Estação Ferroviária de Chaves

IPA.00027103
Portugal, Vila Real, Chaves, Santa Maria Maior
 
Estação ferroviária terminal da Linha do Corgo, delineada dentro da Escola Culturalista, composta por edifício de passageiros e algumas construções de apoio técnico, como o cais coberto e a cocheira de carruagens. O edifício de passageiros apresenta planta rectangular, com fachadas rebocadas e pintadas, embasamento de cantaria e silhar de azulejos, cunhais apilastrados coroados por urnas com festões, e terminadas em friso, cornija e beirada; são rasgadas regularmente por janelas de peitoril ou portas de verga recta e abatida, com a caixilharia integrando bandeira, possuindo na fachada virada ao cais de embarque alpendre de cantaria com arcos abatidos ou de volta perfeita apoiada em pilares. Fachada principal com pano central avançado, terminado em cornija alteada e curva ao centro, com os vãos, de verga recta encimados por cornijas rectilíneas sobre mísulas entre painéis ou faixas de azulejos, decorados com festões, concheados, motivos fitomórficos, laçarias e a designação da estação, de carácter revivalista neobarroco. Fachadas laterais tendo, ao nível do segundo piso, portal abatido moldurado sob alpendre telhado apoiado em traves sobre mísulas, acedido por escada com guarda plena de alvenaria, ladeado por fresta de topos curvos. Fachada posterior com a cornija alteada e curva ao centro do edifício e alpendre, com os vãos centrais igualmente rectilíneos e enquadrados por faixas de azulejos iguais aos da frontaria. No piso térreo dispõe-se ao centro o vestíbulo com zona de expedição de bilhetes. O cais coberto e a cocheira de carruagens apresentam planta rectangular simples e fachadas em cantaria aparente, com vãos rectilíneos.
Número IPA Antigo: PT011703500154
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Transportes  Apeadeiro / Estação  Estação ferroviária  

Descrição

A estação inclui o edifício de passageiros e algumas construções de apoio técnico, como o cais coberto e a cocheira de carruagens. EDIFÍCIO DE PASSAGEIROS de planta rectangular e cobertura diferenciada em telhados de quatro águas. Fachadas de dois pisos, rebocadas e pintadas de branco, com embasamento de cantaria e silhar de azulejos, de padrão fitomórfico policromo, com pilastras colossais nos cunhais, sobrelevadas relativamente às fachadas, coroadas por urnas decoradas por festões, e rematadas em friso e cornija, alteada e curva ao centro das fachadas principais e posterior, sendo ainda sobreposta por beirada simples. Fachada principal virada a SE., de três panos, o central avançado com a cornija sobreposta por brasão com as armas da vila de Chaves; no piso térreo abrem-se duas portas bíforas, de verga recta, com nembo de cantaria e moldura encimada por cornija rectilínea assente em três falsas mísulas de recorte igualmente rectilíneo; ladeiam as portas painéis de azulejos, de perfil curvo, que arranca a partir da cornija, ornados de festões de flores, suspensos por laços e tendo inferiormente friso de enxaquetado; sobre os painéis surgem também lateralmente duas vaseiras rectilíneas. Ao nível do segundo piso, abre-se uma janela bífora, de verga recta, sobre peitoril de cantaria e encimada por cornija igual à das portas; superiormente, acompanhando o perfil da cornija, desenvolve-se faixa de azulejos, ornados de festões e laçarias, tendo ao centro a inscrição CHAVES e nos ângulos acantos enrolados, concheados, festões e laçarias pendentes. Nos panos laterais, semelhantes, rasgam-se, no piso térreo, duas portas de verga abatida, de moldura terminada em cornija e com a parte superior das jambas salientes e, no segundo piso, duas janelas de peitoril, com o mesmo perfil, sobre cornija, com moldura igual à das portas. Fachadas laterais iguais, rasgadas, no segundo piso, por porta de verga abatida, com moldura terminada em cornija e com a zona superior saliente, protegido por alpendre rectangular, assente em duas traves de madeira assente em mísulas; o portal é acedido por escada de dois lanços opostos, adossada, com guarda em alvenaria rebocada e pintada, delimitada a cantaria e com silhar de azulejos igual ao das fachadas. Junto ao portal, abre-se ainda fresta de topos curvos, moldurada, com grade de ferro estilizada. A fachada posterior, inicialmente virada à linha férrea, é rasgada no piso térreo por oito portas, dispostas num ritmo de duas a duas, com molduras iguais às das outras fachadas, protegidas por alpendre corrido de cantaria, terminada em cornija alteada e curva ao centro, e com quatro arcos em asa de cesto, de aduelas em cunha, assentes em pilares quadrangulares; lateralmente os arcos são de volta perfeita e a cobertura do alpendre assenta em travejamento de madeira sobre mísulas de cantaria. No segundo piso, abrem-se oito janelas de peitoril iguais às da frontaria, sendo as quatro centrais, com nembos de alvenaria rebocada e pintada de branco, encimadas por cornija corrida; sobre estas a fachada existe uma faixa de azulejos com decoração igual à da frontaria. INTERIOR do primeiro piso com pavimento de granito, paredes pintadas de branco, com embasamento de cantaria e silhar de azulejos monocromos azuis sobre fundo branco, com padrão fitomórfico; no vestíbulo possui frontalmente três arcos, o central em asa de cesto com fecho saliente decorado com concheado, e os laterais em arco de volta perfeita; nas paredes laterais existem arcos iguais; conserva ainda o esqueleto da bilheteira. A N. do edifício de passageiros dispõe-se o CAIS COBERTO, de planta rectangular, massa simples e cobertura homogénea em telhado de duas águas. Fachadas em cantaria aparente, a frontal e posterior terminada em aba corrida de madeira, bastante avançada, sobre travejamento de madeira. A fachada principal virada a SE. é rasgada por portas de verga recta e algumas janelas rectilíneas; as fachadas laterais terminam em empena e possuem porta de verga recta encimada por amplo vão rectangular. A O. do edifício de passageiros implanta-se a COCHEIRA DE CARRUAGENS, o actual museu, de planta rectangular, massa simples e cobertura homogénea em telhado de duas águas. Tem as fachadas em cantaria aparente, com as juntas tomadas e pintadas de branco terminadas em cornija e beirada simples. A fachada principal, virada a NE., termina em empena e é rasgada por dois amplos portais de verga abatida, com portões de ferro, encimados pela inscrição pintada MATERIAL HISTÓRICO e, ao nível do segundo piso, por três vãos rectangulares, dispostos irregularmente, dois na vertical e um na horizontal. Fachada lateral esquerda rasgada no piso térreo por três vãos rectangulares e no segundo por varanda corrida, em betão, com guarda do mesmo material em X, e para onde se abrem regularmente portas de verga recta e janelas de peitoril, com caixilharia de guilhotina, protegida por alpendre sobre placa de betão, assente em finos pilares com chanfro. À fachada posterior, igualmente terminada em empena, e rasgada por vãos rectangulares, adossa-se escada de betão de acesso à varanda, com o mesmo tipo de guarda. No INTERIOR expõe, no piso térreo, diverso material ferroviário, nomeadamente três locomotivas de via estreita. Junto à sua fachada principal existem dois troços de linhas-férreas, com 50 metros de comprimento, e dois vagões de cor vermelha e preta, enquadrados por placas arelvadas.

Acessos

Santa Maria Maior, Largo da Estação

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, no bairro de Santa Maria Maior, integrado no topo NO. de um largo, com rotunda ajardinada e onde confluem duas avenidas. O edifício de passageiros é circundado por passeio com calçada à portuguesa, já não apresentando na fachada posterior as linhas férreas e respectivas plataformas, estando o pavimento sensivelmente à mesma altura, igualmente pavimentado a calçada à portuguesa, com placas de cantaria e canteiros quadrangulares de flores. A cocheira de carruagens possui em frente da frontaria e do tardoz placas arelvadas e a rua que corre paralela ao edifício na fachada lateral direita desenvolve-se numa cota muito mais elevada.

Descrição Complementar

No Museu Ferroviário existe uma locomotiva de 1904 e outra de 1911, de origem alemã e vindas para Portugal como espólio de guerra, depois da 1ª Guerra Mundial; há ainda uma carruagem-correio e um motociclo de quatro rodas. Existe ainda outro material histórico ferroviário exposto.

Utilização Inicial

Transportes: estação ferroviária

Utilização Actual

Política e administrativa: departamento municipal / Cultural e recreativa: edifício multiusos

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Nuno Duborjal (2002). EMPREITEIROS: Alberto da Cunha Leão (1897), António Júlio Pereira Cabral (1897). ENGENHEIRO: Avelar Ruas (1922). FIRMAS: Alexandre Machado Leite (1923), António da Silva e Sousa (1923), Companhia Aliança (1921), Fundição de Fradelos (1921), José Rodrigues Agostinho (1923), Manuel Lopes Alves Guimarães Soc. Lda. (1921-23), M. Santos Oliveira & Cª (1921), Ribeiro & Companhia (1921), Soares d' Almeida (1922), José Moreira & Filhos, Ldª (2003).

Cronologia

1873, 8 Julho - inauguração dos trabalhos da Linha do Douro; 1875, 30 Julho - cerimónia de inauguração da Linha do Douro, até então compreendida entre as estações do Pinheiro e de Novelas (Penafiel); 1878 - a Câmara Municipal de Vila Real solicitou a construção da via-férrea que ligaria a Régua a Chaves, passando por Vila Real; 1879 - o caminho-de-ferro chega a Pêso da Régua; 1897, 4 Abril - publicação em Diário do Governo da concessão da ligação ferroviária, de via estreita, entre a Régua, Vila Real e Chaves, a Alberto da Cunha Leão e António Júlio Pereira Cabral; o fundamento para o deferimento da petição esteve no interesse turístico e comercial das termas de Pedras Salgadas e do Vidago; 1903, 18 Fevereiro - decreto determinando a construção da linha-férrea do Vale do Corgo; 24 Agosto - início dos trabalhos de construção da linha, com administração directa do Estado; 1909, 13 Março - Câmara de Chaves solicita ao rei, como complemento da linha-férrea de Pedras Salgadas a Chaves, o estudo e a construção de uma avenida de serviço entre a estação e a vila, no prolongamento do eixo da ponte romana sobre o Tâmega, e a colocação daquela estação neste alinhamento; 1910, 25 Abril - data de um primeiro projecto da estação; 1916, 11 Fevereiro - data do projecto da estação, introduzindo modificações relativamente ao anterior, enviado para apreciação, composto de 2 partes, uma com modificações na estação e outra com modificação nas avenidas de acesso *1; 23 Março - o Conselho de Administração aprovou o projecto das modificações, limitando porém o pátio de acesso à estação ao lado S. pelo prolongamento da respectiva avenida, devendo a Secção diligenciar expropriar a faixa de terreno compreendida entre aquela avenida, o terrapleno da estação, o pátio e o caminho projectado para o cais; o ante-projecto da variante para a mudança do local da estação foi rejeitado; 1917 - projecto com o prolongamento da avenida de acesso à estação, com orçamento bastante elevado, sobretudo devido as expropriações necessárias; 26 Maio - concurso da empreitada nº. 4, com base de licitação em de 8.812$37 *2; 1919, 29 agosto - apreciando os três projectos, o Ministro concordou na adopção do que a Direcção dos Caminhos-de-Ferro do Minho e Douro considera do tipo antigo, mas ordena que esse fosse modificado, de modo a não apresentar discordâncias de estilos entre o primeiro e o segundo piso; 13 Setembro - data do projecto do edifício dos passageiros, obedecendo ao conjunto da projectada praça da estação e com dimensões maiores devido ao facto de ocupar um dos lados da praça, e não às exigências ou conveniências de serviço; 29 Outubro - o engenheiro director em cumprimento do comunicado nº. 3035 de Agosto, submete à aprovação superior os 2 projectos da estação, um de tipo clássico e mais pequeno que o regional; 30 Dezembro - parecer do Conselho Superior de Obras Públicas, a que só foi enviado o projecto do edifício de passageiros, sem o das WC, uma planta geral da estação e memória descritiva; a análise do projecto denota a orientação do seu autor em procurar uma orçamentação na chamada "Casa à Portuguesa" *3; 1920, 13 Janeiro - o Conselho Superior de Obras Públicas apresentou algumas objecções ao projecto de 13 Setembro 1919, e aconselha a elaboração de um novo, tendo em considerando as suas indicações; o Serviço da Construção pôs inteiramente de parte o projecto de 13 Setembro 1919, bem como o parecer do Conselho Superior de Obras Públicas e enviou, em substituição, um projecto que já fora em tempo presente a este Conselho, acompanhado de 2 outros, tendo então sido escolhido o chamado "projecto regional", o que motivou a comunicação de 26 Agosto; aprovado o projecto regional pelo Conselho, pelo Ministro do Comércio e pelo Conselho Superior de Obras Públicas (com modificações) não há lugar para a adopção de outro, a não ser que se demonstre que nele não podem ser introduzidas as modificações sugeridas pelo Conselho Superior de Obras Públicas; 02 fevereiro - Memória descritiva de novo projecto do edifício de passageiros para atender aos desejos da Câmara, que projectava fazer do largo da estação uma praça, tipo antigo, de que chegou a mandar fazer um desenho em perspectiva; 28 Fevereiro - data da memória descritiva das obras; 18 março - data do projecto inicial para a estação que foi aprovado pelo Conselho Superior de Obras Públicas, tendo sido elaborado de harmonia com as instruções recebidas; foi considerado "desgracioso, exageradamente amplo para uma linha de via reduzida" e como foi posta de parte a ideia de no largo da estação fazer uma praça com edificações do tipo português antigo, não há razão para se executar aquele projecto; 7 Abril - abertura de concurso público para a construção do lanço do caminho-de-ferro de Vidago a Chaves, empreitada - U -, com terraplanagens entre os Km. 17.720 m e 18.300 m, obras de arte, correntes e especiais, edifício de passageiros, retrete, cais de mercadorias, reservatório de água, depósito de máquinas e carruagens, vedações e pavimentos da estação de Chaves, tendo como base de licitação 113.196$41; o prazo de execução da obra era de 20 meses a contar da data de notificação da aprovação do contrato, devendo os trabalhos começar no prazo de 30 dias; o edifício de passageiros orçava em 30.200$00 (sendo 11.900$00 da obra de pedreiro e 9.700$00 de carpinteiro), a retrete em 1.700$00, a casa de mercadorias em 12.500$0, a cocheira de carruagens em 3.800$00, a cocheira de máquinas em 9.400$00 e o reservatório em 3.000$00; 1921 - estabelecimento de 1 toma de água; 4 Julho - comunicação para se começar de imediato com as obras do cais de mercadorias, e torre para o reservatório (este de maior urgência) conforme projecto; o cais fechado é feito em perpeanho à vista, conforme o do Tâmega; 2 Agosto - autorizada a compra de 80 barricas de cimento à firma Manuel Lopes Alves Guimarães, Lda., por 2.640$00; 5 Agosto - autorizada a compra de 770 m. de canalização de ferro zincado, uma bomba para elevar 10 m3 por hora e 1 motor trifásico, à fábrica "Fundição de Fradelos", por 15.000$00; 28 Agosto - inauguração da última secção da linha do Corgo, unindo Vidago a Chaves; 10 Setembro - data do projecto do edifício de passageiros, submetido à apreciação do Conselho Superior de Obras Públicas, que opinou a modificação da sua disposição interna, o que o Ministro concordou levando à organização de novo projecto; 8 Novembro - encontrava-se quase concluída a obra de pedreiro do cais coberto, tornando-se urgente a sua cobertura; a cocheira de máquinas faltava pouco mais do que a cobertura; 11 Novembro - despacho autorizando a compra à firma M. Santos Oliveira & Cª. de 225 barricas de cimento, por 7.200$00, 10.000 telhas tipo marselha e 200 canos, por 3.120$00, 6 portas de chapa de ferro para o cais coberto, por 3.071$00, à Companhia Aliança e a compra 2.815 Kg de ferro, à firma Ribeiro & Companhia, por 1.643$00; 12 novembro - elaboração de projecto para o edifício de passageiros pela Direcção dos Caminhos-de-Ferro do Minho e Douro; submetido à apreciação do Conselho Superior de Obras Públicas, foi este de opinião de que devia ser modificado, elaborando-se um novo projecto em harmonia com as indicações dadas e cujo orçamento importava em 61.000$00; 1922, 02 janeiro - data do projecto da avenida da estação às Longras, a qual fazia parte do projecto dos "novos armazéns" da vila, com o objectivo de fazer a ligação mais curta da estação ao bairro da Madalena; 5 Janeiro - aprovação do projecto pela Comissão Executiva; Câmara delibera designar a Av. das Longras por Av. da República; 19 Abril - despacho autorizando o dispêndio de 16.000$00, devendo sair da verba pedida de 272:000$00, com a construção de um primeiro andar na cocheira de carruagens, destinado a dormitórios (revestidos de azulejos até 1,70 de altura), e casa de banho (com lavatórios e banho de chuva), para o pessoal de trens; tal evitava ter de alugar casas para alojar o pessoal de trens ou alojá-lo em barracas de madeira, visto ser impróprio no clima da região; 19 Maio - despacho autorizando a compra de diversos materiais, para canalizar a água do reservatório para o edifício de passageiros, WC, cocheiras das máquinas e carruagens da estação à Casa Soares d' Almeida, por 2.640$80; 25 maio - data do novo projecto do edifício de passageiros elaborado pela Direcção dos Caminhos-de-Ferro do Minho e Douro, com as alterações introduzidas, assinado pelo Engº. Chefe do Serviço Avelar Ruas *4; dada a urgência em começar a execução deste edifício, agora que os trabalhos foram mandados recomeçar com toda a actividade não se juntam os preços; o novo projecto é então submetido ao Conselho Superior; 16 junho - despacho do Conselho de Ministros aprova o projecto para a construção do edifício de passageiros, por 61.000$00, e a sua execução imediata; 20 Junho - Ministro mostra grande empenho na abertura da estação de Chaves no dia 8 do próximo mês; os serviços respondem não ser possível antes do fim Julho, porque parte da estação, desde a agulha de entrada até ao eixo do edifício de passageiros, era em trincheira, toda em rocha, faltando concluir parte à entrada; referem que se insistisse nisso, poder-se-ia fazê-lo com o inconveniente dos trabalhos levarem mais tempo a concluir, visto que o desmonte das terras teria de ser feito na maioria a ferro, tornando-o muito dispendioso; o Ministro determina a inauguração da estação a 8 de Julho, mas só para o serviço de passageiros; nos dias anteriores à inauguração, houve intensificação dos trabalhos, tendo-se conseguido fazer o assentamento das 2 linhas principais da estação e ligá-las com a ponte girante, montar um barracão que servisse de edifício provisório e concluir os cais coberto e descoberto; o cais para carvão já estava concluído; 30 Junho - o Ministro do Comércio e Comunicações, a que foi presente o novo projecto e orçamento do edifício de passageiros, manda aprová-lo e, assim, autorizar a sua execução imediata; 8 Julho - inauguração da estação com a presença dos Ministros do Comércio e da Guerra; durante a inauguração, a Câmara pediu que o comboio do correio fosse também até à estação, a que o Ministro concordou; passaram a circular todos os comboios, excepto os de mercadorias e dos 1301 e 1308, reduzindo o período dos trabalhos para se poder fazer 2 séries de tiros, o que levou ao atraso das obras; 12 Julho - informava-se que a barraca que funcionava como edifício de passageiros oferecia pouca segurança, e que podia ser atingida pelas pedras arremessadas pelos tiros de dinamite, as quais poderiam apanhar o material circulante se este não se conservasse a distância suficiente *5; 29 agosto - participa-se que é insuficiente a existência de água no reservatório de Chaves para abastecimento das locomotivas, pedindo medidas urgentes para manter em serviço os comboios até Chaves; Outubro - estavam já assentes as 3 linhas que faltavam na estação; 14 novembro - o engenheiro chefe do Serviço do Movimento escreveu informando que se tornara insuficiente para o serviço de despacho de bagagens a venda de bilhetes, o barraco destinado a isso na estação, solicitando que o mesmo fosse ampliado com a urgência possível; solicita também a entrega da estação ao serviço do cais; Novembro / Dezembro - início da construção da cocheira de carruagens e dormitórios do pessoal na estação; 1923, 09 janeiro - autorizada a compra de 84 barricas de cimento marca "Taurus" à firma António da Silva e Sousa; 650 Kg. de ferro redondo de 17 m/m à firma Manuel Lopes Alves Guimarães Soc. Lda. e 1850 Kg. de ferro redondo de 10 m/m a José Rodrigues Agostinho, por 7.140$00, 617$50, 1.313$00, respectivamente; 15 janeiro - autorizada a rectificação da importância da aquisição de ferro a José Rodrigues Agostinho, de 1.313$00 para 1.813$00; 18 janeiro - Câmara solicita ao Director dos Caminhos-de-Ferro que se macadamize urgentemente o pavimento da Avenida que do lado do cemitério dava acesso à estação; 07 fevereiro - autorizada a compra de 12, 4 m3 de madeira esquadriada e 60 dúzias de soalho para a cocheira de carruagens e dormitórios do pessoal da estação à firma Alexandre Machado Leite; 5 Abril - entrega do troço Tâmega-Chaves ao Serviço de Via e Obra, ficando a seu cargo apenas a conclusão do edifício na estação; 21 Abril - o Engº. Chefe de Material e Tracção informa que o motor instalado, no depósito de Chaves não ainda tira água para abastecimento de locomotivas, o qual é feito pelos tanques; o mau funcionamento do motor provém da fraca voltagem da energia fornecida; 24 Abril - estimativa de 125.000$00 para a conclusão da Av. das Longras; 5 Maio - encontrava-se em condições de satisfazer o fim a instalação eléctrica de elevação de água; 23 Outubro - auto de entrega do edifício da cocheira de carruagens e dormitórios para pessoal da estação; 1924, 01 maio - Engº Director de Estudos e Construção solicita ao Administrador Geral dos Caminhos-de-Ferro do Estado a despender pelo Fundo Especial até 10 contos para acabamentos da estação; 26 Maio - considera-se indispensável que o Governo entregue à Administração Geral 350 contos por conta dos 5.000 devidos da conta do fundo especial, para a conclusão da estação, dentro de 2 meses e da Av. das Longras até ao fim do corrente ano; 1925, 30 abril - data prevista para entrega da exploração do edifício da estação, embora não estejam prontas instalações complementares, como a instalação eléctrica; auto de entrega da estação ao Serviço de Via e Obras; 21 agosto - inauguração da iluminação eléctrica no edifício e gare, faltando completá-la junto das agulhas das cocheiras de máquinas, carruagens e dormitórios; 25 agosto - abertura ao trânsito da Av. das Longras; 05 setembro - determina-se que as estradas de acesso à estação deviam ser entregues às Câmaras; 1926 - Câmara solicita à Administração dos Caminhos-de-Ferro que, aquando da entrega das avenidas de acesso à estação, seja incluído uma faixa de terreno pertencente aos Caminhos de Ferro, entre a linha e a Av. António Granja, para a Câmara proceder à sua arborização; 5 Junho - indeferimento do pedido da Câmara visto a Administração precisar do terreno para construção de casas para a habitação do pessoal; 1927, 15 Março - auto de entrega à Câmara das Avenidas de acesso ao cais e estação de Chaves; 11 maio - tomada de posse pela C.P. - Companhia Portuguesa dos Caminhos de Ferro, das linhas do Estado - redes "Minho e Douro", tal como os "Sul e Sueste"; 1928, 27 janeiro - contrato de sub-arrendamento das linhas de via estreita da rede do Estado, a do Vale do Corgo à Companhia Nacional de Caminhos de Ferro; 1930 - data de um postal da estação mostrando junto ao edifício de passageiros um corpo alpendrado das instalações sanitárias, coberto de vegetação, e junto ao qual se desenvolvia o jardim; 1934 - construção de um dormitório para pessoal de trem e de máquinas e ampliação da casa de habitação do chefe da estação; instalações sanitárias nas retretes da estação; 1947, maio - a linha do Corgo passa a integrar a rede ferroviária nacional, ficando a sua posse e gestão a cargo da C.P.; 1978, 19 janeiro - inauguração da tracção a "diesel" nos comboios da Linha do Corgo pela C.P. *6; 1990, 01 janeiro - suspensão da circulação ferroviária na linha do Corgo entre Vila Real e Chaves, ficando reduzida ao troço de 26 km entre aquela cidade e a Régua; 1999 - apresentação pública do projecto de recuperação da estação de Chaves, do arquitecto Nuno Duborjal.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes autónomas.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada ou em cantaria de granito aparente; pilastras, frisos, cornijas, urnas e molduras dos vãos em cantaria de granito; portas e caixilharia de madeira; vidros simples; painéis e faixas de azulejos; grades de ferro; placas, varanda e alpendre da mesma de betão; cobertura de telha.

Bibliografia

AZEVEDO, Correia de, Vila Real de Trás-os-Montes, Porto, sd. (v.r.); BORGES, Júlio António, Monografia do Concelho de Vila Real, Vila Real, 2006; «O que se fez nos Caminhos de Ferro de Portugal, em 1934» in Gazeta dos Caminhos de Ferro. 01 janeiro 1935, n.º 47 (1129), 27-29; PASSOS, Nuno, SILVA, Dario, Património Recuperado: A Estação de Chaves, in , 5 Janeiro 2009; IDEM, A Primeira Viagem a "Diesel" no Corgo, in , 6 Janeiro 2009; VERDELHO, Pedro, Chaves. Património Arquitectónico e Urbano, Porto, 1993.

Documentação Gráfica

Arquivo Histórico dos Transportes Terrestres: Fundo dos Caminhos de Ferro do Estado, Secção Construção, Cx. 1823 -1826 (antigas cx. 41- 44)

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID

Documentação Administrativa

Arquivo Histórico dos Transportes Terrestres: Fundo dos Caminhos de Ferro do Estado, Secção Construção, Cx. 1823 -1826 (antigas cx. 41- 44)

Intervenção Realizada

CMChaves: 2002 - conclusão das obras de reabilitação do edifício de passageiros, adaptado para as divisões autárquicas da Cultura, Tempos Livres, Educação, Desporto e Acção Social; 2003 - reabilitação do cais de mercadorias; o projecto de requalificação de ambos os edifícios é do arq. Nuno Duborjal e custou 2 milhões de euros; as obras foram adjudicadas à firma José Moreira & Filhos, Ldª.; 2005 - transformação do "garrafão" da gare da estação num Centro Cultural, espaço multidisciplinar, com cinco valências autónomas, num investimento de 7,5 milhões de euros; construção de parque automóvel subterrâneo, com arejamento feito por lanternins ou clarabóias de luz e ar existentes no meio de lagos.

Observações

*1 - No terrapleno da estação incluiu-se a parcela encravada entre a avenida de acesso ao cais e a linha primitivamente limitada, e nessa colocou-se o edifício da cocheira de carruagens e habitação de pessoal, ficando voltado para a via a fachada onde encosta a escada de acesso ao piso superior e que se projectava voltado para o pátio da estação; b) entre a 2ª e a 3ª linha projectava-se uma plataforma para passageiros com 150.00 m comprimento x 1.40 largura; c) aumentou-se para um e outro lado o espaço entre agulhas extremas; d) outras modificações, algumas motivadas pelas considerações gerais; mudou-se o reservatório de água para onde se devia abrir o poço; a báscula ficava próximo do cais descoberto; deslocação do eixo de passageiros 5,50 m para traz; a entrada e saída da estação para o pátio podia fazer-se sem passar pelo edifício de passageiros, por 2 cancelas; os cais recuavam 32.000 m; o cais de carvão e ponte girante recuaram 25.00 m; o projecto de acesso à estação tinha uma avenida que a pouca distância da mesma se dividia em 2, uma das quais seria construída pelo Caminho-de-Ferro, só até ao quartel de Cavalaria nº 6. *2 - O concurso da empreitada nº. 4, de 1917, compreende: 1) terraplanagens necessárias para a construção da linha e estação de Chaves; o corte nos taludes das trincheiras, já abertas e que não tenham inclinação do projecto; a abertura de valetas; regularização da plataforma, taludes e valetas; a construção de obras de arte correntes e serventias entre os Km. 17.920 e 18.300 do lanço da linha da Régua a Chaves compreendida entre Vidago e Chaves; 2) execução das terraplanagens na estrada de acesso ao cais da estação de Chaves; 3) conclusão das terraplanagens e regularização das avenidas de acesso ao edifício de passageiros; no caderno de encargos do edifício de passageiros determina-se que os azulejos empregues no interior seriam brancos ou com quaisquer desenhos que o empreiteiro proponha e a fiscalização aceite; os do exterior teriam a decoração conforme os desenhos que a fiscalização fornecesse. *3 - O Conselho considerou neste projecto a ornamentação dos vãos do 1º pavimento pesada e feia; grande a variedade dos tipos de vergas, que iam desde a volta perfeita, até à verga recta, passando por 2 tipos intermédios; a disposição dos caixilhos em guilhotina era aceitável, mas tornava-se necessário harmonizar com ele a disposição das portas do piso térreo, que nem sempre obedecia à mesma orientação, sobretudo nos alçados das empenas; assim o Conselho julga necessário corrigir a forma e decoração dos vãos de portas e janelas, dos vãos do 1º andar. *4 - O novo projecto do edifício de passageiros elaborado pela Direcção dos Caminhos-de-Ferro do Minho e Douro, com as alterações introduzidas, assinado pelo Engº. Chefe do Serviço Avelar Ruas no vestíbulo amplo com venda de bilhetes, ficava a sala de despacho de bagagens à esquerda com acesso directo à rua, evitando que as bagagens atravessassem o vestíbulo; a saída da plataforma para a rua podia-se também fazer, em dias de grande afluência, pelas duas salas de espera, uma de entrada directa pelo vestíbulo e também pelo gabinete do chefe da estação para o caso de este vender os bilhetes; o telégrafo ficava junto ao gabinete do chefe e com acesso directo para a plataforma; as paredes eram todas forradas a azulejo e a plataforma coberta com alpendre em cimento armado; no 2º piso, ficavam 2 casas de habitação e 4 quartos independentes, para alojar o pessoal da estação. *5 - Aquando da inauguração da estação, em 1922, faltava concluir as retretes, o caminho de acesso do cais, a passagem superior no caminho de acesso com cais, construir o edifício da estação, cocheira de carruagens, "remise" para máquinas, instalação para pessoal de trens e de tracção, o alargamento da trincheira de entrada da estação, de uma armação de suporte do cano de água de abastecimento da vila, o qual atravessa a trincheira de entrada da estação, a vedação da estação, assentar as linhas de resguardo, para além da Av. das Longras e outras mais pequenas de acesso, e alargamento do largo em frente do edifício; o que se considerava mais urgente era o alargamento da trincheira de entrada da estação. *6 A inauguração da tracção a "diesel" compreendia uma viagem numa composição especial a Chaves, com a presença do Engº Carneiro Aires, Director-Geral dos Transportes Terrestres, o Engº Amílcar Marques, Presidente do Conselho de Gerência da C.P., o Dr. Manuel Moura, Vogal do Conselho de Gerência da C.P., o Governador Civil de Vila Real, os Presidentes das Câmaras da Régua, Vila Real, Vila Pouca de Aguiar, Santa Marta de Penaguião e Chaves, representantes das forças militares e militarizadas da região, e outros elementos directivos da C.P. e da comunicação social. *7 - A Linha do Corgo ligava Pêso da Régua a Chaves, passando por Vila Real, e foi construída em bitola de via estreita, ou seja, de 1 metro, acompanhando o rio Corgo pela margem esquerda. Actualmente, a linha funciona apenas entre a Régua e Vila Real, troço que vence um desnível de 360 m em 26Km.

Autor e Data

Paula Noé 2009

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