Aqueduto da Prata / Cano da Água da Prata

IPA.00002755
Portugal, Évora, Évora, União das freguesias de Bacelo e Senhora da Saúde
 
Aqueduto de fundação romana sobre cujos vestígios se ergueu a actual estrutura quinhentista, de tipologia renascentista e maneirista. Pela análise prestada aos elementos arquitectónicos e arqueológicos ainda hoje visíveis em boa parte do itinerário, firmada numa atenção renovada às referências documentais constantes nas demarcações cadastrais dos séculos 13 e 14, o aqueduto romano constituiria uma superestrutura, bastante mais alta que o aqueduto quinhentista, destinada a conduzir a água até ao Forum localizado no ponto mais alto da urbe. Com uma extensão inicial de 18Km, desde a Herdade do Divor, onde se abastecia de água, até ao centro da urbe, o aqueduto foi restaurado no Séc. 17, após os danos sofridos durante a Guerra da Restauração, e posteriormente nos Séc. 19 e Séc. 20, intervenções que não alteraram o traço original. A sua conduta de água foi edificada na sua maior extensão, em caixa tubular quadrada de alvenaria emergindo por vezes à superfície, lançando-se em arcaria de volta perfeita, e regularmente interrompido por caixas de recepção e distribuição da água de diversa tipologia, na maioria de remate cónico; duas delas monumentais, sem paralelo com as restantes, em forma de templete clássico, das quais resta apenas uma (caixa da Rua Nova) com colunata toscana e arquitrave; a outra desaparecida, era em templete cilíndrico rematado por lanternim e ornamentado por volutas *2. Três chafarizes monumentais, de cariz maneirista, localizados em três das mais importantes praças da cidade, faziam a distribuição da água que chegava à urbe pelo Aqueduto: o Chafariz da Praça do Geraldo (v. IPA.00003855), o Chafariz do Largo das Portas de Moura (v. IPA.00002742) e a Fonte do Largo de Aviz (v. IPA.00008851). Destaque para a utilização das arcarias como suporte para um grande número de edificações, anichadas nos vãos, que confere às ruas que acompanha um aspecto pitoresco.
Número IPA Antigo: PT040705070026
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Hidráulica de condução  Aqueduto    

Descrição

A conduta de água, na sua maior extensão em caixa tubular de secção sensivelmente quadrada, percorre, acompanhando cotas estáveis e serpenteando pelas curvas de nível das colinas, todo o itinerário em precária estrutura de alvenaria soterrada, emergindo por vezes à flor da superfície, interrompido regularmente por caixas de remate cónico. Raras vezes alça-se sobre arcaria de volta perfeita de alvenaria para ultrapassar acidentes hidrográficos, como acontece nas imediações do Monte de Brito, aí nomeado por Arcos do Divor, atingindo a maior monumentalidade num troço de c. de 1200 m, à entrada de Évora. Dentro da área cercada da Cidade, as arcarias foram utilizadas como suporte para um grande número de edificações, anichadas nos vãos. Entre a Quinta da Torralva e o Convento da Cartuxa (v. IPA.00006503), transpõe sobre sólidos pilares em silharia granítica a EN 114-4, antigo caminho de Évora para Arraiolos; aí a cimalha rompe em três torrelas. Ao atingir a cota suprema da colina de Évora, na confluência da Rua Nova com a Travessa de Sertório, remata-o caixa de distribuição em forma de templete prismático, de planta rectangular, de cantaria aparelhada, com alçados dispostos em 3 registos, constituído por podium, alçado cego e entablamento; a fachada principal a sul apresenta sobre o alto embasamento 4 colunas toscanas, adossadas ao alçado e sustentando o entablemento sobreposto de arquitrave. A Fonte do Largo do Chão das Covas é composta pelo corpo da fonte e pelo corpo da caixa de água, dispostos paralelamente entre si e interligados por arcada e conduta do Aqueduto no qual ambos os corpos se encontram transversalmente embebidos.

Acessos

EN 114-4, de Évora para Arraiolos, mesmo à saída da Porta da Lagoa da Cerca Nova da Cidade. Rua do Cano, Largo Chão das Covas, Rua do Salvador, Rua Nova e Travessa de Sertório

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910 (Aqueduto da Prata) / IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 8.252, DG, 1.ª série, n.º 138 de 10 julho 1922 (Caixa de água da Rua Nova) / Incluído no Centro Histórico da cidade de Évora (v. IPA.00000064).

Enquadramento

Urbano, periurbano e rural. Desenvolve-se desde as cotas altas das colinas fronteiras a Évora no lado norte, seguindo as curvas de nível para alcançar um itinerário em cotas estáveis e entrar no perímetro amuralhado na banda de noroeste. Vai beber às fontes das nascentes da Ribeira do Divor, Fontes da Prata e Fontes de Metrogos, a c. de 18Km da cidade. A Caixa de água da Rua Nova fica a meia encosta da colina de Évora, adossada em gaveto aos edifícios contíguos. A Fonte do Largo do Chão das Covas fica no topo de um largo, adossada ao Aqueduto. O percurso urbano do aqueduto, localiza-se extra-muros e intramuros no centro histórico da cidade (v. IPA.00000064).

Descrição Complementar

Fonte do Largo do Chão das Covas: caixa de água de planta simples, rectangular, com cobertura homogénea em telhado de 1 água; alçados de alvenaria rebocada e caiada, os laterais cegos, o principal rasgado ao centro por porta de molduras graniticas e acesso por dois altos degraus capeados a granito; remate em entablamento coroado nos extremos por pináculos piramidais; alçado posterior embebido no aqueduto, rasgado superiormente, ao nível da conduta deste, por arco de volta perfeita e com remate em cimalha coroada por quatro pináculos piramidais.

Utilização Inicial

Hidráulica: aqueduto

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Época Romana / Séc. 16 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTOS: Francisco de Arruda e Miguel de Arruda (atr.)

Cronologia

Época Romana - construção de um aqueduto dimensionado para conduzir a água até fórum romano que se situava na cota topográfica mais alta da cidade; 1531 - início da edificação de novo aqueduto, sobre a estrutura do velho aqueduto romano, pelo arquitecto-mor da Comarca do Alentejo, Francisco de Arruda; 1536 - abertura da Rua Nova para passagem do cano; construção da caixa de água na Rua Nova por Miguel de Arruda (BRANCO, 1999); 1537, 28 de Março - inauguração e lançamento das primeiras águas no chafariz da Praça de Geraldo (v. IPA.00003855); 1556 - edificação do Chafariz no Largo das Portas de Moura (v. IPA.00002742), por ordem do Cardeal Infante Dom Henrique, concebido e desenhado pelo Arq. Diogo de Torralva (ESPANCA, 1966) para distribuição pública da água que chegava à cidade pelo Aqueduto; 1573 - edificação da Fonte do Largo de Aviz (IPA.00008851) por Ordem do Cardeal Infante D. Henrique, para distribuição da água do Aqueduto à cidade; Séc. 19, 2ª metade - destruição do templete de remate do ramal junto aos Paços Reais na sequência do desmantelamento das reais pousadas (v. IPA.00001185); 1979 - o aqueduto apresentava intra-muros 30 arcos inseridos em construções e 26 totalmente desobstruidos; extramuros 6 arcos tapados, 10 tapados parcialmente e 304 desobstruidos; 2016, agosto - outubro - confirmada a existência de um aqueduto romano sob a estrutura do aqueduto quinhentista (descobertos vestígios de cerâmica da época romana, silhares de granito e uma sapata de pilar tendo por base a métrica de construção então utilizada), durante os trabalhos de prospecção arqueológica, enquadrados no Programa de Consolidação e Valorização do Aqueduto da Água da Prata, dirigidos pelo Arqueólogo José Rui Santos; 2019, 06 agosto - inauguração da iluminação cénica do aqueduto.

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Alvenaria, cantaria de granito, mármore em raros elementos secundários

Bibliografia

BRANCO, Manuel Joaquim Calhau - A Construção da Graça de Évora. Lisboa, 1990, Vol. II. Dissertação de Mestrado em História da Arte, apresentada à Faculdade de letras da Universidade de Lisboa, texto policopiado, Vol.II; CASTRO, Elda de e RODRIGUES, J. Delgado - Parecer sobre a Alteração e a Conservação de Duas Zonas do Aqueduto da Água da Prata, em Évora. Lisboa: L.N.E.C., 1986; ESPANCA, Túlio - «O Aqueduto da Água da Prata». Cadernos de História de Arte Eborense, 1944, Vol.I; IDEM - Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Évora, Lisboa, 1966, Vol. VI; MONTEIRO, Filomena Mourato - O Aqueduto da Água da Prata em Évora. Bases para uma Proposta de Recuperação e Valorização. Évora, 1995. Dissertação de Mestrado apresentada à Universidade de Évora, texto policopiado.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS; Serviços Cartográficos do Ministério do Exército, Levantamento Fotogramétrico Nacional 1X25.000, Folha de Évora nº 360 - Registo do itinerário

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS

Intervenção Realizada

1980 - Reparo de vários lanços de paramentos de cantaria e juntas, assentamento de silhares de cantaria de granito, assentamento de blocos de granito nas cimalhas. 1985 - Conserto de paramentos de cantaria de granito nos arcos, arranque de ervas e conserto de juntas; CMÉvora: 2016 - limpeza dos campos próximos do aqueduto em toda a sua extensão visando a reinstalação do percurso de água.

Observações

EM ESTUDO. *1 - abrange também a freguesia de Sé e São Pedro; *2 - Antigas gravuras e desenhos documentam o desaparecido templete de remate no término de um dos mais nobres ramais do aqueduto, junto dos Paços Reais de São Francisco (v. IPA.00001185), que a partir dos Arcos do Divor se separavam; constituia composição arquitectónca de feição clássica mas silhueta exótica; *3 - esta última fonte está actualmente no largo da Rua de Avis.

Autor e Data

Manuel Branco 1993 / Castro Nunes 1994 / Filomena Bandeira 1996

Actualização

Rosário Gordalina 2005
 
 
 
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