrepostas de corpo de menor superfície rasgados igualmente nas 4 faces por vãos semelhantes; remate em domos bolbosos. Toda a fachada possui embasamento saliente ressalvando as bases das pilastras e cunhais que são rematados ao nível das torres por fogaréus. Fachada N., adossada às dependências conventuais; Fachada S., adossada a construção em blocos de cimento, que albergava diversa maquinaria e fosso de manutenção e despejos, com alta chaminé em tijolo. Fachada E. constituída pelo antigo arco triunfal, agora fechado por muro, contido entre as pilastras do arco de volta perfeita, rasgado irregularmente por 2 janelas uma de moldura de cantaria; inferiormente adossa-se construção de alvenaria. INTERIOR: nartex de 3 tramos com cobertura em abóbada de aresta, antecede nave de 5 tramos, conservando-se apenas o terceiro em abóbada de canhão de tijolo, sendo os torais de cantaria; subsiste ainda parte do coro alto sobre abóbada de arestas; paramentos de dois registos defenidos o inferior pelos vestígios das capelas laterais, o superior pela fenestração; a nave encontra-se entaipada por alvenaria criando um compartimento entre os dois últimos torais, tendo nas paredes laterais, duas consolas e bacias dos primitivos púlpitos em cantaria, com vestígios de pintura de marmoreados fingidos. DEPENDÊNCIAS MONACAIS: fachada de dois registos, no inferior 6 portas uma das quais com moldura de cantaria e verga arquitravada munida de frontão triangular, e a porta central colocada a um nível superior com acesso por escadaria, rasgam-se ainda 3 janelas pequenas rectangulares sendo 2 transversais e uma vertical; superiormente 11 janelas de duplo batente, duas de sacada com varandim de ferro e as restantes com avental sendo 7 mais estreitas. CLAUSTRO: conservam-se as alas E. e N. de dois pisos, o térreo de arcaria de volta perfeita, o superior de colunas dóricas suportando entablamento.

Acessos

Estrada de Seiça, Seiça. R. da Capela de Nossa Senhora de Seiça.

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 5/2002, DR, 1ª série-B, n.º 42 de 19 fevereiro 2002*1

Enquadramento

Rural, situado junto ao rio Sicó, no sopé de uma colina, isolado, destacado, junto à estrada a O. e à linha do caminho de ferro a S.(linha do Oeste). Fronteiro ergue-se a Capela de Nossa Senhora de Seiça (v. PT020605090013).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro masculino

Utilização Actual

Armazenamento e logística / Devoluto

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 12 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ENTALHADOR: Manuel Moreira (1695). MESTRE CONSTRUTOR: Mateus Rodrigues.

Cronologia

1162 - data da referência mais antiga ao mosteiro quando o seu abade D. Martinho se encontra presente à outorga da carta de isenção dos direitos episcopais dada aos crúzios pelo Bispo D. Miguel Salomão; 1175 - carta de couto dada por D. Afonso Henriques ao Mosteiro na pessoa do abade D. Paio Viegas; 1195 - D. Sancho I filia o Mosteiro de Ceiça no de Alcobaça; séc. 16 - em virtude dos problemas constantes com Alcobaça o mosteiro de Ceiça é suprimido por D. João III; os rendimentos são aplicados às Ordens de Avis e de Cristo; 1560 - D. Sebastião restitui o Mosteiro de Seiça a Alcobaça; 1695, 14 junho - contrato com Manuel Moreira para a feitura de cinco retábulios, cada um deles ajustado por 70$000; séc. 18 - reforma do mosteiro conferindo-lhe a feição actual; 1834 - as talhas e os retábulos pétreos foram removidos e dispersos por várias igrejas do concelho; 1895 - mosteiro vendido a privados; 2000, 24 Julho - António Carriço um dos proprietários, assina contrato de promessa de compra e venda do mosteiro com a Câmara Municipal da Figueira da Foz, por cerca de 45 mil contos; 2004, Junho - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN; 2019, 11 abril - publicação do Anúncio de abertura do procedimento de ampliação e reclassificação do edifício como Monumento Nacional, em Anúncio n.º 66/2019, DR, 2.ª série, n.º 72/2019.

Dados Técnicos

Estrutura autónoma

Materiais

Pedra (cantaria, alvenaria), tijolo (alvenaria), ferro, madeira, vidro, telha

Bibliografia

BRANDÃO, Domingos de Pinho - Obra de talha dourada, ensamblagem e pintura na cidade e na Diocese do Porto - Documentação. Porto: Diocese do Porto, 1984, vol. I; CORREIA, Vergílio, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Coimbra, Lisboa, 1953; DIAS, Pedro, Mateus Rodrigues mestre construtor do Mosteiro de Seiça, Mundo da Arte, 2ª serie, Janeiro - Março, 1990; Figueira Informa, Boletim Informativo nº4, Figueira da Foz, 2 Janeiro, 2000; Jornal de Notícias, Porto, 1 Julho, 2000, p.38; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/71634 [consultado em 14 outubro 2016].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/Carta de Risco

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/Carta de Risco

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/Carta de Risco

Intervenção Realizada

CMFF: 2004 - Remoção de escombros do interior da igreja; DGEMN: 2004 - elaboração da Carta de Risco.

Observações

*1 - Em 2001, foi solicitada a ZEP, pela Câmara Municipal da Figueira da Foz; *2 - 2004, Julho - encontram-se ainda alguns grãos de arroz que denunciam a actividade industrial que ali existiu.

Autor e Data

Fernando Grilo e Maria Bonina 1996 / Margarida Silva 2004

Actualização

Sílvia Figueiredo 2004
 
 
 
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