Igreja Paroquial de Vila Flor / Igreja de São Bartolomeu

IPA.00002699
Portugal, Bragança, Vila Flor, União das freguesias de Vila Flor e Nabo
 
Arquitectura religiosa, barroca. Igreja paroquial combinando elementos decorativos de tradição maneirista, com planta longitudinal de nave única, fachadas laterais contrafortadas, frontispício com torres sineiras laterais e portal muito decorado. Altares barrocos em talha dourada e painel oitocentista no altar-mor. A fachada principal, ainda que flanqueada por torres sineiras, segue no pano central o esquema e decoração desenvolvido pelas igrejas bracarenses barrocas. Portais laterais com exuberante decoração geometrizante, floral e estilizada combinando tradições arcaizantes.
Número IPA Antigo: PT010410170024
 
Registo visualizado 379 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal composta por nave única e capela-mor rectangulares e capela lateral e sacristia adossados a N.. Volumes articulados, cobertura diferenciada em telhado de 2 águas. Embasamento em granito não rebocado ao longo de todo o edifício, com excepção da sacristia. Empenas coroadas por cruzes. Frontispício orientado, forrado a azulejos de padrão a azul e branco; é flanqueado por 2 torres sineiras, com cobertura em coruchéu piramidal, formando três panos separados por pilastras rematadas por pináculos, apostos sobre as cornijas que rematam as torres. O portal, de vão recto é flanqueado por 2 colunelos pseudosalomónicos assentes em pedestal vivamente decorado; enquadra-o decoração exuberante em volutas e rendilhado de ambos os lados. O lintel recebeu 4 estrelas de 8 pontas. Coroa o portal frontão curvo interrompido, com nicho ao centro e 2 pináculos laterais. Entre o lintel e o frontão, 4 cabeças de anjo. O nicho, com colunelos pseudosalomónicos, tem imagem de São Bartolomeu e é rematado com pequeno frontão curvo coroado por pináculos. É flanqueado por 2 pequenos vãos e encimado por óculo ornado com grinalda em granito. Nos panos laterais, flanqueado o portal, 2 grupos escultóricos com 4 figuras masculinas e cordames *1 encimados por 2 janelas de sacada coroadas por frontão curvo. No 2º registo há um novo nicho central com a imagem de Nossa Senhora da Conceição e nos panos laterais um pequeno vão. O corpo central é rematado por frontão decorado. Restantes fachadas com reboco branco. Fachadas laterais ritmadas por contrafortes encimados ao nível dos telhados por pináculos com bolas. No alçado N., abrem-se porta com frontão curvo no 1º pano, correspondendo à torre, portal lateral no 4º pano, com decoração geométrica e frontão curvo e nos outros panos janelas. Capela lateral e sacristia cegas. No alçado E. sacristia com janela e porta e capela-mor com pequeno vão. No interior o espaço entre as torres é fechado por pára-vento encimado por coro-alto com abóbada de berço e balaustrada em granito; ao centro grande cruz com imagem de Cristo; as torres têm 2 pias laterais. Nave com lambril de azulejos de padrão azul e branco, 4 capelas colaterais com retábulos de talha policroma e, no lado da Epístola, púlpito quadrado com base pétrea. A capela lateral de Nossa Senhora da Piedade, do condes de Sampaio, tem pedra de armas e pedra sepulcral com inscrição. Duas capelas laterais com retábulos postos de ângulo, em talha dourada, com 2 colunas salomónicas e 1 arquivolta e decoração exuberante integrando anjos. Pavimento de granito e tecto de madeira de perfil curvo. O arco triunfal é de volta perfeita. Capela-mor com lambril de azulejos de padrão azul, branco e amarelo e retábulo de talha polícroma com tela central. Pavimento em granito e tecto de madeira de perfil curvo com caixotões pintados.

Acessos

Vila Flor, Largo Padre António José de Morais

Protecção

Enquadramento

Urbano, isolado. Ergue-se destacada, abrindo para largo amplo ao centro do qual foi colocado o pelourinho. A N. e S. é flanqueada por arruamentos com casario, a R. da Igreja, a N., a estreita R. da Residência, a S., onde se situa a Casa Paroquial. A E. abre-se novo largo, denominado Lg. do Paço dos Viscondes de Sampaio, delimitado a S. pelo solar do mesmo Visconde e a N. pelo edifício da Padaria Central dotado de interessante chaminé em tijolo.

Descrição Complementar

O espaço entre as torres é muito iluminado por 2 vãos e óculo com vitral policromo. O retábulo lateral do lado da Epístola tem invocação de Senhora das Dores, e o do lado do Evangelho de Nossa Senhora do Rosário.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Bragança - Miranda)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Manuel de Moura (painel do altar-mor - MORAIS, 1986).

Cronologia

1700 - referência segundo a qual a igreja, "há muito arruinada acaba por desabar, ficando quase totalmente destruída" (MORAIS, 1986; GEPB, 1978) sendo logo iniciada a nova construção que se terá prolongado por muito tempo; Séc. 18 - provável construção dos altares de Nossa Senhora do Rosário e de Nossa Senhora das Dores; 1708 - a igreja é transferida para a Misericórdia (MORAIS, 1988); 1777 - construção de novo altar-mor (MORAIS, 1986); 1787 - obras na igreja e colocação de "novo retábulo" (MORAIS, 1986) que ostenta esta data pintada; 1792 - construção da "casa residencial dos abades de Vila Flor" (MORAIS, 1986); 1866 - obras de restauro e reconstrução (MORAIS, 1986); 1880 - é feito "o painel do altar-mor da igreja" (MORAIS, 1986); 1951 - colocação da imagem de Nossa Senhora da Conceição na fachada da igreja segundo placa comemorativa no frontispício; 2004, 15 / 16 Setembro - visita de técnicos da DGEMN/DREMNorte e elaboração da Carta de Risco do Imóvel.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Granito, cimento, telha, azulejo, madeira, vidro simples e a imitar vitrais, retábulo de talha.

Bibliografia

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol. 35, Lisboa, 1978; MORAIS, Cristiano, Cronologia Histórica de Vila Flor 1286 - 1986, Vila Flor, 1986; MORAIS, Cristiano, Roteiro de Vila Flor, Vila Flor, 1988; SOUSA, Fernando de, e PEREIRA, Gaspar Martins, Alto Douro. Introdução / Douro Superior, Lisboa, 1988.

Documentação Gráfica

DGEMN/DSID, DGEMN:DREMNorte

Documentação Fotográfica

DGEMN/DSID, DGEMN:DREMNorte

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1909 - é "restaurado o tecto de castanho da igreja matriz" (MORAIS, 1986); 1944 / 1946 - obras de restauro na igreja "executadas em regime de comparticipação do Estado" conforme placa comemorativa; 1946 - arranjos no exterior segundo memória da obra no lajeado do pavimento a E. da capela-mor; 1984 / 1985 - obras de restauro comparticipadas pelo Estado e pela Câmara Municipal e população segundo placa comemorativa; Fábrica da Igreja: 2000 - obras no telhado da capela-mor, com aplicação de forro de madeira e isolamento; reparos exteriores; remoção do silhar de azulejos e aplicação de novo reboco; 2003 - consolidação da estrutura do retábulo-mor com perfis metálicos.

Observações

A residência paroquial, que veio a funcionar como cadeia, conforme o atestam gradeamentos apostos em 3 vãos do piso térreo, é um edifício de planta rectangular, com fachada principal virada a N.. Tem cunhais apilastrados em boa cantaria bem como o embasamento, e as paredes recebiam reboco branco. A cobertura é em telhado de 4 águas. No frontispício, encimado por cornija vigorosa, rasgam-se 10 vãos. Um vão de entrada, ao centro, com lintel curvo flanqueado por duas janelas de cada um dos lados. Sobre o vão de entrada, no 1º registo, rasga-se janela de sacada flanqueada também por duas janelas de cada um dos lados alinhadas com as janelas inferiores. Segundo informações no local, a casa irá ser restaurada. *1 - A N., enquadram a inscrição: "IHS".

Autor e Data

Alexandra Cerveira 1997

Actualização

 
 
 
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